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	<title>ESTRANHO CORPO ERRANTE</title>
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	<description>Blog literário de Odair J. Alves</description>
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		<title>ESTRANHO CORPO ERRANTE</title>
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		<title>Universo</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/04/28/universo/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/04/28/universo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 28 Apr 2008 18:45:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[outros autores]]></category>

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		<description><![CDATA[O mundo; um grão de areia em um universo infinito. Os homens, os animais vão sumindo. A ciencia; a tolice, vã, desparatada. A luta mental que nos leva ao nada. Lourival Lemos<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=134&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo; um grão de areia<br />
em um universo infinito.<br />
Os homens,<br />
os animais vão sumindo.<br />
A ciencia; a tolice,<br />
vã,<br />
desparatada.<br />
A luta mental que nos leva<br />
ao nada.</p>
<p>Lourival Lemos</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/134/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/134/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/134/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=134&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">odairosol</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>A velhinha que matou Edmond Dantès</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/04/24/a-velhinha-que-matou-edmond-dantes/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/04/24/a-velhinha-que-matou-edmond-dantes/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Apr 2008 19:01:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[contos]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8230;Era uma hora&#8230;a velhinha afiava a faca&#8230; Mayara Vital Para Mayara, obrigado pela inspiração. Mayara anda devagar. Palita os dentes, tem a sensação de que há uma folha de alface inteira entre seus dentes. Não há nada, é somente uma impressão, ela diz para si mesma, mas não se convence. Pára, entra na farmácia, olha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=133&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8230;Era uma hora&#8230;a velhinha afiava a faca&#8230;<br />
Mayara Vital</p>
<p>Para Mayara, obrigado pela inspiração.</p>
<p>Mayara anda devagar. Palita os dentes, tem a sensação de que há uma folha de alface inteira entre seus dentes. Não há nada, é somente uma impressão, ela diz para si mesma, mas não se convence. Pára, entra na farmácia, olha no espelho. Realmente não há alface nenhuma em lugar algum. Respira fundo. Sobe na balança. Preciso emagrecer! Diz para si mesma e sai para a rua.<br />
Quando pisa na calçada esbarra em uma cigana, é, pelo menos isso, o que a mulher parece ser. Ela pede desculpa. Não foi nada. Diz a cigana. A mulher então a olha nos olhos.<br />
- Já sonhou com a mulher vomitando na garrafa?<br />
- Han? &#8211; Ela não entende nada.<br />
- Quando sonhar, não se assuste, essa será a primeira evidência do crime.<br />
- Do que é que a senhora está falando?<br />
- Quando chegar a hora você entenderá.<br />
A mulher se vai deixando Mayara com a impressão de que mesmo contra o depoimento do espelho da farmácia, há sim uma folha de alface entre seus dentes. Desce a rua pensando na partida de xadrez que tem na sexta-feira e no livro que tem que ler para o seminário da faculdade, O Conde de Monte Cristo. Mayara não gosta de livros, somente de revistas de fofoca, essa parte da faculdade é um saco, mas ela vai levando. Gosta mesmo é de jogar xadrez, gosta de olhar nos olhos do adversário, mas a partida de sexta-feira vai ser difícil, final do campeonato estadual. Ela ainda olha a cigana sumindo na esquina. Velha maluca.<br />
Entra apartamento a dentro, caminha para o quarto, o livro está sobre o criado mudo. Alexandre Dumas. Deita e começa folha-lo, os olhos vão ficando pesados. Sono. Muito sono.<br />
Mayara vê a cena através da janela.<br />
Uma velha de cabelos brancos, chamada Eliza. Eliza está segurando um funil, olhando para uma garrafa vazia enquanto fala com um homem bonito.<br />
- Existem mais coisas sob o céu e a terra do que eu possa vomitar!<br />
Eliza diz e então começa a vomitar no funil. Do funil o vômito escorre lentamente para a garrafa pet.<br />
- Não entendo. – Ele diz.<br />
- Você é o cara inteligente mais burro que eu conheço.<br />
O sonho é estranho e Mayara acorda. Lembra-se da cigana. A mulher havia lhe perguntado sobre o sonho com a mulher vomitando na garrafa. Que loucura era aquela? Quem era aquela mulher? Quem era o homem bonito?<br />
Ela olha para o tabuleiro montado. Pensa em qual seria a melhor estratégia para começar a partida. Batem na porta. Entre, mamãe. Ela diz, a mãe entra.<br />
- Deixaram esse envelope para você.<br />
- Quem deixou?<br />
- Não sei, foi seu Ariovaldo quem entregou, disse que deixaram na portaria.<br />
- Ele não disse quem entregou?<br />
- Não sei, depois pergunte a ele.<br />
A mãe sai do quarto, bate a porta, Mayara abre o bilhete.</p>
<p>Edmond Dantès está no Orkut.</p>
<p>Que bobagem era aquela? Edmond Dantès era o personagem do livro que estava lendo. O Conde de Monte Cristo. Alexandre Dumas. O bilhete não tem assinatura, uma letra bonita, letra de professor primário, sua professora a muito tempo atrás tinha uma letra assim. Ela fica curiosa. Senta-se na frente do computador.</p>
<p><a href="http://www.orkut.com/">www.orkut.com</a></p>
<p>Orkut                                  Login: mayara_27<br />
Senha: *********</p>
<p>Faz o login e entra em sua página de scrap`s.</p>
<p>Ao lado da foto do homem bonito do seu sonho, o nome Edmond Dantès, e então o recado. Um link para um site. Sem ao menos se questionar se aquilo é um vírus ela clica. A tela fica preta, depois vai se acendendo aos poucos, surge um tabuleiro de xadrez.<br />
Uma peça branca se mexe é a vez dela. É um jogo on-line, onde os participantes podem conversar enquanto jogam.<br />
- Sonhou comigo?<br />
- Quem é você?<br />
- Eu perguntei primeiro.<br />
- Sonhei. Quem é você?<br />
- Edmond Dantès.<br />
Mayara movimenta o cavalo do rei.<br />
- Mentira. Sei que é um perfil fake no orkut.<br />
- Como pode ter certeza?<br />
- É uma questão de lógica, ou não?<br />
- E como sei que você sonhou comigo? Onde está a lógica disso? Consegue ver?<br />
- Não sei.<br />
Ele faz o mesmo movimento que Mayara.<br />
- A questão é a seguinte Mayara&#8230;<br />
- Como sabe meu nome, como encontrou meu orkut? Quem é você?<br />
- Eu já disse, sou Edmond Dantès.<br />
- Estou falando sério.<br />
- Eu também.<br />
- E quem é Edmond Dantès?<br />
- Nunca leu a fábula de Dumas? O Conde de Monte Cristo?<br />
- Estou lendo.<br />
- Então logo vai saber quem eu sou.<br />
- Como assim?<br />
- A gente veio aqui pra jogar ou para conversar.<br />
Ela faz o cavalo da rainha saltar de volta para seu lugar..<br />
A tela se apaga.</p>
<p>Mayara olha pela janela. Mora em um apartamento de oito andares. Dois apartamentos por andar. 16 apartamentos ao total. Pela janela vê o entulho no quintal do prédio do fundo. Ela mora no terceiro andar. Mora com a mãe no apartamento de dois quartos. Mayara tem 27 anos e está na faculdade, cursa o último dos oito períodos.<br />
Durante o jantar não consegue comer direito, fica lembrando da velha vomitando na garrafa, o vômito escorrendo pelo funil. Sente nojo. O estômago embrulha. A mãe está distraída, fala do novo vizinho da frente, um rapaz estranho e silencioso.<br />
- A porta estava aberta e vi a quantidade de livros. Pelos menos uns dois mil.<br />
Mayara não consegue prestar atenção. Pensa na cigana. Pensa no cara que apareceu no seu orkut, que estranhamente era o mesmo sujeito do sonho com a velha vomitando no funil. O que estaria acontecendo? Ela não sabia. Ela não estava com fome. A mãe ainda falava, sobre o que era mesmo? Não conseguia prestar atenção.<br />
Liga a TV, o canal 13 é mais nojento que a velhinha vomitando no funil. Olha para o tabuleiro, montado sobre a mesinha de centro, tem vários tabuleiros pela casa, apenas não no banheiro.<br />
Ela resolve investigar a procedência do bilhete. Vai falar com seu Ariovaldo. O elevador desce vagarosamente, 3,6 Km por hora, em média, ela aprendeu no Guia dos Curiosos, o segundo meio de transporte mais seguro, perdendo somente para o avião. Bobagens de estatística, toda hora cai um avião nessa cidade! Estatísticas seguras somente no xadrez, movimentos precisos traduziam verdades indubitáveis, quem era mais capaz vencia. Mayara entendia o xadrez como uma guerra, ela era um soldado. O elevador parou. Fiozinho na barriga.<br />
Avistou o porteiro escondido por detrás de seu bigode centenário, quase patrimônio nacional, já com fios brancos, o velho sorri, usa quepe, ou boina, Mayara não sabe qual a diferença.<br />
- Seu Ariovaldo, o senhor entregou um bilhete para minha mãe.<br />
- Fui eu mesmo dona Mayara.<br />
- De onde veio o bilhete?<br />
- Uma mulher deixou aqui, disse que você estava ansiosa por esse bilhete.<br />
- E como era essa mulher, como estava vestida, era gorda, magra, alta, baixa, branca, negra, loira, como era?<br />
- Desse jeitinho ai que você falou?<br />
- Hum?<br />
- Mas para mim ela parecia mais era uma cigana.<br />
- Obrigado seu Ariovaldo.<br />
- Não há do que.<br />
Ela fica com uma pulga atrás da orelha. E a pulga vai crescendo cada vez mais. Mayara se volta para fazer ainda uma última pergunta.<br />
- A mulher disse mais alguma coisa, seu Ariovaldo?<br />
- Sim. Disse; Mayara, é como no xadrez. Não entendi o que ela quis dizer, mas disse que era pra falar essas palavras pra você.<br />
A pulga atrás da orelha de repente é um carrapato enorme sugando seu sangue. Mayara se pergunta mais uma vez o que é que está havendo afinal. E mais uma vez não encontra resposta alguma. O que a mulher quis dizer com aquilo? O que é como o xadrez?<br />
Ela volta para o apartamento dessa vez desiste da segurança do elevador e sobe as escadas, devagar ainda pensando. É preciso dormir cedo, se concentrar para a partida de xadrez. Entra no quarto. A tela do computador está clara novamente.<br />
- Quem bom que chegou Mayara. – Edmond escreve.<br />
- Como sabe?<br />
- Sei de muita coisa.<br />
Edmond move o peão da torre duas posições..<br />
- Estive pensando em Eliza.<br />
- Quem é ela?<br />
Mayara volta o cavalo para a posição inicial.<br />
- A mulher que vomitava no seu sonho. Já se perguntou como sabia seu nome mesmo nunca a tendo visto antes.<br />
- Nunca havia sonhado durante o dia.<br />
- Não foi, de fato, um sonho, minha cara Mayara.<br />
- Como assim?<br />
- Você simplesmente está tendo uma visão daquilo que poderá ser.<br />
- Ainda não entendi.<br />
- Viemos aqui para jogar ou conversar?<br />
Edmond avança a torre duas casas e a tela se apaga.</p>
<p>Ela ganhou o primeiro tabuleiro de xadrez aos seis anos, foi o pai quem deu, ele já era separado da mãe nessa época, vinha aos fins de semana, visitas rápidas, a colocava nos ombros. Upa, upa, cavalinho! Dizia por detrás do bigode, bem menor do que o de seu Ariovaldo, ela pensa nesse momento. A mãe se chama Raquel, o pai Ernesto, igual ao Che, ele mesmo dizia, mas não gostava de política. Ensinou a ela os primeiros movimentos, o mate do pastor, o mate do louco, as primeiras aberturas, os primeiros gambitos, ela aprendeu devagar, desenvolveu jogadas, aprimorou a técnica, hoje o pai já não consegue ganhar dela. Ele move as peças e quando se sente encurralado coça o bigode. É xeque-mate, não tem jeito. Admite sem jeito. E então dá risada.<br />
O pai aparece cada vez menos, se casou de novo, a mãe não, sempre preocupada com as coisas da casa, é uma mulher nova e muito bonita, os homens se viram para olha-la na rua, Mayara percebe, a mãe não liga, nem mesmo presta atenção.<br />
Quem mais aparece é o tio Nestor, quase todos os fins de semana, almoça com ela e a mãe, gosta de contar piada, sempre dando risada, bem humorado, bonitão, ele olha diferente para a mãe, Mayara já percebeu, a mãe parece não se importar, vai e vem pela casa, o tio já é de casa, faz parte da família. Tio Nestor joga xadrez, foi ele quem ensinou o pai de Mayara, joga bem, ela tem dificuldades para ganhar dele, mas sempre consegue, o tio não tem bigodes para coçar. Mayara queria que o tio se casasse com a mãe. Acha que eles dariam certo. Mas não diz nada, apenas move as peças no tabuleiro. Mayara pensa nessas coisas todas e o sono não vem. No fundo tem certo receio de sonhar com a velha vomitando no funil. Mas aos poucos o sono vai chegando.<br />
Lá esta Mayara mais uma vez vendo a cena por através da janela.<br />
- Você não acha essa garrafa pequena demais para todo o fel que ainda tem para vomitar?<br />
- Oh, Edmond como você é ingênuo.<br />
Eliza, a velha, volta a vomitar no funil.<br />
- E a tal moça?<br />
- Mayara? Estou jogando com ela.<br />
- Teve progressos?<br />
- Não, ela está na defensiva, nenhum sacrifício ainda.<br />
- Ela já desconfia do que vai acontecer?<br />
- Não tem a menor idéia.<br />
- Muito bem. E a cigana?<br />
- Está tentando interferir no jogo.<br />
- De um jeito nela. Agora vá e me deixe vomitar em paz.<br />
Mayara acorda, grita para as paredes, acende a luz, respira fundo, corre para o banheiro, vomita na pia, o estômago está se contorcendo em um espasmo dolorido.</p>
<p>O professor está falando sobre o livro. Sua cabeça está longe. Não sabe bem o que pensar, mas não quer pensar na matéria que o professor está explicando. Não consegue se concentrar. Ela não quer saber sobre O Conde de Monte Cristo. Não está interessada em Edmond Dantès, pelo menos não esse do livro, sim aquele que tem aparecido no pesadelo com a velha e que apareceu depois em seu Orkut a desafiando para uma partida de xadrez. Sobre esse, o professor não tem nada a dizer então não há sentido algum prestar atenção em sua aula. Ela se lembra dos detalhes da conversa entre Edmond e a velha, parecia roteiro de filme de gangster`s. Pensa nas palavras dele dizendo que ela talvez estive apenas vendo o que poderia vir a acontecer&#8230;<br />
- No que consiste a metáfora apresentada, minha cara Mayara?<br />
O professor quer saber. Metáfora? Que metáfora? As metáforas não importam, pelo menos não agora, mas ela não diz isso para o professor, tem cara de carrasco nazista, óculos redondos feitos aos de Lennon nas fotos das revistas antigas e nas enciclopédias.<br />
- Desculpe-me, professor, não estava prestando  atenção.<br />
O professor continua a dissertar sobre as possíveis metáforas e bla, bla, bla. E se o jogo de xadrez fosse uma metáfora, o sonho outra metáfora? Mas elas representariam o que? Resposta simples; a loucura de Mayara. Ela sente vontade de rir. Está ficando louca? Quem poderá dizer que não? Quem poderá afirmar? Quem sabe o professor poderá explicar a ela as metáforas possíveis. Impossível. Tudo é possível.<br />
Tem uma coisa que Mayara notou nos dois sonhos; um relógio atrás, na parede dos fundos, mas não consegue perceber que horas são. Outra metáfora, diria o professor. A que horas uma velha chamada Eliza vomitaria em uma garrafa usando um funil? O carrapato atrás de sua orelha começa a lhe chupar o sangue com mais força ainda.<br />
A mãe não está em casa. O bilhete pregado na porta da geladeira diz que o pai passou mal e ela foi dar uma olhada. Mayara toma um copo de suco, come pão integral, mastiga devagar, ainda com nojo da velha, liga a TV, o canal treze está como sempre, ela troca de canal, nada que lhe chame a atenção, propaganda de lojas de móveis, imóveis,carros, jóias, gente vendendo e comprando de tudo. Sente vontade de vomitar em um funil.<br />
A mãe chega com tio Nestor, ele dá risada de alguma coisa, a mãe está seria como sempre.<br />
- Ernesto precisa se cuidar isso sim, senão qualquer dia vai ter um treco e ai então não quero bem ver.<br />
- Oi Mayara.<br />
- Oi tio.<br />
- Já comeu alguma coisa filha?<br />
- Comi sim mãe.<br />
- E a final? Está preparada?- Pergunta o tio.<br />
- É sexta-feira, estou sim.<br />
Mayara vai para o quarto. Pensando ainda nas possíveis metáforas. Ela liga o PC, o monitor se acende. Edmond não está on-line, por hora não haverá xadrez. Pensa na abertura de Ruy Lopez que o pai lhe ensinou, na defesa russa de Petrov que o tio lhe apresentou. Distraída, ela olha, por um segundo, pela janela e tem a impressão de ver a cigana na frente do prédio, olhando para sua janela, ela pisca, então a mulher já não está mais ali. Deve ter sido impressão, ela pensa, mas mesmo assim caminha para a janela, amassa no nariz contra o vidro e nada vê, nenhum vestígio da cigana. Deve ter mesmo sido impressão.<br />
A mãe bate na porta.<br />
- Entra mãe.<br />
- Acabou de chegar pra você minha filha. – Diz a mãe estendendo o envelope.<br />
Ela nem mesmo abre, sai correndo, desce as escadas, chega exausta e quase sem ar lá embaixo. Seu Ariovaldo varre o saguão.<br />
- Quem foi que entregou o envelope dessa vez seu Ariovaldo, foi a mulher que parece cigana.<br />
- Calma menina, vai ter um treco. Sim, foi ela.<br />
- Por que o senhor não a segurou?<br />
- Como assim? Desde quando  eu posso ficar segurando as pessoas?<br />
- Obrigado seu Ariovaldo, deixa pra lá.<br />
Ela, dessa vez espera o elevador. Seu Ariovaldo fica olhando enquanto passa a vassoura pelo saguão. Essa juventude está toda é enlouquecida, deve ser esse tal de hip hop. Pensa o porteiro. O elevador demora, ela tem ímpetos de sair correndo escada acima, mas ainda está com a língua de fora da descida. O elevador é lento demais, Mayara pensa, também 3,6 Km por hora ninguém merece, nem mesmo uma tartaruga é tão lenta, ela esbraveja para si mesma.<br />
Quando vai abrir a porta, do apartamento vizinho ouve sons estranhos saindo por detrás da porta. Deve ser o tal vizinho estranho, de quem mamãe falava. Pensa, abre a porta e entra no apartamento, tio Nestor está dormindo no sofá. A mãe faz ruídos na cozinha, ela caminha para o quarto a procura do envelope que a cigana deixara na portaria. A tela do computador está acesa. Mensagem abaixo do tabuleiro. Edmond estava on-line.<br />
- Recebeu a encomenda?<br />
- Já estou começando a enjoar dessa brincadeira.<br />
- A que brincadeira se refere, minha caríssima enxadrista?<br />
- Tudo isso.<br />
- Nada disso é brincadeira. É a vida real com uma leve pitada de nostalgia e surrealismo.<br />
- E o que eu tenho com tudo isso?<br />
- Você é o Tudo Isso.<br />
A tela se apaga mais uma vez.<br />
O envelope está sobre a cama, ainda lacrado. Mayara rasga a borda. Dentro há algumas folhas antigas, muito envelhecidas, ela tem a impressão de se tratar de alguma espécie de pergaminho. Não entende uma única palavra. Está todo escrito em francês, passa os olhos por varias páginas, até que encontra algo que lhe é familiar, o nome Edmond Dantès. Mais uma vez ela não entende nada. Como desvendar aquele labirinto de palavras em francês? Pegar um dicionário e tentar decifrar? Levaria muito tempo. Encontrar alguém que seja capaz de traduzir? Quem Mayara conhece que sabe francês? Muita gente, mas tem que ser alguém de confiança. Quem Mayara conhece que seja de confiança e fale francês? Ninguém!<br />
Mayara está cansada, quer dormir, acordar de tudo aquilo, deixar de jogar essa partida de xadrez estúpida com um cara que nem mesmo existe, não passa de um trote de alguém que não tem o que fazer. Mas e a cigana? E o sonho com a velhinha vomitando na garrafa? Tudo é real demais. Ela não pode negar. Ou pode? Mayara não sabe. Mayara não quer saber. E nesse momento Mayara tem muita raiva de quem sabe. Ela vê o livro sobre o criado mudo. Livro idiota, tudo isso é culpa sua! Ela sente ímpetos de se lançar sobre o livro e rasga-lo, mas no fundo sabe que isso além de ridículo, seria inútil. Ela se vira na cama tentando dormir. Apaga as luzes e sente acalentada pela penumbra. Respira fundo varias vezes. Tenta esquecer tudo, deixar a mente vazia, tenta flutuar no vácuo do não- ser, mas é impossível. Todos os fatos estão dentro de sua cabeça, são imagens irretocáveis, não podem ser apagadas. Droga de sono que não vem. Ela olha para o teto e vê o ventilador rodando na penumbra, os ouvidos capturam os poucos sons vindos da rua. Os ruídos passam a ser sua canção de ninar e então Mayara dorme.</p>
<p>- Seu pai está no hospital. – Conta a mãe.<br />
- O que ele tem?<br />
- Alguma coisa no fígado.<br />
O pai de Mayara não bebia no tempo que lhe ensinou a jogar xadrez, mas nos últimos anos estava bebendo muito, parecia até que queria compensar os anos sem a bebida. Tinha vezes que ficava dias bêbado. E não fazia absolutamente nada. Não escrevia uma única palavra. O pai dela é escritor. E mayara não gosta de livros, ela não consegue entender esse paradoxo. Ri dele, às vezes, mas não na frente do pai. Ele tem centenas de livros pelo apartamento, estantes e mais estantes, livros velhos, empoeirados, livros do tempo da onça, diz o tio Nestor.<br />
Por segundos Mayara deixa de pensar no texto em francês que precisa traduzir e pensa no pai. De como ele lhe explicava que era preciso estar pelos menos quatro lances na frente do adversário, analisar todas as possibilidades antes de sacrificar o primeiro peão no gambito. Agora o pai está no hospital, problema no fígado. Realmente o mundo dá voltas, ela pensa, não diz nada para a mãe.<br />
- Vamos visitá-lo depois do almoço.<br />
Mayara concorda com um movimento de cabeça. Não gosta de hospitais, não gosta do cheiro. Não gosta muito de Helena, a nova mulher do pai, simpática demais, certinha demais, mania de falar tudo corretamente, um eufemismo por centímetro quadrado, pensa Mayara. Helena toda certinha e o pai todo errado, ironias da vida. Os opostos se atraem, mas o pai também fala corretamente, mas não usa os eufemismos a cada segundo, apenas nos livros, separa as coisas, ao contrário de Helena.<br />
Mayara não sabe por que os pais se separaram, era muito nova, ninguém toca no assunto, ninguém parece de fato se lembrar do motivo. Ela também não quer saber, o que importa são os fatos em si, pronto, ai está. A mãe vai para a cozinha preparar o almoço, Mayara ouve os sons das panelas, água caindo, sons de copos.<br />
Mayara espia a janela, pouco trânsito, a rua é sossegada, o bairro é tranqüilo e a vizinhança não é muito barulhento. O pai dela escolheu morar aqui, a tempos atrás, por causa de toda essa paz, precisava de tranqüilidade para escrever seus livros. Depois foi embora e o apartamento ficou com a mãe. Hoje o pai mora no centro da cidade, um inferno de ruídos. Mayara pensa nisso, talvez por isso o pai tenha mudado tanto, as críticas de seus livros tem sido todas negativas, talvez por isso tenha bebido tanto nesses últimos anos, Mayara não sabe, melhor não saber de certas coisas. Talvez o pai conheça alguém que fale francês. Mas amola-lo assim quando ele está hospitalizado? Seria uma boa idéia? Não importa, boa ou ruim, ela iria averiguar. O pai não poderá vê-la na sexta-feira na final do estadual de xadrez, droga, a tempos ele já não tem aparecido. Na cozinha os sons de dona Raquel continuam, logo o almoço estará pronto. Mayara está com fome.<br />
Mayara está confusa.</p>
<p>A palidez de todos no hospital deixa Mayara ainda mais desanimada. O pai está deitado, um travesseiro enorme, um litro de soro pingando no canudinho, indo direto para a veia estufada em seu braço. Tio Nestor veio junto. Os passos dos enfermeiros indo e vindo pelos corredores silenciosos transportam Mayara a anos no tempo, os ruídos em muito se assemelham aos sons que escapavam da velha Olivetti do pai, quando ela ainda era criança e engatinhava pelo apartamento. Hoje o pai escreve em um laptop, sem ruídos, e ela já não engatinha a mais a quase três décadas. O soro pinga vagarosamente.<br />
Mayara se sente oprimida por aquelas quatro paredes brancas que a cerca. Sente gana de sair correndo dali e ir lá fora respirar, o pai está falante apesar de abatido, Helena segura a sua mão. Ela está triste, gosta muito do pai de Mayara, e a enxadrista por instantes sente uma enorme simpatia pela nova esposa do pai. Mais uma vez os passos pelo corredor, mais uma vez o tac, tac, tac da máquina de escrever, encravada em suas lembranças infantis.<br />
Os passos se aproximam, a Olivetti martela dentro das lembranças de Mayara. Os passos são da enfermeira. Entra no quarto, um buquê enorme de rosas brancas, o perfume se alastra, afasta um pouco o cheiro de remédio que as paredes e aparelhos exalam.<br />
As flores são para Mayara, diz a enfermeira, entrega-lhe o buquê, Mayara espirra, o cheiro é muito forte, espira duas, três vezes. Saúde. Dizem. Há um bilhete, Mayara abre lê, está em francês, assinado por Edmond Dantès. Todos olham para ela, sente-se corar, sai do quarto, corre pelos corredores ainda espirrando. Ela está ficando cansada dessa brincadeira de gato e rato. Joga o buquê no primeiro latão de lixo, caminha cabisbaixa, chuta as pedrinhas nas ruas, as latinhas de refrigerantes, alonga a caminhada, não quer chegar em lugar algum, não tem pressa para nada, não quer ir a lugar algum, ver ninguém, pensa em Edmond Dantès, na partida de xadrez do dia seguinte, não treinou nenhuma vez na semana, apenas fragmentos de uma partida virtual com um fantasma. Mayara se sente exausta, entra na livraria, compra um dicionário de francês, escolhe o caminho mais comprido de volta para casa, vai folheando o dicionário, tenta traduzir as poucas palavras do bilhete.</p>
<p>Um movimento em falso e o bispo matará o rei!</p>
<p>Edmond Dantès.</p>
<p>Depois de muito esforço ela traduz precariamente, mas não entende o que quer dizer a mensagem. Quem é o rei? Quem é o bispo? Quem vai matar quem? Está, já, de frente para seu prédio, as janelas de seu apartamento estão abertas, as luzes acesas, a luz do quarto dela está acesa, Mayara não se lembra de ter deixado-a acesa. Ela encontra seu Ariovaldo, ele a olha por detrás do bigode e não diz nada. O sol já está se pondo no horizonte Mayara segura o bilhete e chama o elevador.<br />
Depois do jantar Mayara se tranca no quarto, com um caderno e com o dicionário, passa a madrugada tentando traduzir o manuscrito. É um processo lento, vagaroso, dolorido, os olhos ardem, algumas palavras ela não acha, resolve baixar um dicionário melhor na internet, leva tempo, enquanto isso vai usando o dicionário, vai anotando no caderno as palavras que encontra, coloca a palavra em francês e na frente seu equivalente em português. Os olhos vão ficando pesados. Mayara cai no sono.<br />
Mais uma vez ela assiste por detrás da janela, presta atenção no relógio, ainda não consegue enxergar as horas, no entanto vê Elisa afiando uma faca enorme, dessas de açougueiro, a luz da lua entra pela janela, ou será a luz do poste de frente da casa? Mayara não sabe, mas tanto faz, o fato é que a luz reflete na faca e essa por sua vez se faz enorme, e principal objeto da cena.<br />
A velha está sozinha, assovia uma canção que Mayara desconhece, a faca brilha, a velha assovia ainda mais intensamente a medida que afia a faca. Um telefone toca dentro da noite. Mayara acorda. O telefone celular toca sobre o criado mudo.<br />
- Alô.- ela atende.<br />
O telefone está mudo. a tela do computador está acesa, uma torre preta se mexe.<br />
- Olá, dorminhoca. – Escreve Edmond.<br />
- Vá se ferrar. – Mayara diz para o computador.<br />
Ela caminha até o PC e o retira da tomada.<br />
- Acabou a brincadeira.<br />
O celular toca novamente, e mais uma vez está mudo. Mayara o desliga. Se sente dentro de um filme B, estúpido, ridículo e boçal. Já é noite lá fora. As estrelas estão pequenas através da janela escancarada. Mayara, de certa forma, e se acha até mesmo ridícula por isso, sente medo de dormir, teme que o sonho com a velha vomitando na garrafa ou afiando a faca, volte a perturbar.<br />
Mayara olha a lista de palavras, muitas delas são iguais, se repetem dezenas de vezes, centenas de vezes, ela então descobre do que se trata. O manuscrito é a descrição de movimentos de uma partida de xadrez, explicada por extenso, com palavras e não com os costumeiros símbolos dados por letras e números. Mayara anota as palavras que mais se repetem.</p>
<p>Tour, cheval, pion, évêque, roi.</p>
<p>Fica olhando para elas, ali, paradas no papel. Torre, cavalo, peão, bispo, rei. Fica imaginando que partida seria aquela, quem a teria jogado, quem teria anotado cada lance a tantos anos atrás a se julgar pela textura e estado do papel.<br />
Horas depois o texto está praticamente traduzido. É a Ouverture le Dantès. Abertura de Dantès. Além dos movimentos das peças, Edmond conta sobre o período que ele chama de prision a vie, que Mayara traduz como prisão perpetua, conta episódios acontecidos enquanto ele e o padre cavavam o túnel para fugir do cárcere.<br />
A Ouverture le Dantès começa com o cavalo da rainha e daí em diante Dantès mostra todas as possibilidades da abertura que descreve, e depois de centenas de movimentos as brancas vencem. Muitos dos movimentos Mayara não consegue compreender o por que, sacrifícios de peças e posições que ela jamais faria estão todos ali.<br />
Ela sente-se exausta. Os olhos começam a ficar pesados. Mais uma vez vê a cena por detrás da janela. Eliza afia a faca, o relógio na parede marca uma hora, a velha caminha em direção a Edmond Dantès, que está de costas olhando a paisagem através da janela de Mayara, parece vê-la. Mayara quer gritar, alertar Edmond sobre o eminente perigo, mas não há como, seus músculos estão congelados, ela sua frio, nada sai de sua garganta, somente um suspiro quando Elisa corta a garganta de Edmond e ele cai, a ultima coisa que ela vê sãos os dedos dele deslizando pelo vidro da janela antes de cair e ela acordar gritando.<br />
Nada daquilo pode ser real, ela imagina, não há lógica, ela é uma enxadrista, acostumada a lidar com razão e lógica, mas por algum motivo que ela desconhece a situação simplesmente é surreal além do que ela pode conceber. Ali estão as provas, o manuscrito, a Ouverture le Dantès.</p>
<p>Finalmente chega sexta-feira, dia da final. Mayara está sentada diante do adversário. Um rapaz alto, albino, espinhas vermelhas e óculos com aros de tartaruga. Ela ainda pensa nos pesadelos com a velhinha. Pensa no pai que ainda está internado. Pensa no seminário sobre o livro de Dumas. Mas agora ela está sentada de frente ao tabuleiro. Ela jogará com as brancas. Varias pessoas assistem a partida. Dentro da platéia ela vê a cigana. A mulher sorri. Mayara não sabe o porque, mas sorri de volta.<br />
Mayara faz o cavalo saltar. Usa a Ouverture le Dantès.</p>
<p>Junqueirópolis, 24 de abril de 2008</p>
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		<title>Lembranças do homem sem nome</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Mar 2008 16:37:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Ele não era chamado pelo nome, não havia como, não tinha nome, nem número de identidade, nem coisa alguma que não fosse a si mesmo. Os bacharéis em direito bem poderiam dizer que ele não era uma pessoa, nem física e nem jurídica, mas não diziam, simplesmente não havia o que dizer. Ele também não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=131&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ele não era chamado pelo nome, não havia como, não tinha nome, nem número de identidade, nem coisa alguma que não fosse a si mesmo. Os bacharéis em direito bem poderiam dizer que ele não era uma pessoa, nem física e nem jurídica, mas não diziam, simplesmente não havia o que dizer. Ele também não dizia nada, não havia o que dizer, não havia perguntas, então o silêncio era a resposta mais sábia, talvez a única, mas não havia como saber, ninguém queria saber, ninguém precisava saber, a ignorância era uma benção, pensavam, ele também pensava.<br />
O sujeito tinha, no entanto, lembranças dos momentos em que não foi lembrado. Do momento em que se sentou, no ônibus lotado, ao lado da moça de cabelos presos, óculos, ar de intelectual, perfume de jasmim, ela tinha nome, um nome que ele já não se lembra. Um nome que já não lembram. Do que servem os nomes se as pessoas simplesmente os esquecem uma hora ou outra. Ele não tinha nome, não lhe fazia falta. A moça de óculos nunca tomou conhecimento de sua presença, nunca perguntou seu nome, e se perguntasse não haveria resposta, o silêncio era uma virtude, um companheiro fiel, imaginava.<br />
Lembrava dos sacolejos do ônibus enquanto respirava o cheiro de jasmim da moça, jasmim é um nome bonito para uma flor, mas também para uma mulher, talvez a moça se chamasse Jasmim, talvez não, um nome é somente um nome, substantivo próprio, havia aprendido na escola, havia respondido corretamente na prova de gramática, pra que? Do que servia essa informação, se ele não tinha nome. Não queria ter. Pra que? Todos têm nomes, diziam, ele se cansou de ouvir. Foi então que resolveu ir embora, pegou o ônibus, se sentou ao lado da moça que tinhas ares intelectualizados<br />
Pela janela via a paisagem, as deformações do mundo ao redor, do mundo que vivia independente dele e da moça ao lado, mas seu perfume era algo cruel, algo que o chamava para a realidade, ou irrealidade de sua anônima situação. Vivia em um mundo onde até mesmo um cesto de lixo estava vomitando substantivos e ele não tinha um único pra chamar de seu, às vezes pensava nisso como uma maldição, noutras vezes era um dom, vivia às margens de um mundo desigual e não era igual aos desiguais, isso não era um paradoxo, pelo menos não dentro dele, não era uma questão sofistica, não era nem ao menos material suficiente para o refrão de um bolero piegas, era um fato, um artefato, não sabia, ninguém sabia, não queriam saber. A moça ao lado não queria saber, pelo menos não precisava saber, tudo estava suspenso, mas a queda era inevitável, tudo culpa daquele cheiro de jasmim que exala dela.<br />
Se não fosse pelo perfume, não haveria tal questionamento, não faria tanta diferença, talvez diferença alguma, mas havia o cheiro da moça de quem não queria saber o nome, mas talvez tivesse um nome bonito, nome de flor, essa  possibilidade o incomodava. Não gostava de se sentir assim, dava-lhe gana de sair correndo, mas dentro do ônibus não havia como, se pelos menos estivesse dentro de um trem poderia pensar no caso, conforme fosse. Poderia perguntar a moça que perfume era aquele, talvez ela respondesse em um monossílabo tônico e intelectualizado, algum verbete desconhecido para ele e sua ignorância sem substantivos e predicados, quem dera  soubesse pronomes pomposos para se dirigir a tão perfumada figura, cognatos perfeitos, não, desconhecia todos, talvez ela não se resignasse a responder tão estúpida pergunta, e apenas lançasse um olhar de desdém em direção a sua figura quixotesca e anônima, ele não sabia, não queria saber, estava convencido de que isso não tinha a menor importância. Será?<br />
Sua convicção nesse momento era feita de cartas sobre postas em um castelo feito com um baralho já gasto, não sabia se poderia se erguer mais alguns andares. O perfume era um furacão soprando seu castelo de cartas. Ele se manteve firme e não mais deu importância a tal odor. Era sua única lembrança daquela viagem. Ao não ser pelo nome da moça, que descobriu na chega a rodoviária, quando um rapaz de óculos correu em sua direção para abraça-la.<br />
- Rosa , meu amor, quantas saudade!<br />
Sim, a moça de fato tinha nome de flor, ele ficou a vendo partir, ficou sentido seu perfume se repartindo em outros tantos odores da rodoviária e então tudo sumiu e o que restou foi uma lembrança. No momento se perguntou se um dia ainda sentiria seu perfume outra vez, não sabia, não sabiam, ninguém queria saber.</p>
<p>Junqueirópolis, 17, março de 2008.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/131/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/131/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/131/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=131&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Soneto para Andressa</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Mar 2008 12:57:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Andressa; princesa de ébano, minha flor teu sorriso é algo  como um sonho bom, como uma canção que jamais sai do  tom, é feito um fruto de inexquecivel sabor. Tenho te olhado como quem olha para o céu quando este está completamente estrelado, teu brilho é intenso, teu olhar é povoado de tantas constelações que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=130&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Andressa; princesa de ébano, minha flor<br />
teu sorriso é algo  como um sonho bom,<br />
como uma canção que jamais sai do  tom,<br />
é feito um fruto de inexquecivel sabor.</p>
<p>Tenho te olhado como quem olha para o céu<br />
quando este está completamente estrelado,<br />
teu brilho é intenso, teu olhar é povoado<br />
de tantas constelações que nem mesmo o véu</p>
<p>de uma tempestade pode cubrir a tua luz<br />
e nada pode apagar  o brilho que teu sorriso<br />
espalha em tudo aquilo que te rodeia.</p>
<p>Tua presença é como a própria poesia;<br />
causa extase, deslumbramento, por isso<br />
que esse teu jeitinho doce me seduz!</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/130/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/130/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/130/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=130&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Dia</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Mar 2008 16:20:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Pouca e pobre poesia enquanto se faz porca a vida, vibra e vira a esquina o pó que restou da rima; antes vã agora desnecessária na arbitrária confusão em que se faz o dia.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=129&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pouca e pobre poesia<br />
enquanto se faz porca a vida,<br />
vibra e vira a esquina<br />
o pó que restou da rima;<br />
antes vã<br />
agora desnecessária<br />
na arbitrária<br />
confusão em que se faz o dia.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/129/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/129/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/129/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=129&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Sensações</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/02/25/sensacoes/</link>
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		<pubDate>Mon, 25 Feb 2008 22:25:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Sinto sensações simples sonho saborear seu sorriso sentir sua suavidade sempre Sozinho; sinto saudades suas. Sabe; sonho ser seu súdito suprir, sufocar sua solidão saber sobre seus segredos satisfazer seus sonhos. Solitário sinto sensações sufocantes sonho sonhos sem significados sobra somente seu sorriso. Sorrio só sabendo sobre seu sorriso, sabendo ser sincero seu semblante serei [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=115&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sinto sensações simples<br />
sonho saborear seu sorriso<br />
sentir sua suavidade sempre<br />
Sozinho; sinto saudades suas.</p>
<p>Sabe; sonho ser seu súdito<br />
suprir, sufocar sua solidão<br />
saber sobre seus segredos<br />
satisfazer seus sonhos.</p>
<p>Solitário sinto sensações sufocantes<br />
sonho sonhos sem significados<br />
sobra somente seu sorriso.</p>
<p>Sorrio só sabendo sobre seu sorriso,<br />
sabendo ser sincero seu semblante<br />
serei sempre seu semoto sonetista.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/115/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/115/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/115/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=115&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Soneto para Helena</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/02/25/soneto-para-helena/</link>
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		<pubDate>Mon, 25 Feb 2008 22:21:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Olhinhos miudos que espreitam a vida por detrás de um brilho calmo, doce. Passos de quem valsa, como se fosse a vida, uma passarela, desfila; linda! Tem lábios, sorriso e nome de rainha, sua majestade se faz em cada gesto, tudo se acende quando está por perto, é néon, ébano e calor. Sua vozinha é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=114&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olhinhos miudos que espreitam a vida<br />
por detrás de um brilho calmo, doce.<br />
Passos de quem valsa, como se fosse<br />
a vida, uma passarela, desfila; linda!</p>
<p>Tem lábios, sorriso e nome de rainha,<br />
sua majestade se faz em cada gesto,<br />
tudo se acende quando está por perto,<br />
é néon, ébano e calor. Sua vozinha</p>
<p>é uma canção de ninar, tão singela<br />
que não se pode descrever à pena,<br />
somente ao ouvido soa de forma plena.</p>
<p>Mulher, menina, anjo, poesia e aquarela,<br />
quase que indescritível de tão bela;<br />
uma flor, sem perfume igual: Helena</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/114/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/114/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/114/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=114&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Coito</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/02/20/coito/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/02/20/coito/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 20 Feb 2008 16:21:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Já no último ato do amor quando desinrigesse-se a fibra do sexo, uma gota se equilibra, ainda, em cada pétala da flor e se espalha pelos corpos unidos onde nos íntimos ainda vibra um desejo intenso, que calibra o prazer nos orgãos vencidos pelo passado extase ofegante, onde mergulharam num instante e se ligaram a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=113&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já no último ato do amor<br />
quando desinrigesse-se a fibra<br />
do sexo, uma gota se equilibra,<br />
ainda, em cada pétala da flor</p>
<p>e se espalha pelos corpos unidos<br />
onde nos íntimos ainda vibra<br />
um desejo intenso, que calibra<br />
o prazer nos orgãos vencidos</p>
<p>pelo passado extase ofegante,<br />
onde mergulharam num instante<br />
e se ligaram a cada gesto</p>
<p>duas almas puras e irmãs,<br />
onde seus corpos e mentes sãs<br />
comemoram um ato de incesto.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/113/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/113/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/113/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=113&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Soneto para Vanessa</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/02/08/soneto-para-vanessa/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/02/08/soneto-para-vanessa/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 08 Feb 2008 11:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Fiz esse soneto como um presente de aniversário para uma menina poeta, Vanessa de Mello Brito, cujo os versos tenho lido muito, gostado muito, aplaudido muito&#8230; Ah, menina de tantas palavras mágicas, teu verso é suave, doce, até quando triste, é musical até mesmo quando as métricas são apenas um pequeno esboço, que insiste em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=112&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>Fiz esse soneto como um presente de aniversário para uma menina poeta, Vanessa de Mello Brito, cujo os versos tenho lido muito, gostado muito, aplaudido muito&#8230;</i><br />
<i></i><br />
Ah, menina de tantas palavras mágicas,<br />
teu verso é suave, doce, até quando triste,<br />
é musical até mesmo quando as métricas<br />
são apenas um pequeno esboço, que insiste</p>
<p>em dizer o que não dizes, querendo dizer<br />
o que em ti se oculta na palavra não dita<br />
por tua boca ou por tua pena. Teu ser<br />
é metade poeta, metade menina; artista!</p>
<p>Teu verso é algo como o vento ou o mar;<br />
sopra, arrebenta e arrebata; maresia.<br />
É calor, febre, furia e torpor; indomável!</p>
<p>Teu ser, imagino, é brilho nos olhos e afável<br />
sorriso. Teu verso me encanta e me faz vibrar<br />
em acordes de ternura; frutos de tua poesia!</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/112/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/112/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/112/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=112&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>De tudo o que me infesto.</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/02/06/de-tudo-o-que-me-infesto/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Feb 2008 11:49:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Há em cada um de nós, um gesto que é mistura de tristeza e protesto e é de tudo isso que eu me insfesto ao sentir-me assim, quase que morto Há em cada um de nós, marcas pelo corpo, Resultantes da doença e do incesto e é de tudo isso que eu me infesto nessa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=111&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há em cada um de nós, um gesto<br />
que é mistura de tristeza e protesto<br />
e é de tudo isso que eu me insfesto<br />
ao sentir-me assim, quase que morto</p>
<p>Há em cada um de nós, marcas pelo corpo,<br />
Resultantes da doença e do incesto<br />
e é de tudo isso que eu me infesto<br />
nessa mistura de tristeza e protesto.</p>
<p>Há em cada um de nós, restos de um grito<br />
Resultado de um silêncio precipitado<br />
e é de tudo isso que eu me infesto</p>
<p>E me canso, então, morto e derrotado<br />
Nesse silêncio triste é que assisto,<br />
eternamente, o aborto destronar o feto.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/111/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/111/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/111/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=111&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://odairosol.wordpress.com/2008/02/06/de-tudo-o-que-me-infesto/feed/</wfw:commentRss>
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			<media:title type="html">odairosol</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Desatar</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/02/06/110/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/02/06/110/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 06 Feb 2008 11:41:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao rever a irreversivel matéria da vida, constato, vivendo que não só é oxidável como também é triste E por mais que possa ser possivel refazer e desfazer o que não entendo e transformar tão inafavel matéria, que insiste Em Corroer-se por si só na indestrutivel roda dos anos. Ao rever tudo o que foi [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=110&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao rever a irreversivel<br />
matéria da vida, constato, vivendo<br />
que não só é oxidável<br />
como também é triste</p>
<p>E por mais que possa ser possivel<br />
refazer e desfazer o que não entendo<br />
e transformar  tão inafavel<br />
matéria, que insiste</p>
<p>Em Corroer-se por si só<br />
na indestrutivel roda dos anos.<br />
Ao rever tudo o que foi deixado</p>
<p>à um legado de eterno pó<br />
de matéria morta, constato, estupefado<br />
que é vital desatar todos esses nóis.</p>
<p>30.05.2005</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/110/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/110/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/110/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/110/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/110/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/110/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/110/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/110/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/110/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/110/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/110/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/110/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/110/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/110/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/110/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/110/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=110&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Último verso</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Feb 2008 11:34:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Só mais um último verso antes do caos, mas que ele seja tão cruel quanto um asteróide descendo do céu para destruir os homens maus. Último verso, feito de ferro e fogo Carrasco de toda uma geração de poetas perdidos, escondidos em confusa métricas cantando o amor como se joga um jogo. Só preciso de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=109&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Só mais um último verso antes do caos,<br />
mas que ele seja tão cruel<br />
quanto um asteróide descendo do céu<br />
para destruir os homens maus.</p>
<p>Último verso, feito de ferro e fogo<br />
Carrasco de toda uma geração de poetas<br />
perdidos, escondidos em confusa métricas<br />
cantando o amor como se joga um jogo.</p>
<p>Só preciso de mais um único verso<br />
para coroar essa terrivel conspiração<br />
que, agora, crio em um só soneto,</p>
<p>Mas tem que ser o verso mais perfeito<br />
já composto em todo o universo<br />
ou toda a espera terá sido em vão.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/109/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/109/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/109/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=109&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Sem suportes</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Feb 2008 11:08:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[outros autores]]></category>

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		<description><![CDATA[Pedro deixou esse poema a muito tempo comigo, levei tempo para desvendar o mistério de sua caligrafia. Na mesa do tempo o passado deixa sobras saborosas a existência pulsa nas veias do tempo ( Razão alheia ) O meu corpo pergunta O reflexo mofa O espelho é covarde O humilde é um martelo ( Movimentos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=108&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>Pedro deixou esse poema a muito tempo comigo, levei tempo para desvendar o mistério de sua caligrafia.</i></p>
<p>Na mesa do tempo<br />
o passado deixa sobras saborosas<br />
a existência pulsa<br />
nas veias do tempo<br />
( Razão alheia )<br />
O meu corpo pergunta<br />
O reflexo mofa<br />
O espelho é covarde<br />
O humilde é um martelo<br />
( Movimentos rígidos )<br />
Sem suportes suporto<br />
Moral. Só a do respeito<br />
Estou na estação esperando<br />
Sem Suportes, virá!<br />
( Drástica mudança )<br />
Com suporte, um filho acalentarei<br />
Não sendo progenitor<br />
somente meu corpo vagará<br />
nas veias do tempo.</p>
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	</item>
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		<title>Rodeiam minha mente.</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/02/06/rodeiam-minha-mente/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Feb 2008 11:02:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[outros autores]]></category>

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		<description><![CDATA[Falo coisas sem sentido que rodeiam minha mente rodam, rodam, incansavelmente a perturbar meus sonhos e meus pensamentos Não há sentido em falar de você sentido algum! Falar que te amo, falar que que te quero e morro por você, você nunca escutou! Nem se eu gritasse para o mundo. Não há sentido nesse amor [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=107&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Falo coisas sem sentido<br />
que rodeiam minha mente<br />
rodam, rodam, incansavelmente<br />
a perturbar meus sonhos<br />
e meus pensamentos</p>
<p>Não há sentido em falar de você<br />
sentido algum! Falar que te amo,<br />
falar que que te quero e morro por você,<br />
você nunca escutou!<br />
Nem se eu gritasse para o mundo.<br />
Não há sentido nesse amor<br />
Amor sem sentido e sem ação,<br />
mórbido, pálido, frio.<br />
Acaba com meus sonhos<br />
e meus pensamentos.</p>
<p>Elisângela Ambrósio.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/107/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/107/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/107/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=107&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>End.</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/02/06/end/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/02/06/end/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 06 Feb 2008 10:57:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[outros autores]]></category>

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		<description><![CDATA[Poema antigo, esquecido em uma gaveta. Falar sobre o fim é facil, para quem nunca viu nada ir ao fim Falar sobre o fim para mim é como um desabafo, pois nunca vi nada pelo começo, só percebo quando chega ao fim. Falar sobre o fim é como relembrar um sepultamento que fizemos ontem. Falar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=106&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>Poema antigo, esquecido em uma gaveta.</i></p>
<p>Falar sobre o fim é facil, para quem nunca viu nada ir ao fim<br />
Falar sobre o fim para mim é como um desabafo, pois nunca<br />
vi nada pelo começo, só percebo quando chega ao fim.<br />
Falar sobre o  fim é como relembrar um sepultamento que fizemos ontem.</p>
<p>Falar sobre o fim é como colar nos próprios olhos nuvens negras,<br />
que nos cegam.<br />
É como viver em sepulcros, enterrados em nossos próprios fracassos.<br />
O fim não é bom, mas sempre está entre as pessoas, principalmente<br />
em seus sentimentos.<br />
O mais comum é: Por favor, não vamos insistir, o nosso amor já chegou ao fim.</p>
<p>Flávia</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/106/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/106/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/106/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/106/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/106/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=106&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Labirintos de Rita</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/30/labirintos-de-rita/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/30/labirintos-de-rita/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Jan 2008 15:26:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Há quem me pergunte de onde vem essa fixação por Rita. Uma mulher sem rosto. Mas que coxas ela tem, meu Deus. Pelo menos dentro da minha imaginação ela tem os olhos mais doces do mundo, e o melhor de todos os beijos. Amo Rita desde sempre. Desde antes. Ela foi prefácio de si mesma. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=105&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font face="Times New Roman" size="3">Há quem me pergunte de onde vem essa fixação por Rita. Uma mulher sem rosto. Mas que coxas ela tem, meu Deus. Pelo menos dentro da minha imaginação ela tem os olhos mais doces do mundo, e o melhor de todos os beijos. Amo Rita desde sempre. Desde antes. Ela foi prefácio de si mesma. De óculos, cabelos loiros ou sem óculos e pele negra. Rita é tão contraditória dentro de mim.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Eu a conheci, a vi pela primeira vez, em um baile de máscaras. E até hoje eu desconheço seu rosto. Tenho ficção por seu nome. A vejo nua, pernas grossas, lábios tenros, sorriso maroto. Tenho sonhado com ela nestas últimas noites. No sonho Rita está sempre correndo. Hora em minha direção, hora para longe de mim. Para onde ela corre? Para que tantos passos?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Uma vez eu a encontrei na biblioteca. O rosto escondido por detrás do livro. Mais uma vez fiquei sem conhecer seu rosto. Mais uma vez vi apenas suas pernas. Longas. Cruzadas sob a mesa. Rita tem sido apenas pernas. Pernas sob a mesa. Pernas a correr para lá e para cá.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Como será, de fato, o sorriso de Rita? Maroto, como em minha imaginação? Escondido por um parelho ortodôntico? Tenho imaginado varias situações. Ela sempre está com o rosto escondido. Como amar uma mulher sem rosto? Será o bastante amar somente suas pernas? Acho que não, mas por Rita vale a pena tentar. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ela lê, cabeça baixa. Os cabelos longos caem-lhe no rosto. Está imóvel. Somente seus lábios se movem. Vejo suas pernas cruzadas sob a mesa.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Uma vez, pensando em Rita, escrevi um soneto. Mas era um soneto sem rosto. Somente pernas. 14 pernas. Uma perna para cada verso. Um verso para cada vez que deixei de ver seu rosto. Ainda me lembro do soneto.</font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman"> Rita, linda mulher sem rosto,<br />
Vejo-te cálida, feroz e crua,<br />
Desejo-te plácida e nua.<br />
Rita, não imagina como gosto</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">De imaginar-te a face,<br />
Por todas estas noites vazias,<br />
E por tantos e tantos dias<br />
Anseio-te ver sem o disfarce</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Que em mim te cobre a tez.<br />
Estou cansado de ver-te apenas<br />
A beleza ondulante das pernas</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Que majestosa cruzas sob a mesa,<br />
Queria Rita ter a certeza<br />
De teu rosto, ao menos uma vez</font></font></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Rita mesmo no soneto é uma mulher sem rosto. Apenas pernas, busto, quadril, cabelos caindo sobre as faces. A máscara eterna. O eterno baile de máscaras. Por quê Rita faz isso? O que ela quer? O que eu quero dela? Quero ver seu rosto, nada mais.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Em  um dos meus últimos delírios de amor me vejo próximo de Rita. Aproximo-me  devagar. Pé ante pé. Sussurro no seu ouvido.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Me mostre seu rosto, Rita.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não posso.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Por quê fazes isso comigo, Rita?</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">           &#8211; Não tenho rosto, apenas pernas.</font></p>
<p align="justify"><font face="Times New Roman" size="3"> O cheiro dela é inexplicavelmente brando. Anestesia a aspereza de suas palavras. Ela é apenas pernas. Pernas para fugirem de mim. Ela no transito, agora eu sigo, pára no sinal vermelho. Olha-se no espelho, passa batom, está, está de costas. O sinal abre. Rita some. Mistura-se a outras pessoas. Desce do carro e mistura suas pernas a tantas outras pernas. Rita some na multidão. Somente pernas e nenhum rosto.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Agora ela está escondida por detrás de um livro. Vejo seus ombros e seus seios. Céus, que descoberta. Rita também tem seios! Seios que sobem e descem. Seios e pernas, onde estará o rosto? Noutra ilusão Rita está lendo quando me aproximo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Que livro está lendo, Rita?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  A mulher sem rosto.-  Ela diz, sem me mostrar o rosto. Mostra-me  apenas os seios e as pernas.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Aos poucos vou descobrindo Rita. Assim como quem monta um quebra cabeças. Primeiro as pernas. Depois os seios e os ombros. Rita é como um jogo de montar, me parece. Descubro-lhe os braços, a barriga, espio por debaixo da mesa e tento lhe descobrir detalhes nas coxas. Ela cruza e descruza as pernas. Distraio-me um pouco e Rita já se foi. Levou seu rosto para longe de mim. Mais uma descoberta, a ausência de Rita.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Em um de meus últimos sonhos nós jogamos pôquer. Rita tem as cartas à frente do rosto. Escondido mais uma vez. Quando vai se livrar da máscara de cartas, jogando-as na mesa, eu acordo sem tempo de ver-lhe o rosto. Frustrado me olho no espelho. E estranhamente não vejo meu próprio rosto. Tudo é apenas uma massa disforme. Feito a batata de uma perna magra. Onde está meu rosto? Meus olhos? Minha boca? Meu nariz? Não tenho olhos, mas vejo mesmo assim. Não tenho ouvidos, ou boca,. Ou nariz. Quero gritar de horror, mas onde está a boca? Sinto duas mãos a massagearem meu rosto. Viro-me e lá está Rita, também sem rosto. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Acordo  desesperado. Percebo que tudo era um sonho.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Tenho imaginado Rita em varias situações. Outro dia tive a impressão, na praia, de ver a escondida através te um enorme guarda sol. Reconheceria aquelas as pernas em qualquer lugar. Nem mesmo o sol ofuscando tudo é capaz de esconder suas pernas à sanha de meu olhar apaixonado. No instante em que me levanto, disposto a caminhar até Rita, o inevitável acontece. Um daqueles vendedores ambulantes, que insistem em encher as areias das praias de mais confusão e produtos falsificados, cruza minha frente com seu varal cheio de cangas, óculos, toalhas. E quando se vai Rita também já se foi, nem mesmo guarda sol ou pernas, nada restou, apenas a marca arredondada do bumbum na areia. Eis aqui mais uma mágica descoberta; Rita também tem bunda. E pelo <i>fóssil</i> esculpido na areia, deve ser uma bunda das mais belas. Redonda, feito bunda de chacrete, bunda de dançarina de programa de auditório do canal 13.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A fome de Rita aumenta dentro de mim, fome de seu rosto, fome do resto de seu corpo. Rita se foi e sobrou apenas sol a corroer minha pele já avermelhada. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Noutras ocasiões imagino-a feito uma atleta de esgrima, luta com aquela máscara no rosto, golpes precisos, duela comigo, numa luta de vida ou de morte. O cenário é pitoresco e romântico ao mesmo tempo, flores por todos os cantos, os golpes de Rita são precisos, mas ela toma cuidado para não machucar as flores, seu florete corta o ar, venta perto de meus ouvidos, ela não luta, percebo, ela dança uma coreografia mágica, lúcida, espontânea, não há pragmatismo em seus movimentos, sim uma dose de <i>batet d`acion</i>, movimentos perfeitos  empunhando  a esgrima que silva em minha direção. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Sonho com Rita mais uma vez, correndo novamente. Dessa vez ela é uma atleta. Maratonista, não posso ver seu rosto, ela está muitos metros na minha frente, atravessa a linha de chegada e é abraçada pela assistência e levada, some. Deixa-me sozinho e sem o calor do seu rosto, que deve estar afogueado pelo esforço da corrida.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Noutra  noite após um desses miraculosos sonhos me vi de novo com a caneta  em punho a fazer um soneto para ela.</font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman"> Rita de mil rostos desconhecidos<br />
De mil momentos desperdiçados<br />
Por mim na eterna, e adiada, ânsia,<br />
De ver-te o rosto. Mas a distância</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Que mantém de mim é tão cruel<br />
Que agora, prostrado sobre o papel,<br />
Tento enxergar a além da máscara<br />
Em que tua face reclusa se ampara,</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Mas nada vejo além do imenso<br />
Vazio que me circunda a vista<br />
Ao esconderes-se sem compaixão,</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">E então eu me tranco na solidão<br />
De tua ausência e, louco, penso<br />
Que é apenas uma sombra, Rita.</font></font></p>
<p align="justify"><font face="Times New Roman" size="3">Leio o soneto e Rita se materializa na frente dos meus olhos. Agora estamos em uma sala que me parece se tratar de uma sala de psicólogo. Estou deitado no divã e sinto o cheiro de Rita se espalhando por tudo, desde os quadros na parede, as almofadas, nos objetos de decoração. Ouço sua voz.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O que está havendo  com você, Arnold?-  Ela pergunta.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Meu nome não é Arnold, mas isso é apenas um detalhe. Rita não tem obrigação de saber meu nome, talvez nem mesmo conheça o meu rosto.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Estou ficando maluco, doutora Rita.-   Respondo a ela.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Por que acha isso, Alfredo?-  Ela pergunta.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Meu nome também não é Alfredo, mas isso é apenas mais um outro detalhe sem a menor importância perante o fato que realmente importa. Tenho vontade de dizer que o motivo é ela, a ausência de seu rosto, mas me calo e ela simplesmente desaparece como que em passe de mágica. É como se simplesmente saísse voando pela janela aberta.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">De madrugada em meu apartamento, levanto com a impressão de ouvir passos pela sala, pelos corredores, a princípio fico meio assustado. Pode ser ladrão. Mas como? Eu moro décimo oitavo andar, só se o ladrão entrou pela janela, a menos que seja o super homem ou o homem aranha, eu devo estar enganado. Levando-me ainda meio sonado, acendo as luzes, a claridade machuca os olhos. Na cozinha me deparo com o espetáculo inusitado. A geladeira está aberta. Rita está mexendo, tem a cabeça dentro da geladeira, apenas o resto do corpo aparece na penumbra causada pela pouca luz que vaza da geladeira aberta. O que ela busca de madrugada na minha geladeira? Eu a chamo pelo nome:</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Rita?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Quando ela tira a cabeça de dentro da geladeira vejo uma enorme pedra de gelo envolvendo seu rosto. Um soverte enorme, sorvete de Rita. Caminho em sua direção e ponho-me a lamber o sorvete, na esperança de que ao terminar possa me deparar com o seu rosto.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">As situações em que imagino Rita tem se tornado cada vez mais inusitadas, como essa do sorvete. Mas nem tudo são espinhos nessas alucinações. Tem o cheiro dela, que é sempre o mesmo, adocicado e suave. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Nesse último mês sempre que me levanto com a impressão de que Rita está por perto, escrevo um soneto para ela.por exemplo, um soneto para os ombros, um soneto para os seios, um soneto para o busto, sempre quatorze versos, mas não fui capaz ainda de escrever um soneto para seu rosto.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A pilha de sonetos de avoluma, dúzias e mais dúzias, já dariam um livro. Se eu fosse poeta publicaria um livro de sonetos, tenho imaginado os títulos possíveis; <i>A procura do rosto de Rita. Onde está o rosto  de Rita? Sonetos ao rosto ausente de Rita. A musa sem rosto. Invisível  Rita. </i>Títulos não me faltam, e sonetos também não. Mas não sou poeta, sou apenas funcionário publico. Tenho trabalho a fazer, a papelada se empilha sobre minha mesa, a dias que não faço nada a não ser suspirar por Rita, desejar seu rosto. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Rita entra na recepção, caminha em minha direção, abana um leque na frente do rosto, parece estar com muito calor, de fato os dias tem sido de fato quentes. Começo a suar em bicas à medida que Rita caminha em minha direção. O telefone toca na minha mesa, me volto para atender.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Alô.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">É engano, me volto para ver Rita. Ela não está mais onde estava, não caminha mais em minha direção. Não caminha mais em direção alguma, desapareceu, escafedeu-se. Tomou doril. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Meu chefe está esbravejando alguma coisa. Está furioso. Diz que tenho me tornado relapso, que talvez eu esteja estressado. Sugere-me ir para casa, descansar alguns dias. Digo que não é necessário. Mas ele diz que está decidido e pronto.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Pego meu terno, jogo sobre os ombros. Saio para a rua. Está chovendo. Vejo Rita entrando em um táxi. O táxi arranca. Joga água nas pessoas na calçada. Alguns gritam palavrões em direção ao táxi. Um rapaz mostra o dedo anular. <i>Filho da puta. </i> Grita vibrando o dedo no ar.   </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">  Entro no meu carro. Ligo o rádio  e saio para a chuva. O rádio  toca a introdução de uma música que eu conheço bem.</font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman"><i> A Rita levou meu sorriso<br />
no sorriso dela meu assunto<br />
Levou junto com ela o que me é de direito<br />
Arrancou-me do peito e tem mais</i></font></font></p>
<p align="justify"><font face="Times New Roman" size="3">A  Rita, de Chico  Buarque. <i>Merda de FM.</i> Desligo o radio e fico ouvindo o som da chuva batendo na lataria do carro. Acendo um cigarro. A fumaça anestesia minhas sensações. Na rua o trânsito está infernal às quatro horas da tarde, o caos da metrópole é um anestésico pra alma, e a minha está carente de alívios. Fico vendo as pessoas passarem, imagino onde deve estar a Rita a uma horas, onde estará seu rosto em meio a tudo isso. Perguntas. A chuva cai. A lataria retumba. O caos se instala ao redor do carro. O frenesi do engarrafamento entope minhas artérias de uma nostalgia que beira a misantropia. Buzinas, a lentidão, pessoas a pé ultrapassam meu carro. Uma dessas pessoas pode muito bem ser Rita, não posso dizer que sim e que não, não consigo ver rostos, nem pernas, o caos da chuva aumenta cada vez mais. Penso em Rita.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Penso nas palavras de meu chefe, que estresse que nada. Estou muito bem. Não tenho nada do que ele imagina, no mínimo acha que estou enrolando no trabalho, os papeis se amontoam sobre minha mesa, petições, requerimentos, alvarás, documentação inútil, pessoas querem coisas, solicitam, exigem, testam a paciência do funcionário publico, um saco. E ainda meu chefe vem com aquela conversa mole de estresses. <i> Fique uma semana  em casa, descanse. </i>Descansar vai ser bom. Procurar Rita, tentar enxergar seu rosto no meio da multidão, descobrir suas pernas, seus seios, seu busto, seus pés, refletir sobre os sonetos, quem sabe escrever mais alguns. Um livro quem sabe. Drummond não era funcionário publico? Então, pois bem. Por que cargas d`água eu não poderia também publicar um livro? Mas não agora, agora preciso descansar, diz meu patrão, estressado, foi isso que ele disse. Que bobagem, chefes não sabem de nada. Ninguém naquela repartição sabe de nada, bando de ignorantes, isso sim. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Dez minutos no trânsito, consigo andar uns trezentos metros e sou forçado a parar novamente. A chuva aumenta. A lataria do meu carro parece reproduzir uma sinfonia de metais. Acendo outro cigarro. Ando fumando muito. Através da chuva enxergo um outdoor enorme. Propaganda de meia calça. Reconheço de imediato aquelas pernas. São as pernas de Rita, não há dúvidas. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">O que as pernas de Rita estão fazendo naquele outdoor? A chuva vai ficando cada vez mais forte e a cortina de água se fecha, não é mais possível ver coisa alguma à frente do nariz, não existem mas pedestres nas calçadas, os bueiros começam a vazar, vomitar de ressaca, o limpador do meu pára-brisa trabalha feito um louco, o trânsito vai andando aos poucos. Uma hora e meia depois eu estou em casa.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Sete horas da noite. Desço para a rua. Ainda chove. Uma chuva fraca, nem sombra do caos da tarde. As ruas estão tranqüilas. As luzes opacas vazam de janelas abertas, calor, apesar da água que se precipita. Eu suo. Ninguém se atreve a sair a rua. As novelas do canal 13 anestesiam as pessoas, manipulam, trancam-nas dentro de cubículos gentilmente batizados de lares. Onde estará Rita? </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Caminho para o bar. Na esquina já enxergo as luzes acesas. Vejo uma mulher saindo apressada. Capa de chuva com toca cobrindo o rosto. Conheço aquele andar. É Rita. Ela dobra a esquina. Corro em sua direção, mas ela já sumiu no fim da rua. Volto para o bar.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Quem sabe para onde aquela mulher foi?- Pergunto para o primeiro que  encontro no bar.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Que mulher?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  A mulher que acabou de sair daqui.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Estou aqui a horas e não vi mulher alguma. Você deve estar enganado.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Tenho certeza de que vi Rita saindo daqui.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não conheço  Rita nenhuma.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Você está mentido.-  Grito na cara do sujeito.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ele  se levanta enfurecido.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Está me chamando de mentiroso, seu maluco.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Mentiroso. Por que está me escondendo o rosto de Rita?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">O homem enfurecido me dá um soco no nariz, caio no chão meio tonto, ele me dá alguns chutes nas costelas, sinto uma dor imensa, o homem continua a me chutar, me xinga de maluco e muitos outros palavrões que não consigo entender. De repente a dor pára. Não sinto nada além de uma modorra apática, tudo a meu redor roda. Sinto o gosto de sangue. Tudo fica escuro. Desmaio.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Quando acordo a chuva está mais forte, não há ninguém por perto, o bar está fechado, a rua está deserta. Alguém me chacoalha pelos ombros.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Ei, moço, acorde!</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Conheço essa voz. É a voz de Rita. Não consigo vê-la, meus olhos estão inchados pelos socos do homem, tudo é uma nuvem azul opaca de luz e nada mais.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Não  sou Rita. A moça diz.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Claro que é você Rita. Conheço sua voz.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Você está enganado, moço.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Nunca me enganaria com essa voz.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Está delirando, deve ser a febre, vou te levar para um hospital.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não precisa Rita.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Já disse que não sou Rita. Você está ardendo em febre.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Rita me levanta e me leva para seu carro. Não sabia que Rita tinha carro. Não sei muita coisa sobre ela, mas haverá oportunidades para aprender, descobrir, compartilhar e construir. Sento-me no banco do carona e sinto a cabeça pesada. As luzes dos postes piscam no escuro dos meus olhos embaçados. Desmaio mais uma vez. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Acordo  em um leito de hospital. Os olhos já estão desinchados. Uma enfermeira  está ao meu lado mexendo na mangueira do soro.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Onde está Rita?- Pergunto a ela. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não há Rita nenhuma por aqui. Descanse, ainda está com muita febre.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ouço os aparelhos hospitalares, sons monótonos e apáticos, uma ilusão de que a morte está sendo adiada ainda que por apenas alguns minutos. A enfermeira vai e vem, anda para lá e para cá dentro do quarto. Por momentos imagino que seja Rita, e que o rosto fino e os lábios cobertos de um batom esquálido da enfermeira sejam os de Rita, mas as pernas não são as mesmas, os seios não sobem e descem, em seu respirar compassado, frenéticos como os de Rita, que são austeros nos mais sutis dos movimentos. Não, Rita não está aqui, deve estar lá fora. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Olho pela janela, o sol está alto, não chove mais. Sinto-me melhor, apesar de meio tonto. Digo isso a enfermeira, ela diz que deve ser por causa do soro e pelo fato de eu ter ficado deitado durante muito tempo. Uma dor nas costas, ela diz que minhas costelas não foram fraturadas apesar das pancadas. Fico ainda no hospital, durmo e acordo em um ciclo confuso de sonhos picotados, feito uma tela psicodélica, fragmentos de Rita em todos eles, busto, seios, pernas, pés, coxas, joanetes, mas nunca o rosto. O barulhinho persistente do ponteiro dos segundos parece aumentar a apatia no quarto, aumentar a ausência de Rita e de seu rosto.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Quando saio do hospital ainda sinto as costelas doendo, o nariz está quebrado e dói muito, a respiração está difícil, está frio na rua. Caminho devagar vejo as pessoas e nenhuma delas é Rita. Vou até o outdoor de alguns dias atrás, na esperança de rever suas pernas, mas já trocaram a foto, há agora propaganda de cuecas. O melhor é ir para casa e descansar um pouco.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Em casa; nostalgia, vontade de fazer um soneto, pego uma folha de papel e procuro a inspiração, que parece ter fugido junto com o rosto de Rita.</font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman"> Rita, tenho amargado uma estranha<br />
Saudade da presença de teu rosto<br />
E essa saudade é enorme, tamanha,<br />
Que já sinto a morte. Um desgosto</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Em cada gesto, em cada gole, cada trago,<br />
Morre em mim a vontade de ser<br />
E já me esqueço, me abandono, me largo<br />
A mercê de um pálido entardecer</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">Onde o sol se põe já sem vontade<br />
De retornar no brilho e dar a aurora,<br />
A luz suficiente para iluminar-te</font></font></p>
<p><font size="3"><font face="Times New Roman">A face. Tenho, Rita, ainda agora,<br />
Uma incerteza, vindo te toda parte<br />
A aumentar a já enorme saudade&#8230;</font></font></p>
<p align="justify"><font face="Times New Roman" size="3">Sim, sinto saudade do rosto de Rita, sem nunca o ter visto. A saudade me atormenta nessa noite, mas do que em qualquer outro. Sinto-me ainda mais nostálgico. As costelas doem. Releio os sonetos, falam sobre todas as partes dela, desde os dedos do pé, até os fios dos cabelos. Ausência de seu rosto. Ausência de sua pessoa. Ausência de Rita.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A chuva volta a cair sobre a cidade. Pela janela vejo as luzes a iluminarem o vazio construído por tantas almas misturadas a soma de suas próprias incerteza. Sou mais um, e minhas incertezas se somam as demais. Visto a capa de chuva. Saio para a rua. Frio, a chuva ainda não está forte. Acendo um cigarro. Tragar dói às costas. Ando devagar. Entro no primeiro bar.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Uma vodca, por favor.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Bebo devagar. O bar está quase vazio. Poucos homens, barbudos, suados, falam palavrões, tem os olhos pequenos pela embriagues, aqui dentro tenho a impressão de que o tempo passa ainda mais devagar, isso aumenta ainda mais a ausência de Rita. Mais uma vodca, outra, três, quatro cinco. A cabeça gira. A chuva aumenta. Um dilúvio, uma tempestade. Saio para a intempérie. Meus passos agora estão vacilantes por causa da vodca.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Vejo na esquina uma moça, pernas longas, pernas de Rita, maquilagem carregada, batom vermelho sangue de boi, cabelo cortado à chanel. É Rita. Caminho até ela.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Olá Rita.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Oi meu bem, como está?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Estou a sua procura.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Que bom que me achou, querido.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Vamos para casa amor?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Claro.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ela me dá a mão e subimos a rua. No apartamento tenho dificuldades para abrir a porta, Rita me ajuda. Sirvo uísque para ela, bebemos, fazemos um brinde a nosso reencontro. Estou muito feliz. Ela sorri, finalmente vejo seu rosto, e é muito bonito apesar de tanta maquilagem. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Você é linda Rita. &#8211; Digo a ela.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Obrigado, meu bem, você é muito gentil.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Beijo a boca de Rita. Sua boca tem gosto de uísque com cigarro, ou será a minha? Beijo os seios de Rita e o resto de seu corpo. Faço amor com Rita. Durante a noite não consigo tirar os olhos do rosto de Rita, quero descobrir cada detalhe, para nunca mais sofre com sua ausência. Durmo abraçado a Rita. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Acordo com o sol entrando pela janela e batendo em cheio nos meu rosto, as costas ainda doem, o nariz lateja, o corpo todo está dolorido. Onde estará Rita. O quarto está todo bagunçado. Parece que passou um tornado por aqui, penso, ainda confuso e com sono. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Com o passar dos minutos percebo a ausência de muitos dos meus pertences, relógio, carteira, cartões de credito. A mulher não era Rita, era uma ladra qualquer. Uma prostituta, que bêbado, achei ser Rita. Mas Rita não me roubaria. A cabeça dói. Fico andando pela casa, e noto muitas ausências, até mesmo uma tela que havia na sala ladra levou. Meio dia. Desço para a rua. Como um restaurante. Comida a quilo. Estou sem fome. A cabeça ainda gira. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Volto  para casa caio na cama. Apago.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Tenho um novo sonho com Rita. O cenário é um daqueles filmes de bang-bang. A porta do sallon balança para lá e para cá, ao sabor do vento, que sopra vindo do leste, poeira, rua de terra batida. Mulheres me acenam do alto de uma estalagem. Caminho para dentro do Sallon. Muitas mesas, homens de botas, esporas, revolveres nas cinturas, chapéus de vaqueiro, ao piano um homem de colete preto toca uma bachiana qualquer. No meu peito uma estrela de xerife, caminho pisando duro sobre minhas botas de couro cru, passo as mãos no bigode, tusso alto para mostrar a todos minha presença austera e provavelmente temida, minha postura de xerife de velho oeste. Nos fundos do sallon, a direita do piano há um pequeno palco, onde dançam seis dançarinas com vestidos compridos. Uma delas me chama a atenção por estar com o rosto coberto por uma máscara. Dirijo-me ao cara por detrás do balcão, o único sem chapéu.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Por quê aquela dançarina está usando máscara? Pergunto. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Por quê ela é Rita, a mulher sem rosto.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Acordo.  Suado e com a cabeça ainda latejando. Durmo de novo. O sonho continua.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Aos poucos o sallon está cheio de cawboys, alguns mal encarados. Começa uma briga em um dos cantos perto do palco, tiros, cadeiradas, garrafadas, uma balburdia infernal. No meio da confusão um sujeito com pinta de vilão de faroeste salta sobre o palco e agarra Rita. Joga ela sobre os ombros e salta a janela mais próxima. Saio correndo em meio ao tiroteio, balas zunem aos meus ouvidos, salto a janela atrás do sujeito.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ele  me espera já com armas em punho. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Vamos duelar pela donzela sem rosto. &#8211; Diz o sujeito.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Escolha suas armas. &#8211; Digo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Damos as costas um ao outro contamos até dez e nos viramos já atirando. A bela do sujeito passa rente ao minha orelha. Ele cai. Acertei bem no peito dele. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Rita  está encolhida atrás de um barril velho. Caminho até ela. Ela se  levanta.</font> <font face="Times New Roman" size="3"></font></p>
<p align="justify"><font face="Times New Roman" size="3">- Obrigado xerife. &#8211; Ela diz. &#8211; O senhor merece um beijo.</font></p>
<ul></ul>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ela  vai tirar a máscara para me dar um beijo. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Trimmmmmmmmmm&#8230;  o telefone toca. Engano mais uma vez.  </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Mais tarde. Muito mais tarde, não sei quanto tempo fico nesse acorda e dorme, dorme e acorda. Já é noite mais uma vez. A vida é isso. Dias e noites. Ninguém da repartição me ligou para saber noticias. Ninguém quer saber de ninguém, estou sozinho no mundo. Estamos todos sozinhos. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Reúno os sonetos. Digito todos. Com cuidado para que nenhum erro passe despercebido. O windows não concorda com algumas de minhas expressões, coloca seu tracinho verde sobre as frases. <i>Computador idiota, não entende nada  de poesia.</i> Vou escrevendo os sonetos para Rita. Espero que ela goste. Espero que ela goste de poesia. Espero que goste de mim. Espero que me mostre seu rosto, para que finalmente eu possa fazer um soneto para seu rosto. Onde poderei encontrar Rita? Se sempre me engano, nunca sei quem é ela, confundo pernas, bustos, me confundo. Talvez Rita venha a meu encontro. Talvez Rita esteja na internet. Em alguma sala de bate papo, talvez tenha Orkut, tão em moda, todo mundo tem, talvez em seu profile tenha uma foto de rosto então eu a contemplarei por inteira ao menos uma vez. Entro na internet. Orkut, digito Rita. Aparecem centenas de rostos, mas sinto que nenhum deles é a Rita que procuro. Minha Rita. Rita a mulher sem rosto. Somente pernas. Bustos. Seios que sobem e descem enquanto ela respira. Não, Rita não está no orkut, não está no Beltrano, não está no Gazzag, nem em outro site de relacionamento. Não está na internet. Não está em canto algum. Está apenas dentro da minha cabeça. Sem rosto. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Coloco os sonetos dentro de uma pasta de couro. Saio para a rua. Nessa noite eu encontrarei Rita. Não passa dessa noite. Mas por onde começar. Onde a vi pela primeira vez? No baile de máscaras. Depois na biblioteca. Mas como sei que era ela na biblioteca se não vi seu rosto em nenhuma das duas ocasiões. Extinto. Aquela época ainda estava lúcido o suficiente para não confundi-la, agora que estou perturbado a confundindo com qualquer uma. Sim, vou a biblioteca.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Paro o carro enfrente ao prédio da biblioteca. Tudo fechado. Apenas um guarda quase que na esquina. Desço do carro e vou até ele. Pergunto sobre os funcionários da biblioteca. Se ele conhece algum deles. Diz que sim. Fala-me o endereço. Decoro e volto para o carro. A noite parece que vai ser longa. Volta a chover. Raios. Trovões. Chuva e mais chuva. Os postes com suas lâmpadas amarelas vão clareando meu caminho através das ruas da cidade, iluminado os episódios de minha caçada por uma mulher sem rosto. Tenho a certeza de que nessa noite ainda encontrarei Rita. Certeza de que ainda essa noite contemplarei seu rosto. E enfim poderei fazer o último soneto e então descansar em paz. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Vontade  de fumar. Acabou o cigarro. Paro assim que vejo um bar aberto.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Um maço de cigarros.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Só tenho  Rithz. Pode ser?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Rita?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Eu disse Rithz e não Rita.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Ah sim , pode ser.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A chuva aumenta. Chove torrencialmente. A casa da bibliotecária fica em um outro bairro, afastado daqui. O trânsito quase não existe. Poucos carros. Faróis acesos. Vermelhos. Amarelos. Sinais fechados para carros que não existem. Vermelho. Espero abrir. Deserto. Chuva. Luzes opacas. Ossos úmidos. Pigarreio. Ligo o rádio. Tusso. Chiados de uma FM qualquer. Dirijo devagar. A chuva lava as ruas com violência. A truculência da chuva assusta os pedestres. Muito tarde. Tusso, abro o vidro. Acendo um Rithz. Nunca fumei desse cigarro. O cigarro é longo, uma dose maior de morte prematura. Tomo câncer de pulmão em goles longos. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Rita está em alguma parte dessa cidade enorme. Em uma casa qualquer em qualquer uma das milhares de centenas de ruas dessa selva de concreto. Preciso encontra-la, ainda esta noite. Talvez ela já esteja dormindo. Sonhando sonhos coloridos e brandos. Eu a encontrarei, nem que leve a madrugada toda. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Alguns bares lotados. Boates. Danceterias. Talvez Rita esteja em alguma delas. A bibliotecária deve saber. O motor ronca como se estivesse com sono por debaixo da lataria sovada pela chuva. As ruas vão ficando estreitas à medida que avanço nas artérias e à medida que me afasto de seu coração gelado de concreto e ferro. Água. Muita água. Os postes têm a luz cada vez mais pálida. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A rua é essa. A casa é aquela. Paro o carro no meio fio, a enxurrada promete arrastar o carro rua a baixo. Desço na chuva. A casa não tem portão, nem campainha, subo alguns lances de uma pequena escada, as luzes estão todas apagadas, as paredes tem a tinta gasta, há um cachorro encolhido num canto da pequena varanda, ele não se mexe, parece não se importar nenhum pouco com minha presença, bato na porta. Ninguém atende de imediato. Acendo um cigarro. Espero alguns segundos. Nenhum movimento dentro da casa. Bato mais uma vez. Nada. Outra vez. Nada. Uma terceira vez. As luzes se acendem. Ouço uma voz feminina. Mas não entendo o que diz. Ouço passos, que ficam mais pesados à medida que se aproximam da porta. Uma moça abre a porta. É a bibliotecária.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Preciso falar com você. É urgente.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ela não se assusta. Reconhece-me da biblioteca, estou sempre por lá, sou um leitor mediano, leio alguma coisa de vez enquanto, mas na biblioteca eu apenas folheio, fico horas a folhear. Ela deve me achar meio esquisito por isso. Todo mundo acha. Eu também acharia se não fosse comigo. Ela me convida para entrar. Diz que estou molhado. Estava na chuva e não podia ser diferente, imagino. Os olhos dela denotam um misto de curiosidade e receio. O que temerá? Será que acha que sou algum maluco? Bem , talvez. Conto a ela a história de Rita. A curiosidade aumenta e vence completamente o receio no fundo de seus olhos. Ela faz um chá. Quente. Fumegante. A chuva bate na janela. Ela presta atenção na história. Eu conto devagar, tenho medo de esquecer algum detalhe. Falo a ela sobre os sonetos. Ela gosta de sonetos. Fala-me de Rimbaud. Digo que não sei quem é. Ela cita um verso. Eu não falo francês. Acho que ela também não. Fico sem entender mesmo assim. Retorno para a história de Rita. Digo que preciso de ajuda para encontra-a, preciso de sua ajuda. Ela toma o chá fica me olhando. Volta a pensar que eu sou maluco. Lembra-se vagamente ta tal moça, mas não sabe se ela se chama Rita. Diz que o nome da tal moça e o endereço devem constar da lista de freqüentadores da biblioteca. Pede para que eu passe na segunda-feira. Digo que tem que ser essa noite ainda. Ela fica me olhando pasma. Digo que é um caso de vida ou de morte. Ela, depois de muito relutar, resolve me ajudar. Tem as chaves da biblioteca. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ela  se veste. Pega um de meus cigarros acende e dá uma tragada profunda.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Vamos encontrar essa tal Rita.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A chuva está ainda mais forte. A madrugada vai se afunilando. Rumamos para a biblioteca. O mesmo deserto nas ruas. Os mesmos sinais fechados para os mesmos carros que não existem além do conforto de suas garagens quentinhas de subúrbio.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Falo ela, que descubro se chamar Ana, sobre os últimos acontecimentos, as alucinações com Rita, os delírios, devaneios, ela me olha meio atônita e curiosa, acho que imagina as situações à medida que eu as narro e chega às vezes até mesmo a esboçar um sorriso, que a medida que mergulhamos mais densamente no coração da metrópole, vai se tornado uma gargalhada, que extravasa mais do que eu posso imaginar a principio. Ana me conta do claustro da literatura. das tentativas frustradas de publicar, dos livros começados, das, das madrugadas acordadas, feito Balzac a compor sua obra obscura nos porões de uma Paris inóspita, fria e despreparada para a gloria de sua literatura. ela fala muitas coisas, mistura outras, uma enorme sopa de informação que se mistura com Rita e com meu desejo de ver-lhe o rosto. Caos e chuva. Diz que a Paris de Balzac era uma metrópole no coração do mundo, tal como essa cidade de ferro, concreto e fumaça, e que a literatura não achava brechas para se espalhar pela cidade e lhe curar o câncer da insensibilidade. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">O  guarda ainda está no mesmo lugar em sua guarita, escondido de Deus  e de sua fúria.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O senhor voltou? &#8211; Ele constata ao me ver descer do carro com a bibliotecária. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ana abre a porta enorme enquanto o guarda fica olhando, com certeza imaginado coisas, enxergando possíveis conspirações no fato de um homem e uma mulher entrarem juntos em um prédio de madrugada. Ela consegue se mover nos escuro, enquanto eu apenas tateio as paredes a procura de apoio. Ana acende as luzes. Caminha em direção as fichas de cadastros. Procura e não acha nada que a anime. Continua a procurar.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Aqui está Rita, D`brael. Tem o endereço. Solteira, 27 anos. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">De volta para o carro. Ana resolve que quer ir comigo. Mergulhamos mais uma vez na chuva. A medida que vamos nos aproximando de nosso destino minhas mãos vão ficando suadas, minha garganta está seca, a voz quase não sai, pareço um viciado em meio a uma crise de abstinência. Dirijo o mais rápido que posso. Ana diz para irmos devagar, mas sua voz entra por um ouvido e sai pelo outro. Nada mais tem espaço em minha cabeça além do desejo incontrolável de ver Rita. Ver seu rosto, finalmente. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">No endereço há uma casa enorme e antiga, terrena, tijolos a vista, canteiros ao redor, touceiras de flores, rosas, margaridas, cravos, e muitas outras espécies que desconheço o nome e o aroma, que no entanto entram por minhas narinas sedentas do perfume de Rita. Ainda chove, mas agora a violência das águas vai diminuindo gradativamente a medida que caminho até a porta da casa. Bato. Silêncio. Bato de novo. A porta se abre e deixa escapar o volume da TV ligada. Um senhor de óculos redondos e olhar cansado, pele mirrada e dona de um tom anêmico me olha com olhos que já foram belos mais agora nada mais são que dois borrões azuis por detrás da grossa lente dos óculos arcaicos que sustenta sobre o nariz. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O que está acontecendo? &#8211; Ele parece assustado.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Preciso falar com Rita. &#8211; Eu digo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">- O que disse, fale mais alto, estou sem meu aparelho de surdez.- O velho então aponta para a TV ligada. &#8211; Estava aqui vendo as imagens coloridas da TV, imagens muito bonitas. Imagens de um filme de guerra. Eu estive na guerra, perdi amigos, perdi primos, muitos morreram na guerra. Você não sabe, nem poderia saber, não tem idade pare ter estado na guerra. Eu já não enxergo nada. Fico aqui olhando as imagens, não preciso escutar o que dizem. Eu sei o que se passa, o que sentem, o que dizem, eu sou um deles, estive nessa maldita guerra. Ainda ouço os sons, os gritos, os tiros, os mísseis, as balas zunindo na madrugada, a fome, o frio, as dores, meu Deus que horror.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Onde está a Rita? &#8211; Interrompo seu monólogo. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Rita? A sim, ela está no trabalho.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Trabalho, mas é madrugada.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Ela trabalha de madrugada. Uma boate, um bar, não sei direito. Nautic`s  Club, já ouviu falar?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não, mas descubro onde é.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não esteve na guerra, não é mesmo?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Devia dar graças a Deus por isso, meu filho. Aquilo foi um inferno.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ele fica me olhando. De que guerra fala. Não imagino que tenha idade para de fato ter estado na guerra. Ele fecha a porta e imagino que volte para seu filme, volte para a guerra. Ana está fumando encostada no carro, quase não chove mais, uma garoa apenas, faz um pouco de frio.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Ela está trabalhando. Nautic`s Club, já ouviu falar?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não. Não conheço esse lado da cidade.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ela me estende o maço de Rithz, acendo um e fumo devagar, penso nos episódios da noite. Consulto o relógio, já é madrugada alta. Entramos no carro a procura do tal clube. Algumas quadras adiante uma loja de conveniência dessas 24 horas. Entro, compro duas cervejas longneck e pergunto pelo clube. O rapaz me informa. É uma espécie de boate literária. Bebe-se, fuma-se e se lê poesia. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Volto para o carro, entrego a cerveja a Ana. Ela toma em goles longos. Nunca imaginei uma bibliotecária bebendo dessa maneira. Ela se senta no banco do carona, ainda fumando, liga o rádio. A FM toca um jazz nostálgico.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O que vai dizer a ela quando a encontrar?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não sei.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">- Como não sabe? Tem que dizer alguma coisa. Ou vai simplesmente dizer a ela que escreveu um livro de sonetos, com um soneto para cada parte do seu corpo? Não acha que vai a assustar?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não sei. Preciso pensar. Preciso dizer alguma coisa a ela, não é  mesmo?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Sim, precisa dizer.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não sei se vou conseguir.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">O saxofone vaza da FM. A melodia apática atravessa meus tímpanos. O que direi a Rita? Tenho a impressão de que não conseguirei dizer uma única palavra. Sensação de que ficarei mudo perante a contemplação de seu rosto. Seja qual for o rosto que ela tiver.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Na porta do Nautic`s Club há um letreiro de néon com as letras enormes em um desenho gótico, simples porém atraente. Um guarda na porta. Mãos atrás das costas, estático, estacionado entre uma postura de ataque e de defesa. Ana fica no carro. Pago a entrada entro. O lugar não é muito grande, fumaça por todos os cantos, a algumas mesas onde pessoas jogam, jogos de tabuleiro, batalha naval, banco imobiliário, xadrez, damas. Tomam cerveja preta, vodca, uísque, guaraná. Fuma cigarros aromáticos, incensos crepitam nos cantos e nos centros de algumas mesas. Estranho cenário para uma boate. O lugar está congestionado, as pessoas se esbarram, no entanto a ordem é impecável, os movimentos não se misturam e nem se coagulam, a limpeza do lugar é impecável, apesar dos odores múltiplos o ar é gostoso de ser respirado na mesma proporção com que temos imenso prazer ao respirar dentro de uma confeitaria. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Em um dos cantos da sala há um pequeno palco, onde um homem pequeno, de boina e bigode de pintor expressionista lê um poema em uma voz pausada. Não consigo encontrar Rita. Qual dessas moças que andam para lá e para cá será ela? Todos prestam atenção nos versos que o homenzinho lê. Até mesmo aqueles que parecem estar concentrados nos jogos prestam uma atenção a sua vozinha impertinente. O homem acaba de ler e é aplaudido. De repente tenho uma idéia para encontrar Rita. Subo no palco. Todos ficam me olhando. Acho que não tenho o aspecto dos freqüentadores da casa e ainda por cima estou meio molhado.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">- Gostaria de ler alguns sonetos que fiz para uma pessoa que amo muito. E que acreditem nunca vi o rosto. Mas fui informado por um velhinho, quase surdo, que jura ainda ouvir os sons da guerra, que ela trabalha aqui.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">As pessoas param o que estão fazendo e colocam seus olhos sobre mim. Leio o primeiro soneto. O segundo. Um soneto para cada pedaço do corpo de Rita. Soneto após soneto a mulher toda vai se desenhando. O silêncio é completo, todos estão atentos aos versos, tentando adivinhar qual o rosto de Rita. Tantos olhos sobre mim, não sei dizer quais são os olhos de Rita. Ate que uma moça, usando mini saia jeans, sai de entre um grupo mais a um canto, e então reconheço aquelas pernas. São as pernas de Rita. Nesse momento todos os olhos da assistência, e os meus também, já estão em Rita. Meus olhos sobem lentamente de suas pernas, tão conhecidas minhas, para sua cintura, seus seios, seu busto e finalmente seu rosto.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Desço do palco, caminho até ela e lhe entrego os sonetos. Ela não diz nada apenas estende as mãos para recebe-los. Também não digo nada. Sinto no peito uma alegria indescritível e uma necessidade enorme de compor um último soneto. Um soneto que descreva em cada verso o mais delgado dos traços de seu rosto. Caminho para fora da boate, os cheiros se misturam, a fumaça se torna uma cortina que me esconde os demais rostos e só consigo ver o de Rita, fossilizado para sempre em minhas retinas. Passo pelo guarda. Ana está mais uma vez apoiada no capô do carro, fumando. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  E então? &#8211; Ana quer saber.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Preciso ir pra casa fazer um soneto.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Lágrimas  escorrem dos meus olhos. Começa a chover e o céu então chora junto  comigo.</font></p>
<p align="justify"><font face="Times New Roman" size="3">                                                                                                     Odair J. Alves</font></p>
<p><font face="Times New Roman" size="3">                                                                                            Junqueirópolis, janeiro de 2008.   </font></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/105/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/105/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/105/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/105/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/105/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/105/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/105/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/105/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/105/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/105/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/105/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/105/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/105/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/105/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/105/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/105/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=105&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Amigo secreto</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jan 2008 15:24:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[outros autores]]></category>

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		<description><![CDATA[Esse poema foi por ocasião de um amigo secreto, Verusca, poeta inspiradissima e sorriso doce Sol. Sol, sol Seu brilho é intenso e luminoso E consegue até mesmo suspender Um dia chuvoso&#8230; Tua beleza é exuberância, é magia, É luz, É sol, Sol Oh Sol, Sol que trás luz As nossas trevas diárias E sendo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=104&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>Esse poema foi por ocasião de um amigo secreto, Verusca, poeta inspiradissima e sorriso doce</i><br />
<font size="2"><font face="Times New Roman"></font></font></p>
<p><font size="2"><font face="Times New Roman">Sol. Sol, sol</font></font></p>
<p><font size="2"><font face="Times New Roman">Seu brilho é intenso e luminoso<br />
E consegue até mesmo suspender<br />
Um dia chuvoso&#8230;<br />
Tua beleza é exuberância, é magia,<br />
É luz,<br />
É sol,<br />
Sol<br />
Oh Sol,<br />
Sol que trás luz<br />
As nossas trevas diárias<br />
E sendo tudo isso,<br />
Sendo sobretudo companheiro<br />
Você não poderia deixar de ser<br />
Meu amigo secreto<br />
E secreto ou não, tu es,<br />
Meu amigo</font></font></p>
<p><font size="2"><font face="Times New Roman">Verusca.</font></font></p>
<p><font size="2"><font face="Times New Roman">08-12-2000.</font></font><br />
<font size="2"><font face="Times New Roman"></font></font></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/104/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/104/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/104/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=104&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sol, minha luz</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/30/sol-minha-luz/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Jan 2008 15:22:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[outros autores]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebi esse poema de uma pessoa muito especial, Elisângela, que tem olhos e alma de poeta. Poeta, você tem uma luz inexplicável Luz que me conforta e me atrai Feliz de quem te conhece e sabe De teus sentimentos. Sentimentos puros que são Transformados em poesia; Estrutura perfeita de tua alma. Em cada poesia deixa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=103&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>Recebi esse poema de uma pessoa muito especial, Elisângela, que tem olhos e alma de poeta.</i></p>
<p>Poeta, você tem uma luz inexplicável<br />
Luz que me conforta e me atrai<br />
Feliz de quem te conhece e sabe<br />
De teus sentimentos.</p>
<p>Sentimentos puros que são<br />
Transformados em poesia;<br />
Estrutura perfeita de tua alma.</p>
<p>Em cada poesia deixa seu<br />
Coração transbordar, cada gota<br />
De emoção.</p>
<p>Emocionando a todos que lêem<br />
Seu tesouro ficando guardado<br />
Em seu coração.</p>
<p>Em meu coração você nascerá<br />
Todas as manhãs até depois<br />
De tua partida.</p>
<p>Elisângela Ambrósio.</p>
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		<item>
		<title>Poema ao 4º C</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jan 2008 15:19:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Fiz esse poema a muito tempo em homenagem a meus amigos do 4º Magistério C do CEFAM de Tupi Paulista. Saudade dessa época e dessa galera Os alunos do 4º C São uma raça quase extinta Somos mais de trinta O Adilson dorme o dia inteiro E baba na carteira Tem o Juca, que só [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=102&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>Fiz esse poema a muito tempo em homenagem a meus amigos do 4º Magistério C do CEFAM de Tupi Paulista. Saudade dessa época e dessa galera</i></p>
<p>Os alunos do 4º C<br />
São uma raça quase extinta<br />
Somos mais de trinta<br />
O Adilson dorme o dia inteiro<br />
E baba na carteira<br />
Tem o Juca, que só diz bobeira<br />
A Aline, a Carla e a Carol<br />
Sentam ali no meião<br />
A Andréia fala a aula inteira<br />
Vê se pode<br />
Tem o Kadu e seu belo bigode<br />
E a liderança que é a Cris<br />
A Dani lá no fundão<br />
Com o povo de Monte Castelo<br />
Já teve o cabelo amarelo<br />
Mas isso ninguém mais diz<br />
Tem a loira que tinha ido embora<br />
(Deixa pro final, não vou contar agora)<br />
e lá do outro lado<br />
Tem a Eliana que namora o Leonardo<br />
Ela é alta e bem magrinha<br />
Lá na frente a Elisângela baixinha<br />
(Não entrou no começo do ano,<br />
mas já namorava um tal de Luciano)<br />
tem o Elias que saiu e já voltou<br />
E o Fabio Vaz que a todos enganou<br />
Vê se dá pra crê<br />
Usou o chamado golpe do CD<br />
Acredite se quisé.<br />
Também tem a Fran &#8211; Gééééééééééeéée!<br />
De vez enquanto ela tira uma soneca<br />
Também tem o Gustavo Perereca<br />
Que as vezes é até bacana,<br />
Tem a Janaina, mamãe da Luana<br />
Tem o Boi, Jose Aparecido<br />
Que em churrasco é entendido<br />
E diz que é macho por inteiro<br />
Mas a gente sabe que é só converseiro,<br />
Tem um grandão bobo pra cacete,<br />
O Jone, conhecido como Rabanete,<br />
Ele é imitador, acredite<br />
Tem a Judh, na verdade Judite,<br />
Lá no fundo tem um povo bacana<br />
E entre eles está a Juliana<br />
Temos um problema a resolver<br />
O que fazer com o Lucas, o Bilover<br />
Tem o Lucas boquinha, que só azara<br />
Ele é filho da professora Mara,<br />
A Meire que gosta de geografia<br />
O sonho dela é crescer, quem diria,<br />
O Marcelo não gosta do fato<br />
Mas não dá pra negar, ele é o vinte e quatro,<br />
O Marciano, Tatá, Negão,<br />
Sonha ser motorista de buzão<br />
Tem a Natalia outra nesta lista<br />
Não se separa da Fran e da Talita,<br />
Por enquanto não entro nesse rol<br />
Por isso vou pular o Sol,<br />
Todos gostam dela, a classe inteira<br />
Pois ela é a Pereira! Pereira! Pereira!<br />
A Sibely vive só falando,<br />
Mas agora está amando<br />
E só  fala em um tal Fernando,<br />
Sempre bem comportainha<br />
Lá no fundão está a Sandlinha<br />
Tem o Thalel que muito conversa<br />
E tem um peito de tapete persa<br />
A Valaria, olhos cor de mel<br />
Que é mamãe do Rafael<br />
Tem a Vanessinha muito simpática<br />
Mas só pensa na tal da matemática<br />
E de monte castelo<br />
Tem a Verusca, namorada do Marcelo<br />
Tem a Dada, a loira que foi e voltou<br />
E pra voltar ao normal<br />
A Dayane do meu lado se sentou<br />
E então, ponto final.</p>
<p>06.03.2002</p>
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		<item>
		<title>Exílio repugnante.</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/28/exilio-repugnante/</link>
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		<pubDate>Mon, 28 Jan 2008 11:42:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[outros autores]]></category>

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		<description><![CDATA[Pedrinho, um grande amigo, deixou esse poema comigo a muito tempo atrás. Obra resultante de sua estada na selva, no exílio, na grande metrópole que devora os homens&#8230; Seres humanos afugentados, banidos através dos séculos, condenados ao exílio repugnante das cloacas imundas da polis. Alicerces da sobrevivência encravados na terra nua do esgoto proguessista burguês: [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=100&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>Pedrinho, um grande amigo, deixou esse poema comigo a muito tempo atrás. Obra resultante de sua estada na selva, no exílio, na grande metrópole que devora os homens&#8230;</i></p>
<p><i></i><br />
Seres humanos afugentados,<br />
banidos através dos séculos,<br />
condenados ao exílio repugnante<br />
das cloacas imundas da polis.</p>
<p>Alicerces da sobrevivência<br />
encravados na terra nua<br />
do esgoto proguessista burguês:<br />
antônimo da elegância.</p>
<p>Os seres desse exílio lutam<br />
inspirando a dignidade<br />
que sua cultura desprezada<br />
possui nas entrelinhas da vizão.</p>
<p>Comoção não basta nessa terra.<br />
A terra perde-se nas palavras<br />
onde o tempo e o vento<br />
vão consumindo cadáveres vivos.</p>
<p>Pedro Alexander</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/100/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/100/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/100/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/100/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/100/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=100&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Situacão de clichê</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/23/situacao-de-cliche/</link>
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		<pubDate>Wed, 23 Jan 2008 16:25:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[contos]]></category>

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		<description><![CDATA[A cabeça dói, as têmporas latejam, a boca está amarga, devo ter bebido além da conta, mas não me lembro. O sol entra pela janela do quarto, bate no meu rosto, me força a fechar os olhos, que ardem. Bocejo demoradamente, faço forças para sair da cama. Vou ao banheiro e me olho no espelho. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=99&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font face="Times New Roman" size="3">                              </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A cabeça dói, as têmporas latejam, a boca está amarga, devo ter bebido além da conta, mas não me lembro. O sol entra pela janela do quarto, bate no meu rosto, me força a fechar os olhos, que ardem. Bocejo demoradamente, faço forças para sair da cama. Vou ao banheiro e me olho no espelho. As lembranças vêem a tona. Eu estava ontem à noite do bar do cassino Nautic`s, bebendo cerveja preta, só me lembro disso, um flash tímido de memória. Depois vim para este hotel. Apartamento 666. Estou esperando Susane. Ela disse que viria. Que horas são? Olho no relógio, 22 horas. Que estranho a data do relógio está adiantada uma semana. Que coisa. Mudo de 24 para 17. devo ter batido o relógio e algum lugar e desregulado o mecanismo. Bem, não importa.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Do apartamento 666 eu vejo apenas a garagem, carros velhos, paredes descascadas pelo tempo. Volto-me para o espelho, faço a barba sem pressa, poucos pelos, dispersos e grossos, um bigode ralo, oriental e desleixado. Penteio o cabelo, visto a roupa, passo perfume e desço as escadas em direção ao bar. Espero por Susane. Já faz alguns meses que não a vejo. Foi meu primeiro amor, coisa do tempo da escola, ainda sinto seu perfume, o toque de seus dedos macios, a rigidez de seus mamilos o gosto de champanha de sua boceta e por ai a fora . Droga, ela está atrasada. O relógio marca quase meia noite. O celular vibra. É Susane, diz que vai se atrasar mais alguns minutos. Talvez uma hora.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">  Paciência.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Vou para a sala de jogos. Muitos homens vestindo smokings, fantasiados de pingüins. Boa cena para um conto, imagino. Já vejo o conto se movendo, as palavras chegando, saltando na folha em branco. Eu uso uma velha Olivetti, uma das minhas mais antigas paixões. Mais antiga até mesmo que Susane. Droga, essa mulher que não chega nunca. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Mais  paciência.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Um uísque com gelo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Sinto-me também um personagem de um conto, tal como os homens vestidos de pingüins. Bebo devagar. Uma moça se aproxima com um livro. Meu último livro.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Poderia autografar para mim?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ela  me pede com um sorriso de derrubar o mais sádico dos carrascos.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  É claro, minha flor.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A moça se vai. Fico com meu uísque com gelo. Onde estará Susane? Se fosse outra mulher qualquer eu não esperaria, mas é Susane. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Meia  noite.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Meia  noite e meia</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Nada  de Susane.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Resolvo jogar pôquer com os pingüins. Compro fichas. Sento-me em uma das cadeiras vazias. Os minutos passam. Tenho um Straight Flush, logo na primeira mão, quem diria.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O pôquer é um jogo do demônio.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Um dos meus personagens disse isso em um dos meus últimos livros, agora repito para os pingüins, mas me ignoram, acho que não leram o meu livro.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">- Pôquer  é um jogo para pingüins. &#8211; Digo para mim mesmo.<br />
</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Saio  da mesa e vou procurar alguma coisa pra fazer enquanto os ponteiros  do relógio apostam corrida com o trêm bala.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Ei Adam. &#8211; Me chama o cara do bar</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Meu nome é Adam, mas não igual ao alter-ego do He-Man, sim como Adam Smith, o economista. Meu pai gostava dele. O admirava profundamente devo confessar, por isso me deu o nome. Meu pai concordava com aquilo que o economista disse sobre o padeiro e o dinheiro e aquela coisa toda sobre lucro e amor. Pois é. Meu pai não era economista, era padeiro mesmo. Vou até o garçom. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Aquela moça deixou isso pra você.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ele  me entrega um envelope.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Que moça?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Aquela com o livro.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  A do autógrafo?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Essa mesma.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Abro  o envelope, há apenas um bilhete. Poucas palavras.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"><i>O marido de Susane descobriu tudo. Se quiser saber toda a verdade me encontre na esquina da K com a Ruiz as 3 dessa madrugada. Traga os originais do livro que está escrevendo, você e o livro correm perigo.</i></font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"><i> R.</i></font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Quem é R? não entendo nada. Então Susane é casada? Quem diria. E que história é essa de originais, que historia é essa que eu corro perigo? Quem seria a moça do autógrafo? Alguma criminosa? Com aquele sorriso seria impossível, ou não? Uma da madrugada. Falta ainda duas horas pra pensar. Tentar entender o que está havendo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Na sala de jogos os pingüins fumam charutos. Que coisa mais démodé. Tudo é um enorme clichê. Os pingüins, o pôquer, o uísque com gelo, esse parece ser o pior de todos, a não ser talvez o número do quarto, a referência ao perfume de Susane e ao toque de seus dedos e tudo o mais em relação a sua ausente pessoa. Até o meu próprio nome cheira a clichê neste instante. E o fato de ser escritor piora significamente a situação. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Essa é realmente minha vida, ou eu a estarei lendo em algum lugar? E se for assim quem terá escrito obra tão decadente e sem estilo, uma prosa piegas, o lugar comum que sufoca os personagens em clichês gritados de todos os cantos.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">O que quer dizer o bilhete? E se não quiser dizer nada? Leio novamente, tem que querer dizer alguma coisa. Ninguém escreveria um bilhete que não quisesse dizer nada, ou escreveria? Uma e meia, acho que o trem bala está perdendo a corrida.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Como  escapar de uma situação de clichê como essa? Olho ao redor e não  acho resposta para nada.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Saio  para a rua. Silêncio. O céu está escuro. Alguns minutos e a chuva  desaba. Chuva, mais um clichê clássico. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Um  carro pára na calçada. O motorista abre o vidro. Cigarro aceso, me  chama.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Sr. Adam, O escritor?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Sim.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Encomenda para o senhor.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">O motorista então me entrega uma caixa, sai cantando pneus, lá vem clichê. Abro a caixa e dentro dela há uma um objeto embrulhado em seda vermelha, seda vermelha, chegamos ao fundo do poço com os clichês. De repente me sinto preso dentro de um conto mórbido, aonde as cenas vão se alternando sem lógica alguma, meramente ao sabor dos mais variados clichês. Enrolado na seda vermelha há uma arma, uma pistola semi-automática e um bilhete.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"><i>Leve  isso junto com os originais. Você vai precisar.</i></font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">                                                                        R.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">R. de novo, quem seria? Que espécie de loucura seria essa? Aonde iriam me levar tantos clichês? Dever ser um sonho. Sim, só pode ser isso. Mas já que estou preso nesse manto de clichês cometo mais uma, acendo um Marlboro com meu isqueiro zippo americano.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Por que o original do livro? É uma história ainda no começo. Apenas a história de um escroque chamado Roberval. Jogador de pôquer, trapaceiro, vive de pequenos golpes, bebedor de uísques, conhaques, vodcas e pingas. Sim, muitas pingas. Pingas brancas, amarelas, das mais diversas cores e mais diversas misturas. Roberval não se veste de pingüim, mas também fuma charuto enquanto joga no pano verde, outro clichê. Ele usa suspensório. Parei na cena em que ele leva um tiro durante uma partida de pôquer em um cassino clandestino e barra pesada.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A placa da esquina marca K com a Ruiz. É bem aqui o lugar do encontro. Vim parar aqui sem querer, coincidência, não pretendia vir de fato a encontro nenhum, compactuar com uma loucura dessa, imerso em um banho gelado dos mais diversos clichês. Mas cá estou, então paciência. Fumo devagar, não poderia ser diferente, já que de alguma maneira inconsciente estou farejando uma trilha de clichês. Três horas. Um carro preto pára ao meu lado. O vidro se abre. A porta se abre. Sai um homem enorme, todo vestido de preto. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">O homem me obriga a entrar no carro. Fico sentado entre ele e um outro homem também de preto, só que maior e mais carrancudo. No volante um homem magro e a seu lado, no banco do carona, uma loira de batom vermelho e olhos azuis.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Situação  de clichê, não resta mais a menor dúvida.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O que você sabe?  </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Sobre o que?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Sobre ele.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Ele quem, meu Deus?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Seu Deus não tem nada a ver com isso. O que você sabe sobre Roberval?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Mas que é esse Roberval?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Você está escrevendo um livro sobre ele.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Onde estão os originais? </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Eu não trouxe.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Vamos buscar.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">O magrela ao volante faz o retorno na esquina, chega a subir na calçada, imagino que não podia ser de outra maneira. A chuva aumenta, as gotas enormes socam o teto do carro. Quando chegamos minha casa está toda revirada, as coisas jogadas no chão, os livros, os móveis, as gavetas vasculhadas, louça quebrada, e os originais do livro desaparecerem.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Alguém esteve aqui.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Parece obvio.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Situação de clichê. Parece um pesadelo. Faço força para acordar, mas não adianta, estou preso no sonho, se é que isso é realmente um sonho, um pesadelo, um delírio, já não sei o que pensar. Os homens enormes procuram alguma coisa no meio do caos que varreu minha sala, mas nada pode ser encontrado.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Os originais foram roubados.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Quem teria feito isso?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Roberval, provavelmente.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Mas ele é somente um personagem.- Eu digo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Você não sabe de nada.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Os dois gorilas me arrastam para fora da casa. O magrelo tira do porta-malas do carro dois galões com algo que presumo ser gasolina, no melhor dos clichês dos filmes de gangster, e joga sobre a bagunça da sala, derrama sobre os moveis, molha tudo o que vê pela frente até que os galões ficam completamente secos e o cheiro de gasolina invada tudo, inclusive meus pulmões. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Onde está seu zippo americano.- A loira me pergunta.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não tenho.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Claro que tem. Zippo é um clichê clássico.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">O mais forte dos dois brutamontes tira o isqueiro do meu bolso e joga para a loira. Ela tira uma cigarreira dourada de dentro da bolsa. Acende um Free e traga profundamente. Acende a chama do isqueiro mais uma vez e então o atira pela janela aberta. Sou arrastado para dentro do carro enquanto o fogo avança e destrói o meu lar.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  A noite vai ser  longa.- Diz a loira ainda fumando lentamente seu  Free.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Free  é mesmo cigarro de mulher, ou seria apenas mais um dos incontáveis  clichês dessa madrugada? </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  E agora como vou fumar sem o meu zippo?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Na verdade eu deveria estar mais interessado em onde e como vou morar, já que minha casa foi incendiada por um bando de malucos em um carro preto, que estão a procura de uma cara que só existe, até que me provem o contrário, dentro do meu ultimo livro, e que pra piorar o tal livro, ainda inacabado foi roubado. Esqueci algum dos clichês e acontecimentos bizarros das últimas horas?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Pare de fumar. Cigarro faz mal pra saúde, nunca te falaram isso? </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Diz o maior dos brutamontes enquanto explode um uma gargalhada que só pode ser comparada a risada de uma criança, uma menina de oito anos, loira e com os cabelos presos com lacinhos, para ser mais exato.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Me fale sobre a história. &#8211; Pede a loira.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Que história?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  A história que está escrevendo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">- É um faroeste moderno, sabe come é, uísque com gelo, pôquer, charuto, moças loiras, sem alusões as pessoas presentes. &#8211; Neste ponto pisco para ela, que faz uma careta que desencoraja a fazer qualquer outra piadinha. &#8211; A história é cheia de putas, cafetões, cabarés, cawboys, escroques, como é o caso de Roberval, ele é traído pelos amigos, que não são tão amigos assim pelo que se vê, parceiros de carteado, atiram nele durante uma partida de pôquer.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O que mais?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Por enquanto só. Parei nessa cena da traição.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Mas como termina.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Eu não sei. Vou escrevendo sem premeditação. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Ao sabor dos clichês?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Mais ou menos.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Li seu último livro. &#8211; Diz o maior dos brutamontes.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Espero que tenha gostado.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Obrigado, admiro os leitores sinceros e sensíveis.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Tem cavalos no seu faroeste moderno? &#8211; A loira quer saber.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Motos?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Sim.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Estamos chegando. &#8211;  Diz o magrelo ao volante.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Vocês destruíram minha Olivetti.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ninguém  diz nada. Só então me lembro de Susane. O que terá acontecido com  ela?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O que aconteceu com Susane?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Está escondia em um lugar seguro.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O que ouve?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Roberval descobriu tudo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O que tem a ver Susane com o personagem do meu  livro?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Eles são casados. Susane e Roberval.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Isso é loucura.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Nada  disso pode estar acontecendo. Deve ser um pesadelo. Inexplicável situação  de clichê.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Quem são vocês, afinal? &#8211;  Eu quero saber.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Estamos à procura de Roberval.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  E o que eu tenho com isso?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Você é o contato.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Insuportável situação de clichê. Isso só pode ser um sonho, ou um filme velho emperrado dentro da minha memória, uma daqueles clássicos de suspense ainda em preto e branco, não sei. Talvez um filme de Antonioni, mas se fosse não haveria esses clichês. Um clássico qualquer de Kubrick, cheio de situações inusitadas, talvez, mas onde está o estilo marcante do grande cineasta? Não, Kubrick não é. Uma história de Kafka, quem sabe? Não, também não. Tendo por a cabeça em ordem. Como foi que tudo isso começou? Com o telefonema de Susane. Depois o uísque com gelo, não devia ter tomado aquele primeiro clichê. Mas tomei, paciência.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Para onde estão me levando.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Logo vai saber.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Então me lembro da arma. Não me revistaram, a arma ainda está na minha cintura. Sinto, de repente, todo o frio de seu aço contra a minha pele. O bilhete dizia que eu ia precisar. Mas quem teria escrito aquele bilhete. Quem seria R.?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">De  repente o carro pára.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Chegamos. &#8211; Diz a loira.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Vejo uma casa enorme. Não, não é uma casa, é uma igreja. Uma escadaria enorme. Sou arrastado degraus acima. O maior dos godizilas entra chutando a porta da igreja. Um padre fuma charuto sentado no púlpito, pernas cruzadas, cavanhaque, óculos e mais um ou dois clichês de rotina na vida dos padres, que, aparentemente, são vilões de histórias bizarras, como essa parece ser até agora. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Atrasados. &#8211; Diz o padre.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Os originais foram roubados.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Merda! &#8211; Diz o padre.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Este é o padre Salvador.  &#8211; Diz a loira.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Salvador?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Sim, posso salva-lo do fogo do inferno, meu filho. &#8211; O padre ri.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Fico  sem saber  o que dizer. Mas o que poderia dizer diante de tamanho  clichê?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Fuma charuto?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Os vilões fumam charuto, isso é um clássico.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">- Meu filho, isso não é um conto de Rubem Fonseca, é a vida real. E na vida real só a um vilão; o tempo. Já deve ter ouvido falar.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Sim, já ouvi, isso faz de você um plagiador.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Literatura. Somente literatura nada mais que isso.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">O  padre gargalha como um bom vilão de filme B. Engasga com a fumaça.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Querem beber alguma coisa?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não temos tempo. &#8211; Diz a loira.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O que vão fazer agora?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Falar com o Sr. X.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Neste instante essa situação de clichê atinge um estado crítico, se tudo fosse uma bomba explodiria neste exato momento. Senhor X? Esse é o cúmulo do piegas. Já não é mais clichê, beira ao ridículo. Só pode ser um pesadelo, não há outra explicação. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A loira então beija o padre na boca. Tudo pra mim vai perdendo o sentido, perdendo as cores, os sons. Sinto que vou perder os sentidos. Tudo fica escuro e imóvel. Desmaio.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">                                                                      *  *  *</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Acorde Adam.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Alguém bate no meu rosto. É Susane. Acordo e me encontro completamente nu em meio à nave da igreja. O padre Salvador está caído a alguns metros. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O que houve Susane?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não sei direito.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Minhas roupas desapareceram. Caminho até o padre Salvador. Ele está morto em meio a uma poça de sangue. A arma que eu trazia está jogada a alguns metros do corpo. Há uma batina sobre o púlpito. Visto-a. Está frio. Ouço a chuva batendo no teto da igreja. Apanho a arma. Susane está fumando Free, igual a loira.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Situação  de clichê. Ou será apenas coincidência?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Por onde você andou?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Fui pega e me obrigaram a ligar para você.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Que diabos está acontecendo?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não sei.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ela  caminha em direção a porta.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Aonde vai?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Quero descobrir o que está acontecendo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  E como vai fazer isso?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Sei para onde foram.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  E como sabe?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Ouvi uma conversa.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Vou com você. Preciso encontrar os meus originais.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Susane  entra no carro. Monza preto. Mais um carro preto. Sento-me no banco  do carona.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Me dá um cigarro. &#8211;  Peço.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Free?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não é cigarro de mulher?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Isso é um clichê ordinário, só isso.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Sei.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Como veio parar aqui?- Ela pergunta.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Fui agarrado na esquina da K com a Ruiz. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O que aconteceu na igreja?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não sei direito. Desmaiei quando a loira beijou o padre.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Que nojo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Trago  o cigarro e também me engasgo com a fumaça.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não viu quem o matou?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  E aquela arma?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Era minha.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Sua? Nunca soube que você tinha uma arma.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não tinha. Entregaram-me em uma das esquinas entre o hotel e a K com  a Ruiz. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Quem entregou?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Um cara num carro preto.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Muito estranho.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  É, pois é, é uma situação de clichê.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Como assim?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não percebe Susane, nada disso pode ser real. Você é casada?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Sim.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Como se chama seu marido?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Roberval, por quê?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Minha cabeça começa a girar, não é possível, nada disso pode estar acontecendo, sinto que vou desmaiar de novo. Vontade de vomitar.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Pára o carro, Susane.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Ela freia. Abro a porta a tempo de vomitar na calçada. A cabeça gira,  sinto que vou mesmo desmaiar.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Calma Adam, respira devagar.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Não, não pode ser real, é só isso que consigo balbuciar antes de sentir a visão se embaçando e o escuro profundo de aproximando cada vez mais.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não desmaie, Adam.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Silêncio,  profundo e gutural.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Acordo com o carro já em movimento. Estou deitado no banco de trás. Há uma moça de cabelos vermelhos, sentada no banco do carona, ao lado de Susane, masca chicletes ruidosamente.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Acordou Cinderela? </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não era a Cinderela que dormia, era a Bela Adormecida.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Bah, tudo igual.  </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Essa é minha amiga Natacha. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Você é puta? &#8211;  Pergunto para Natacha.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Sim, como sabe?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Deduzi, clichê clássico.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ela  não diz nada. Susane não diz nada. Então só me resta dizer alguma  coisa.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Quem é o Sr. X? &#8211; Pergunto.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Ninguém sabe. &#8211;  Diz Natacha.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Como assim? Alguém tem que saber.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">- É um mito, uma lenta, é como um fantasma. Controla o jogo daqui até Manaus, a prostituição, tem cassinos clandestinos, corrida de cavalo, de cachorro, rinha de galos, é uma espécie de Capo italiano.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Meu Deus. &#8211;  diz Susane.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A mim nada mais surpreende, um clichê a mais um a menos, se ela me dissesse que era Victor Corleone em pessoa, que motivos eu teria para duvidar? Estou, à uma hora dessas, preparado para tudo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Como se encontra ele?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Você não o encontra, ele te encontra.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Eu devia saber. Que inocente eu sou pra fazer esse tipo de pergunta para uma puta de cabelos vermelhos em uma noite absurda, cheia de cenários pitorescos, cheia de diálogos roubados de um gibi do Dick Traice, inundado de clichês tão ordinários quanto solados de um chinelo velho ou de uma novela mexicana cheia de personagens com nomes compostos. Avançamos cada vez mais, ou melhor mergulhamos cada vez mais nesse abismo surreal e mórbido, nos inveredamos ainda mais nessa situação de clichê, que a muito já saiu de qualquer controle.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">O que terá os originais do meu livro a ver com tudo isso? Quem é Roberval, afinal? O que todos estes homens de roupas pretas, carros pretos, querem comigo e com meu livro? Quem é R.? </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Pra onde estamos indo?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Calma, já estamos chegando.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Olho no relógio, quase quatro da madrugada e ainda está chovendo muito, as gotas estão enormes, surram o pára-brisa do monza. Sinto os olhos arderem, estou com sono, não deveria ter saído daquele quarto de hotel.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Susane pára o carro, ruas escuras, mulheres seminuas nas esquinas, por todos os cantos, travestis, o cheiro do mar se alastra carro a dentro, invade minhas narinas, a maresia invade meu cérebro e embrulha meu estomago. Desço do carro e vejo um bar aberto, caminho na chuva, preciso comprar cigarro, fumar Free é como não fumar nada, embora fumar nada resolveria alguns problemas de saudade como por exemplo um câncer de pulmão eminente. Compro cigarro, tomo uma dose de vodca. O bar está deserto, apenas eu e o cara que me atende, a TV está ligada, chuviscada, chiando feito uma panela de pressão ou como um lutador de boxe no final do ultimo assalto, não consigo diferenciar, mas consigo entender o que o âncora do telejornal diz.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Âncora-</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"> O crime se deu nessa madrugada, por volta das três da madrugada, testemunhas que estavam de passagem pelo local afirmam ter visto um homem vestido de padre, saindo da igreja, acompanhado de uma mulher alta. Ao vivo direito da cena do crime está o nosso Roberto Ernesto Garcia.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A imagem corta para a fachada da igreja para onde eu fui arrastado pelos dois gorilas, pelo magrelo e pela loira, alguns curiosos estão na frente da igreja, uma pequena aglomeração e alguns carros da policia. O repórter enche a tela, bombástico, como todo repórter em cena de crime.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Repórter- </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Estamos ao vivo direto da igreja de Cosme, no Largo do Bloco, onde o padre da paróquia, Salvador Resende e Souza, foi assassinado brutalmente e a queima roupa, com um tiro na nuca. Segundo a polícia trata-se de uma execução ou queima de arquivo. Testemunhas que passavam na área na hora do acontecido, entre 3 e 3 e meia, dizem ter visto um homem vestido de padre, saindo com uma pistola nas mãos, acompanhado de uma mulher alta, os dois deixaram a cena do crime em um monza preto com placa de Santos. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A  câmera mostra o padre sendo retirado pela policia em um daqueles sacos  pretos e colocado dentro do carro da funerária.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Repórter-</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"> Há uma suspeita da policia de que o criminoso em questão se trate do escritor Adam Smith, que parece ter sido reconhecido por uma das testemunhas. Mas o que levaria esse conhecido escritor de nossa literatura a cometer tal crime e quem seria a moça que o acompanhava. Vamos falar com uma das testemunhas. Senhor Astolfo Ribas o que realmente o senhor viu.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Astolfo  Ribas-</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"> Vi o homem saindo da igreja junto com uma mulher muito gostosa, alta, peituda, desconfio que aquilo seja silicone. Mas o homem eu reconheci, mesmo vestido de padre, era o tal escritor Adam Smith, li um livro dele uma vez e dei uma olhada na foto da contracapa pra nunca mais ler nenhuma das porcarias que ele escreve.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">No momento que dou as costas e saio para a chuva a TV está mostrando uma foto minha. Essa situação de clichê está ficando cada vez pior, agora além de tudo sou suspeito de ter assassinado um padre. Era só o que me faltava acontecer.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">As luzes amarelas e pálidas dos postes denunciam o lugar, estamos no porto. Vejo as dezenas de centenas de conteners espalhados para todos os cantos, de todas as cores, azuis, vermelhos, verdes, amarelos, brancos. Susane está fumando encostada no carro. Natacha está falando com um travesti debaixo de um poste na esquina.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Estou na TV.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Como assim?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Alguém nos viu saindo da igreja. Viram-me com uma arma. E teve um babaca  que me reconheceu.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Natacha se aproxima com o travesti, seus cabelos vermelhos escorrem água, a chuva está muito forte, não sei como o cigarro de Susane não se apagou, mistérios do clichê, fumar na chuva é um dos mais mágicos. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Essa é Claudia. Ela conhece tudo por aqui. &#8211; Diz a ruiva.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Claudia,  eu devia saber.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Quem é o padre?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ainda estou de batina, somente agora me dou conta, a situação é mais ridícula do que eu imaginava. Um clichê a mais ou um a menos já não faz diferença alguma a uma altura dessas da madrugada.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Ele não é padre. É uma longa história.- Esclarece Susane.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Claudia está de salto alto, saia de borracha, meias calças, uma coisa, cabelos presos em um rabo de cavalo no alto da cabeça, parece aquele ser do filme Quinto Elemento que gritava <i>Meu homem! </i> Com uma voz de taquara rachada.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Já sei onde fica o armazém. &#8211; Natacha diz para Susane.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A partir daí começamos a nos esgueirar por toda extensão das docas, um verdadeiro labirinto de construções faraônicas e tão antigas quanto a própria pirâmide de Queóps, restos de barcos, por um momento me sinto preso dentro da Guernica, aquele quadro de Picasso que é uma bagunça dos infernos, dizem que ele quis representar a batalha de Guernica, importante episódio da guerra civil espanhola, mas no muito representou um acidente de carro na Marginal. Na neblina se vêem tratores, guindastes, alguns bêbados, algumas putas, que cumprimentam, de quando em quando nosso guia, o cheiro do mar vai ficando cada vez mais forte, embrulha cada vez mais o meu estômago.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Claudia de move como um esquilo, é um exercício digno de atleta olímpico segui-la nessa neblina, se embrenha pra e pra cá, parece se tratar de um verdadeiro labirinto úmido e escuro e como a madrugada é de clichê não me espantaria muito dar de cara com o Minotauro.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Chegamos, até que enfim, ao tal armazém. Uma construção enorme, com janelas pequenas e bem altas, de onde vaza raios de uma luz pálida, o prédio é todo feito de tijolos a vista, liquens cobrem a maioria das paredes.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  É aqui. &#8211; Diz o travesti. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O cara na TV disse que seus seios são silicone.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Mentira, tudo original de fabrica.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Silêncio. -Sussurra Natacha.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">O que estamos fazendo aqui? Que loucura é essa, afina? Onde Susane está com a cabeça, para nos meter em uma situação dessa, sem pé e nem cabeça? Claudia faz sinal para que a sigamos, ela se esgueira ao redor do prédio, até chegar a uma porta mais ao fundo. O cheiro do mar envolve tudo ainda mais e começa a enferrujar meus movimentos e entorpecer ainda mais os meus sentidos. A porta está destrancada, como alias não poderia ser diferente, já que a situação é de clichê. Destrancada como toda boa porta dos fundos de um armazém infectado de vilões de um filme velho da Sessão da Tarde. Quem serão os vilões dessa trama, a espreita dentro desse armazém? O vilão é o grande ícone da literatura pop, desde os romances de épocas remotas à telenovela brasileira exportada para o mundo inteiro, todo mundo quer ver seu fim trágico, querem que o vilão termine preso, morto, louco, que ele pegue fogo e todo o destacamento do Corpo de Bombeiros esteja de férias no Caribe, sei que é um clichê, mas também desejo isso.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Entramos em silêncio, fila indiana, Claudia na frente, atrás dela Susane e logo depois eu. Tudo escuro, centenas de caixas empilhadas, pilhas que vão quase até o teto, mais um labirinto escuro e úmido. Estamos ensopados, minha batina pinga água, deixa um rastro atrás de mim, quase uma enxurrada. Ouvimos vozes vindas além de uma porta fechada. Claudia experimenta a maçaneta e a porta está destrancada. Presto atenção nas vozes. A TV está ligada, espio, um filme em preto e branco, quase azulado invade a tela, jogando uma luz opaca por todo o cenário, onde dois homens estão sentados em cadeiras espreguiçadeiras.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">De repente, lá fora, um ruído metálico, um cantar de pneus e logo em seguida o som de portas de carro sendo fechadas com extrema violência. Os dois homens se levantam de um único salto, sacam suas armas e ficam alertas de frente para uma porta em uma das extremidades do cômodo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A porta se abre e a loira entra, a mesma que fumava Free, o cabelo está molhado, o vestido negro está colado ao corpo, desenhando uma silhueta perfeita, como se fosse um manequim de vitrina de butique de roupas da Prada , logo atrás dela o magrelo entra também segurando uma arma, entram também os dois gorilas arrastando um homem da mesma forma deselegante e truculenta como faziam comigo a mais ou menos uma hora atrás. Os dois homens que assistiam TV abaixam as armas e voltam para suas cadeiras.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O assassinato do padre já saiu na TV. &#8211; Diz um deles, já reconfortado  em sua espreguiçadeira.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Culparam o escritor.- Emenda o outro.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Ótimo, melhor que a encomenda. &#8211; Diz a loira.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Amarre-o na cadeira. &#8211; Diz o magrelo para os dois King Kong`s.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Eles  amarram o homem na cadeira.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  É Roberval! Eles o pegaram. &#8211;  Cochicha Susane no meu ouvido.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Vamos ficar escondidos aqui? &#8211; Pergunta o travesti.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Vamos esperar. &#8211; Diz Susane.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Merda de chuva. &#8211; Diz a loira vestindo seu Prada molhado.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Por quê mataram Salvador? &#8211; Pergunta um dos homens sentado em sua  espreguiçadeira.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">- Ele estava muito mal vestido. Um crime de moda. Não merecia viver. Onde já se viu, batina e óculos escuros. Um horror. &#8211; Diz a loira.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Todos gargalham menos Roberval, que está amordaçado e amarado na cadeira, parece meio grogue. Ouço passos, um estalido seco e uma insuportável dor na nuca. Tudo escurece.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">                                                                *   *   *</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Acordo. Ainda estou meio tonto. O estomago roda, as têmporas latejam. Um tapa estala com força no meu rosto, isso faz com que eu acabe de despertar. A dor aviva minhas sensações, aguda, visceral e corrosiva. Estou amarrado a uma cadeira, ao meu lado está Roberval e mais para a esquerda o travesti além dele está Susane, ainda desmaiada, amarrada em uma outra cadeira. Os dos homens agora estão de pé, já que suas espreguiçadeiras foram usadas para amarrar Susane e o travesti mais confortavelmente. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Começo a entender o que houve, fomos surpreendidos em nosso esconderijo, o que é um clássico clichê. Mais alguns homens estão ao nosso redor, além de todos aqueles que já se encontravam no armazém. Além dos dois godizilas, os dois que estavam nas espreguiçadeiras, além da loira e do magrelo. Pelo menos mais seis homens a mais.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ainda  chove lá fora.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-Acordou  Fernando Pessoa? &#8211; Diz a loira, tentando ser sarcástica. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ela não consegue, quando no muito consegue ser desagradável, mas isso não beira aquele sarcasmo piegas que os vilões dos filmes B despejam sob os mocinhos, quando estes estão amarrados em cadeiras espreguiçadeiras e cercados por gangster por todos os cantos em um velho armazém abandonado nas docas. De modo que a loira deve estudar um pouco mais de arte dramática. Ela poderia ter citado qualquer um, então por que logo Fernando Pessoa? Por quê não Loyola ou Sabino? Além de péssima atriz a loira parece não ser dada a grandes leituras.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Batem  na porta.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Quem é? </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ouve-se  uma tosse cavernosa, seguida de pelos menos uma dúzia de espirros violentos.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Essa tosse e esses espirros. Só pode ser ele. &#8211; Diz o magrelo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Um dos gorilas abre a porta. Um homem muitíssimo parecido com um ursinho game entra, acompanho de mais trogloditas. Os trogloditas reunidos nesse armazém, figurantes dessa cena clássica de cinema ruim, juntos já formariam um time de futebol americano. Todos eles vestidos de preto. Se montássemos um time o problema dos uniformes já estaria resolvido. Todos fazem silêncio enquanto o ursinho game entra. Pela cara dele me parece se tratar do Bronquinha. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Aqui está o homem , chefe.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">- Ola Roberval, quanto tempo.- Diz o ursinho game made in China.- Você me fez sair de casa na véspera do natal. Isso é muito grave.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Do que esse homem está falando? Ainda falta uma semana para o natal. Ele deve ter batido a cabeça e desregulado algum mecanismo igual aconteceu com meu relógio. Ou será que o relógio não estava desregulado e hoje é véspera de nata? Não, não é possível. Seria loucura até mesmo para uma situação de clichê, como é o caso em questão. Sendo assim para onde foi a semana que falta entre dia 17 e dia 24? Mas já é mais de meia noite e se fosse o caso já seria natal. Quando bobagem. Com certeza o ursinho game deve estar bêbado.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Daqui a pouco é natal e eu estou aqui.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Situação de clichê cada vez pior. Pior que um conto ruim. Apenas um quadro perdido entre a falta de sutileza do cubismo e anemia do andaluz. Um apanhado de acontecimentos inusitados e confusos. Um filme de ruim de Kubrick, embora não me conste em lugar algum tal coisa.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Onde está o original do livro?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Foi roubado.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  O código está desaparecido.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Está inda dentro da cabeça de Roberval.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não está mais. &#8211; Diz Roberval.- Quando passei para a cabeça do  escritor tive o cuidado de apagar da minha mente.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">O  que está acontecendo? Que história é essa? Do que estarão falando  todos esses malucos? </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Quem roubou o livro?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não sabemos.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Está na cara que foi Roberval.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não roubei nada. Não me serviria de nada, pois o livro ainda não  está pronto.- Diz Roberval.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Você está mentindo. &#8211; Esbraveja a loira.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Os homens de preto começam a esmurra-lo por todos os lados. Ele continua a negar que esteja com os originais do livro. Não entendo nada do que está acontecendo. Susane ainda está desmaiada. Roberval cospe uma enorme poça de sangue no chão. Sinto que vou desmaiar mais vez, os estomago começa a ficar embrulhado, não suporto ver sangue, e aqui já tem sangue suficiente para fazer um filme de guerra. Todo mundo está louco, que história é essa de colocar coisas na minha memória, apagar coisas da mente de Roberval, que história é essa de originais do meu livro, por que o querem, que história é essa de véspera de natal, afinal hoje é dia 17? Eu faço todas essas perguntas de uma única vez, ao final do ponto de interrogação me sinto completamente sem ar. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A  loira ri dentro de seu xerox em preto e branco de um Prada.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Não se lembra, não é mesmo? &#8211; Ela diz entre guinchos de sua risada  esnobe e tão falsificada como seu sarcasmo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Os godizilas param de bater em Roberval, ele ainda sangra, agora, faz companhia para Susane do distante país dos inconscientes. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">- Não sei do que vocês estão falando. O que tem meu livro a ver com tudo isso? Não entendo o que está havendo. Não sei o que estou fazendo aqui, o que tenho haver com tudo isso e com vocês.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Seu livro tem os códigos. &#8211; Ela diz.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Códigos do que?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Senhas de contas em bancos suíços.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Pronto. Eu devia estar à espera disso, de modo que não me surpreendo de todo, filme de gangster, assassinato de padre, roubo de livro, códigos, contas na suíça, travesti usando saia de borracha, mulher peituda fumando Free, chuva, carro preto, loira, magrelo, homens de preto, Sr. X, uísque com gelo, pôquer, pistola semi-automática, prostituta ruiva, armazém nas docas, será que esqueci alguma coisa. Receita perfeita para fazer um filme ruim. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Que loucura é essa?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Conte a ele Madalena. &#8211; Diz o magrelo</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Madalena?  Por que será que eu não me surpreendo com essa também?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ela fica me olhando, parece tentar ler meus pensamentos, se pudesse fazer isso garanto que não continuaria com esse sorriso de vilã de novela do canal 13.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">           &#8211; Vou contar como você entrou nessa história.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"><i>A história contada pela mulher loira, Madalena, péssima atriz de sorriso debochado, vestindo sua imitação surrealista de Prada, será por mim narrada em primeira pessoa. Minha pessoa, já que a pessoa dela me parece um tanto canastrona demais para executar um monólogo, como o que vem a seguir. Não que eu queira evidenciar aqui um dos mais celebres clichês, o de que as loiras são intelectualmente afetadas longe de mim cooperar com tal conspiração. Mas vamos direto aos fatos.</i></font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Olhei para a TV, a imagem límpida do canal 13 mostrava mais uma dessas tragédias que a mídia converte em comercial para as multinacionais da alimentação. Os repórteres, sempre sujeitos com roupas engomadas e cabelos impecáveis, falando direto do local da tragédia, ou do assalto, ou do terremoto, ou fosse do que fosse, estão sempre lá, perfumados e bem passados. Tirei os olhos do monitor e olhei ao redor, senhoras vestindo longos pretos, sapatos de salto alto, sorrisos de botox, um desfile sem lógica, uma vida sem lógica. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Estou esperando Susane e por um momento me sinto aliviado por saber que ela aparecerá vestindo calças jeans, tênis e camiseta esporte, uma espécie de alienígena aos olhos das outras mulheres. Susane é alta, da minha altura. Lábios vermelhos e grossos, como se houvesse acabado de levar um murro, cabelos claros e longos, seios enormes e firmes. Ela já está atrasada.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ponho-me a folhear o jornal do dia. Caderno 2. Crítica literária. Algumas menções ao meu último livro, recém lançado. A primeira e de um tal de Alicio Carlos, nunca ouvi falar.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"><i>O livro mais parece uma daquelas bulas de remédio amargo. Não se sabe o que quer dizer, não se entende onde quer chegar. Não serve para nada, a não ser, talvez, para encosto de uma mesa ou geladeira com as pernas tortas.</i></font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ele ia adiante com muitas outras palavras que eu não quis saber. Havia mais abaixo uma outra crítica assinada por uma mulher. Fátima de Queiroz. As mulheres geralmente são mais sensíveis a literatura.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"><i>Adam Smith está cada vez melhor no quesito literatura ruim. Tão ruim quando seu contemporâneo mais celebre. Pelo menos Smith ainda não se denominou Mago, ponto a seu favor e a favor de sua literatura de gosto duvidoso.</i></font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Quem disse que as mulheres eram mais sensíveis? Bobagem. O jornal é tão inútil quanto o noticiário do canal 13. bebo cerveja preta. Espero Susane que já está atrasada quase meia hora. Só então reparo no homem ao meu lado no balcão. Está olhando para mim de forma insistente. Aproxima-se.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Por acaso você não é Adam Smith, o escritor?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Sim, sou eu mesmo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Está ocupado? </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Espero uma pessoa.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Poderíamos tratar de um assunto que seria de seu interesse. Tomará  apenas alguns minutos.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Do que se trata?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Poderia me acompanhar até uma mesa.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">  Vou com ele para uma mesa onde já há um homem sentado, está todo   vestido de preto. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Sou Roberval.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Diz  o sujeito que acompanho. Ele apresenta o outro.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Esse é meu sócio Raphael. Temos uma proposta para você.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Já leu as críticas literárias, imagino?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Já. Quem sabe faz, quem não sabe critica. O que querem comigo?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Um livro.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-Não  entendi.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Temos uma história que daria um romance que te transformaria em um  best seler.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Por que não escreve o livro você mesmo?</font></p>
<p align="justify"><font face="Times New Roman" size="3"> Raphael está olhando fixamente para mim. Balança o copo de uísque lentamente. A pedra de gelo vai batendo nas bordas do copo. Um estalido mecânico do choque vai entrando por meus ouvidos. Não consigo me concentrar na voz de Roberval, que está falando sobre gangster`s, máfia, prostituição, lavagem de dinheiro, corrida de cavalos, contrabando, falsificação.a única coisa que consigo prestar atenção e no cubo de gelo se movendo dentro do copo. Os olhos ficam pesados. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Ouço  Raphael estalando os dedos. Roberval está calado, mas já não mais  me lembro do que falava.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Temos que ir. Obrigado pela atenção senhor Smith.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Eles se vão. Fico sem entender nada, ainda ouço lá no fundo da memória o tic tac do gelo batendo no copo. Volto para o balcão. O canal 13 exibe mais uma tragédia. Tomo o resto de minha cerveja preta. O barman desliga a TV, liga o rádio, <i>All the Way</i> de Frank Sinatra  invade o bar, a voz cristalina me faz esquecer o ruído do gelo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Susane está atrasada. Olho no relógio. Meia noite. O tempo passou rápido demais. Definitivamente é tarde demais para Susane vir ao meu encontro. Acabo a cerveja e saio. No meu quarto, deitado na cama de casal eu ouvia o tic tac do relógio sobre o criado mudo, tinha alguma coisa querendo sair da minha memória e não sabia como. O tic tac, se parecia com alguma coisa, mas eu não me lembrava com o que. Lembrava-me apenas de um homem chamado Roberval. Bom nome para um personagem. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Foi ai que tive a idéia para um romance. A historia de Roberval, um escroque, que vivia de pequenos golpes com cartas e dados em cassinos clandestinos e barra pesada.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"> </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">                                                                      *  *  *</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A história da loira é confusa, mas ela explica tudo direitinho. Eu fui hipnotizado por Raphael, enquanto Roberval me fornecia informações para que eu escrevesse um romance. Mas ainda há algumas coisas que não fazem sentido nessa bizarra situação de clichê. Por que queriam que eu escrevesse um livro?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Isso que não entendíamos no começo. Mas depois tudo  começou  a fazer sentido. Que ligação haveria entra o livro e Roberval?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Pergunta a loira para si mesma, em um clássico momento de sua atuação provinciana, soltando a fumaça do Free para o alto. A chuva está cada vez mais forte. Susane já está acordada, embora ainda atordoada. Seus olhos vagueiam pelo cenário. Os trogloditas estão todos parados como peças de xadrez que esperam um movimento, uma participação na abertura ou no gambito. Roberval ainda está desmaiado, Claudia tem os olhos atentos a tudo o que se passa. Somente então percebo que a prostituta de saia de borracha não está em canto algum.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">- Roberval roubou códigos de acesso a contas no exterior. O objetivo dele era que você inserisse tais códigos em capítulos do livro. De modo que depois era mais seguro. Depois que passou as informações para você Raphael, por meio de hipnose fez com que o próprio Roberval esquece de tudo. Acreditava ele,que assim se manteria seguro.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  E o que foi que deu errado? &#8211; Pergunto para a loira.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  A mulher dele descobriu tudo.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  E quem é ela.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Susane.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Estava  demorando muito para que tudo ficasse de cabeça para baixo mais uma  vez.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">- Na verdade foi Susane quem teve toda a idéia. Foi ela quem o atraiu para o Cassino Nautic`s, para um encontro em que não compareceu.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">De repente as coisas começam a fazer sentido para mim. A sucessão de encontros e desencontros. E todo o resto de fatos insólitos. Com exceção de alguns mais absurdos. Mas isso é uma questão de clichê, por isso é preciso dar um desconto. É como uma daquelas comedias de besteirol americano, onde um diretor já de saco cheio do mundo, da vida e, provavelmente, com a cara cheia de algum uísque falsificado resolve satirizar dúzias de filmes que nem ao menos assistiu, e o resultado é isso. É essa noite. É essa minha história com a máfia do jogo, ou da prostituição, já nem sei direito o que é o tal de Sr, X, além é claro de um celebre personagem de desenho animado antigo, ursinho game.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Eu era o cara errado no cenário errado, com a maquilagem errada, com o script errado, falando as falas erradas. Triste sina para um escritor, já medíocre, segundo a critica literária mais recente. Bem, eu estava lá, havia um maluco saído de um filme do James Bond, com uma maldita senha secreta de uma conta nas ilhas Caimãs ou na Suíça, à uma hora dessas, esse é apenas um detalhe geográfico sem muita importância. E quis o destino, ou o tremendo azar que devo ter, não é possível, que eu estivesse tendo um caso com a mulher do tal sujeito e essa por sua vez, com uma mente cheia de historias da Agatha Christie concebesse uma trama miraculosa envolvendo hipnose e o escambal. Eu estava surpreso. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">A loira parecia se deliciar com minha reação, lambia os beiços entre uma tragada e outra. Eu estava tentando digerir toda a história. Afinal onde haveria ido parar o livro? Por quê a morte do padre? Por que logo nesse armazém úmido e fedorento? Uma pergunta de cada vez. A loira coloca um chiclete na boca e masca da mesma maneira que a prostituta fazia. Onde estará a prostituta? Quem é R.? quem era a moça do autografo? Outra pergunta. Céus, quantas.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Penso sobre o que a crítica acharia desse livro que mal acabei de escrever e já foi roubado. Onde estaria os originais da história de Roberval? Incrível essa história de escrever sob efeito de um transe hipnótico, sempre fui um cético a respeito dessas coisas. No entanto, lá estava eu acordando de uma noite mal dormida, cheio de idéias, uma história de gangster e máfia que depois de tudo foi ao poucos de tornando real, ou ao menos parecido, embora com mais clichês do que eu houvera escrito, pelo menos imagino eu, embora nesse momento tenha a certeza de que a crítica literária daqui até a Patagônia discorda disso. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Durante alguns segundos um silêncio tão profundo que chegava a ser incômodo, ninguém dizia nada, a risada da loira parecia ter morrido dentro de sua garganta, somente as respirações, e o ursinho game bufando feito uma panela de pressão cozendo alguma daquelas iguarias da cozinha afro-brasileira. Quando os sons vieram, foram todos de uma única vez, passos, tiros e sirenes da policia. Correria para todos os cantos, tiros, senti uma dor incrível na perna e depois no ombro. Senti que tudo iria escurecer mais uma vez, eu estava sangrando. As vozes ficavam cada vez mais distantes a sirena cada vez mais fraca, quase que somente um zumbido.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">                                                            *  *  *</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Acordei com Susane acariciando meus cabelos, tive a impressão de ouvir o som das pedrinhas de gelo batendo nas bordas do copo, mas eram apenas os sons dos aparelhos hospitalares. Eu havia levado dois tiros, um no ombro e outro na perna direita. Desmaiara quando a policia chegava e invadia o armazém. Eu ainda não entendia muita coisa. O que Susane vazia ali, se fora ela quem arquitetara todo o plano? Eu ainda estava com muito sono. Sedativos, com certeza. Susane então me contou todo o resto da história dada depois de meu desfalecimento.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Quando a policia chegou nas docas, levada por Natacha, que de alguma maneira havia conseguido fugir antes de sermos capturados pelos asseclas do Sr. X, o tiroteio começara eu baleado em dois pontos do corpo havia desmaiado em meio ao caos. Sr. X conseguiu fugir, mas a loira e o magrela foram presos, junto com Roberval.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Roberval contou toda a história dos códigos secretos, que eram senhas de contas no exterior, que eu havia colocado nas iniciais dos capítulos do livro, sobre a as aventuras do escroque Roberval. Mas muitas das coisas acontecidas na madrugada não tinham explicações, os clichês que impregnaram o cenário já piegas dos acontecimentos, acredito que tenha sido mais acaso do que obra de um roteirista de Hollywood. A morte do padre foi esclarecida e as suspeitas sobre minha pessoa afastadas, mas é claro que terei que comparecer a delegacia para prestar declarações.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">O médico entra no quarto, sorriso do tamanho de um tênis de jogador da NBA, estetoscópio pendurado sobre o jaleco branco. Diz que estou pronto para sair do hospital, numa cadeira de rodas é claro, por causa da perna de onde foi retirada um projétil calibre 45. </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Susane  vai empurrando a cadeira. Na recepção há um embrulho somos parados  por uma enfermeira uniformizada.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Deixaram esse embrulho para o senhor. &#8211; Ela diz.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">-  Obrigado. &#8211; Digo pegando o embrulho que ela me estende.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Susane  me empurra para a rua. Antes de entrarmos no carro resolvo abrir o embrulho.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Um  pacote branco com apenas algumas palavras escritas em tinta dourada  e letra redonda.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"><i>Aos  cuidados de Adam Smith.</i></font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"><i>                                      R.</i></font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Dentro  do envelope os originais do romance e uma carta. Pus-me a lê-la.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"><i>Caro Sr. Adam Smith, depois de muito refletir sobre o ocorrido na semana passada no bar do Cassino Nautc`s, em cena que fomos protagonistas maiores, cheguei a conclusão de que o hipnose não pode ser usado de forma ilícita. Por isso me interpus no desfechos dos acontecimentos dessa última noite. Primeiro quis evitar que os originais caíssem nas mãos do Sr. X ou de Roberval, para isso pedi para que a moça do autografo deixasse um bilhete para o senhor, mas tive imprevistos, que agora não vem ao caso, e não pude comparecer ao encontro na K com a Ruiz. Vi-me então obrigado a invadir sua residência e roubar o livro para que não caísse em mãos erradas. Peço desculpas pelos transtornos causados.</i></font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"><i>                                     </i></font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"><i>                                                                            Atenciosamente Raphael.  </i></font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Susane empurra a cadeira de rodas através do corredor, atravessamos uma enorme porta dupla toda em vidro e um saguão enorme se abre a minha frente, cheio de acentos de acrílico e pessoas com expressões cansadas. Sinto uma enorme vontade de fuma. Susane me estende um Free, mas dessa vez sei que não é apenas um clichê de algum roteirista de Hollywood, simplesmente é o cigarro que ela fuma e pronto. Sinto uma enorme falta de meu zippo americano. Para onde irei já que minha casa foi totalmente destruída em meio aos acontecimentos dessa última madrugada?</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Susane abre o enorme guarda chuva, algumas gotas ainda caem no papel e varias outras se chocam contra o meu rosto. Parece que essa chuva ainda vai demorar a parar.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"><i>               </i></font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"><i>  </i> Odair J. Alves.</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">Junqueirópolis,  janeiro de 2008</font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3"> </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">   </font></p>
<p align="justify">    <font face="Times New Roman" size="3">    </font></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/99/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/99/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/99/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=99&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Scrap&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jan 2008 18:14:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[outros autores]]></category>

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		<description><![CDATA[Fiquei muito feliz ao receber esse poema&#8230; Estava com tanta saudade que deu vontade de sair pela cidade pra ver se te encontrava em algumlugar tava com tamanha vontade de te ter, que metade de mim achava que a miragem era verdade e que o perfume era mesmo o meu amor tava com tanta necessidade [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=98&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>Fiquei muito feliz ao receber esse poema&#8230;</i></p>
<p><i></i><br />
Estava com tanta saudade<br />
que deu vontade<br />
de sair pela cidade<br />
pra ver se te encontrava em algumlugar</p>
<p>tava com tamanha vontade<br />
de te ter, que metade<br />
de mim achava que a miragem era verdade<br />
e que o perfume era mesmo o meu amor</p>
<p>tava com tanta necessidade<br />
te encontrar meu principe<br />
que nada mais era maior que a certeza</p>
<p>que tenho de que por mais que eu faça<br />
nenhum momento tem muita graça<br />
se eu nao tiver contigo de verdade&#8230;</p>
<p>Glaúcia</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/98/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/98/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/98/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=98&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Verso livre</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/17/verso-livre/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Jan 2008 15:58:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Na tentativa do verso livre me tornei livre de qualquer métrica e reinventei minha própria estética. Mas terei perdido a ética e construido uma poesia cética e por demais hermética?<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=97&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na tentativa do verso livre<br />
me tornei livre<br />
de qualquer métrica<br />
e reinventei minha própria estética.</p>
<p>Mas terei perdido a ética<br />
e construido uma poesia cética<br />
e por demais hermética?</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/97/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/97/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/97/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/97/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/97/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/97/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/97/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/97/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/97/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/97/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/97/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/97/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/97/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/97/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/97/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/97/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=97&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Poemeto virtual</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/17/poemeto-virtual/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Jan 2008 12:26:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou conectado logado plugado colado no navegador&#8230; tenho MSN, Orkut, username, password, troco tapas troco farpas nas salas de bate-papo&#8230; tenho dupla até tripla personalidade, perfil fake, estou aprisionado no escancarado labirinto da web&#8230; meu blog está ligado a tantos blog&#8217;s que minha vida já é um link para sua casa, para seu quarto, para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=96&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou conectado<br />
logado<br />
plugado<br />
colado no navegador&#8230;</p>
<p>tenho MSN,<br />
Orkut,<br />
username,<br />
password,<br />
troco tapas<br />
troco farpas<br />
nas salas de bate-papo&#8230;</p>
<p>tenho dupla<br />
até tripla personalidade,<br />
perfil fake,<br />
estou aprisionado<br />
no escancarado labirinto da web&#8230;</p>
<p>meu blog<br />
está ligado a tantos blog&#8217;s<br />
que minha vida já é um link<br />
para sua casa,<br />
para seu quarto,<br />
para sua vida&#8230;</p>
<p>muito praser,<br />
mas você nem sabe quem eu sou,<br />
mesmo assim me beija<br />
faz amor comigo<br />
atravez da webcan&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/96/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/96/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/96/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=96&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Pra que tanta fumaça, meu Deus&#8230;</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/17/pra-que-tanta-fumaca-meu-deus/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/17/pra-que-tanta-fumaca-meu-deus/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 Jan 2008 12:21:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Acendi um cigarro traguei e tive a idéia para um poema. E ainda dizem que o cigarro mata. -Ei, que isso, não sejamos fatalistas! Entre rolos de fumaça da chaminé defronte a minha janela eu vi um desenho bêbado a se contorcer e ainda dizem que a fumaça polui. -Ei, que isso, não sejamos fatalistas! [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=95&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acendi um cigarro<br />
traguei<br />
e tive a idéia para um poema.<br />
E ainda dizem que o cigarro mata.<br />
-Ei, que isso, não sejamos fatalistas!</p>
<p>Entre rolos de fumaça<br />
da chaminé defronte a minha janela<br />
eu vi um desenho bêbado<br />
a se contorcer<br />
e ainda dizem que a fumaça polui.<br />
-Ei, que isso, não sejamos fatalistas!</p>
<p>Por quê tanta fumaça, meu Deus?<br />
Tanta desgraça?<br />
( que ela trás?)<br />
-Ei, que isso, não sejamos fatalistas!<br />
E também não sejamos tão modernos<br />
ao ponto de apenas lermos o Segundo Caderno,<br />
com suas tiras<br />
e seus rostos bonitos,<br />
ignorando toda a fumaça que escapa das demais colunas,<br />
não queimemos o jornal,<br />
não façamos mais fumaça!</p>
<p>-Ei, que isso, não sejamos fatalistas!</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/95/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/95/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/95/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=95&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Te contarei</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/17/te-contarei/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/17/te-contarei/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 Jan 2008 11:33:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dia te contarei algumas coisas E furtarei as cores (&#8230; um dia&#8230; ) Com que a vida me pintou você Nessa falha e anacrônica tela. Um dia te contarei muitas coisas E depositarei a teus pés (&#8230;um dia&#8230;) Todo o ouro de meu humilde barroco No desabar de meu santuário agótico. Um dia te [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=94&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dia te contarei algumas coisas<br />
E furtarei as cores (&#8230; um dia&#8230; )<br />
Com que a vida me pintou você<br />
Nessa falha e anacrônica tela.</p>
<p>Um dia te contarei muitas coisas<br />
E depositarei a teus pés (&#8230;um dia&#8230;)<br />
Todo o ouro de meu humilde barroco<br />
No desabar de meu santuário agótico.</p>
<p>Um dia te contarei minhas coisas<br />
E chorarei lágrimas de verniz (..um dia&#8230;)<br />
Para banhar e inoxidar todo o teu corpo.</p>
<p>Um dia te contarei as minhas últimas coisas<br />
E lacrarei meu último sonho (..um dia&#8230;)<br />
Sobre as frias brasas de minha lápide.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/94/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/94/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/94/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=94&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">odairosol</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Diga-me</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/17/diga-me/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/17/diga-me/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 Jan 2008 11:26:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Qunado eu chegar, por favor, simplesmente mande-me embora, pois ja sabemos que não devemos ficar nenhum instante juntos, pois é algo que não merecemos. Por isso quando eu sorrir: cale-me, faça-me chorar com as suas cobranças e quando eu me justificar; reclame não dê às nossas tempestades, bonanças. Quando eu disser: &#8211; Ei, eu te [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=93&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Qunado eu chegar, por favor, simplesmente<br />
mande-me embora, pois ja sabemos<br />
que não devemos ficar nenhum instante<br />
juntos, pois é algo que não merecemos.</p>
<p>Por isso quando eu sorrir: cale-me,<br />
faça-me chorar com as suas cobranças<br />
e quando eu me justificar; reclame<br />
não dê às nossas tempestades, bonanças.</p>
<p>Quando eu disser: &#8211; Ei, eu te amo!<br />
mande-me, sem cerimonias, para o inferno<br />
principalmente se eu disser que é eterno.</p>
<p>Mas quando eu chorar diga-me: tambem o amo!<br />
Mesmo que seja mentira, isso me alegrará<br />
mas quando as lagrimas passarem diga: Vá!</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/93/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/93/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/93/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=93&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">odairosol</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Dos males; o menor.</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/15/dos-males-o-menor/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/15/dos-males-o-menor/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 Jan 2008 16:56:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Quero respostas para as perguntas e armas para as lutas Quero tudo e tudo o mais. Amor e guerra em tempos de paz. Cenas do filme em cartaz. Quero vencer a barreira entra a sanidade e a trincheira. E o que é mais absurdo é que além de tudo quero a morte para benzer minha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=87&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quero respostas para as perguntas<br />
e armas para as lutas</p>
<p>Quero tudo e tudo o mais.</p>
<p>Amor e guerra<br />
em tempos de paz.</p>
<p>Cenas do filme em cartaz.</p>
<p>Quero vencer a barreira<br />
entra a sanidade e a trincheira.</p>
<p>E o que é mais absurdo<br />
é que além de tudo<br />
quero a morte<br />
para benzer minha sorte.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/87/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/87/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/87/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=87&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Um dia você vai entender.</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jan 2008 16:30:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dia você vai entender que a realidade é uma mentira que os homens inventaram para nos enganar e que as canções e os poemas são as chaves da prisão. Um dia você vai entender o esforço inutil do poeta pra vencer a guerra, vencer os monstros que o habitam. Um dia você vai entender [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=86&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dia você vai entender<br />
que a realidade<br />
é uma mentira<br />
que os homens inventaram para nos enganar<br />
e que as canções<br />
e os poemas<br />
são as chaves da prisão.</p>
<p>Um dia você vai entender<br />
o esforço inutil do poeta<br />
pra vencer a guerra,<br />
vencer os monstros<br />
que o habitam.</p>
<p>Um dia você vai entender<br />
o motivo das batalhas<br />
e das derrotas<br />
em nome de alguém<br />
que nunca foi a luta.</p>
<p>Um dia você vai entender<br />
todas as palavras de amor<br />
ditas todas em vão<br />
por tantos poetas<br />
padres<br />
bebados<br />
prostitutas e crianças.</p>
<p>Um dia você vai entender<br />
que existem mais motivos<br />
pra decepicão<br />
do que solução para os problemas<br />
e estragos causados pelo amor.</p>
<p>Um dia você vai entender<br />
as respostas e os porques.</p>
<p>Por que?<br />
quer viver e morrer<br />
beijar e cuspir<br />
matar e nascer<br />
ao mesmo tempo?</p>
<p>Por que?<br />
Quer sonhar acordado<br />
andar apressado pelas ruas<br />
a procura dos sonhos<br />
que aindam nem te conhecem?</p>
<p>Por que?<br />
quer verso e reverso<br />
e restos do seu próprio universo<br />
e unilateralmente a tudo isso<br />
você não quer absolutamente<br />
nada?</p>
<p>Um dia você vai entender<br />
as vit&#8217;rias e as derrotas.</p>
<p>Nós lutamos por liberrdade<br />
para nossas própria liberdade<br />
e queremos motivos<br />
para estar em guerra<br />
enquanto estamos em paz.</p>
<p>Um dia você vai entender<br />
os burocratas<br />
os acrobatas<br />
os adoradores de serpentes,<br />
seus medos<br />
e seus motivos.</p>
<p>Um dia você vai entender<br />
o homem<br />
que se abriga no poeta<br />
e seus sentimentos<br />
e seus pudores.</p>
<p>Um dia você vai entender<br />
o porque das guerras<br />
e dos laços matrimonias<br />
suas agonias<br />
e seus pecados<br />
mas profundos.</p>
<p>O Porque das coisas todas<br />
e de todas as coisas<br />
que fazemos todos,<br />
as respostas<br />
para as perguntas mais confusas,<br />
a verdade<br />
sobre o brilho dos olhos<br />
dos apaixonados,<br />
o conteudo<br />
dos versos de amor<br />
escritos a tantos séculos,<br />
o porque<br />
de todos os porques<br />
e toda a verdade<br />
sobre as mentiras<br />
que contamos um pro outro.<br />
A natureza dos sentimentos<br />
que nos negamos a tocar,<br />
a hora certa<br />
de partiir<br />
o instante certo<br />
de voltar<br />
pra abraçar tudo o que deixamos<br />
no caminho.</p>
<p>Um dia você vai entender<br />
o sentimento<br />
em que não  acredita<br />
e que no entanto lhe move a vida.</p>
<p>Um dia você vai entender<br />
o poeta e seus versos<br />
e seus olhos contraditórios<br />
e seu longo silêncio de velório.</p>
<p>Um dia você vai entender<br />
que mesmo  a mentira<br />
quer o nosso bem a qualquer preço,<br />
e que as canções<br />
e os poemas<br />
apenas torturam os nossos corações.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/86/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/86/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/86/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=86&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Final da festa.</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jan 2008 16:13:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma lágrima quente escorre acima do bigode de um poeta triste (um poeta frio), que tem nos olhos as migalhas dos sonhos de uma vida inteira, que tem nos restos dos sorrisos fragmentos de amores que o sol e a chuva desbotaram&#8230; E este poeta que veste-se de um azul de tempestade no céu opaco [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=85&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma lágrima quente<br />
escorre acima do  bigode<br />
de um poeta triste<br />
(um poeta frio),<br />
que tem nos olhos as migalhas<br />
dos sonhos de uma vida inteira,<br />
que tem nos restos dos sorrisos<br />
fragmentos de amores<br />
que o sol e a chuva desbotaram&#8230;</p>
<p>E este poeta que veste-se<br />
de um azul de tempestade<br />
no céu opaco de seu coração<br />
(selva de tantas pedras),<br />
quer  um poema<br />
e qualquer gesto,<br />
mesmo que de gosto ingesto,<br />
e que pela fresta de seus olhos<br />
entre toda a luz<br />
que teima em se apagar<br />
no final da festa.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/85/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/85/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/85/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/85/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/85/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/85/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/85/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/85/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/85/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/85/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/85/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/85/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/85/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/85/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/85/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/85/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=85&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Alguns amores são definitivos.</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/15/alguns-amores-sao-definitivos/</link>
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		<pubDate>Tue, 15 Jan 2008 15:13:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou filho bastardo de uma geração de poetas famintos e loucos armados com suas guitarras elétricas e enfurecidos por sua cocaina. Sou herdeiro do conhaque e da nicotina e dos pircing&#8217;s tatuados pelo corpo inteiro. Sou um poeta fora da lei James Bond ao avesso do avesso. Ao avesso da constituição constituida por um rei [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=84&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sou filho bastardo<br />
de uma geração de poetas famintos e loucos<br />
armados com suas guitarras elétricas e enfurecidos por sua cocaina.</p>
<p>Sou herdeiro do conhaque<br />
e da nicotina<br />
e dos pircing&#8217;s tatuados pelo corpo inteiro.</p>
<p>Sou um poeta fora da lei<br />
James Bond ao avesso<br />
do avesso.<br />
Ao avesso da constituição<br />
constituida por um rei tirano,<br />
por um soberano corrupto.</p>
<p>Alguns amores são definitivos<br />
e nem o sexo promíscuo<br />
ou o asterisco que encerra a carta de amor<br />
poderá negar o próprio amor<br />
que existe<br />
e que insiste<br />
em roer nossas almas doentes&#8230;<br />
Carentes.</p>
<p>Alguns amores são definitivos<br />
e a metafísica<br />
não explica<br />
a união dos corações<br />
das razões<br />
e dos lábios.</p>
<p>Nem os poetas cantaram<br />
em suas velhas canções<br />
flores e frutos maduros<br />
do impossivel<br />
tão presentes em nossas vidas.</p>
<p>Nem Drummond forte como ferro<br />
Nem Vinicius mágico como a noite.<br />
Não, eles não me furtaram essa deliciosa sensação<br />
que não quero<br />
que não sei<br />
que não posso explicar.</p>
<p>Nem Rimbaud e seu inesplicável verso sem igual<br />
terá forças pra me desmentir<br />
por que minha mentira<br />
é a única verdade que conheço<br />
e sem ela eu sou triste.</p>
<p>Nem mesmo os poetas da minha geração<br />
com suas oversoses tão baratas<br />
suas canções ao amanhecer<br />
de uma FM qualquer,<br />
gritando refrões sem lógica<br />
irão me despertar.</p>
<p>Nem os sonhadores<br />
ou os idealistas<br />
com suas idéias reacionárias<br />
que já não valem um centavo<br />
do meu já pouco dinheiro,<br />
nem o vinho,<br />
nem as uvas,<br />
nem as mãos,<br />
nem as luvas,<br />
nem as brasas<br />
e nem as chuvas.</p>
<p>Nem o sabor sem gosto<br />
do dia-a-dia<br />
me fará acordar, agora, para o cotiano,<br />
por que hoje sei<br />
que as canções que cantei<br />
valeram a pena<br />
transbordaram almas<br />
meus refrões foram<br />
trovões<br />
em uma intensa tempestade<br />
de ilusões tão vagas<br />
e incolores<br />
em corações de amantes frustrados.</p>
<p>Alguns amores são definitivos<br />
na  impossibilidade de serem diferentes<br />
alguns amores são definitivos.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/84/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/84/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/84/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=84&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Estamos na merda&#8230;</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/estamos-na-merda/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/estamos-na-merda/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 18:01:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Estamos em guerra em estado de sítio em estado de alerta albergados em um meretricio&#8230; Estamos na merda&#8230; Estamos de pé e ja é madrugada e lá fora há tantos e tantos soldados inimigos, estamos com sono com fome com sede&#8230; Temos uma insuportavel vontade de fumar tabaco maconha seja de qual marca for de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=83&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estamos em guerra<br />
em estado de sítio<br />
em estado de alerta<br />
albergados em um meretricio&#8230;</p>
<p>Estamos na merda&#8230;</p>
<p>Estamos de pé<br />
e ja é madrugada<br />
e lá fora há tantos<br />
e tantos soldados inimigos,<br />
estamos com sono<br />
com fome<br />
com sede&#8230;</p>
<p>Temos uma insuportavel vontade de fumar<br />
tabaco<br />
maconha<br />
seja de qual marca for<br />
de qual cor&#8230;</p>
<p>Estamos na merda&#8230;</p>
<p>Estamos de luto</p>
<p>estamo em luta pelo país errado<br />
com a farda errada<br />
com armas ultrapassadas<br />
estamos com a bunda na lama<br />
com os pintos bichados<br />
cheios de um sebo branco<br />
que fede mais que a merda<br />
em que estamos afundados&#8230;</p>
<p>Estamos em situação de extase<br />
estamos drogados<br />
estamos vendidos<br />
fudidos<br />
perdidos<br />
estamos esquecidos por todos&#8230;</p>
<p>estamos de luto<br />
e estamos na merda&#8230;</p>
<p>S.O.S</p>
<p>Salvem por favor nossas almas,<br />
por que a guerra ja encheu nossos olhos<br />
de terror<br />
de apatia<br />
de medo do amanhecer&#8230;</p>
<p>Quando cheguei no front<br />
eu fazia poemas de amor,<br />
mas o amor acabou<br />
a posia secou<br />
o céu se apagou<br />
e se foi janeiro<br />
fevereiro<br />
março<br />
abriu<br />
e nada mudou<br />
me afundei cada vez mais nessa merda</p>
<p>Estamos em guerra<br />
em terras estranhas<br />
onde quem tem um olho além de cego é escravo<br />
das coisas que não pode ver&#8230;</p>
<p>Estamos na merda&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/83/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/83/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/83/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=83&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Por quê?</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 17:52:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Por quê tantas perguntas nos intervalos das novelas e dos filmes da TV? Por quê tantas teorias vagas nos dicionários e nos balões das histórias em quadrinhos? por quê tantas lacunas nas cabeças das pessoas e no meu coracão?<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=82&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por quê tantas perguntas nos intervalos das novelas e dos filmes da TV?<br />
Por quê tantas teorias vagas nos dicionários e nos balões das histórias em quadrinhos?<br />
por quê tantas lacunas nas cabeças das pessoas e no meu coracão?</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/82/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/82/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/82/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=82&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Mas&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 17:50:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Esperei anos e anos por essa noite que agora tenho nas palmas das mãos, mas ela escorre por entre meus dedos cansados pela espera e incertos depois de tantos adeuses. Eu te amo, mas não me peças para te amar demais, te quero muito, mas me peças pra te querer ainda mais. Não me abrace [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=81&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esperei anos<br />
e anos<br />
por essa noite<br />
que agora tenho nas palmas das mãos,<br />
mas<br />
ela escorre por entre meus dedos<br />
cansados pela espera<br />
e incertos<br />
depois de tantos adeuses.</p>
<p>Eu te amo,<br />
mas não me peças para te amar demais,<br />
te quero muito,<br />
mas<br />
me peças pra te querer ainda mais.</p>
<p>Não me abrace<br />
com os mesmos braços<br />
com os quais tentas abraçar o mundo.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/81/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/81/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/81/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=81&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Eu</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/eu-2/</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 17:12:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Destino ou casualidade&#8230;eu existo mas já não acredito em nada do que foi dito e muito menos em tudo o que foi escrito já não me visto como era previsto já não assisto ao mundo &#8230;.resisto a fome, a sede&#8230;ao grito preso em mim&#8230;.insisto em ser Eu: um misto de fé e incredulidade&#8230;Esquisito? Toda fé [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=80&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Destino ou casualidade&#8230;eu existo</p>
<p>mas já não acredito<br />
em nada do que foi dito<br />
e muito<br />
menos em tudo o que foi escrito<br />
já não me visto<br />
como era previsto<br />
já não assisto<br />
ao mundo &#8230;.resisto<br />
a fome, a sede&#8230;ao grito<br />
preso em mim&#8230;.insisto<br />
em ser Eu: um misto<br />
de fé e incredulidade&#8230;Esquisito?</p>
<p>Toda fé é louca<br />
toda poesia é pouca<br />
por que minha voz já e rouca&#8230;.<br />
Toda vida é tensa<br />
por que a não há o que vença<br />
essa situação intensa<br />
de fé, desespero e medo<br />
não ha nenhum segredo<br />
que ainda resista<br />
a prisão na ponta dos meus dedos<br />
Fé é profissão de quem acredita<br />
Medo é destino de quem caminha<br />
de quem segue a linha<br />
estranha e estreita<br />
disforme e fina<br />
da vida&#8230;&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/80/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/80/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/80/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=80&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Declaração&#8230;</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/declaracao/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/declaracao/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 17:08:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[menina linda invocadinha é bem verdade essa taurina é tudo de bom meu bem meu love minha florzinha ruiva sem ela a chuva não tem graça é so agua caindo do céu com ela é festa cada gota vibra feliz cada raio de sol brilha mais mais e mais Já reparou no sorriso dessa menina [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=79&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>menina linda<br />
invocadinha é bem verdade<br />
essa taurina é tudo de bom<br />
meu bem<br />
meu love<br />
minha florzinha ruiva<br />
sem ela a chuva não tem graça<br />
é so agua caindo do céu<br />
com ela é festa<br />
cada gota vibra feliz<br />
cada raio de sol<br />
brilha mais mais e mais</p>
<p>Já reparou no sorriso dessa menina<br />
e daqueles que a gente olha<br />
e não tira mais os olhos<br />
é vivo<br />
é limpido<br />
é doce<br />
é o mais belo do mundo<br />
da via lactia<br />
do sistema solar&#8230;.<br />
a eternidade sem ela<br />
é menor que um segundo<br />
o dia sem ela é comum<br />
com ela tudo é mais colorido<br />
mas charmoso<br />
bem mais elegante<br />
ela é paz<br />
e musica<br />
é uma valsa suave&#8230;.</p>
<p>Ah menina se eu tivesse as palavras<br />
certas faria um poema pra voce<br />
mas seriam necessarios<br />
todos os dicionarios<br />
e eu ainda ficaria te devendo&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/79/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/79/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/79/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/79/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/79/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=79&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Entardecer</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/entardecer/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/entardecer/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 16:42:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Este entardecer não vale um poema, nem mesmo  chuva que o abraça seria capaz de me fazer erguer os olhos para a incerteza de um verso, oh, que poeta triste que eu sou, a tarde cai como um manto de melancolia e me cobre de beijos com sua boca triste, O halito do entardecer é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=78&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este entardecer não vale um poema,<br />
nem mesmo  chuva que o abraça<br />
seria capaz de me fazer erguer os olhos<br />
para a incerteza de um verso,<br />
oh, que poeta triste que eu sou,<br />
a tarde cai como um manto de melancolia<br />
e me cobre de beijos com sua boca triste,<br />
O halito do entardecer é podre<br />
e zomba de minhas sobrancelhas<br />
que dançam loucas a impacienete dança da solidão&#8230;</p>
<p>O sol se põem enquanto suas últimas gotas douradas caem sobre mim<br />
e me douram as lagrimas.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/78/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/78/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/78/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=78&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Bolero</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/bolero/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/bolero/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 16:29:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/bolero/</guid>
		<description><![CDATA[Eu fiz a letra eu fiz a rima pra essa canção, Eu dei o tom eu fiz os arranjos compuz o refrão, Fiz do meu jeito do nosso jeito, fim do melhor jeito que poderia ser feito, Fiz por você fiz por nós dois pelo agora e pelo depois, O tempo vai passar vão soprar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=77&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu fiz a letra<br />
eu fiz a rima<br />
pra essa canção,</p>
<p>Eu dei o tom<br />
eu fiz os arranjos<br />
compuz o refrão,</p>
<p>Fiz do meu jeito<br />
do nosso jeito,<br />
fim do melhor jeito<br />
que poderia ser feito,</p>
<p>Fiz por você<br />
fiz por nós dois<br />
pelo agora<br />
e pelo depois,</p>
<p>O tempo vai passar<br />
vão soprar os ventos<br />
e apagar<br />
nossos sentimentos,<br />
nós vamos nos perder,<br />
nos esquecer<br />
em meio a toda essa tempestade<br />
e só sobrará saudade,<br />
Com o passar<br />
dos dias,<br />
das tristezas,<br />
das alegrias,<br />
tudo vai se apagar<br />
em um aceno de adeus<br />
e os dedos meus,<br />
dos dedos seus<br />
vão se esquecer&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/77/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/77/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/77/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=77&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">odairosol</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Balada ao passado</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/balada-ao-passado/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/balada-ao-passado/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 15:50:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Os objetos que restaram dos restos dos nossos objetos sobre a pia do banheiro estão todos tristes&#8230; O espelho embaçado da respiração ofegante do chuveiro esquecido aberto&#8230; As sombras e as olheiras que ganhei e que desenhei no meu próprio rosto são o resumo de nossas vidas e todo o resto já ficou pra trás&#8230; [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=76&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os objetos que restaram<br />
dos restos dos nossos objetos<br />
sobre a pia do banheiro<br />
estão todos tristes&#8230;</p>
<p>O espelho embaçado<br />
da respiração ofegante do chuveiro<br />
esquecido aberto&#8230;</p>
<p>As sombras<br />
e as olheiras que ganhei<br />
e que desenhei<br />
no meu próprio rosto<br />
são o resumo de nossas vidas<br />
e todo o resto já ficou pra trás&#8230;</p>
<p>E restou apenas saudade&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/76/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/76/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/76/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/76/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/76/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=76&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">odairosol</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Balada ao passado -2</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/balada-ao-passado-2/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/balada-ao-passado-2/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 15:47:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Meus amigos estão todos colados na parede&#8230; Uma fotografia em preto e branco de sorrisos já desfeitos e tantos feitos, abraços, e gestos tão antigos fossilizados no papel&#8230; Os sorrisos amarelaram com o tempo&#8230; O vento soprou nossas amizades e nossos amores para além da linha do horizonte&#8230; para além da linha da arrebentação..<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=75&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meus amigos<br />
estão todos colados na parede&#8230;</p>
<p>Uma fotografia<br />
em preto e branco<br />
de sorrisos já desfeitos<br />
e tantos feitos,<br />
abraços,<br />
e gestos tão antigos<br />
fossilizados no papel&#8230;</p>
<p>Os sorrisos amarelaram<br />
com o tempo&#8230;</p>
<p>O vento soprou<br />
nossas amizades<br />
e nossos amores<br />
para além da linha do horizonte&#8230;</p>
<p>para além da linha da arrebentação..</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/75/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/75/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/75/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=75&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Balada ao passo -3</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/balada-ao-passo-3/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/balada-ao-passo-3/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 15:43:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Tanto tempo tanto verso e a eterna espera por alguém que nunca vai chegar&#8230; Tanto tempo tanta pressa e a eterna conversa com quem nunca vai me ouvir&#8230; Tanto tempo tanto progresso e as fontes vão secando enquanto tudo morre ao anoitecer&#8230; Tanto tempo tanto recesso e os castelos vão se ruindo para proteger suas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=74&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tanto tempo<br />
tanto verso<br />
e a eterna espera<br />
por alguém que nunca vai chegar&#8230;</p>
<p>Tanto tempo<br />
tanta pressa<br />
e a eterna conversa<br />
com quem nunca vai me ouvir&#8230;</p>
<p>Tanto tempo<br />
tanto progresso<br />
e as fontes vão secando<br />
enquanto tudo morre ao anoitecer&#8230;</p>
<p>Tanto tempo<br />
tanto recesso<br />
e os castelos vão se ruindo<br />
para proteger suas princesas&#8230;</p>
<p>tanto tempo<br />
tanto verso<br />
e tanta poesia em vão&#8230;</p>
<p>Tanto tempo<br />
tanto verso<br />
e tantos sorrisos sem razão&#8230;</p>
<p>Tanto tempo<br />
tantos versos<br />
a inundarem  minha alma&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/74/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/74/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/74/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=74&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Palavras solitárias</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/palavras-solitarias/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/palavras-solitarias/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 15:30:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Ecos de palavras se perdem pela tarde e já é tarde demais pra que elas se convertam em palavras de amor, mas se isso acontecesse já não seria tão importante pois já não existem ouvidos dispostos a ouvi-las e então elas continuariam perdidas e solitárias&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=73&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ecos de palavras<br />
se perdem pela tarde<br />
e já é tarde demais<br />
pra que elas se convertam<br />
em palavras de amor,<br />
mas se isso acontecesse<br />
já não seria tão importante<br />
pois já não existem ouvidos<br />
dispostos a ouvi-las<br />
e então elas continuariam<br />
perdidas<br />
e solitárias&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/73/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/73/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/73/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=73&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Lembranças da guerra.</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/lembrancas-da-guerra/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/lembrancas-da-guerra/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 15:28:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/lembrancas-da-guerra/</guid>
		<description><![CDATA[Estou solitário e melancólico meus ouvidos ouvem gemidos de amigos que morreram na guerra com armas em punho e medalhas no peito&#8230; Minha melancolia veste trages nupiciais de um cinza fúnebre e os gemidos de agonia de meus amigos, heróis de guerra, não me deixam dormir&#8230; Tenho vontade de dizer palavrões, todos aprendidos durante a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=72&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou solitário<br />
e melancólico<br />
meus ouvidos ouvem<br />
gemidos de amigos<br />
que morreram na guerra<br />
com armas em punho<br />
e medalhas no peito&#8230;</p>
<p>Minha melancolia<br />
veste trages nupiciais<br />
de um cinza fúnebre<br />
e os gemidos de agonia<br />
de meus amigos,<br />
heróis de guerra,<br />
não me deixam dormir&#8230;</p>
<p>Tenho vontade<br />
de dizer palavrões,<br />
todos aprendidos durante a guerra,<br />
todos inundados<br />
de uma verdade branda<br />
e genuína<br />
mas encharcadas de medo<br />
ódio<br />
e morte</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/72/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/72/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/72/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/72/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/72/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/72/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/72/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/72/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/72/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/72/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/72/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/72/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/72/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/72/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/72/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/72/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=72&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Laços de cetim&#8230;</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/lacos-de-cetim/</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 15:12:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Os suspiros saltam das folhas dos jornais, mas já é tarde demais pra deixarmos pra depois&#8230; As manchetes são tristes porém sinceras&#8230; &#8230;Quero saber qual a marca do batom que você usa pra maquiar suas bonecas de pano cheias de laços de cetim&#8230; Reflexos e espelhos&#8230; Tendões e nervos&#8230; Tudo é opaco e ilusório desde [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=69&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os suspiros<br />
saltam das folhas dos jornais,<br />
mas já é tarde demais<br />
pra deixarmos pra depois&#8230;</p>
<p>As manchetes<br />
são tristes<br />
porém sinceras&#8230;</p>
<p>&#8230;Quero saber qual a marca<br />
do batom que você usa<br />
pra maquiar suas bonecas de pano<br />
cheias de laços de cetim&#8230;</p>
<p>Reflexos<br />
e espelhos&#8230;</p>
<p>Tendões<br />
e nervos&#8230;</p>
<p>Tudo é opaco e ilusório<br />
desde a aurora<br />
ao ganir da tempestade&#8230;</p>
<p>Destes mesmos jornais<br />
saltam frases de adeus<br />
vendendo meu corpo<br />
nas páginas dos classificados&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/69/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/69/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/69/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=69&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Carta a meus contemporâneos</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/carta-a-meus-contemporaneos/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/14/carta-a-meus-contemporaneos/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Jan 2008 12:13:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Meus contemporâneos morrerão sem minha poesia e não lhes darei pesames nem estrofe alguma, morrerão engasgados com minha angustia, mas não conhecerão o motivo nem a poesia com a qual tento reinventar a vida. Meus contemporâneos sentirão minha ausência enquanto eu existir e consumada minha existência minha poesia será inutil e escorrerá pelos ralos e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=68&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meus contemporâneos<br />
morrerão sem minha poesia<br />
e não lhes darei pesames<br />
nem estrofe alguma,<br />
morrerão engasgados<br />
com minha angustia,<br />
mas não conhecerão o motivo<br />
nem a poesia<br />
com a qual tento reinventar<br />
a vida.</p>
<p>Meus contemporâneos<br />
sentirão minha ausência<br />
enquanto eu existir<br />
e consumada minha existência<br />
minha poesia será inutil<br />
e escorrerá pelos ralos<br />
e bueiros<br />
escapará por entre os dedos<br />
dos homens<br />
e das mulheres<br />
e ninguém saberá os meus porques.</p>
<p>Minha poesia<br />
não interessa aos meus contemporâneos<br />
Faço-a para um sonho<br />
um anjo<br />
e uma mulher<br />
e para ninguém mais<br />
e ela não quer ter<br />
leitores e nem livros<br />
muito menos marca-páginas<br />
em seus dias de glória.</p>
<p>Meus contemporâneos<br />
são todos puritanos<br />
enganados pela falsa poesia<br />
dos meus olhos<br />
e para eles a poesia<br />
do meu coração é muda<br />
cega<br />
surda e insensata<br />
&#8230;como todos os meus contemporâneos.</p>
<p>Não quero ver meu verso<br />
nas páginas dos livros<br />
nem na voz dos namorados,<br />
meu verso é pus<br />
que tenta cicatrizar<br />
minha existência enferma<br />
e meus contemporaneos<br />
só querem minha causa mortis<br />
e ela não é poesia<br />
e não está em mim<br />
nem nos meus versos.</p>
<p>Não quero meu verso<br />
na boca dos poetas<br />
nem nas chamas da fogueira.<br />
Meu verso é raiz<br />
que me planta ao chão<br />
e meus contemporaneos<br />
estão sedentos,<br />
mas meu verso só matará<br />
a minha sede<br />
e meus contemporaneos<br />
nunca alcansaram o poço<br />
de minha vida<br />
por que não existem caminhos<br />
e nem atalhos<br />
e existem guardas por todos os lados<br />
e cães que ladram<br />
incansáveis&#8230;<br />
Ladram versos meus<br />
e meus contemporâneos<br />
não entendem<br />
e riem da agonia<br />
desses cães<br />
e querem sacrifica-los<br />
-Estão loucos estes cães!<br />
Pois assim é minha poesia<br />
obscura e louca<br />
para aqueles que não sabem o que se passa<br />
dentro de mim&#8230;</p>
<p>Minha poesia<br />
é para um sonho,<br />
um anjo e<br />
uma mulher</p>
<p>E não para meus contemporâneos</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/68/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/68/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/68/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=68&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Dorme Rita</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/11/dorme-rita-2/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/11/dorme-rita-2/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 11 Jan 2008 15:56:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[Teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[DORME RITA Tragédia underground em dois atos De Odair J. Alves Inspirada na música A Rita de Chico Buarque de Holanda À memória de Gibran Rohwedder Ávila Música de abertura: Fome de Rita Já nos tempos de feto Ela era tão linda Veio ao mundo bem vinda Mas causou tanto mal Rita, como uma febre [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=67&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>DORME RITA</p>
<p>Tragédia underground em dois atos</p>
<p>De Odair J. Alves<br />
Inspirada na música A Rita de Chico Buarque de Holanda</p>
<p>À memória de Gibran Rohwedder Ávila</p>
<p>Música de abertura:</p>
<p>Fome de Rita</p>
<p>Já nos tempos de feto<br />
Ela era tão linda<br />
Veio ao mundo bem vinda<br />
Mas causou tanto mal<br />
Rita, como uma febre noturna<br />
Foi Saulo, Ricardo e Beto<br />
Um grito, um carinho<br />
Uma canção, um samba, uma traição<br />
Em cada canto um protesto<br />
Veio para torturar e amar<br />
Desafiar toda mulher<br />
Com sua beleza<br />
Nos homens causar tristeza<br />
Dulce, Débora e Éster<br />
Foi sedutora sim&#8230;assim<br />
E até o Joaquim<br />
Caiu nos seus encantos<br />
Jorge, o irmão, cheio de prantos<br />
O marido chorando pelos cantos.</p>
<p>Todo homem tem fome<br />
Fome de Rita<br />
Não é qualquer um que come<br />
E sacia essa fome<br />
Essa fome de Rita.</p>
<p>Lista de personagens da montagem original do CEFAM de Tupi Paulista em 2002</p>
<p>Beto&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..Thiago<br />
Carlos&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;Ricardo<br />
Débora&#8230;&#8230;&#8230;..Mônica<br />
Dulce&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..Thaís<br />
Ester&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..Karline<br />
Jorge&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..Patric<br />
Quincas&#8230;&#8230;&#8230;..Éder<br />
Ricardo&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;Odair<br />
Rita&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;Camila<br />
Saulo&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.Silvio</p>
<p>Direcão de Thalel Pellison Santana<br />
E música de Tiago Bertolin</p>
<p>PRIMEIRO ATO</p>
<p>Ao lado direito do palco no fundo está uma sepultura representando o cemitério. Ao lado esquerdo está uma sala mobiliada com uma escrivaninha ao fundo, uma maquina de escrever e várias folhas em branco e muitas outras folhas amassadas jogadas no chão, uma garrafa de wisk pela metade. No lado direito a frente há um botequim onde um homem dorme sobre o balcão (Quincas). Deitado no sofá está Ricardo, tem cerca de 20 anos e com um ar cansado dorme. Entram duas moças, Débora e Dulce, e caminham para a sepultura, ficam a olha-la imóveis. Ricardo acorda com um sobressalto, olha para o quadro na parede, que é uma enorme foto de Rita. É dia de finados.</p>
<p>Ricardo – Como foi que conheci você mesmo?<br />
Na verdade não me lembro direito<br />
Sei que eu andava sozinho, a esmo<br />
Por esse mundo de Deus e meu peito<br />
Era vazio como&#8230;bem, não importa<br />
E agora você está, coitadinha, morta<br />
Eu tinha 18, 19, 20 anos<br />
Já não me lembro da data certa<br />
Não tinha sonhos, não tinha planos<br />
Eu não tinha, na verdade, quase nada<br />
A não ser um peito e uma mente perturbada<br />
E ai apareceu você e seu sorriso de fada<br />
E fez da minha vida uma história encantada<br />
Mas o destino é tão cruel<br />
As vezes mel&#8230;.as vezes fel<br />
E agora você está entre os anjos no céu&#8230;.</p>
<p>Ricardo caminha para a máquina. Luz em Débora e Dulce.</p>
<p>Dulce- Faz quase um ano que ela se foi<br />
Sinto ainda uma dor que me rói<br />
O coração, uma saudade&#8230;<br />
Débora- Pobre Rita, mulher de verdade<br />
De inegável honestidade<br />
Linda como uma rosa em botão<br />
Aí, essa saudade roendo o coração<br />
Aí, como me dói</p>
<p>Luz sobre o bar onde toca o despertador, e Quincas acorda assustado, passa um pano sobre o balcão. Entra Beto bocejando.</p>
<p>Beto- Bom dia, uma branquinha vai bem<br />
Pra começar o dia, põem um real<br />
E dá um pãozinho francês também<br />
Que hoje quero virar o caneco legal<br />
Pra comemorar o feriado<br />
Quincas- Ei homem está doente?<br />
Sofrendo da cuca, está demente?<br />
Comemorando dia de finados<br />
Hoje é feriado, mas é feriado sério<br />
Dia de rezar, ir ao cemitério<br />
Pedir paz para as almas dos parentes<br />
E de todos os queridos entes<br />
Não é dia de ficar fazendo graça<br />
E enchendo a cara de cachaça.</p>
<p>Luz sobre Ricardo que já está sentado a escrivaninha e põem papel na máquina.</p>
<p>Ricardo- Como escritor já fiz poemas<br />
Escrevi sobre centenas de temas<br />
Fiz das palavras matéria-prima<br />
Fiz muitíssima rima<br />
Escrevi variadas histórias<br />
Só me faltou um livro de memórias</p>
<p>Ele bate à máquina e a luz vai se apagando. Ele com um bloco de papel e um caneta senta-se junto a beirada do palco enfrente ao bar e põem-se a escrever. Por trás dele aparece Rita. A luz não está de todo acesa, a cena acontece na penumbra.</p>
<p>Ricardo- (sem ver Rita) Oh céus o que é que rima<br />
Com cometa? Cometa&#8230;.cometa&#8230;cometa<br />
Rita &#8211; Moço, pode ser borboleta?<br />
Também pode ser roleta<br />
Ou quem sabe bicicleta?<br />
Ricardo-(sem olhar) Não, bicicleta não rima<br />
Não serve minha caríssima<br />
Tem que ser uma rima de verdade<br />
Tem que ter autenticidade.<br />
Rita- Lá vão o cometa<br />
Voando feito uma borboleta<br />
Ricardo-(sem olhar) Não, cometa não voa<br />
Nem vai, nem bate asas, numa boa<br />
Não me leve a mal, mas uma rima a toa<br />
Como essa não dá, não ecoa.<br />
Rita- Vê se essa te aguça<br />
Lá vai o cometa<br />
Feito uma bala na roleta russa<br />
Ricardo- Não sei nem o seu nome<br />
Mas posso dizer; moça desista!<br />
Rita- Quanto a meu nome<br />
Pode me chamar de Rita<br />
Mas não desisto fácil de nada<br />
Nem dessa tua rima complicada<br />
Cruzou o céu o cometa<br />
Sendo quase hora sexta.<br />
E essa?<br />
Ricardo- Devo reconhecer, essa foi boa a beca</p>
<p>Luz sobre as duas moças que agora estão ajoelhadas.</p>
<p>Dulce- Era tão feliz<br />
Débora- É o que se diz<br />
E agora está morta<br />
Um corpo com o qual ninguém mais se importa<br />
Dulce- Nem mesmo o Ricardo<br />
Que era o seu amado<br />
Rei no seu reinado<br />
Duque no seu ducado<br />
Seu homem<br />
Dono dos sonhos que não mais a consomem.</p>
<p>Enquanto isso se vê Beto bebendo e comendo o pão e dando uma nota de um real a Quincas.</p>
<p>Dulce- Como é estranha<br />
Essa nossa vida<br />
Cheia de artimanhas<br />
Débora- Cheia de vícios<br />
Cigarro, bebida<br />
Cheia de sacrifícios<br />
Dulce- Vai ver que ela está bem melhor<br />
Lá, junto de nosso Senhor</p>
<p>Luz sobre Rita e Ricardo.</p>
<p>Ricardo- A poesia<br />
É assim uma espécie de magia<br />
Que cativa e desafia<br />
Rita- Não concordo com nada disso<br />
Poesia são só palavras, só isso<br />
Ricardo- Mas palavras são sentimentos<br />
São mais do que simples argumentos<br />
Pra preencherem os ouvidos<br />
Dos menos esclarecidos<br />
É uma vida<br />
É a cura pra uma ferida<br />
Uma vertiginosa descida<br />
A um profundo abismo<br />
É o remédio pro cinismo<br />
E pra maldade<br />
Poesia é um banho de verdade.<br />
Rita- O que você faz?<br />
Ricardo- Sou escritor<br />
Rita- E o que mais?<br />
Ricardo- Nada mais eu faço<br />
Escrevo, não disfarço<br />
Sabe, eu quis ser doutor<br />
Agricultor, operário<br />
Fazer parte desse proletário<br />
Que canta e é feliz<br />
E como se diz<br />
Sempre fazendo papel de otário<br />
Eu quis ser médico<br />
Receitar analgésico<br />
Pra acabar com a dor<br />
Quis ser pintor<br />
Escultor, desenhar um mundo melhor<br />
Fui um sonhador<br />
E acabei como escritor.<br />
Rita- É também poeta?<br />
Ricardo- Não da forma correta<br />
Os poetas fazem poesia<br />
E não essa sangria<br />
Que é o meu verso<br />
Rita- Só por causa dos cometas<br />
E das borboletas?<br />
Ricardo- E das bicicletas<br />
Que não rimam com nada nesse universo<br />
Rita- Oh bicicleta, bicicleta<br />
És tão discreta<br />
Por que será que esse poeta de detesta?</p>
<p>Os dois riem. Luz sobre o bar.</p>
<p>Beto- Não faz diferença<br />
Se eu pelo menos tivesse alguma crença<br />
Acreditasse no céu como recompensa<br />
Essa pessoal que está morto<br />
Seja num buraco todo torto<br />
Ou em uma sepultura de luxo<br />
Eles não têm mais nada.<br />
Aquele cemitério todo esdrúxulo<br />
Não tem razão, não tem vida<br />
Então por que o dia de finados?<br />
Afinal foram todos sepultados<br />
Temos é que esquecer<br />
E viver nossas vidas, me ouviu Quincas, viver&#8230;<br />
Quincas- Nós não podemos nos esquecer<br />
Simplesmente amputar<br />
Uma parte de nossa vida<br />
É certo que um dia a gente falece<br />
E se ninguém fazer uma prece<br />
O que será do homicida?<br />
Devemos rezar, sempre rezar<br />
Pedir pela alma dos falecidos<br />
Mesmo que não sejam nossos amigos<br />
Mesmo que sejam os piores inimigos<br />
Que seja alguém que nos roubou,<br />
Todos merecem o nosso perdão<br />
Ouviu bem Beto, me escutou?<br />
Beto- Eu não perdou o fulano que detesto<br />
O sujeito que disser que eu não presto<br />
Comigo não tem essa de perdão<br />
Nem vivo e muito menos no caixão,<br />
Me destratou eu tiro meu três oitão<br />
E dou um tiro no olho do cidadão.</p>
<p>Luz nas duas moças.</p>
<p>Dulce- Quanto tempo faz que éramos crianças,<br />
Você, a Rita, eu, cheias de esperanças<br />
Em um futuro, e olha o que acontece<br />
As vezes penso, será que a gente merece?<br />
Tanto sofrimento<br />
Essa vida dura, amarga<br />
Trabalhando feito burro de carga<br />
Pra no fim dar com os burros n`água,<br />
Convivendo com o ressentimento<br />
Sem contar essa mágoa<br />
Que se acumula aqui no fundo do peito.<br />
Débora- A vida é assim mesmo minha amiga<br />
Mas só na morte que a gente não dá jeito<br />
A vida castiga, castiga&#8230;.castiga<br />
Mas a gente sempre sobrevive<br />
A vida, essa fera que mastiga<br />
O nosso cérebro, a nossa alma<br />
Tritura nossos ossos, nossa calma<br />
Nos desvaloriza mais do que o Real<br />
Esse é o mundo em que a gente vive<br />
Pobre da Rita<br />
Sempre sorridente, nunca a vi aflita<br />
Vivia despreocupada, e o sorriso,<br />
Nossa, era como uma visão do paraíso<br />
Dulce- Aqueles olhos cor de mel<br />
Contraste com a pele cor de chocolate<br />
Os cabelos longos feito a Rapunzel,<br />
Os lábios tingidos de batom escarlate<br />
Nos cabelos longos usava uma fita<br />
Azul, aí que saudades suas, Rita.<br />
Débora- E como gostava de poesia<br />
Como gostava de sambar<br />
Cantarolando noite e dia<br />
Como era lindo aquele olhar<br />
Aquele seu gingado.<br />
Dulce- E como amava o Ricardo.<br />
Débora- E como ele amava ela.<br />
Dulce- Como era boa a vida dela.</p>
<p>Luz sobre Ricardo e Rita que agora estão sentados bem juntos e se olham ternamente, ele lhe acaricia o rosto, quando vão se beijar a luz vai se apagando lentamente e se acende no set do botequim, onde entra Jorge, que é muito forte, mas tem os olhos muito mansos.</p>
<p>Jorge- Hoje é um dia tão triste<br />
Quincas- O que vai ser?<br />
Jorge- Um vinho<br />
Mas eu precisava mesmo era de um carinho<br />
O que me adianta ter<br />
Toda essa fortuna<br />
Se quando chega a tristeza nada resiste<br />
Nem dinheiro, nem poder<br />
Essa insônia noturna<br />
Que deixa a gente com vontade<br />
De dar um tiro na cabeça, feito um covarde.<br />
É assim que eu me sinto<br />
Nada pude fazer, minha irmã se foi .<br />
Quincas, você sabe que eu não minto<br />
Por isso digo que estou um trapo<br />
Um verdadeiro farrapo<br />
Nem tive coragem de ir ao cemitério<br />
Ver o túmulo da pobre da Rita<br />
Sabe, pra mim é um mistério<br />
Como pode? Linda, doce, uma artista,<br />
Se vai assim de repente. Sabe, dói<br />
Dói muito só de lembrar<br />
Dá aquela vontade de chorar,<br />
Vontade de sair gritando.<br />
Quincas- Homem, você está chorando?<br />
Beto- Diz ai chefia<br />
Diz ai que macho não chora.<br />
Jorge- Quando a gente perde alguém que adora<br />
Do que vale essa valentia?<br />
Não vale nada, porcaria,<br />
Macho também chora, e como chora&#8230;<br />
Quincas- Calma homem, você não está sozinho,<br />
Tem amigos, tem uma garrafa de vinho<br />
Beto- Tem dinheiro, aliás, muito dinheiro<br />
Sempre foi festeiro<br />
Já foi alegria do puteiro<br />
Da dona Geni, o mundo não acabou&#8230;<br />
Quincas- Homem, bola pra frente, chuta pro gol&#8230;.</p>
<p>Jorge toma o vinho e Quincas enche o copo outra vez.<br />
Luz no set da escrivaninha.</p>
<p>Ricardo- Nosso primeiro beijo<br />
Fecho os olhos e vejo<br />
O nosso desejo<br />
O amor nascendo,<br />
Crescendo,<br />
Ficando cada vez mais forte<br />
Mais sólido , duro<br />
Cada vez mais puro<br />
Então veio a ingrata morte.</p>
<p>Levanta e a luz sempre nele segue seus passos</p>
<p>Ricardo- Rita<br />
O meu coração bate<br />
Ao ponto do “infarte”<br />
Meu coração te grita<br />
E me diz que tudo rima com bicicleta<br />
Como era o seu desejo<br />
Aquele poema de amor<br />
Deveria terminar de forma incorreta<br />
Pra poder rimar com nossos beijos<br />
A lua que lá no horizonte mingua<br />
Era doce como tua língua<br />
E quando se punha o sol<br />
Estávamos já debaixo do lençol<br />
Não tivemos nenhum pudor<br />
Mas me diga querida Rita<br />
Existe algo que à morte resista?<br />
A infame morte,<br />
Não querida, ela é mais forte.</p>
<p>Ele se senta.<br />
Luz no botequim.</p>
<p>Jorge- E agora, como é que me arranjo<br />
Sem a Rita, que era um verdadeiro anjo?<br />
Minha irmã era tudo pra mim<br />
Verdade, era tudo sim.<br />
Beto- Lembro da dona Rita sambando<br />
Dizendo; De samba eu manjo<br />
E então sorria e saia dançando.<br />
Quincas- Era uma moça direita, muito boa<br />
Era a simpatia em pessoa.<br />
Nossa como o tempo voa.</p>
<p>Luz no set do cemitério.</p>
<p>Dulce- O tempo passa tão depressa<br />
Os dias vão todos de uma vez nessa<br />
Nossa vida tão corrida,<br />
Mas isso não vai tirar a Rita<br />
Das nossas lembranças, essa vida<br />
Tão estranha, tão esquisita<br />
Não vai levar nossas lembranças<br />
Embora como levou a Rita<br />
Nós não perderemos nossas esperanças.<br />
Débora- É isso mesmo amiga<br />
A vida está pior que urtiga.</p>
<p>As duas se levantam, fazem o sinal da cruz e se vão lentamente. Luz no set da escrivaninha, Ricardo bate à máquina até exaustão, de repente pára, vai até a parede e retira o retrato da Rita, a joga no lixo. Senta-se e bate novamente, toma no gargalo da garrafa e bate ainda mais. Volta ao lixo, pega a foto e a coloca de volta a parede.</p>
<p>Ricardo- Sabe Rita,<br />
Eu escrevi vários poemas de amor,<br />
Eu sei que você não acredita<br />
Que o amor possa ser eterno<br />
Sacramentado de grinalda e terno,<br />
Eu falava sério quando disse o Sim<br />
Quando o padre perguntou a mim<br />
Todas aquelas juras<br />
Todas aquelas promessas pro futuro.</p>
<p>Ele volta para a maquina. Entram Dulce e Débora, elas se sentam no sofá.</p>
<p>Dulce- Débora, que calor.<br />
Também desse jeito<br />
Dentro desse vestido preto<br />
Haja suor.<br />
Débora- Tenho até um cheiro estranho,<br />
Mas isso se resolve com um banho,<br />
Agora é tocar a vida pra frente<br />
Que atrás vem gente.<br />
Dulce- Essa nossa vida tão sem graça<br />
Bem que podia ser diferente<br />
Às vezes penso em fazer uma loucura<br />
Assim só de pirraça<br />
Pra fugir dessa vida dura<br />
Esse negócio de trabalhar a vida inteira<br />
E envelhecer sem ter nada<br />
Nenhuma pose verdadeira<br />
Além do nome e das contas pra pagar.<br />
Eta vidinha complicada.<br />
Débora- Mas se você for analisar<br />
Friamente a questão<br />
A vida não é assim<br />
Tão desgraçada e tão ruim<br />
Ela é isso mesmo, é roer osso<br />
De pescoço.<br />
Dulce- Por falar em osso<br />
Vou preparar o nosso<br />
Almoço.<br />
Débora- Eu estou faminta<br />
Vem, ouça, sinta<br />
Como minha barriga ronca<br />
Me dando bronca.</p>
<p>As duas se levantam e saem. Luz no set do bar.</p>
<p>Jorge- Pois é, a conversa está boa,<br />
Mas tenho que ir pra fazenda<br />
Se eu ficar aqui à toa<br />
No fim do mês não garanto minha renda.</p>
<p>Ele sai.</p>
<p>Beto- Jorge, eta homem forte<br />
Essa vai dar trabalho pra morte.<br />
Quincas- Dá nada moço,<br />
Quando a danada vem não tem alvoroço<br />
Ela te pega<br />
Te arrasta pelo pescoço<br />
E te carrega,<br />
Te leva pra além,<br />
Com a morte não vem<br />
Que não tem,<br />
O jeito é se conformar e dizer amém.<br />
Não vê o caso da Rita?<br />
Até outro dia alegre feito uma cabrita,<br />
Forte, batalhadora, ativista,<br />
Escultora, prendadissima artista.<br />
No entanto, hoje é só mais uma na lista.<br />
Não é que eu seja fatalista<br />
Beto, mas da morte ninguém escapa não,<br />
Com ela não tem conversação.<br />
Beto- Eu não tenho medo da morte<br />
Se eu tiver um pouquinho de sorte<br />
Quero morrer bem velhinho,<br />
Assim feito um passarinho.<br />
Quinas- De falta de alpiste ou de pedrada?</p>
<p>Quincas ri. Luz no set de Ricardo. Ele ainda bebe no gargalo da garrafa. Corre até a gaveta da escrivaninha e de lá retira um revolver. Aponta a arma em direção a foto de Rita na parede.</p>
<p>Ricardo- É tanta saudade<br />
Rita, que até dá vontade<br />
De cometer uma atrocidade,<br />
Sabe que me refiro,<br />
Sabe, eu poderia ter dar um tiro<br />
Pra ver seu último suspiro,<br />
Mas você não está mais aqui comigo<br />
Estou sozinho com meu umbigo<br />
E não sou mais dono do meu próprio mundo.</p>
<p>Chega mais perto ainda apontando a arma para a foto.</p>
<p>Ricardo- Como é que pode ser assim,<br />
Como a vida pode ter um fim<br />
Tão trágico?</p>
<p>Anda de costas até o cesto de lixo e se vira lentamente e joga a arma.</p>
<p>Ricardo- Era tão mágico,<br />
Lembra como era lindo?<br />
Era tão profundo&#8230;</p>
<p>De repente ele é tomada por uma fúria inexplicável, pega a arma e corre para a foto.</p>
<p>Ricardo- Será que você estava só fingindo?<br />
Será que tudo era falsidade?<br />
Ah, Rita que maldade.</p>
<p>Pára, está exausto, fita o retrato ainda empunhando a arma.</p>
<p>Ricardo- Eu não creio que você fingia tudo,<br />
Rita, que absurdo.<br />
Você fingia todo aquele calor<br />
Todo aquele amor,<br />
E todos os orgasmos, eram também de mentira?<br />
Isso me pira<br />
Só de imaginar, não é possível,<br />
Rita, é inconcebível.<br />
Seu olhar era tão sincero,<br />
Apesar de todo o mistério<br />
Que se escondia em seus cabelos<br />
Lisos feito linha nos novelos,<br />
Toda aquela alegria<br />
Todo aquele tesão,<br />
Toda aquela poesia<br />
De cortar o coração,<br />
Não pode ter sido apenas falsidade,<br />
Diga Rita, diga que era tudo verdade.</p>
<p>Ele está abaladissimo, se joga no sofá, joga a arma no chão. Fica imóvel enquanto a luz se transfere para o cemitério, onde esta Saulo, tem uma rosa branca nas mãos e uma grande tristeza nos olhos.</p>
<p>Saulo- Sabe Rita, até hoje eu<br />
Não entendo o que aconteceu,<br />
Eu te amava e você me abandonou<br />
Quando aquele Ricardo apareceu<br />
Na sua vida, falando de poesia<br />
De Rimbaud, e todo esse povo que já morreu,<br />
Essa coisa toda de arte, museu<br />
E você me deixou<br />
E seguiu a calda de um cometa<br />
Mas eu fiquei feliz, afinal<br />
Você estava em uma felicidade descomunal<br />
E a sua felicidade sempre veio em primeiro<br />
Lugar, aquele teu sorriso tão verdadeiro,<br />
Tão intenso, tão puro, mas me prometa<br />
Que você ficaria feliz aí onde<br />
Você está hoje, é no céu que você se esconde<br />
Hoje minha querida?<br />
Na época em que tudo aconteceu,<br />
Quando o tão Ricardo apareceu<br />
Com seu Drummond e seu Vinicius de Morais<br />
Eu achei que não ia mais<br />
Conseguir viver sem a sua companhia<br />
E também achei que você não sobreviveria<br />
A um amor de poesia<br />
Mas eu estava totalmente errado<br />
Você realmente tinha encontrado<br />
O homem da sua vida.<br />
Admito minha querida,<br />
Eu não era o homem certo<br />
Pra você, mas prometi estar sempre por perto<br />
Pra quando você precisar de mim<br />
Por que o amor não acaba assim<br />
Ele tem começo mais não tem fim.<br />
Rita, onde quer que você esteja,<br />
Vem olha pra mim,<br />
Pros meus olhos e veja<br />
Que seja, verdade, seja<br />
Como for<br />
Não se acabou o meu amor.</p>
<p>Ele começa a tirar as pétalas da rosa num lento e nostálgico bem-me-quer e malmequer.</p>
<p>Saulo- Sabe Rita, o tempo passa, passa&#8230;voa<br />
A gente tenta fingir que está tudo numa boa<br />
Mas o coração ainda está cheio de marcas<br />
Então a gente chuta mesmo o pau da barraca<br />
Joga tudo pra cima e fica pra baixo<br />
Não adianta fazer pose de macho<br />
Dizer que está tudo encima, tudo certinho.<br />
A verdade, minha querida, Rita<br />
É que quando você se foi eu fiquei sem caminho.<br />
Ah, hora maldita&#8230;maldita&#8230;mil vezes maldita<br />
A hora em que você foi-se embora,<br />
Agora o meu coração chora,<br />
Tenho pena desse meu peito que implora<br />
Pra você voltar e me trazer a paz<br />
Mas sei que agora<br />
Já é tarde, muito tarde, tarde demais&#8230;.</p>
<p>Ele joga o caule encima da sepultura e senta-se no chão. A luz se transfere para o set do botequim. Beto está caído sobre o balcão e Quincas passa um pano úmido. Quincas vai ao fundo, onde há uma rádio, antigo de pilhas e a musica invade o bar, a musica é Dorme Rita, mas ele desliga depois dos primeiros versos e volta a passar o pano no balcão. Luz na sala, Dulce e Débora, cada uma delas entra com um prato. Dulce põem o prato sobre o sofá e sai de cena, quando retorna trás uma garrafa de vinho e duas taças.</p>
<p>Dulce- Gosto tanto de vinho<br />
Me faz sonhar de olhos abertos<br />
Desce pela garganta, assim com um calorzinho<br />
Mesmo estando geladinho<br />
Débora- Acho um pouco forte, fico meio tonta<br />
Com passos incertos<br />
A gente fica bêbeda e diz o que nunca conta<br />
A ninguém. Conta os segredos mais escondidos.<br />
Dulce- É por que bêbado não mente<br />
Quando o vinho vai pra mente<br />
Abre as torneirinhas da verdade</p>
<p>Enquanto conversam enchem as taças.</p>
<p>Débora- É verdade, bêbado realmente<br />
Não mente<br />
Diz tudo o que tem, tudo o que sente<br />
Não esconde nada, abre o coração<br />
Mas em compensação<br />
Esquece completamente<br />
Toda a razão<br />
E ai na certa é confusão<br />
Dulce- Pois é, bêbado não sabe o que faz<br />
Mas vamos beber que a gente ganha mais<br />
O vinho aquece a alma<br />
Trás lucidez e acima de tudo trás calma<br />
Até me dá vontade de dançar uma valsa.<br />
Débora- Já eu prefiro é uma boa salsa.</p>
<p>Elas se abraçam e começam sos primeiros passos de uma de uma valsa, a luz se transfere para o cemitério onde Saulo se levanta lentamente, tem um olhar distante e fala docemente.</p>
<p>Saulo- Rita, adeus, meu amor<br />
Vim aqui só pra dizer que essa noite<br />
Sonhei com você, um sonho tão bonito<br />
Era em meio a chuva, ela caia<br />
Forte nos batia<br />
Como se fosse um açoite<br />
Sobre nossas costas, dava pra sentir a dor<br />
Até vontade de soltar um grito<br />
Mas valia a pena pois você estava comigo<br />
E sorria um sorriso tão lindo<br />
Eu estava parado na chuva, você vinha vindo<br />
Assim, os olhos brilhando&#8230;sorrindo<br />
E me abraçava com tanto calor<br />
Fazia dos meus braços o teu abrigo<br />
E no meio de toda aquela tempestade<br />
A gente fez amor&#8230;muito amor,<br />
A gente se amou por uma eternidade<br />
E quanto mais a gente se amava<br />
Mais dava vontade,<br />
Ah Rita, e como dava&#8230;.</p>
<p>Ele contempla ainda mais intensamente a sepultura.</p>
<p>Saulo- Uma vontade louca<br />
De fazer amor, até parecia<br />
Que a eternidade toda ainda era pouca<br />
Muito pouca pra nós dois<br />
E no antes, no durante e no depois<br />
O que a gente queria era mais<br />
Mais tempo, mais chuva, mais amor,<br />
Mais tesão, mais vida, mais paz&#8230;<br />
E então&#8230;maldição&#8230;de repente<br />
Eu acordei<br />
E estava sozinho e carente,<br />
Então eu te odiei&#8230;.</p>
<p>Busca o caule da rosa e contempla com olhos perdidos e fala docemente.</p>
<p>Saulo- Quando a raiva passou<br />
Eu corri até o jardim<br />
E colhi, entre touceiras de capim,<br />
A rosa mais linda que ali brotou<br />
E a rosa sorriu pra mim<br />
Um sorriso que me dizia; Sim,<br />
Saulo, me leve até a Rita<br />
Eu disse; Rosa, você é tão bonita<br />
E tão perfumada<br />
Quer mesmo ser despedaçada<br />
Ah Rita, a rosa me sorriu<br />
E eu a trouxe pra você sentir o perfume<br />
Mas ela teve ciúme<br />
De você que é mais bonita<br />
E seu ciúme a traiu<br />
E eu a despedacei,<br />
Mas juro que por um instante amei<br />
Essa rosa, como nunca amei nada&#8230;</p>
<p>Joga o caule de volta sobre a sepultura.</p>
<p>Saulo- Eu estou como essa rosa<br />
Despedaçado&#8230;a vida tem sido maldosa<br />
Não tem feito boas coisas comigo<br />
Roubou-me você&#8230;meus amigos,<br />
As minhas pétalas caíram<br />
Murcharam-se, meus dias se ruíram<br />
Sei que não foram muitos os males<br />
E nem meus caules<br />
Sobreviveram<br />
É bem verdade Rita<br />
Que ao teu lado a vida era menos aflita<br />
E por mais que ei insista<br />
Em dizer que a vida<br />
Contigo era mais bonita,<br />
Mais doce, mais colorida,<br />
Não adianta<br />
Dizer que você era uma santa<br />
Que isso só vai aumentar minha revolta<br />
E nada mais vai te trazer de volta<br />
Nem reza, muito menos, macumba<br />
Vai fazer você se levantar dessa tumba&#8230;</p>
<p>Luz sobre a borda do palco, onde Ricardo e Rita ainda estão sentados.</p>
<p>Rita- Tenho algo a dizer Ricardo<br />
Ricardo- Diga.<br />
Rita- Eu tenho namorada<br />
Só posso ser sua amiga.</p>
<p>Luz novamente sobre Saulo.</p>
<p>Saulo- Você sempre foi o meu amor<br />
Até aparecer aquele escritor</p>
<p>Luz na sala, não há mais pratos, somente vinho e as duas ainda dançam.</p>
<p>Dulce- Lembro da Rita no dia do casamento<br />
Débora- Realmente foi inesquecível aquele momento<br />
Como era branco o seu vestido<br />
Dulce- E como o Ricardo estava envaidecido<br />
Débora- Também, com noiva tão bonita</p>
<p>Luz sobre Saulo.</p>
<p>Saulo- E você uma artista<br />
Eu amava a sua arte<br />
Alias, amava você em cada parte.</p>
<p>Luz sobre as duas.</p>
<p>Dulce- A igreja lotada de gente<br />
Débora- A multidão tão contente</p>
<p>Luz em Saulo.</p>
<p>Saulo- Fiquei triste no dia do seu casamento,<br />
Foi um sofrimento,<br />
Todos os sonhos viraram tormento.</p>
<p>Luz nas duas.</p>
<p>Dulce- Temos que lavar os pratos.</p>
<p>Elas param a dança e recolhem as taças e saem. Luz em Saulo.</p>
<p>Saulo- Eu tenho que encarar os fatos<br />
Engolir a amarga verdade<br />
E tentar conviver com a saudade<br />
Que ainda me domina.</p>
<p>Luz sobre a escrivaninha onde já está Ricardo.</p>
<p>Ricardo- Me fascina o teu sorriso de menina<br />
Aquela doçura quase que de criança<br />
Teu olhar perdido,<br />
Totalmente enternecido<br />
E invadido de esperança.</p>
<p>Batem na porta. Ricardo abre uma porta imaginária e por ela entra Éster, eles se abraçam demoradamente, ela também está bastante triste.</p>
<p>Éster- Como vai Ricardo?<br />
Ricardo- Assim&#8230;assim&#8230;.<br />
Éster- Força, meu cunhado<br />
Estava triste por isso vim<br />
Pra cá, pra gente conversar um pouco.<br />
Me diga, como tem levado a vida?<br />
Ricardo- Estou quase louco<br />
Depois que a Rita se foi, não escrevi nada<br />
Que preste, parece que perdi o talento<br />
Sabe, aquela gana, a vontade, bem que tento&#8230;.<br />
Éster- Isso é a saudade.<br />
Ricardo- Tenho pesadelos, cada sonho esquisito<br />
Ela vem me ver, sabe, em espírito<br />
Éster- É a saudade&#8230;.<br />
Ela faz coisas estranhas com a cabeça<br />
Da gente, pode virar até doença,<br />
Essa coisa de loucura,<br />
Mas um dia a saudade madura<br />
E a gente fica mais leve<br />
A gente tem que rezar, pedir que a alma<br />
Da Rita se eleve<br />
E ter paciência e muita calma.<br />
Ricardo- É o que espero!<br />
Quer um café? Um suco?<br />
Éster- Obrigado, mas não quero.<br />
Ricardo- Éster, acho que estou maluco,<br />
Olha os papeis no chão<br />
Não consigo produzir nem mais um soneto<br />
Nenhum texto<br />
Antes o amor era um pretexto,<br />
Servia como uma espécie de amuleto<br />
Eu fazia cada composição.<br />
Éster- Sei! Era de cortar o coração<br />
Ricardo- Hoje não escrevo mais nenhuma linha<br />
Nenhumazinha!<br />
Entende o que o que é isso?<br />
Faço um danado de um sacrifício<br />
Mas não sai nenhuma linha<br />
Sorte desgraçada a minha&#8230;<br />
Éster- Não leve tudo assim a ferro e fogo<br />
Isso passa logo.<br />
Ricardo- Mas antes que passe eu me afogo<br />
Nessa minha maldita depressão<br />
Éster &#8211; Você está precisando tirar férias,<br />
Descansar um pouco,<br />
Deixar o sangue fluir pelas artérias<br />
Com mais liberdade, sem sufoco<br />
Quem sabe ir para Natal<br />
Pra Índia, pro Nepal<br />
Descansar o corpo e o espírito<br />
Deixar esse clima esquisito<br />
Que te cerca aqui&#8230;as lembranças,<br />
Tem que ver as pessoas<br />
Outros lugares, outros sons<br />
Outras festas, outras danças<br />
Ver homens maus, homens bons<br />
Viver um pouco, com maneiras atoas,<br />
Com liberdade, sem nenhum compromisso.<br />
Ricardo- Éster o que é isso?<br />
Imagine, abandonar tudo o que eu tenho<br />
Tudo o que venho<br />
Construindo a anos.<br />
Éster- O que você construiu além de amargura<br />
E enganos?<br />
Cadê a paz? Cadê a fartura?<br />
Cadê sua obra?<br />
Tirando os sonhos o que é que te sobra?<br />
Pode deixar que eu mesmo respondo.<br />
Te sobram os pesadelos e os medos.<br />
Ricardo- Essas coisas não são segredos<br />
Eu não as escondo<br />
De ninguém, mas largar tudo<br />
Não creio que seja a saída.<br />
Éster- Você tem que se livrar de tudo e com urgência<br />
Buscar uma saída d emergência,<br />
Acho que tem que largar tudo<br />
Romper todos os laços com a violência<br />
De uma decisão bem tomada.<br />
Ricardo- Não sei&#8230;talvez&#8230;<br />
Éster- Você tem que decidir duma vez<br />
Por todas romper os laços<br />
Com todos os fracassos<br />
Que te atingiram depois da morte<br />
Da Rita. Tem que tentar mudar a sorte,<br />
Não deixar que essa solidão<br />
Te invada desse jeito,<br />
Acabando com tudo que tem no teu coração<br />
Querendo fazer o coitado querer saltar do peito.<br />
Isso não pode te fazer bem.<br />
Ricardo- Eu acho que você tem<br />
Mesmo razão. Eu estou aprisionado<br />
Em minhas próprias recordações<br />
Escravizado por minhas lembranças<br />
Minha vida as vezes cria situações<br />
Onde comigo mesmo fico decepcionado<br />
E perco todas as minhas esperanças<br />
Em um futuro melhor.<br />
Já não seio o que pode ser pior.</p>
<p>Ele caminha para a escrivaninha e a luz o acompanha. Se senta e passa a bater à maquina.</p>
<p>Ricardo- Antigamente toda palavra estava ao meu alcance<br />
Em muito pouco tempo escrevia um romance<br />
Escrevia um poema<br />
Num instante, em um único lance,<br />
Não importava qual complicado fosse o tema.</p>
<p>Ele retira a folha com raiva e a atira ao chão.</p>
<p>Ricardo- Mas hoje não adianta<br />
O verso não sai do coração,<br />
O grito não escorre da garganta<br />
Tudo é decepção.</p>
<p>Põem outra folha.</p>
<p>Ricardo- Tentativa após tentativa<br />
A mente, antes tão ativa,<br />
Hoje é feita somente de ecos<br />
Como se tudo fosse só um teatro de bonecos<br />
E eu uma simples marionete<br />
Hoje é só a frustração que se repete,<br />
Se repete sem cessar um segundo.</p>
<p>Bate desesperadamente. Pára, está exausto.</p>
<p>Ricardo- Essa amargura é um poço profundo<br />
E eu caio abismo a dentro<br />
Uma queda sem fim<br />
Em um poço que não tem fundo.<br />
E como dói, essa queda machuca<br />
Me fere como se eu estivesse no centro<br />
De um furacão. Isso pra mim<br />
É uma espécie de morte<br />
Uma espécie de arapuca<br />
Que me aprisiona. Não consigo ser forte<br />
O suficiente para me libertar!<br />
Eu não consigo criar.<br />
Não consigo sentir nada além<br />
De uma dor que me consome,<br />
Já não tenho um pingo de sono<br />
Não tenho mais fome<br />
O que tenho é um abandono<br />
E o que eu digo e somente um nome<br />
Rita! Rita! Rita, que é o meu maior bem!</p>
<p>Arranca a folha, amassa e joga no chão, coloca outra enquanto fala, cada vez mais exaltado.</p>
<p>Ricardo- Eu me sinto como essa folha<br />
Amassado, reduzido a um bagaço<br />
Sem ar, como se estivesse dentro de uma bolha<br />
Não sei mais o que faço<br />
Pra poder recuperar minha auto-estima<br />
Pra conseguir de novo, escrever um romance<br />
Não consigo fazer uma única rima,<br />
Antes era como tirar doce de criança<br />
Eu escrevia noite e dia, sol e lua<br />
Quando me cansava vinha a Rita<br />
E me dizia: Vai meu amor descanse!<br />
E nada era tarefa árdua<br />
Pra mim, tudo era fácil, a vida era bonita<br />
E hoje o que é que eu tenho?<br />
Em nada eu me empenho<br />
Sou um traste sem força<br />
E por mais que me torça<br />
Eu não consigo,<br />
Deus, por que fez isso comigo?</p>
<p>Ele volta para junto de Éster e a sala então se ilumina.</p>
<p>Éster- Por que não faz o que eu digo hem?<br />
Viaje um pouco que vai te fazer bem.<br />
Ricardo- Mudando de assunto<br />
E o Carlos, teu marido,<br />
Que não veio junto<br />
Com você, já faz tempo que não o vejo.<br />
Éster- Carlos deve estar por ai, perdido<br />
Aquela lá é igual a macaco de realejo<br />
Vive brincando com a sorte.<br />
Ricardo- Ele está bem?<br />
Éster- Sim, está vendendo saúde, forte<br />
Alias saúde é o que ele mais tem.<br />
Estava em casa ainda agora<br />
E por falar em casas<br />
Já vou bater as minhas asas.<br />
Tenho que ir embora.</p>
<p>Apaga-se a luz, o palco fica escuro, a luz vai se acendendo lentamente no set do cemitério e entra Beto visivelmente bêbado, tem uma garrafa em uma das mãos, cambaleia até a sepultura.</p>
<p>Beto- Pois é dona Rita<br />
Pra mim o dia de finados é uma bobagem.<br />
Veja o caso da senhora<br />
Por fora essa sepultura tão bonita<br />
Mas ai dentro os vermes agem<br />
De tal forma que levam toda a carne embora<br />
E não sobra nada<br />
Só a caveira<br />
Só os ossos, todos branquinhos<br />
Toda a carne já foi devorada<br />
Não sobrou uma única célula inteira<br />
E com o tempo todos os restinhos<br />
Vão desaparecer,<br />
Não vai sobrar nada para contar história<br />
Só aquela lembrancinha<br />
Guardada lá no fundo da memória<br />
Mas com o tempo a gente vai ver<br />
Até mesmo isso desaparecer,<br />
E onde a senhora estiver<br />
Vai ficar completamente sozinha.</p>
<p>Ele quer ir embora, mas algo mais forte o retém.</p>
<p>Beto- Então me diz dona Rita<br />
O que adiantou toda essa vida<br />
O que adiantou ser tão bonita<br />
Ser tão desejada<br />
Se agora está esquecida<br />
Completamente abandonada?</p>
<p>A luz se apaga. Luz no botequim. Quincas enche o copo e bebe. A sua frente está Carlos também com um copo cheio. Os dois fazem um brinde silencioso. Luz de volta ao set do cemitério. Onde Beto ainda toma no gargalo da garrafa.</p>
<p>Beto- Pois é dona Rita, a vida se acabou,<br />
É sempre assim, a gente<br />
Está feliz, contente<br />
Acha que está tudo bem e de repente<br />
A gente dançou.<br />
Eu, dona Rita, não tenho medo da morte<br />
Não me cuido, sou sedentário<br />
Ao extremo, não pratico nenhum esporte<br />
Não faço questão de ser bonito, nem forte<br />
Não me preocupo com o salário<br />
Se ele sobe ou se ele desce<br />
Não penso em rezar e nem faço prece<br />
As vezes me pergunto se Deus existe.<br />
Também não ligo pra moda<br />
Não estou nem ai pra maldita cultura pop<br />
Não me preocupo com o IBOP<br />
Pois é dona Rita, o mundo roda e roda<br />
Mas a vida continua sempre igual<br />
Gente nasce, gente morre é assim&#8230;<br />
A vida segue o seu curso natural<br />
Eu, dona Rita, não sou alegre e nem triste<br />
Não me interesso por filosofia<br />
Feito aquele cara que escreveu O Mundo se Sofia,<br />
Não gosto de livros, somente os de poesia<br />
Prefiro ver a vida passar na frente<br />
Da minha janela.<br />
Veja essa sepultura, tão bela<br />
Será que vale a pena<br />
Afinal a vida é tão pequena,<br />
Em compensação a morte é eterna.</p>
<p>A luz se apaga. Ricardo e Rita estão na borda do palco.</p>
<p>Ricardo- Você ama seu namorado?<br />
Rita- Não sei<br />
Não sei como é o amor<br />
Nunca amei.</p>
<p>Ela se levanta bruscamente</p>
<p>Ricardo- Então não o ama?<br />
Rita- O que é o amor?<br />
Ricardo- O amor é uma chama<br />
Que invade o peito e inflama<br />
O corpo, o coração e a alma<br />
E nos rouba toda a calma.<br />
Rita- E dói?<br />
Ricardo- Corroei.</p>
<p>Luz no set do botequim.</p>
<p>Carlos- A dor corrói o peito<br />
De um jeito<br />
Que deixa a gente sem ação.</p>
<p>Luz em Ricardo e Rita.</p>
<p>Rita- Corrói?<br />
Ricardo- Corrói o coração<br />
A gente tem vontade de mergulhar<br />
Mesmo sem saber nadar<br />
Voar sem ter asas<br />
O peito fica em brasas<br />
E queima todo o coração.<br />
A gente deixa de ser racional.</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Quincas- E isso faz um mal.<br />
Carlos- Essa dor corrói feito amor</p>
<p>Luz em Ricardo e Rita.</p>
<p>Rita- Bem, seja como for<br />
Acho que não amo, então.</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Carlos- Eu amo minha mulher<br />
Não sei o que seria de mim sem a Éster<br />
Entendo o que o Ricardo sente.</p>
<p>Luz em Ricardo e Rita.</p>
<p>Ricardo- O amor é como fogo&#8230;.quente<br />
É um sentimento que nos queima.</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Carlos- A gente briga, a gente teima<br />
Mas isso é o amor<br />
Quincas- Nas mesas desse botequim<br />
Já vi muitas historias sem fim.<br />
Vi amores nascerem e terem fim.</p>
<p>Luz no set do cemitério.</p>
<p>Beto- Sabe dona Rita<br />
Eu ano tenho medo da morte por que ela é bonita<br />
Verdade, ela é a coisa mais linda que existe<br />
Quando alguém morre a gente fica triste,<br />
Mas não devia não dona Rita,<br />
Tem gente que acha a morte sinistra, mas<br />
A morte é descanso é paz.</p>
<p>Luz em Ricardo e Rita.</p>
<p>Ricardo- O amor é eterno<br />
Rita- Eterna é somente a morte.<br />
Ricardo- O amor é mais forte<br />
É capaz a vencer a distância<br />
É capaz até mesmo a ausência<br />
Rita- Amar deve ser um inferno!</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Carlos- Não acredito em amor eterno<br />
Quinas- Nada é eterno, por mais que perdure<br />
Carlos- É mesmo como disse o poeta<br />
Eterno enquanto dure<br />
Quinas- Ai está uma coisa certa<br />
Amar é padecer no paraíso.<br />
O amor nasce em um sorriso<br />
Se morrer um dia será em lagrimas.</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Beto- Na morte não existem lastimas<br />
Não é que eu tenha vontade de morrer dona Rita<br />
Por enquanto tomo minha dose<br />
E se ficar mal me aplicam glicose<br />
Na veia e enquanto a tal da cirrose<br />
Não me alcança eu vou vivendo,<br />
Escrevendo o que a vida me dita<br />
A senhora sabe como é<br />
Seu marido também escreve,<br />
Não as bobagens minhas, versos de porta de bar<br />
O Ricardo é escritor de verdade, né<br />
Ele escreve muito bem, sabe ser breve<br />
Sabe ser leve<br />
Sabe como fazer o leitor se amarrar<br />
No que escreve<br />
Tem uma literatura forte, viril,<br />
Um verso ágil.</p>
<p>Luz em Ricardo e Rita.</p>
<p>Ricardo- É como aquela musica do Gilberto Gil.<br />
“O amor é como uma rosa no jardim<br />
a gente cuida, a gente olha<br />
a gente deixa o sol bater<br />
pra crescer, pra crescer”<br />
Rita- Você acha mesmo que o amor é assim?<br />
Ricardo- Tenho certeza.</p>
<p>Luz no cemitério</p>
<p>Beto- Admiro o seu marido<br />
Alias fui no casamento<br />
E que festa bonita<br />
Bonita mesmo dona Rita<br />
Mas tinha pouca bebida<br />
Acho seu marido um homem de muito sentimento<br />
Li os livros que ele escreveu<br />
É realmente um poeta inato,<br />
Leio, leio e nunca me farto,<br />
Mas depois que a senhora partiu<br />
Ele não escreveu um único verso<br />
Parece que perdeu o gosto pela vida<br />
Até parece que uma nuvem o envolveu<br />
E não há força nesse universo<br />
Que o faça acordar, onde já se viu.</p>
<p>Luz em Ricardo e Rita.</p>
<p>Ricardo- Ouça Rita o que lhe digo<br />
Não há força nesse universo<br />
Que seja maior que o amor.</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Beto- Isso é um perigo<br />
Dona Rita, o homem parece que morreu<br />
Junto com a senhora<br />
Se esqueceu,<br />
Que a vida continua aqui fora<br />
Faz meses que não sai daquela casa<br />
O dia todo tentando escrever<br />
Não consegue e se arrasa<br />
Mais e mais, isso não está certo,<br />
Tristeza tem limites dona Rita.</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Carlos- Pois é seu Quincas o poeta estava certo<br />
Tudo começa e acaba de repente<br />
Não mais que de repente.</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Beto- Fica o dia todo atrás da escrivaninha<br />
Coitado, não consegue compor uma linha<br />
Essa não é sina de poeta<br />
Poeta tem que amar, tem que ser amado<br />
E olha o que o destino<br />
Fez com o pobre coitado,<br />
Parece um menino,<br />
Indefeso, acuado, assustado,<br />
Perdido sem rumo, assim ele não pode andar<br />
Ele precisa da estrada certa<br />
Pra poder caminhar<br />
E novamente se encontrar.<br />
Aquela casa escura<br />
Ele lá, a senhora<br />
Aqui nessa sepultura,<br />
E toda uma vida pra viver aqui fora.</p>
<p>Apaga-se a luz do cemitério. Luz na escrivaninha. Ricardo bate a maquina, quando batem na porta, a mesma porta imaginária. Ele abre e entra Saulo. Eles se olham, primeiro de modo desafiador, depois Saulo anda pela casa.</p>
<p>Saulo- Se trancou aqui por causa dela?<br />
Desde que a Rita se foi<br />
Você nunca mais abriu nenhuma janela,<br />
Eu sei como é, em mim também dói.<br />
Ricardo- Você me detesta<br />
Veio ver o que ainda resta<br />
De mim,<br />
Veio ver o meu fim<br />
E tripudiar sobre minha desgraça?<br />
Saulo- Não Ricardo,<br />
Mesmo porque isso não é coisa que se faça,<br />
Apenas vim te ver<br />
Soube que você se isolou do mundo,<br />
Dizem que vive enclausurado<br />
Em um desgosto profundo.<br />
Vim oferecer meus ombros<br />
Tentar te salvar dos escombros<br />
Da morte dela.<br />
Ricardo- Não me importo com o que vão dizer,<br />
Ou com o que estão dizendo,<br />
Estou vivo, não estou?<br />
Saulo- Fui vê-la em sua sepultura,<br />
Soube que nunca a visitou.<br />
Ricardo- Pra que? Só me traria mais amargura,<br />
Mas infelicidade do que estou tendo.<br />
Saulo- Você a amava tanto quanto eu,<br />
Talvez mais, não sei&#8230;.<br />
Ricardo- Amor é amor, não tem intensidade<br />
Amei-a quando pela primeira vez a olhei,<br />
Amei de verdade<br />
Como um bicho, com ferocidade.<br />
Saulo- Meu amor também foi a primeira vista,<br />
Quando vi seu sorriso,<br />
Acho que não é preciso<br />
Como era linda a Rita.<br />
Ricardo- Não, não é preciso.<br />
Saulo- Quando você entrou na vida dela,<br />
Ela começou a sair da minha,<br />
Sabe, te odiei naqueles dias,<br />
Você e suas poesias,<br />
Toda aquela maldita ladainha,<br />
Aquela coisa toda assim, singela,<br />
Confesso que até te desejei mal,<br />
Mas Ricardo temos que convir<br />
Que essa é a reação normal<br />
Para um sujeito na minha situação.<br />
Ricardo- Certíssimo, com toda razão,<br />
Eu com certeza teria a mesma reação.<br />
Saulo- Mas depois percebi que a Rita<br />
Tava mais feliz, estava até mais bonita.</p>
<p>Os dois se viram para ver a foto na parede. Saulo fica visivelmente impressionado com o retrato.</p>
<p>Ricardo- Foi tirada três dias depois de nosso enlace<br />
Veja as marcas de felicidade em sua face<br />
Céus, como era linda<br />
Foi durante nossa lua de mel em Olinda.<br />
Saulo- Você acha que ela agora<br />
Está conseguindo ficar feliz<br />
Vendo você assim tão triste?<br />
Ricardo- Me diga se por acaso existe<br />
Algum motivo pra eu não me sentir infeliz?<br />
Saulo- Claro, a vida não parou lá fora.<br />
O mundo não parou de girar<br />
O sol não parou de brilhar<br />
Eu fiquei muito tempo querendo morrer<br />
Depois que ela foi embora<br />
Mas a gente tem que acreditar<br />
Que cada um tem sua hora,<br />
Eu também fiquei mal<br />
Tive muito pensamento negativo<br />
Tomei muito antidepressivo<br />
Mas cheguei a conclusão que a Rita,<br />
Não queria me naquele estado<br />
Eu compreendi que afinal<br />
Eu tinha que tocar a vida pra frente.<br />
Ricardo- Eu não consigo, por mais que eu tente<br />
Toda noite sonho com ela<br />
Então acordo, acendo uma vela<br />
E rezo por sua alma,<br />
Mas nada disso me devolve a calma<br />
Pra dormir de novo,<br />
É então que a insônia me persegue<br />
Saulo- Você tem que tomar uma atitude<br />
E tem que ser já&#8230; tem que ser logo<br />
Sei lá, procure um psicólogo<br />
Desabafe, não sei, alegue<br />
Qualquer coisa que sinta&#8230;<br />
Ricardo- Psicólogo é pra homem caduco<br />
E eu ainda não estou maluco.</p>
<p>Luz no set do cemitério.</p>
<p>Beto- Pois é dona Rita<br />
É o que eu lhe digo<br />
O homem está ficando maluco,<br />
É uma atitude muito esquisita<br />
De não sair nunca de seu abrigo<br />
Ficar trancado em casa feito um eunuco<br />
O homem está ficando pirado<br />
A senhora tem que ajudar o seu Ricardo.</p>
<p>Luz em Ricardo e Saulo.</p>
<p>Saulo- Ora, não era você que dizia que de louco<br />
Todo mundo tem um pouco,<br />
Ou era só conversa fiada?</p>
<p>Luz no set do botequim.</p>
<p>Carlos- Tenho pena do Ricardo<br />
Era um cara tão bom, tão direito,<br />
E agora está ai desse jeito.<br />
É, a solidão é uma coisa que arrasa<br />
Ele não faz nada pra evitar<br />
Nunca sai daquela casa,<br />
Nem mesmo para passear,<br />
Tomar ar,<br />
Ver o sol, o lusco-lusco.<br />
Quincas- É desse jeito que já vi muito homem ficar maluco<br />
E depois que o cara pira não tem jeito.</p>
<p>Luz em Ricardo e Saulo.</p>
<p>Ricardo- Frases são palavras ao vento&#8230;<br />
Saulo- E onde está todo aquele sentimento,<br />
Que você sempre defendia<br />
Em sua poesia?<br />
Ricardo- O que adiantou minha obra escrita,<br />
Minha obra vivida? Maldita<br />
Obra. Ela morreu junto com a Rita.</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Carlos- Eu tenho medo da loucura.<br />
Como pode, o amor, uma coisa tão pura<br />
Se transformar em tortura.</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Beto- Sei lá dona Rita, aparece<br />
Pra ele, se a senhora está no céu, desce<br />
E vem dar conselhos pro coitado,<br />
Sei lá faz uma coisa, vem e diz,<br />
Pra ele viver, ser feliz&#8230;.</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Quincas- O comportamento dele é muito estranho<br />
Não sai, ouvi dizer que nem toma banho,<br />
Não faz mais a barba,<br />
Desse jeito ele logo se acaba.</p>
<p>Luz em Ricardo e Saulo.</p>
<p>Saulo- O que eu tinha que fazer, já fiz<br />
Vim aqui pra dizer pra você se tratar<br />
E tratar de ser feliz<br />
E se destrancar.</p>
<p>Ele sai. Ricardo vai até a parede apanha o retrato e o caricia, se deita no sofá e se abraça ao retrato, dorme. Luz sobre o botequim onde Carlos e Quincas já estão na terceira garrafa. Na sala entram Débora e Dulce, ambas portam-se como se Ricardo não estivesse ali.</p>
<p>Débora- Tenho muita pena do meu irmão<br />
Coitado sofrendo com a morte<br />
Da Rita, pobre, o seu coração<br />
Ainda bate por que é muito forte<br />
Mas ele já tentou morrer,<br />
E foi por mais de uma vez.<br />
Dulce- Deus me livre dizer, mas talvez<br />
Tivesse até sido melhor do que viver<br />
Assim, jogado pelos cantos<br />
Ai todo jururu e chio de prantos.<br />
Débora- O que é isso mulher, está louca<br />
Bate nessa boca.<br />
Dulce- Não falo por maldade.</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Beto- Tudo isso dona Rita<br />
É uma saudade<br />
Que é sem tamanho<br />
Um sentimento estranho<br />
Que arrasta o pobre, de alma aflita,<br />
Para um poço.<br />
A saudade põe uma corda<br />
Em torno do pescoço<br />
Da gente, e quando a gente acorda<br />
Já é tarde demais&#8230;</p>
<p>Luz em Débora e Dulce.</p>
<p>Débora- Dulce, isso não se faz<br />
Ficar ai desejando a morte do rapaz.</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Beto- A senhora sabia dona Rita<br />
Que ele já tentou o suicídio<br />
E que se não fosse o seu Ovídio,<br />
O jardineiro, ele teria morrido?<br />
Se o velho não tivesse o socorrido<br />
O pegado e corrido<br />
Para o hospital.<br />
A senhora acredita<br />
Ele tomou um monte de comprimido<br />
E ficou muito mal.</p>
<p>Luz em Débora e Dulce.</p>
<p>Débora- Lembro quando ele tentou<br />
A morte, tomou um monte de remédio de dormir<br />
Foi por Deus que o Ovídio o encontrou<br />
E o levou para o cemitério,<br />
Depois daquele dia nunca mais o vi sorrir<br />
Quando estava desacordado<br />
Tinha um sorriso de lado a lado,<br />
Parecia estar até muito feliz.</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Beto- Não morreu por um triz<br />
Pois é, aquele dia foi fogo<br />
Fizeram uma lavagem no estômago<br />
E ele se recuperou<br />
Mas depois tentou de novo&#8230;.</p>
<p>Luz em Dulce e Débora.</p>
<p>Débora- Quando ele tentou de novo<br />
Fui eu quem o encontrou<br />
Estava desmaiado aqui no chão<br />
Tinha tomado quase o dobro dos comprimidos<br />
Da primeira vez&#8230;.</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Beto- No total foram seis<br />
Vezes que ele tentou parar o coração<br />
Todas com comprimidos<br />
Mas com o tempo ele desistiu<br />
E passou a viver trancado naquele casarão<br />
Não atende o telefone, não responde<br />
As cartas, o tempo todo se esconde<br />
Dos raios do sol, nem mesmo abre a janela&#8230;</p>
<p>Luz em Dulce e Débora.</p>
<p>Dulce- Tudo por causa dela<br />
Débora- Não fale dessa maneira<br />
A Rita não tem culpa de nada<br />
O Ricardo sempre foi assim<br />
Sempre teve esses sentimentos transbordantes<br />
Mas é bem verdade, que antes<br />
Da Rita tudo tinha fim,<br />
Ele não ficava tanto tempo assim chocado<br />
Uma vida inteira<br />
Sempre se apegou as criações<br />
Quando morria um bichinho<br />
Eram dias de lamentações<br />
Mas por nenhum teve tanto carinho<br />
A esse ponto, onde já se viu ficar assim&#8230;<br />
Dulce- Ele não perdeu nenhum bichinho de estimação<br />
Ele perdeu quem mais amava, isso sim<br />
Não tem nem comparação.</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Carlos- Ricardo sempre foi temperamental<br />
Por pouco saia do normal<br />
Perdia o controle, poeta sentimental<br />
O tipo de homem sensível<br />
Que acha que é impossível<br />
De viver sem a amada,<br />
O tipo de cara que acredita em um conto de fada.<br />
Quincas- Sei como é o camarada<br />
No fundo um ótimo sujeito<br />
As mulheres querem homens desse jeito<br />
Um cara capaz de fazer uma declaração<br />
De amor em um praça cheia de gente<br />
Ou dentro de uma lotação<br />
No meio de um culto crente<br />
Quando o pastor estiver falando em Deus<br />
Ele diz: Lindos são os olhos teus!<br />
Esse tipo de maluco apaixonado.<br />
Carlos- Assim mesmo que era o Ricardo.</p>
<p>Luz na borda do palco, onde estão Saulo e Rita.</p>
<p>Saulo- Como é ele? Como é esse sujeito?<br />
O que ele tem que eu não tenho, hem?<br />
Rita &#8211; Ei Saulo, não precisa falar desse jeito.<br />
E o que é que tem?<br />
Saulo- Minha namorada está apaixonada<br />
Por outra cara, e ainda pergunta o que é que tem?<br />
Rita- Assim não vai dar pra gente conversar nada.<br />
Saulo- E o que é que quer conversar?<br />
Rita- Eu.<br />
Saulo- Então pode falar.<br />
Rita- Não queria que terminasse assim<br />
Não queria te ver magoado comigo<br />
Queria que continuasse sendo meu amigo.<br />
Saulo- Pra ser sincero<br />
Eu não consigo<br />
E nem sei se quero!<br />
Como é esse sujeito?<br />
Rita- Ele é legal, é escritor,<br />
Ele me fez um soneto,<br />
Sabe, um poema de amor.<br />
Saulo- Você está me tocando por um poema?<br />
Rita- Não estou te trocando<br />
Estou apenas dizendo que não dá mais.<br />
Saulo- Por que? Qual é o problema?<br />
Rita- Acho que estou amando<br />
Esse rapaz!<br />
O escritor,<br />
Olha o poema que ele me fez&#8230;.<br />
Saulo- Não quero ver essa porcaria<br />
Pra mim esse negócio de literatura<br />
Essa babaquice de poesia<br />
É coisa de veado, é frescura!<br />
Rita- (lendo) “É tão linda tua tez.”<br />
Ai que amor<br />
Que ele sente por mim&#8230;.<br />
Saulo- Você ainda lê a prova da traição<br />
Rita- Traição? Você está ficando demente?<br />
Venho aqui, abro o meu coração<br />
Tento achar uma saída pacifica pra gente&#8230;<br />
Saulo- Onde ele mora?<br />
Rita- Não sei.<br />
Saulo- Como ele se chama?<br />
Rita- Ricardo.<br />
Saulo- O que foi que ele te falou?<br />
Rita- Disse que me ama.<br />
Saulo- E você?<br />
Rita- Eu gostei.<br />
Saulo- O que mais te falou?<br />
Rita- Disse que me adora<br />
Que quer ir embora<br />
Fugir comigo&#8230;.<br />
Saulo- Pra onde?<br />
Rita- Qualquer lugar serve de abrigo<br />
Qualquer caverna a gente se esconde<br />
Saulo- não vê que isso é um absurdo?<br />
Vê se da pra crer, vê.<br />
Rita- Vou fugir com ele, não importa<br />
Pra onde, não interessa o lugar,<br />
A gente só quer paz pra se amar,<br />
Não interessa qual a rota.<br />
Saulo- Que bobagem, pra que fugir<br />
Por que não podem viver aqui, ora<br />
Bolas, pra é que têm que ir embora?<br />
Rita- Não sei, é mais romântico, não?<br />
Saulo- Nessas horas não serve essa bobagem de romantismo<br />
Tem é que agir com a razão,<br />
Senão o sofrimento é muitíssimo<br />
Grande, não dá pra agir com o coração.<br />
Rita- Não sei, pode ser que você tenha razão.<br />
Saulo- Como o conheceu?<br />
Rita- Outro dia<br />
Andava pelo bairro e avistei<br />
Um homem que sentado escrevia<br />
Fazia um poema, queria uma rima, eu dei.<br />
Queria uma rima pra cometa<br />
Eu disse roleta<br />
Eu disse bicicleta.<br />
Saulo- Bicicleta, não rima totalmente<br />
Pelo menos não da maneira correta<br />
Só, quem sabe, gramaticalmente&#8230;<br />
Rita- É, eu sei<br />
Mas nesse detalhe não hora nem pensei.<br />
Saulo- E depois?<br />
Rita- Ficamos conversando.<br />
Saulo- Sozinho, os dois,<br />
Não havia mais ninguém por perto?<br />
Rita- Não, o lugar estava deserto.<br />
Saulo- O que mais que aconteceu?<br />
Pode ir me contando&#8230;<br />
Rita- Ele me falou sobre poesia<br />
Me falou sobre os poetas<br />
De que ele mais gostava&#8230;.<br />
Saulo- Só fizeram isso? Nada mais?<br />
Rita- Ele me falou da diferença<br />
Entre uma ode e uma elegia,<br />
Me fez notar a presença<br />
Do amor que os poetas<br />
Derramam sobre seus versos e mais,<br />
Me fez sentir que o amor de fato existe,<br />
Me fez pensar sobre as coisas que gostava<br />
E encara-las como poesia&#8230;<br />
Saulo- O que mais disse esse Dom Juan da freguesia?<br />
Rita- Não fale assim.<br />
Saulo- Quero saber Tim-tim por Tim-tim.<br />
Rita- Pois nada mais digo,<br />
Você não pode ficar me controlando<br />
Você é só meu ex, não é meu dono&#8230;<br />
Está me escutando?<br />
E se não quiser ser meu amigo<br />
É problema seu, vejo que foi um engano<br />
Eu vir aqui te contar tudo,<br />
Tentando ser uma pessoa honesta<br />
Apenas agi como uma besta.<br />
Saulo- Rita, desculpe-me, o culpado sou eu,<br />
Que não soube te dar valor<br />
Pensei que tudo apenas se resumia no amor<br />
Que sinto, esqueci de te dar<br />
Carinho, conforto e por fim te sufoquei &#8230;.<br />
Rita- Não foi isso que aconteceu,<br />
É que eu nunca te amei,<br />
Não um amor de verdade,<br />
Foi uma ilusão,<br />
Acho que eu não amava você e sim a situação,<br />
Essa sensação de segurança<br />
Como se eu fosse apenas uma criança<br />
Que precisasse de um colo pra me proteger,<br />
Mas acabou, atingi a maioridade,<br />
Agora vou ter uma vida adulta<br />
Arregaçar as mangas e partir pra luta,<br />
Enfim, viver de verdade&#8230;.<br />
Saulo- Como chegou a essa conclusão?<br />
Como esse sentimento<br />
Invadiu o teu coração<br />
Dessa forma tão repentina?<br />
Rita- Não sei, acho que eu deixei de ser aquela menina<br />
Que tinha medo da vida,<br />
Esse medo que sempre insiste<br />
Em transformar tudo em ressentimento<br />
E faz com que tudo esfrie no coração,<br />
Esse medo acabou, sinto<br />
Que estou pronta.<br />
Morreu aquela menina tonta,<br />
Que nunca seguia o próprio extinto,<br />
Que tinha medo de desobedecer as leis,<br />
Que tinha medo de viver,<br />
Tinha medo de ser feliz.<br />
Saulo- Me diz Rita, desobedecer que leis?<br />
Viver que vida?<br />
Provar de qual felicidade?<br />
Rita- Ah, Saulo, as leis da hipocrisia<br />
Viver a vida com a qual sempre sonhei<br />
Provar a felicidade de cada dia<br />
Cantar, dançar pelas ruas da cidade,<br />
Ah, Saulo, as pessoas são tão hipócritas,<br />
E escondidas por ai quantas Ritas<br />
Não existem? Presas a maldita lei,<br />
Mortas pela própria vida<br />
E comemorando a própria infelicidade?<br />
Saulo- Isso tudo pode ser muito bonito<br />
Na teoria<br />
Mas na pratica será que funciona esse mundo<br />
Tão cheio de poesia,<br />
Sinceramente, eu não acredito<br />
Que você vá conseguir mudar esse mundo<br />
Em que diz estar presa&#8230;<br />
Rita- Ah, Saulo, não tenha tanta certeza<br />
Vou fazer tudo o que eu puder<br />
Pra ser mais feliz, mais mulher,<br />
Ser mais alegre, mais forte.<br />
Você não me deseja sorte?<br />
Saulo- Não sei o que dizer<br />
Rita- Diga que torce por mim.<br />
Saulo- Não é bem assim,<br />
Você sabe Rita,<br />
A vida vai ficar sem graça<br />
Vai ficar muito esquisita<br />
Sem você por perto,<br />
Mas se você acha que está no caminho certo,<br />
Não há nada que eu faça<br />
Para que você mude de atitude<br />
Mas meu coração não se ilude&#8230;.<br />
Rita- Gostei de você o mais que pude<br />
Saulo- Eu sei.<br />
Rita- Não me culpe se eu não te amei&#8230;</p>
<p>Apaga-se a luz e acende-se no botequim, onde já está chegando Éter. Quando ela entra Carlos e Quincas estão caídos sobre o balcão. Ele entra e vê a quantidade de garrafas vazias sobre o balcão. Pega uma cheia. Abre com os dentes. Olha o liquido.</p>
<p>Éster- É realmente uma coisa que me intriga<br />
Essa submissão do homem a pinga.</p>
<p>Procura um copo e acha atrás do balcão, enche-o e bebe todo de um único gole. Está abstrata.</p>
<p>Éster- Sempre quis dar um trago<br />
Sentir o gosto amargo<br />
O calor descendo garganta abaixo.<br />
Homem quando bebe fica macho,<br />
Mas mulher fica doce,<br />
Doce como se fosse<br />
Mel, nem mesmo a bebida tem o poder<br />
De me roubar o pudor,<br />
Mesmo com esse fogo, esse calor<br />
Descendo por minha garganta,<br />
Nem mesmo esse fogo espanta<br />
Essa docilidade que a mulher tem.</p>
<p>Ela bebe mais, e mais. Carlos se mexe mas não acorda. Éster está como se longe, os olhos perdidos, em transe.</p>
<p>Éster- Meu pai sempre chegava bêbado à noite<br />
Batia na minha mãe, era um açoite<br />
Batia no Jorge, batia em mim,<br />
Mas nunca bateu na Rita<br />
Ele a olhava de uma forma esquisita<br />
Meio assim&#8230;assim&#8230;assim&#8230;.<br />
Ah como minha mãe sofria<br />
Como meu irmão Jorge Sofia<br />
Deus, e como eu sofria<br />
Não me esqueço como a Rita sorria,<br />
Mas não era por maldade&#8230;.</p>
<p>Ela abandona a garrafa e procura outra e mais uma vez abre com os dentes e enche o copo.</p>
<p>Éster- A Rita sempre foi pura<br />
Nem bêbado meu pai tinha a capacidade<br />
De tocar nela, nem mesmo com toda a amargura<br />
Que ele tinha. Ela era uma criatura<br />
Que ele não conseguia tocar,<br />
Quando ele morreu,<br />
Todos nós choramos, menos ela<br />
Ela apenas acendeu uma vela<br />
E ficou a soprar, soprar, soprar<br />
Só isso que aconteceu&#8230;</p>
<p>Ela também se senta ao balcão e bebe até cair junto com os outros. Luz no cemitério.</p>
<p>Beto- Só conversei com a senhora<br />
Uma vez dona Rita, não sei por que agora<br />
Me lembrei disso, faz mais de um ano.<br />
Foi exatamente naquela hora<br />
Que eu me apaixonei,<br />
Não sei se a senhora sabe, dona Rita<br />
Mas antes daquele dia<br />
Eu não bebia,<br />
Eu não escrevia poesia<br />
Quando a senhora entrou no botequim<br />
Do Quincas pra comprar pão,<br />
Eu sei que quando entrou nem olhou pra mim,<br />
Mas naquele momento o meu coração<br />
Aqui dentro do peito<br />
E naquela mesma noite escrevi meu primeiro soneto.<br />
E tomei o primeiro porre de verdade.<br />
Foi uma conversa curta entre nós<br />
Mas valeu a pena só se ouvir a voz<br />
Da senhora dona Rita<br />
Uma voz tão doce, tão bonita.<br />
Eu nunca tinha ouvido uma voz assim<br />
Tão doce, tinha sim,<br />
É verdade, um vibrar de clarim<br />
Era doce como mel, feito um pudim<br />
Que quando se prova não se esquece o gosto,<br />
E como era lindo o rosto<br />
Da senhora, dona Rita,<br />
Um rosto esculpido por um artista<br />
Todos os traços numa leveza<br />
E somados transformavam-se em beleza,<br />
Uma beleza majestosa<br />
Como a beleza que só tem uma rosa,<br />
Uma flor,<br />
Naquele momento, ali exatamente,<br />
Nasceu em mim e germinou o amor,<br />
Essa coisa que quando a gente sente<br />
Dona Rita não dá pra esconder,<br />
Mas a senhora era casada, tinha dono,<br />
Foi então que comecei a beber,<br />
A escrever versos nas noites sem sono.<br />
Amei a senhora em silêncio, com respeito,<br />
Amei a senhora em cada verso dos meus<br />
Poemas, em cada estrofe dos meus sonetos<br />
Ah, dona Rita, foram todos teus.<br />
O amor me arrastou na avalanche<br />
Dos seus escolhidos, não tive nenhuma chance<br />
De resistir, mas sabia que um romance<br />
Era uma coisa sem cabimento<br />
Era melhor sufocar o sentimento,<br />
Mas ele não se transformou<br />
Naquilo que chamam de ressentimento,<br />
Continuou sempre puro<br />
Dona Rita. Foi muito duro<br />
Mas eu ainda resisto,<br />
E nem sei por que insisto<br />
Em estar aqui falando do passado.<br />
Pronto falei! Está falado&#8230;.<br />
E é isso mesmo que a senhora escutou&#8230;.</p>
<p>Luz sobre o botequim. Éster já está desperta e bebe, tem o tom distante de antes.</p>
<p>Éster- todos amaram mais a Rita<br />
Sempre a acharam a mais bonita<br />
Ela sempre foi a mais desejada<br />
A mais beijada,<br />
Sempre foi ela a mais formosa<br />
Sempre a mais gostosa<br />
Foi pra ela todos os carinhos<br />
Foi pra ela que escreveram versinhos&#8230;</p>
<p>Bebe com fúria.</p>
<p>Éster- Pode parecer que não<br />
Mas eu amava ela, até eu.<br />
Mesmo ela roubando tudo que era meu<br />
Meu carinho foi a toda prova<br />
Mesmo eu sendo a caçula, a mais nova,<br />
Foi para ela toda a atenção,<br />
Eu também tinha uma fascinação<br />
Estranha pela Rita,<br />
Sabia que ela seria uma grande artista&#8230;</p>
<p>Bebe ainda com mais fúria.</p>
<p>Éster- Como eu sabia?<br />
Não sei, mas sabia<br />
Sentia<br />
De alguma maneira eu intuía<br />
Mas também sabia que algo iria<br />
Mais cedo o mais tarde acontecer,<br />
Alguma tragédia,<br />
No fundo sabia<br />
Que ela iria morrer<br />
Muito cedo.<br />
Eu tinha medo<br />
De que quando chegasse o momento<br />
Eu não estivesse preparada<br />
Para socorrer o Ricardo<br />
Socorrer todo mundo,<br />
Por que no fundo, no fundo,<br />
Deles todos eu sou a mais forte<br />
Tenho forças para encarar a morte<br />
Como uma coisa natural,<br />
Tenho que vir e convir que afinal<br />
Morrer é tão estranho quanto viver,<br />
Mas é assim que tem que ser&#8230;</p>
<p>Ela bebe, de repente parece acordar do transe, tenta acordar Carlos. Depois de alguns instantes ele acorda confuso.</p>
<p>Carlos- Tive um sonho estranho Éster,<br />
Sonhei que estava em um quarto com uma mulher,<br />
Mas não conseguia ver o seu rosto<br />
E quando a beijava sentia um gosto<br />
De fel e sangue gelado&#8230;</p>
<p>Éster está novamente em transe.<br />
Éster- Não me diga que era a Rita.<br />
Carlos- Não sei, estava tudo embaçado,<br />
Não dava pra firmar a vista.<br />
Éster- Sei que estava sonhando com ela.<br />
Carlos- Por que logo com ela,<br />
Com tanta mulher<br />
Por ai, por que não com você, Éter?<br />
Éster- Por que ela sempre foi a mais bonita.<br />
Carlos- Eu nunca achei.<br />
Éster- Ninguém gostava de mim, eu era a esquisita.<br />
Carlos- Isso não é verdade<br />
Você sempre foi muito bonita<br />
E eu te amei<br />
E te amo com uma intensidade<br />
Que é sem tamanho.<br />
Éster- Mas até agora estava sonhando com a Rita.<br />
Carlos- Disse que não dava para identificar.<br />
Éster- Isso foi para me enganar.<br />
Carlos- Foi um sonho muito estranho,<br />
Que eu quero esquecer.<br />
Éster- Ninguém esquece a Rita<br />
Ela tem essa força maldita<br />
De capturar a pessoa e a prender&#8230;</p>
<p>Ela aparentemente sai do transe e tenta acordar Quincas .</p>
<p>Éster- Aposto que ele também está sonhando<br />
Com aquela vadia.<br />
Sempre foi assim,<br />
Todo mundo sempre amando,<br />
Fazendo poesia<br />
Somente pra ela, nada pra mim.<br />
Acorda, seu Joaquim!</p>
<p>Quincas acorda também confuso.</p>
<p>Quincas- Que pesadelo&#8230;<br />
Obrigado por me acordar dona Éster,<br />
Eu estava sonhando com uma mulher&#8230;.<br />
Carlos- E como ela era?<br />
Quincas- Tinha um corpo de modelo,<br />
Mas o resto era de uma fera.<br />
Éster- Vai ver que era a Rita.</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Beto- Toda noite dona Rita<br />
Eu sonhava, era um sonho lindo,<br />
Eu esperando, esperando, esperando<br />
E a senhora sempre vindo<br />
Linda, suave, sorrindo,<br />
Mas a senhora nunca chegava<br />
Quando ia chegando<br />
Eu sempre acordava.</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Carlos- Meu amor, isso já é mania<br />
De perseguição com a pobre coitada&#8230;<br />
Éster- Mania de perseguição? Que nada.<br />
Vocês vão saber a verdade um dia<br />
A Rita não era essa santa<br />
Que todo mundo diz, até me espanta,<br />
Ela odiava todo mundo,<br />
Odiava com um ódio imenso, profundo&#8230;</p>
<p>Éster cai novamente na abstração, o transe parece mais forte que antes.</p>
<p>Éster- Eu a conheci muito bem<br />
Não foram nem um, nem dez, nem cem<br />
Dias de convivência<br />
Foi toda uma infância<br />
Uma vida inteira &#8230;.</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Beto- Sonhava a noite inteira<br />
Com a senhora.</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Éster- Ela tinha um complexo de superioridade<br />
Se achava no direito de fazer maldade&#8230;</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Beto- A senhora sempre tão bondosa<br />
Tão prestativa, tão caridosa</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Éster- Ela não gostava de ninguém<br />
Nem a mim ela queria bem,<br />
Era uma peste&#8230;</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Beto- Pena que agora só reste<br />
A lembrança de sua bondade,<br />
Isso aumenta a saudade que sinto&#8230;</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Éster- Pra falar a verdade,<br />
Desejo que ela queime no quinto<br />
Dos infernos&#8230;</p>
<p>Éster de repente acorda do transe. Luz no cemitério.</p>
<p>Beto- A senhora tinha olhos tão fraternos,<br />
E como eu amava<br />
Aquele olhar,<br />
Era como o ar<br />
Que eu respirava&#8230;<br />
Céus, como eu a amava&#8230;.</p>
<p>Luz no botequim. Éster está confusa.</p>
<p>Éster- O que foi que aconteceu?<br />
Quincas- A senhora bebeu.<br />
Éster- O que foi que eu falei?<br />
Carlos- Você contou&#8230;<br />
Éster- O que foi que eu contei?<br />
Carlos- Contou que odeia a Rita&#8230;<br />
Éster- Eu não odeio a Rita.<br />
Carlos- Você a detesta.<br />
Quincas- Disse que ela não presta.<br />
Carlos- Que era um traste.<br />
Quincas- Uma peste.<br />
Carlos- Que não valia nada.<br />
Quincas- Que era uma vadia.<br />
Carlos- Que era uma safada.<br />
Quincas- Que sempre a odiou.<br />
Carlos- Que ela era maldosa.<br />
Quincas- Disse que ela tinha mania<br />
De se achar superior e mais,<br />
Disse que ela vivia fazendo maldade&#8230;<br />
Éster- Não, eu não disse isso, não é verdade.<br />
Carlos- Disse que a odiava.<br />
Éster- Mentira!<br />
Carlos- Que ela sempre lhe despertou a ira.<br />
Éster- Impossível!<br />
Quincas- Disse que ela era horrível.<br />
Éster- Ela era muito bonita.<br />
Carlos- Que ela era uma vigarista.<br />
Éster- Eu não acredito!<br />
Quincas- Disse que ela era um espírito<br />
De porco imundo,<br />
A pior criatura do mundo.<br />
Éster- Não, não, não<br />
Não disse nada disso, não, não, não&#8230;.</p>
<p>A luz se apaga e se acende no cemitério, onde Beto põem a garrafa sobre a sepultura( depois de beija-la demoradamente) e sai em passos lentos. Acende-se a luz do botequim, enquanto Quincas arruma as garrafas, Éster está aparentemente desmaiada e Carlos sai a levando no colo. Quincas passa o pano no balcão e também sai. Ricardo entra carregando Rita nos braços, ela está vestida de noiva. Na mesma sala, pelo lado oposto, entra Saulo com um maço de cartas, senta-se. Ricardo e Rita olham tudo ao redor e saem. Saulo começa a rasgar as cartas. Ouve-se a música Dorme Rita. Enquanto a música é executada Rita volta, já vestida normalmente. Ricardo entra e senta por detrás da maquina. Ambos estão felizes. Saulo muito triste, Rita se deita no sofá.</p>
<p>Música: Dorme Rita.</p>
<p>Dorme, dorme, dorme,<br />
Rita teu sono enorme,<br />
Dorme, dorme Rita<br />
Que lá fora o vento já se agita<br />
Em teu nome.</p>
<p>Dorme, dorme Rita<br />
Que a manhãzinha já grita<br />
Os primeiros raios de sol,<br />
Dorme, dorme Rita<br />
Acordada debaixo do lençol.</p>
<p>Acorda Rita<br />
Boceja e grita<br />
Corre Rita<br />
Salta e se agita<br />
Afoga o cansaço<br />
Esquece o bagaço<br />
E me diz o que eu faço<br />
Com esse abandono<br />
Com essa falta de sono.</p>
<p>Cai o pano- Fim do Primeiro Ato.</p>
<p>SEGUNDO ATO</p>
<p>Quando o pano se abre toda cena está escura e a musica em seus últimos acordes. Acende-se então a luz total, Quincas está no bar e limpa o balcão. Beto dorme no sofá e tem a cabeça de Dulce e os pés no colo de Débora. Ricardo está na escrivaninha, triste como antes. Saulo ainda na mesma posição lê uma carta. Jorge e Éster estão próximos da sepultura. Somente Carlos não está em cena.</p>
<p>Ricardo- Quanto tempo faz?<br />
Saulo- (lendo a carta) Te desejo paz&#8230;<br />
Beto- Dá um sono<br />
Ricardo- Mais de um ano&#8230;<br />
Beto- Uma vontade de dormir&#8230;<br />
Saulo- (lendo a carta) Desejo-te felicidade&#8230;<br />
Ricardo- Parece uma eternidade&#8230;<br />
Beto- Mas eu não posso dormir&#8230;</p>
<p>Beto se levanta e então se senta ao lado de Saulo.</p>
<p>Ricardo- O que foi que eu fiz?<br />
Débora- Esse ano por acaso é bissexto?<br />
Ricardo- Como fui otário,<br />
Não fiz nada certo<br />
Dulce- Não sei, vê no calendário&#8230;<br />
Débora- Não tem nenhum nessa casa<br />
Ricardo não quis.<br />
Dulce- Tem um lá no meu quarto&#8230;.</p>
<p>Dulce sai.</p>
<p>Saulo- Ela estava triste quando escreveu<br />
Esta carta<br />
Sinto uma tristeza<br />
Nas palavras da Rita<br />
Muita tristeza&#8230;</p>
<p>Dulce volta sem o calendário.</p>
<p>Dulce- Não achei&#8230;desapareceu&#8230;</p>
<p>Senta-se no lugar de antes. Todas as luzes se apagam menos a do cemitério.</p>
<p>Éster- Carlos foi embora,<br />
Coloquei-o porta a fora,<br />
Acho que estou ficando doente<br />
Maluca, doida, demente&#8230;.<br />
Jorge- O que foi que aconteceu?<br />
Éster- Toda noite ele sonhava com a Rita<br />
Isso me enlouqueceu<br />
Fiquei possessa, aflita<br />
Com um ódio sem tamanho, sabe<br />
Aquela raiva que não cabe<br />
Aqui dentro, que vaza pela garganta<br />
E não há nada que faça parar, nada adianta&#8230;<br />
Jorge- Ele te ama.<br />
Éster- Eu sei.<br />
Jorge- Então? Por que não o chama<br />
De volta<br />
Diz que foi um momento de revolta.<br />
Éster- Não adianta<br />
Eu não consigo, eu vacilei,<br />
Não consigo mais<br />
Olhar pra ele, ver seu rosto<br />
É só olhar e me vem um desgosto.<br />
Sei que ela amava ela, a Rita.<br />
Jorge- Isso é um absurdo<br />
Você tem cada idéia louca, Éster,<br />
Não consigo te entender.<br />
Éster- Sei que estou esquisita<br />
Amo o Carlos, mas o absurdo<br />
É que quando fecho os olhos vejo<br />
Ele junto com a Rita<br />
Em um longo beijo&#8230;<br />
Jorge- Mas isso nunca aconteceu<br />
Éster- Eu sei&#8230;<br />
Jorge- Então?<br />
Éster- Acho que eu sonhei<br />
Sonhei com os dois em uma cama<br />
Enorme. Um sonho sem nexo<br />
Era uma cama se casal<br />
E os dois no êxtase do sexo,<br />
Um coito meio humano, meio animal.<br />
Jorge- Paranóia&#8230;<br />
Éster- Não. Minha cabeça está jóia!<br />
O sonho sempre se repete<br />
Eles fazem sexo em todo lugar<br />
No sofá, no chão, no carpete&#8230;<br />
Jorge- Ele te ama!<br />
Éster- Já disse que sei,<br />
Mas não me sai da cabeça<br />
A imagem dos dois naquela cama<br />
Nada faz com que eu me esqueça.<br />
Agora me lembrei<br />
De outro sonho que ando tendo,<br />
Até parece que estou vendo&#8230;.</p>
<p>Ela assume mais uma vez o transe de antes.</p>
<p>Éster- Os dois no meio de uma floresta<br />
Só arvores, fora a isso deserta<br />
De animais, apenas os dois,<br />
Correndo nus pelo meio do mato<br />
Ah, Jorge e depois<br />
Eles se amavam em um pasto<br />
Entre vacas e bois&#8230;<br />
Jorge- Besteira.<br />
Éster- Eu tinha esses sonhos a noite inteira<br />
Todo santo dia<br />
Acordava gritando já sem energia<br />
Pra poder enfrentar a vida.<br />
Jorge- E descontar nele foi a saída?<br />
Éster- Foi preciso,<br />
Necessário eu fazer isso&#8230;</p>
<p>Luz no botequim, momento em que entra Carlos com uma mala.</p>
<p>Quincas- Ei seu moço, está de partida?<br />
Carlos- Me vou com passagem só de ida<br />
Éster me abandonou&#8230;<br />
Quincas- Como assim?</p>
<p>Luz na sala.</p>
<p>Saulo- Esse é o fim,<br />
A última carta,<br />
A maldita frase que mata<br />
Todos os meus sentimentos:<br />
(lendo a carta) Te desejo sorte, sem ressentimentos&#8230;.</p>
<p>Ele rasga a carta.</p>
<p>Carlos- Ela andou tendo pesadelos<br />
Acordava com os olhos vermelhos<br />
De tanto chorar.</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Éster- Minha vida era sonhar<br />
Com os dois me traindo<br />
A todo momento, fosse na sala,<br />
Na cozinha, no mato<br />
Na casa toda, em qualquer ala<br />
Acredita que até no meu quarto.<br />
Aqueles sonhos foram me ruindo<br />
Me corroendo.<br />
E pra falar a verdade, ainda está doendo&#8230;<br />
Jorge- Isso é loucura<br />
Éster- Não importa<br />
Você até pode dizer que é frescura<br />
Da minha parte,<br />
Mas quero que ele vá para o raio que a parta<br />
Que morra assim como a Rita.</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Carlos- Tinha sonhos comigo<br />
Dizia que tinha me amado<br />
Tanto, e eu tinha me tornado<br />
O inimigo!<br />
Vivia dizendo que eu não prestava<br />
Que eu vivia pensando na Rita<br />
Vê se tem cabimento, até dava<br />
Pra ver o ódio no olhar da Éster.<br />
Imagine, isso só pode ser insanidade&#8230;</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Éster- Eu tenho momentos de sanidade,<br />
Mas estou ficando maluca,<br />
Minha cabeça vive criando fantasias<br />
Eu estou ficando caduca<br />
E cada dia, mais doida, mas demente&#8230;</p>
<p>Luz na sala.</p>
<p>Dulce- Tem um calendário, Ricardo?<br />
Ricardo- Isso é coisa do Diabo.<br />
Débora- Mas acontece que a gente<br />
Só está querendo saber dos dias.<br />
Ricardo- Hoje é sábado.</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Carlos- Foi assim do nada,<br />
Um dia ela me acusou de traição,<br />
Fiquei sem entender nada,<br />
Ela me unhou, me mordeu<br />
Puxou meus cabelos<br />
E não adiantaram meus apelos,<br />
Ela estava furiosa e me bateu<br />
De um jeito que fiquei sem ação<br />
Parecia que ela estava até possuída pelo cão.</p>
<p>Luz na sala.</p>
<p>Ricardo- O demônio entrou nessa casa<br />
Por isso eu rasguei todos os calendários .<br />
Queimei, tudo virou brasa,<br />
Depois cinza, depois fumaça.<br />
Eu sentia o bafo dele, um cheiro de cachaça<br />
Ficava me chamando de fracassado,<br />
Dizendo: &#8211; Vai, escreve seu veado,<br />
Quero ver você fazer literatura!<br />
Eu então pegava os rosários</p>
<p>Ele mostra os rosários que estão no seu pescoço.</p>
<p>Ricardo- Então ele corria para os calendários<br />
Dizendo: Hoje é dia, e por toda a semana<br />
Vou te tentar, até você renunciar<br />
A tudo e mergulhar na loucura&#8230;</p>
<p>Débora e Dulce se benzem.</p>
<p>Ricardo- Ele aqui com a cara mais sacana<br />
Desse mundo, dizendo: Ela está no inferno<br />
Queimando no fogo eterno!</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Éster- Era mais forte do que eu.<br />
Eu quis matar meu marido.<br />
Algo me dizia que ele havia me traído,<br />
Como se alguém estive me soprando<br />
Bem aqui no pé do ouvido<br />
E numa noite foi pior&#8230;aconteceu&#8230;.</p>
<p>Luz na sala.</p>
<p>Ricardo- Eu não conseguia mais dormir,<br />
E quando conseguia tinha pesadelos<br />
Eu gritava, mas meus apelos<br />
Não valiam nada, não conseguia mais sair<br />
A luz do sol machucava a vista,<br />
Ficava aqui o dia inteiro,<br />
A noite inteira feito um monge budista<br />
Pensando, meditando, o travesseiro<br />
Já me dava insônia só de olhar.<br />
E ele me falando mal da Rita,<br />
Dizendo que ela iria queimar<br />
Por toda a eternidade&#8230;.</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Éster- Peguei o Carlos com crueldade<br />
Bati de uma forma incrível<br />
De uma forma que me era impossível<br />
A raiva vinha e eu batia<br />
Batia com uma força que não sabia<br />
De onde vinha, e nada me detia,<br />
Batia como se não fosse eu,<br />
Uma fúria cega&#8230;sanguinária<br />
Imaginava que batia na Rita.<br />
Eu queria matar a desgraçada<br />
E nada me acalmava&#8230;nada&#8230;<br />
Sentia o sangue na minha boca<br />
E então batia, nem refletia<br />
Estava possuída por uma fúria louca<br />
Louca e aflita&#8230;</p>
<p>Luz na sala.</p>
<p>Ricardo- Dizia que tinha muito desgraça<br />
No seio dessa família, e que a Rita<br />
Era a grande culpada.<br />
Dizia que ela iria arrastar todo mundo<br />
Para o meio da lama<br />
E ria, como se achasse graça<br />
Em toda a minha aflição<br />
Então eu gritava e ele dizia: &#8211; Isso, grita<br />
Seu veado que não vai adiantar nada,<br />
Grita seu maldito, seu porco imundo,<br />
Nada vai salvar aquela vadia chama<br />
Ela vai queimar pela eternidade afora,<br />
Eu gritava para ele ir embora.<br />
E o desgraçado só sorria<br />
Me olhava com olhos desse tamanho<br />
E ria, dizia, vem, vem que te arranho<br />
Seu veado, seu porcaria&#8230;.</p>
<p>Ao final da fala está exausto, senta-se na escrivaninha. Débora e Dulce estão bastante assustadas, e mais uma vez ignoram a presença dos demais.</p>
<p>Dulce- Parece que ouço coisas&#8230;esquisito.<br />
Débora- Não será o zunido de algum mosquito?<br />
Dulce- Não. É uma voz bem profunda..um som<br />
Que não consigo identificar, mas tem um tom<br />
Meio estranho, está ouvindo?<br />
Débora- Não. Não ouço nada.</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Jorge- Você não gostava da Rita<br />
Éster- Isso não é verdade.<br />
Jorge- Não minta<br />
Pode me contar seja lá o que sinta.<br />
Quero que seja sincera comigo,<br />
Além de seu irmão sou seu amigo&#8230;</p>
<p>Na sala Beto e Saulo parecem não estar ali, nenhum dos dois parece notar a presença de mais ninguém. E falam para si mesmos.</p>
<p>Saulo &#8211; Ninguém gostava da Rita<br />
Era tudo falsidade desse povo<br />
O jeito alegre dela sempre foi um estorvo<br />
Pra todo mundo&#8230;ninguém<br />
Gosta de ver o visinho bem,<br />
É muito hipócrita essa humanidade.<br />
Beto- Só por que ela era bela<br />
Não gostavam&#8230;odiavam ela,<br />
Pensam que eu não sei&#8230;até o marido<br />
Tinha ciúmes, medo de ser traído.<br />
Por isso enlouqueceu<br />
Depois que a coitada morreu.<br />
Mas ela era mulher honesta<br />
Era mulher muito certa&#8230;<br />
Saulo- Fui o primeiro homem dela<br />
Beto- Garanto que ela se casou virgem..<br />
Saulo- Nossa primeira vez foi na praia<br />
Deitados na areia, tenho a imagem<br />
Ainda gravada aqui na memória&#8230;<br />
Beto- Era até mesmo difícil de ela usar mini-saia&#8230;</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Éster- Ela era muito egoísta,<br />
Queria tudo pra ela&#8230;<br />
Jorge- Ela no fundo era carente<br />
Sentia muita solidão<br />
Todo o amor que lhe davam não era verdade,<br />
Era somente uma espécie de fascinação<br />
E a coitada percebia&#8230;a gente sente<br />
Ela no fundo sabia que era inveja&#8230;tudo<br />
Não passava disso&#8230;pura falsidade<br />
Só por que ela era a mais bela<br />
As mulheres lhe detestavam, sei que parece absurdo,<br />
Mas era isso que acontecia&#8230;<br />
Foi assim com o nosso pai<br />
Foi assim com Saulo; o primeiro<br />
Namorado dela&#8230;um interesseiro,<br />
Não era amor, era desejo<br />
É um sentimento meio complexo<br />
Ela despertava a ira nas mulheres<br />
E os homens queriam apenas sexo&#8230;<br />
Éster- Por isso eu a odiava?<br />
Jorge- Com certeza,<br />
Éster você ficava<br />
Não só você, mas todas, indignadas com a beleza<br />
Da Rita e por isso lhe queriam mal<br />
Sou irmão dela, não podia sentir tesão<br />
Pela minha irmã, por isso pude perceber<br />
A reação de todos a seu redor&#8230;.<br />
Já você Éster<br />
Foi movida pela maldita luxuria<br />
Apesar de tudo isso é normal,<br />
Pude perceber o que havia em cada coração<br />
Das mulheres e dos homens que passaram<br />
Pela vida dela&#8230;sei os que a amaram<br />
E também os que a odiaram,<br />
Mas foram muitos poucos que lhe tiveram amor&#8230;.</p>
<p>Luz na sala.</p>
<p>Beto- Eu a amei!<br />
Saulo- Eu a amei!</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Jorge- Ninguém a amou&#8230;eu sei,<br />
Até mesmo o marido&#8230;<br />
Ele não a amava&#8230;apenas sentia-se atraído<br />
Pela beleza<br />
Da Rita&#8230;.Ninguém a amou, tenho certeza.</p>
<p>Luz na sala.</p>
<p>Beto- Eu estava no bar, mas não bebendo<br />
Estava espiando o tempo passar&#8230;.<br />
Saulo- Eu estava sentado numa calçada,<br />
Vendo passar toda a mulherada&#8230;</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Jorge- O único homem que a amou fui eu&#8230;</p>
<p>Luz na sala. Beto e Saulo parecem estar em transe.</p>
<p>Beto- Foi então que tudo aconteceu<br />
Saulo- Ela passou na minha frente<br />
Beto- Ela entrou no bar<br />
Saulo- Assim do nada&#8230;de repente<br />
Beto- Pra comprar pão&#8230;<br />
Saulo- Alguma coisa invadiu meu coração.</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Jorge- Só eu a amei de verdade&#8230;</p>
<p>Luz na sala. Os dois ainda em transe.</p>
<p>Beto- Tinha um sorriso tão lindo<br />
Saulo- Estava com um vestido de chita.<br />
Beto- Usava calça jeans e camiseta preta<br />
Saulo- Tão bonita&#8230;.<br />
Beto- Ela veio vindo<br />
Se encaminhando para o balcão&#8230;</p>
<p>Luz no cemitério. Jorge também está em transe.</p>
<p>Jorge- Somente eu gostei dela..eu sei<br />
Que ninguém a amou<br />
Os homens foram todos uns tarados&#8230;<br />
Éster- Meu marido a amava&#8230;eu sei<br />
Jorge- Não era amor, era tesão<br />
Ninguém nunca a amou<br />
Todos esses malditos bastardos<br />
Só queriam prazer,<br />
Mas ela se foi para nenhum deles a ter,<br />
E um por um vão enlouquecer&#8230;.<br />
Inclusive eu&#8230;.<br />
Éster- E o meu marido?<br />
Jorge- Ele era outro tarado<br />
Aposto que a desejou&#8230;<br />
Éster- Eu mato o desgraçado.</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Carlos- Nunca olhei para Rita<br />
Quincas- Você acha que alguém acredita?<br />
Carlos- Mas é verdade&#8230;<br />
Quincas- É mentira tua<br />
Você sempre a imaginava nua<br />
Sendo totalmente sua<br />
Gemendo, gritando o teu nome&#8230;<br />
Carlos- Não é verdade.<br />
Quincas- É verdade,<br />
Eu também tinha essa mesma fome,<br />
Essa fome de Rita.</p>
<p>Luz na sala. Saulo e Beto têm os olhos perdidos, ainda em transe. O mesmo acontece com os demais personagens.</p>
<p>Ricardo- Ela vivia sempre aflita<br />
Todos os homens a queriam..que ódio.<br />
Ela sempre assustada com o assédio,<br />
Eu dizia que não tinha remédio<br />
Quem mandou ela nascer daquele jeito<br />
Linda, perfeita, gostosa, sem nenhum defeito<br />
Tudo ali, coxas, bunda, peito<br />
Tudo na medida certa&#8230;medida exata,<br />
Era impossível ser casta&#8230;</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Quincas- Quando ela entrava por essa porta<br />
Todo mundo a olhava,<br />
Eu sei que ela gostava&#8230;<br />
Carlos- Não, ela não gostava&#8230;era muito pura,<br />
Era uma inocente criatura&#8230;</p>
<p>Luz na sala.</p>
<p>Débora- Estou ouvindo um ruído estranho<br />
Dulce- Agora sou eu que não ouço nada&#8230;</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Quincas- Inocente a Rita, isso é uma piada?<br />
Carlos- Quer apostar&#8230;<br />
Quincas- Se apostar eu ganho!<br />
Carlos- Ela era minha cunhada<br />
A conheci razoavelmente bem,<br />
Ela era uma pessoa boa&#8230;<br />
Quincas- Muito boa, boa mesmo, hem?</p>
<p>Luz no cemitério.</p>
<p>Éster- Sempre desconfiei do meu marido<br />
Que ele tivesse me traído,<br />
Mas o pior de tudo<br />
É que foi com a Rita&#8230;isso que é absurdo,<br />
Me trair com minha própria irmã&#8230;</p>
<p>Luz na sala.</p>
<p>Saulo- Era cedinho&#8230;bem de manhã<br />
E ela passou com seu gingado&#8230;<br />
Beto- Eu fiquei todo arrepiado<br />
Ouvi ela dizendo: Obrigada.<br />
E o Quincas dizendo que não foi nada&#8230;</p>
<p>Luz no botequim.</p>
<p>Quincas- Era aqui que ela comprava pão<br />
Aquele andar que ela tinha<br />
Olhar reto, sem nunca olhar pro chão<br />
A cintura fininha<br />
Fazendo do corpo um perfeito violão<br />
Era uma verdadeira tentação&#8230;.</p>
<p>Luz na sala. Ricardo em transe, corre a escrivaninha e tira um revolver da gaveta.</p>
<p>Ricardo- Foi culpa do demônio, ele queria me matar<br />
Eu pegava o revolver e o ameaçava<br />
Não adiantava, ele ficava rindo sem parar,<br />
O desgraçado ria, e nem disfarçava ,<br />
Eu não podia simplesmente dar um tiro,<br />
Por que tenho medo dessa arma,<br />
Esse revolver maldito, sabe a que me refiro,<br />
Eu tenho medo de sangue, acho que é karma,<br />
Por isso nunca dei um tiro na cabeça<br />
Tenho medo de sangue principalmente do meu,<br />
E antes que eu me esqueça<br />
O diabo não tinha, com certeza, como eu<br />
Sangue. Ele ria do meu medo,<br />
Dizia que eu ainda teria coragem<br />
De sentar o dedo<br />
No gatilho, mas ia ser minha morte,<br />
Ia ser em um momento de raiva muito forte<br />
Disse que é nesse momento que os suicidas<br />
Realmente agem<br />
E tentam contra as próprias vidas.<br />
Por isso que eu usei comprimidos,<br />
Eles eram mais simpáticos<br />
Brancos, pálidos, quase sorridentes<br />
Enquanto os doentes<br />
Procuram a cura pros problemas asmáticos<br />
Os problemas do coração<br />
Os males dos nervos, do pulmão<br />
Eu usava os comprimidos<br />
Procurando outro tipo de alivio<br />
Eu queria fugir do demônio&#8230;</p>
<p>Ricardo pega a foto de Rita.</p>
<p>Ricardo- Ele dizia que eu iria morrer de loucura<br />
Que ia ser tão forte, tão sem cura,<br />
Que eu não ia mais fazer literatura,<br />
Não conseguiria escrever mais nada,<br />
Ia ficar o dia todo numa agonia<br />
Só pensando na Rita e na poesia<br />
Que fiz pra ela, e que a desgraçada<br />
Tava lá no inferno rindo de mim,<br />
Mas eu não conseguia morrer,<br />
Não conseguia dar um fim<br />
Na vida&#8230;E não queria mais viver,<br />
Toda vez que eu bebia os comprimidos<br />
Alguém me levava para o hospital&#8230;.<br />
Tinha dias que eu via a Rita<br />
Andando pela casa&#8230;tão sensual<br />
Toda nua, com os cabelos compridos<br />
Caídos sobre os ombros&#8230;sem a fita<br />
Que ela sempre usava<br />
Andava pela sala&#8230;desfilava<br />
Nua&#8230;completamente nua<br />
Mas eu não a podia tocar, era feito fumaça<br />
Quando eu chegava perto ela flutuava<br />
E aparecia noutro lugar qualquer. Nua,<br />
Isso que era o pior de tudo,<br />
Eu fechava os olhos e então ela falava<br />
Nos meus ouvidos,<br />
Era então que eu engolia os comprimidos<br />
Pra tentar fugir<br />
Pra tentar apagar, morrer, dormir&#8230;.<br />
E o diabo dizendo: Não importa o que faça<br />
Não vai conseguir fugir da loucura<br />
Eu sou a loucura<br />
E a morte é a única cura,<br />
Estarei com você toda noite, toda manhã<br />
Toda tarde, e quando você se perguntar<br />
Por que tudo isso acontece<br />
A loucura vai ser a única resposta sã,<br />
Quando você resolver fazer uma prece<br />
Se ajoelhar e tentar rezar,<br />
Você não se lembrará da oração<br />
Não vai mais conseguir cantar<br />
Pois já não existe mais nenhuma canção,<br />
Nunca mais poderá amar<br />
Por que a Rita vendeu o teu coração<br />
E agora ele está cheio de amargura,<br />
Você não vai mais conseguir sonhar,<br />
Por que não vai conseguir dormir,<br />
Pobre da tua literatura<br />
Vai morrer seca, morrer sufocada,<br />
Nunca mais vai escrever nada&#8230;</p>
<p>Nesse momento Carlos pega a mala se despede de Quincas e se vai.</p>
<p>Ricardo- A palavra vaio apodrecer dentro da sua boca<br />
E não vai sair um único verso<br />
E se sair vai ser tão perverso<br />
Que não vai tocar nenhum coração &#8230;<br />
Toda a sua rima será louca<br />
Inconseqüente e destruirá qualquer paixão&#8230;<br />
A primeira aparição do demônio foi em um sábado&#8230;.<br />
E tentei me matar pra fugir do diabo&#8230;.<br />
Débora- Loucura!<br />
Dulce- Ricardo você enlouqueceu?<br />
Ricardo- Débora, minha irmã querida<br />
O amor por ela foi muito forte<br />
E foi mais forte ainda sua morte,<br />
Sim a loucura me venceu,<br />
E quando eu vencer meu medo,<br />
Quando a raiva for forte o suficiente<br />
Eu sentar o dedo<br />
Nesse gatilho e curar a minha mente.<br />
Débora- Não, você não pode fazer isso,<br />
A Rita não merece tamanho sacrifício!<br />
Dulce- Meu Deus!<br />
Saulo- Já falei que fui o primeiro homem dela?<br />
Débora- Ricardo, a Rita era uma vadia,<br />
Uma cadela!<br />
Dulce- Meu Deus!<br />
Saulo- Ela era virgem quando me conheceu&#8230;<br />
Débora- Você precisa saber da verdade&#8230;<br />
Ricardo- Você sempre teve inveja da Rita<br />
Alias todas as mulheres<br />
Por que ela sempre foi a mais bonita&#8230;<br />
Débora- Ouvi muitas histórias&#8230;<br />
Ricardo- Tudo mentira desse povo invejoso,<br />
Mentira desse povo venenoso,<br />
Essas cobras malditas&#8230;vadias<br />
Que tinham inveja da Rita&#8230;<br />
Débora &#8211; A Dulce também ouviu histórias&#8230;.<br />
Dulce- Meu Deus!<br />
Ricardo- Mentira! Tudo mentira! Não acredito!<br />
Esse povo é todo mentiroso e maldito!<br />
Saulo- A gente fez amor na praia&#8230;.<br />
Beto- Fiz um poema pra ela todos os dias,<br />
Mas ela nunca ficou sabendo&#8230;.<br />
Dulce- É verdade, ouvi algumas fofocas&#8230;<br />
Ricardo- Isso mesmo, só fofocas<br />
Coisas dessas malditas dondocas<br />
Que vivem a cuidar da vida alheia&#8230;<br />
Saulo- A gente se amou ali mesmo na areia&#8230;.<br />
Ricardo- Fofoca é só o que vocês andam fazendo!<br />
Débora- Pare com essa maldita loucura,<br />
Ela não era nem um pouco pura<br />
Não era essa criatura<br />
Que você imagina, não era nenhuma figura<br />
Santa, a irmã a odiava!<br />
Ricardo- Mentira, Ester a adorava&#8230;<br />
Dulce- Ouvi outro dia&#8230;assim por acaso<br />
Que Rita e Carlos tinham um caso&#8230;</p>
<p>Neste momento batem na porta. Todos ficam estacados. Saulo então, depois de breve indecisão, vai abrir a porta imaginária e por ela entra Carlos com a mala.</p>
<p>Dulce- Olha ai o traidor!<br />
Débora- Traidor!<br />
Ricardo- Não acredito nessa história<br />
É coisa do demônio pra fazer discórdia..</p>
<p>Luz no cemitério. Jorge e Ester se sentam sobre a sepultura, ela põem a cabeça sobre o ombro do irmão e então ficam ambos imóveis.</p>
<p>Carlos- Não sou nenhum traidor..<br />
Ricardo- Eu sei&#8230;</p>
<p>Saulo volta para seu lugar, mas antes pega a foto que foi deixada sobre a mesa.</p>
<p>Carlos- A Ester não está regulando bem&#8230;<br />
Dulce- Ninguém&#8230;<br />
Carlos- Ela tentou me matar.</p>
<p>Ester e Jorge se levantam e saem.</p>
<p>Carlos- Quis me sufocar<br />
Disse que era culpa da Rita,<br />
Pobrezinha estava tão aflita&#8230;<br />
Débora- Estou ouvindo vozes,<br />
Vozes que falam da Rita&#8230;.<br />
Ricardo- É o diabo&#8230;.<br />
Ah, eu ainda acabo<br />
Com esse risinho desgraçado.<br />
Débora- É coisa da tua cabeça<br />
Carlos- Ela estava possuída<br />
De uma força e uma vontade homicida<br />
Dulce- Ai minha nossa senhora de Aparecida!<br />
Débora- Coisa da tua cabeça&#8230;.<br />
Carlos- Ela pegou aqui no meu pescoço<br />
Tentei escapar, fiz um esforço<br />
Danado, mas ela era muito forte<br />
Dizia que queria ver minha morte.</p>
<p>Luz no botequim. Ester, Jorge e Quincas.</p>
<p>Ester- Ele me traiu seu Joaquim..<br />
Quincas- Ele me disse que não.<br />
Ester- Então o senhor acha que ele iria fazer a confissão<br />
Assim do nada?<br />
Ele tinha um caso com a Rita.<br />
Quincas- Essa história está muito esquisita<br />
Eu mesmo não acredito.<br />
Ester- Por que o senhor também é o homem e maldito,<br />
Também queria a Rita<br />
Na tua cama!<br />
Quincas- Queria sim, e quem não iria querer?<br />
Qual é o drama?<br />
Eu queria mesmo dona Ester.<br />
Ester- É um safado&#8230;um imoral<br />
O que vocês homens têm<br />
É somente desejo sexual<br />
E nada mais&#8230;não querem o bem<br />
De nenhuma mulher<br />
Só pensam no prazer carnal&#8230;<br />
Quincas- Que isso, não é assim não dona Ester&#8230;.</p>
<p>Ela novamente está em transe.</p>
<p>Ester- E por mim, você sente tesão?<br />
Você também me quer na sua cama?<br />
Quincas- O que é isso dona Ester?<br />
A senhora sempre foi tão calma<br />
Não faça esse escândalo, hem&#8230;.<br />
Ester- Como é, quer ou não quer?<br />
Eu também sou fêmea, sou mulher<br />
Me diz que você não sente atração&#8230;<br />
Quincas- A senhora está perdendo a razão!</p>
<p>Jorge que até então só observava, agora reage.</p>
<p>Jorge- Ester, o que é que está acontecendo?<br />
Ester- Estou mostrando pra Rita<br />
Que eu também sou mulher,<br />
Posso não ser tão bonita<br />
Mas também sou uma mulher!<br />
Jorge- Você não sabe o que está fazendo!<br />
Será que não está percebendo?<br />
Olha o que está fazendo,<br />
Vamos lá pra fora, tomar um ar<br />
Ester- Não quero ar!<br />
Jorge- Vem!</p>
<p>Os dois saem. Quincas fica só a alisar o balcão. Luz na sala.</p>
<p>Dulce- Ouvi dizer que você tinha um caso com a Rita.<br />
Carlos- E você por acaso acredita?<br />
Dulce- Acredito!<br />
Ricardo- Pois eu não acredito.</p>
<p>Saulo caminha até a escrivaninha e pega os comprimidos de dormir, que Ricardo usava para tentar o suicídio.</p>
<p>Saulo- Eu queria tanto a amar de novo.<br />
Dá um nervoso<br />
De ficar tanto tempo sozinho&#8230;</p>
<p>Ele dá um dos comprimidos a Beto, que engole, Saulo engole um também.</p>
<p>Beto- Quero ver a Rita, lhe fazer um carinho,<br />
Tocar seus cabelos<br />
Beijar seus pés, seus joelhos<br />
E ler muita poesia, meus versos novos e velhos&#8230;</p>
<p>Os dois tomam os comprimidos até que o frasco está vazio. Saulo tira algumas cartas do bolso. Beto pega uma caneta e começa a escrever um poema em uma folha de papel que também tira do bolso.</p>
<p>Saulo- Essa foi a primeira carta&#8230;<br />
Beto- (escrevendo) Nessa minha vida ingrata&#8230;<br />
Saulo- Eu era completamente louco&#8230;<br />
Apaixonado por ela&#8230;.</p>
<p>Beto sempre escrevendo em quanto fala. Ricardo senta-se à escrivaninha. Vê o revolver sobre ela. Carlos se senta sobre a mala. Dulce está atenta parece ouvir algo. Débora presta atenção em Dulce.</p>
<p>Beto- Vida morta, cheia de sufoco,<br />
Mas também tão singela!<br />
Não vou mais fazer poesia&#8230;</p>
<p>Beto rasga o papel. Beto e Saulo assumem mais uma vez o transe.</p>
<p>Carlos- É uma história sem pé e nem cabeça<br />
Ela disse que quer que eu desapareça,<br />
Eu não fiz nada,<br />
Ela falava em traição<br />
Dizendo que a Rita era uma vadia<br />
Que era a culpada<br />
Do fim da nossa relação.</p>
<p>Ouvem-se batidas na porta. Todos se entreolham. Débora abre a porta imaginaria e Ester então entra. Carlos pega a mala e corre para se esconder atrás de Beto e Saulo, nesse momento ambos já estão desacordados. Ester está furiosa.</p>
<p>Ester- Carlos é um traidor!<br />
Todos os homens são traidores,<br />
Passam por cima das mulheres<br />
Furiosos, feito tratores,<br />
Só querem os prazeres&#8230;<br />
Débora- Isso é verdade.<br />
Dulce- Homem é cheio de maldade.<br />
Débora- Homem é tudo igual<br />
Só muda o nome e a caixa postal&#8230;<br />
Ester- Carlos me traiu!<br />
Débora- Cachorro, onde já se viu&#8230;<br />
Carlos- Não trai ninguém, ouviu<br />
Bem. Não sou nenhum traidor.<br />
Ester- Como pode, te dei tanto amor,<br />
Te dediquei anos da minha vida<br />
E você me dá um golpe no peito<br />
Uma punhalada dessas&#8230;que virou uma ferida<br />
Que aos poucos está me matando&#8230;<br />
Carlos- Eu não fiz nada&#8230;.<br />
Ester- Ainda mente com essa cara lavada,<br />
Eu não imaginei eu vi, entendeu?<br />
Vi com esses olhos, não me contaram!<br />
Carlos- Não acredito, você está mentindo.<br />
Ricardo- Não acredito, Ester, você está mentido!<br />
Ester- Você Ricardo, sempre foi um corno<br />
Fomos todos personagens de um filme pornô,<br />
Onde a Rita era protagonista,<br />
Uma sem vergonha, uma vigarista&#8230;<br />
Eu achava que era tudo sonho, mas<br />
Fazia muito tempo que eu não dormia mais<br />
E não podia estar sonhando acordada,<br />
Então só podia ser tudo verdade,<br />
Carlos me traia com a cunhada,<br />
Minha irmã, mulher do Ricardo.<br />
Ricardo- Abusado, traidor!<br />
Carlos- Não, é maldade<br />
Da Éter, não acredite nela, Ricardo!<br />
Ricardo- Não sei&#8230;<br />
Carlos- Você não pode acreditar nela<br />
Não se deixe enganar, eu sei,<br />
Ela odiava a Rita.<br />
Ricardo- Odiava? Como assim, odiava a Rita?<br />
Carlos- Sim, odiava! Odiava ela!</p>
<p>Jorge entra. Está em transe.</p>
<p>Jorge- Você Ricardo é o grande culpado,<br />
Por sua causa minha irmã morreu,<br />
Foi de desgosto&#8230;seu abusado,<br />
Você não deixava a coitada em paz,<br />
Sempre querendo mais e mais,<br />
Ela me contou tudo o que aconteceu<br />
Contou que você era insaciável&#8230;um tarado.<br />
Ester- Mas a Rita não ficava muito atrás&#8230;.<br />
Jorge- Fique quieta Ester!<br />
Carlos- Não grite com minha mulher.<br />
Jorge- Você Carlos, é outro tarado<br />
Vivia perseguindo a Rita pra tudo o que é lado.</p>
<p>Luz no botequim. Quincas está calado e pensativo.</p>
<p>Quincas- Essa história não vai acabar bem,<br />
Tudo começou a tanto tempo atrás,<br />
Que quase não me lembro mais&#8230;</p>
<p>Ele busca uma garrafa, um copo e bebe.</p>
<p>Quincas- A gente mente a vida inteira,<br />
Mas não adianta, é besteira<br />
Chega uma hora em que a gente tem<br />
Que olhar na cara da verdade&#8230;</p>
<p>De repente Rita entra no bar, como uma visão que Quincas tem.</p>
<p>Quincas- Ta vendo dona Rita, a maldade<br />
Que a senhora acabou semeando&#8230;<br />
Rita- eu não sou culpada<br />
Não tenho nada a ver com isso, eu<br />
Sou a única inocente,<br />
Não sei o que toda essa gente sente&#8230;<br />
Quincas- Não?<br />
Rita- Não sei o que você sente.<br />
Quincas- Não?<br />
Rita- Não sei o que Saulo sente<br />
O que Beto sente<br />
O que Ester sente&#8230;.<br />
Quincas- Não?<br />
Rita- Não sei o que o meu irmão sente<br />
O que meu maridos sente&#8230;<br />
Quincas- Estão todos possuídos pela loucura<br />
Todos&#8230;inclusive eu,<br />
Desde que a senhora morreu<br />
Uma desgraça muito grande se abateu<br />
Sobre todos nós&#8230;entendeu?</p>
<p>De repente black-out . quando as luzes se acendem o bar está vazio. Saulo e Beto estão sobre a sepultura, com os corpos imóveis, ambos estão mortos.<br />
Ricardo- Ester, você a odiava, por quê?<br />
Ela sempre amou tanto você&#8230;<br />
Ester- Ela só amava a si mesma, uma egoísta&#8230;<br />
Ricardo- Não fala assim da Rita<br />
É você quem é uma egoísta<br />
Carlos- Não fale assim com ela&#8230;<br />
Vou contar a verdade,<br />
Eu realmente tive um caso com ela&#8230;.<br />
Ester- Desgraçado&#8230;.<br />
Ricardo- Não acredito, você está mentindo&#8230;.<br />
Jorge- Eu também não acredito, mentiroso<br />
Como você pode ser tão baixo, vil, venenoso,<br />
Anda vai, seu cínico, me diz&#8230;<br />
Ester- Desgraçado&#8230;<br />
Carlos- É verdade, o nosso caso foi bem<br />
Embaixo do nariz<br />
De todo mundo&#8230;<br />
Ouviram bem&#8230;.<br />
Ester- Seu nojento&#8230;seu imundo&#8230;.<br />
Maldito traidor&#8230;<br />
Ainda me fazia juras de amor&#8230;.<br />
Jorge- Eu não acredito em nada<br />
É tudo uma mentira deslavada.<br />
Ricardo- Como pode ser tão canalha?<br />
Você acha mesmo que alguém acredita?<br />
Ester- Eu acredito..eu vi&#8230;é verdade<br />
Débora- Que Deus nos valha<br />
Neste momento<br />
Amém&#8230;<br />
Dulce- Amém&#8230;<br />
Ricardo- Canalha&#8230;<br />
Ester- Traidor, como fez essa maldade&#8230;.<br />
Dulce- Ouço uma voz estranha&#8230;uma profundidade&#8230;.<br />
Débora- Quieta! Não é nada!<br />
Jorge- Você está inventando toda essa história<br />
Pra manchar a memória<br />
Da minha irmã, por que ela caiu na tua<br />
Cantada barata&#8230;cantada de porta de bar&#8230;.<br />
Carlos- Você não sabe de nada<br />
Não sabe da missa um terço &#8230;.nada!<br />
Sempre perdido nu mundo da lua&#8230;.<br />
Ester- Como você teve coragem&#8230;.<br />
Carlos- Foi culpa sua&#8230;<br />
Ester- Minha culpa<br />
Agora é essa a desculpa&#8230;.<br />
Carlos- Todinha sua,<br />
Vivia falando isso e aquilo da Rita<br />
Que era a mais bonita<br />
Mas cheirosa, mas amada<br />
Que perto dela você não era nada&#8230;.<br />
Ester- Eu nunca disse isso, você está mentindo.<br />
Carlos- Você falava isso o dia inteiro&#8230;<br />
Ester- Mentiroso&#8230;você não presta.<br />
Carlos- O meu amor era verdadeiro<br />
Mas você o destruiu<br />
Com o seu maldito ressentimento &#8230;<br />
Ester- Você está tentando justificar<br />
Que me traiu<br />
Por que eu mate matei um sentimento<br />
Que sei que nunca existiu&#8230;<br />
Carlos- Culpa sua sim&#8230;você a detesta<br />
E por isso eu quis amar<br />
A Rita, para poder provar<br />
Que ela não era a peste que você dizia&#8230;<br />
Ricardo- Você a chamava de peste?<br />
Ester- Não só a chamava, como chama..peste&#8230;peste<br />
Ricardo- Repete para eu ouvir&#8230;se tiver coragem &#8230;repete<br />
Ester- Ela era uma peste&#8230;uma traidora<br />
Uma maldita sedutora<br />
De marido alheio,<br />
É minha irmã, mas eu a odeio&#8230;<br />
Ricardo- Você tinha inveja dela&#8230;eu sei&#8230;.<br />
Ester- Tive sim, não minto<br />
Não escondo o que sinto,<br />
Mas agora tenho só desprezo,<br />
Um ódio que está preso<br />
Aqui na garganta&#8230;.<br />
Ricardo- A gente só colhe o que planta,<br />
Tudo é por causa da inveja sua,<br />
Por isso não consegue mais<br />
Ter tranqüilidade ou viver em paz,<br />
Mesmo eu que sempre a amei<br />
Não tenho tido paz,<br />
Imagine então quem tinha ódio<br />
Um sentimento do demônio&#8230;.<br />
Ester- Ela teve um caso com meu marido&#8230;<br />
Ricardo- Eu não acredito.<br />
Ester- Você já ouviu a confissão,<br />
Já sabe que foi traído,<br />
Tem que tomar uma posição&#8230;<br />
Jorge- Ricardo também a traia&#8230;eu sei<br />
Ricardo- Mais mentiras&#8230;onde vamos parar&#8230;<br />
Jorge- Tinha outras mulheres<br />
Ricardo- Eram somente prazeres<br />
A Rita era a titular<br />
Ela era quem eu amava&#8230;<br />
Dulce- Você também a enganava?<br />
Débora- Outro traidor!<br />
Carlos- Sim, ela me falou sobre sua traição<br />
Dizia que se entregou a mim<br />
Por que estava prevendo o fim<br />
De sua relação<br />
Com o marido<br />
Que por varias vezes a havia traído&#8230;.<br />
Ricardo- Ela dizia?<br />
Carlos- Falava que a tua poesia<br />
Não era mais para ela<br />
E sim para uma magricela<br />
Com cabelos cheios de tinta amarela&#8230;<br />
Ricardo- Isso não era verdade,<br />
Minha poesia sempre foi para ela,<br />
Tanto é que depois que morreu<br />
Nunca mais consegui escrever um verso.<br />
Carlos- Ela dizia que você era perverso<br />
Dulce- Por isso você se trancou Ricardo?<br />
Por remorso pela traição?<br />
Débora- Por isso não quis mais ver o sol nascer<br />
Tinha vergonha de sua traição?<br />
Ricardo- Sempre tive vergonha de minha obsessão<br />
Por mulheres&#8230;.mas a culpa não era minha,<br />
Tinha um desejo que vinha<br />
E me dominava por inteiro<br />
Mesmo sendo escritor não dá pra transar<br />
Com a maquina ou com o tinteiro<br />
Eu precisa de uma mulher pra me saciar&#8230;<br />
Carlos- Uma?<br />
Ester- Uma só?<br />
Débora- Umazinha?<br />
Jorge- Uma?<br />
Ricardo- Não. Mais do que uma<br />
Mas com a Rita era diferente&#8230;<br />
Jorge- Mentira tua.<br />
Ricardo- O desejo me perseguia<br />
Tão intenso como uma dor de dente,<br />
Eu corria, tentava escrever poesia.<br />
Quando ela morreu, nunca mais<br />
Eu consegui ter paz,<br />
O diabo começou a aparecer&#8230;<br />
Ester- Não era o diabo, sim tua consciência pesada<br />
Era sua mente tentando te enlouquecer&#8230;<br />
Ricardo- E conseguiu&#8230;<br />
Carlos- Enlouqueceu também a Ester.<br />
Ester- Não estou louca&#8230;estou traída.<br />
Estou machucada&#8230;.ressentida.<br />
Ricardo- Foi por isso que me tranquei<br />
Eu não queria ver ninguém<br />
Depois dela nunca mais desejei,<br />
Nunca mais tive outra mulher&#8230;<br />
Carlos- É terrível quando isso acontece com agente<br />
Ficar assim impotente&#8230;<br />
Ricardo- Eu não fiquei impotente!<br />
Carlos- Foi isso que eu consegui entender&#8230;.<br />
Ricardo– Não sei o que foi que aconteceu<br />
O desejo acabou..se foi&#8230; morreu&#8230;<br />
Antes era intenso<br />
As vezes quando eu penso<br />
Nisso me dá uma frustração<br />
Meu membro vivia duro como uma rocha,<br />
E agora sou completamente brocha&#8230;.<br />
Carlos- Por isso se esqueceu da vida?<br />
Ester- Carlos, tomará que isso te aconteça também &#8230;<br />
Carlos- Comigo não, não vem que não tem.<br />
Dulce- Meu Deus, quantas tragédias<br />
Parece que perdemos as rédias<br />
Da própria vida&#8230;.<br />
Débora- Tanta traição<br />
Tanta amargura no coração,<br />
Não dá pra viver assim,<br />
Essa família está se ruindo<br />
Se autodestruindo&#8230;<br />
É o fim&#8230;.<br />
Dulce- Ainda ouço um som&#8230;.meio assim&#8230;assim&#8230;<br />
Débora- Coisa da tua cabeça &#8230;isso sim&#8230;<br />
Ester- (para Carlos) Pra onde você vai?<br />
Carlos- Não sei&#8230;pra qualquer lugar&#8230;<br />
Ricardo- Nunca fui a cemitério<br />
Por que tinha medo&#8230;é sério,<br />
Tinha medo da Rita de levantar<br />
Daquele caixão e querer me matar<br />
Débora- Coisa da tua cabeça&#8230; isso sim&#8230;<br />
Ricardo- Mesmo assim não consegui fugir dela<br />
Por isso nunca abri essa janela&#8230;<br />
Ester- Vocês são todos traidores<br />
Traem e depois ficam assim<br />
Com remorso&#8230;com medo de alma penada&#8230;<br />
Carlos- Nunca tive medo dela,<br />
Por que pra ela eu fui um conforto<br />
Fiz carinho enquanto o marido a traia,<br />
A amava um pouco mais a cada dia&#8230;<br />
Ester- E em mim você não pensou..<br />
Carlos- Eu sempre te amei, mas era diferente<br />
Ester &#8211; Vai me dizer que a Rita era mais quente<br />
Isso já estou cansada de ouvir&#8230;<br />
Carlos- Não é nesse sentido Ester,<br />
A Rita não era como uma mulher,<br />
Era mais como uma menina&#8230;<br />
Ester- Céus, como eu fui cretina&#8230;<br />
Carlos- Pára para me ouvir,<br />
Ela era uma criança indefesa.<br />
Pra que servia toda aquela beleza,<br />
Se no fundo nada lhe valia,<br />
Só lhe trazia<br />
Mais desgraça a cada dia?<br />
Ela não era desse mundo, entendeu?<br />
Não era nem atração o que eu sentia<br />
Era um extinto meio que paterno,<br />
Queria a proteger de toda aflição<br />
Protege-la da vida&#8230;da traição.<br />
Mas não adiantou, ela morreu&#8230;<br />
Foi duro vê-la no caixão<br />
Mas ela morreu sorrindo, perdoando<br />
Morreu nos amando&#8230;<br />
Ricardo- Ela morreu me odiando&#8230;<br />
Carlos- Não Ricardo, ela entendia<br />
Ela sabia que você era inocente<br />
Que era um sujeito decente&#8230;.<br />
Ricardo- Não, ela não entendia,<br />
Devia me achar um tarado,<br />
Ela entendeu tudo errado&#8230;<br />
Dulce- Mas acontece que ela já morreu,<br />
Vai fazer anos que isso aconteceu,<br />
Não adianta desenterrar o passado&#8230;<br />
Ester- A Rita não ficou no passado,<br />
Ela ainda está entre nós,<br />
Causando toda essa discórdia<br />
Destruindo nossos lares sem misericórdia&#8230;<br />
Dulce- O que a gente tem que fazer é ouvir a voz<br />
Da razão e tentar esquecer o que passou<br />
E conviver com o que restou&#8230;<br />
Débora- É não adianta toda essa briga,<br />
Tanta confusão, toda essa intriga,<br />
No fundo, no fundo é tudo loucura,<br />
Quanto tempo isso ainda dura?<br />
Ester- Não consigo esquecer&#8230;<br />
Ricardo- Nem eu&#8230;<br />
Carlos- É difícil compreender<br />
Mas não dá pra apagar tudo<br />
Deletar da mente<br />
Todo o passado assim, de repente&#8230;<br />
Ricardo- Eu a mataria<br />
Se ela ainda estivesse viva&#8230;.<br />
Carlos- Como? De que jeito?<br />
Ricardo- Com o revolver. Um trinta e oito&#8230;<br />
Carlos- Não tem mais medo?<br />
Dulce- Aquela arma perversa, nociva&#8230;<br />
Débora- Eu duvido&#8230;não acredito&#8230;<br />
Ester- Isso não resolveria<br />
Nada, além do mais ela morreu,<br />
É por isso que tudo isso aconteceu<br />
Dulce- Depois disso é que todo mundo enlouqueceu&#8230;<br />
Ester- Foi depois que a gente se perdeu&#8230;<br />
Dulce- Por causa dela que o Beto morreu&#8230;<br />
Débora- E por causa dela o Saulo também morreu&#8230;.<br />
Ricardo- Ainda tenho medo,<br />
Ainda é mais forte do que eu.<br />
Onde está a arma?</p>
<p>Ele a encontra sobre a mesa.</p>
<p>Ricardo- Ela é gelada&#8230;Um gelo sepulcral&#8230;<br />
Tem cheiro de ódio, mas é só metal&#8230;<br />
Ferro misturado com chumbo&#8230;Mortal,<br />
Tenho medo desse revolver,<br />
Sempre achei que podia resolver<br />
Todos os meus problemas, com essa arma,<br />
Mas nem a consigo olhar direito.</p>
<p>Ele está em transe e doce.</p>
<p>Ricardo- Eu poderia puxar o gatilho agora<br />
E estourar minha cabeça,<br />
Ficar vendo o cérebro saltar para fora,<br />
Ver me vazar essa loucura, essa doença &#8230;<br />
Ou então poderia apontar para o peito&#8230;</p>
<p>Abre os botões da camisa com um puxão.</p>
<p>Ricardo- E explodir o coração<br />
Talvez essa fosse uma boa saída,<br />
Que sabe me redimisse da traição<br />
E concertasse a vida<br />
De todos nós&#8230;<br />
Dulce- Ouço uma voz<br />
Meio velada,<br />
Parece que tem alguém subindo a escada&#8230;.<br />
Ricardo- E até a da Rita, que já está morta&#8230;<br />
Dulce- Ouço passos caminhando para a porta&#8230;</p>
<p>Batem na porta.</p>
<p>Ricardo- Quem<br />
É que vem?<br />
Dulce- Não sei. Não estou esperando por ninguém.<br />
Débora- Nem eu.<br />
Ricardo- Deve ser o demônio que me persegue,<br />
Por onde quer que eu vá ele me segue&#8230;<br />
Dulce- Coisa da tua cabeça&#8230;<br />
Ricardo- Só pode ser a Rita.<br />
Dulce- Coisa da tua cabeça&#8230;</p>
<p>Batem na porta de novo, com insistência.</p>
<p>Dulce- É mão de homem, ouça a batida,<br />
A madeira até mesmo grita&#8230;<br />
Débora- Quem é que vai abrir?</p>
<p>Instala-se um clima pesado na sala. Todos se olham desconfiados, no auge da paranóia. Batem ainda com mais insistência.</p>
<p>Dulce- Quem pode ser a essa hora?<br />
Débora- Ainda mais com o frio que está lá fora.</p>
<p>Débora e Dulce se abraçam apavoradas. Batem insistentemente.</p>
<p>Dulce- Quem vai abrir?<br />
Débora- É aquele barulho macabro<br />
Que eu estava ouvindo&#8230;<br />
Ricardo- Pode deixar que eu mesmo abro.</p>
<p>Ricardo abre a porta imaginaria, entra Quincas assustado, com o mesmo comportamento paranóico de todos que estão na sala.</p>
<p>Quincas- Ela apareceu pra mim&#8230; lá no bar&#8230;<br />
Deu um medo, fiquei até sem ar&#8230;<br />
Ricardo- Ela quem, seu Joaquim?<br />
Quincas- Sua mulher&#8230;<br />
Ester- Quem, seu Joaquim?<br />
Quincas- Sua irmã, dona Ester&#8230;<br />
Carlos- Como assim?<br />
Quincas- Era bem de tardezinha, o sol ia se por&#8230;<br />
Ester- Isso é absurdo&#8230;<br />
Quincas- Juro por Nosso Senhor&#8230;<br />
Dulce- Não jure, jurar é pecado&#8230;<br />
Quincas- Eu estava lá&#8230;e ela de repente<br />
Surgiu do nada, bem na minha frente&#8230;<br />
Ester- O senhor não teve medo?<br />
Quincas- Medo não dona Ester&#8230;<br />
Dulce- Coisa da tua cabeça,<br />
Essa cabeça perturbada de pecador&#8230;<br />
Quincas- Ela me contou um segredo.<br />
Débora- Bem cabeludo?<br />
Dulce- Bem absurdo?<br />
Ester- Vai, anda, conta tudo.<br />
Carlos- Deixem o homem em paz&#8230;<br />
Ester- Ora Carlos, está com medo?<br />
Ricardo- História sem pé e nem cabeça..<br />
Ester- Ricardo, também está com medo?<br />
Ricardo- Não. Pra mim tanto faz<br />
Se ela contou ou não esse tal segredo&#8230;<br />
Dulce- Qual é o segredo?<br />
Quincas- Não posso contar.<br />
Dulce- Como assim?<br />
Ester- Que historia é essa seu Joaquim?<br />
Quincas- Ela me proibiu de falar<br />
É um segredo de túmulo.<br />
Ester- Isso só pode ser brincadeira&#8230;<br />
Dulce- Isso é o cúmulo!<br />
Quincas- Nunca vou poder revelar,<br />
Nunca, nem na hora derradeira,<br />
Não se pode contar segredo alheio.<br />
Ester- Então por que veio?<br />
Dulce- Só pra nos atormentar?<br />
Débora- Só pra provocar nossa curiosidade?<br />
Quincas- Não!<br />
Dulce- Como não?<br />
Débora- Como assim?<br />
Ester- Explique-se melhor, seu Joaquim.<br />
Quincas- Era no meu bar que ela comprava pão&#8230;<br />
Ester- Eu sei&#8230;<br />
Dulce- Eu também sei&#8230;<br />
Débora- E o que isso tem a ver com o caso, afinal?<br />
Ricardo- O último pão<br />
Foi comprado para o funeral<br />
No velório todo mundo se fartou,<br />
E foi o senhor quem lucrou&#8230;<br />
Quincas- Vim até aqui em consideração<br />
A família, pra dizer do segredo<br />
Que ela me contou,<br />
Mas já me arrependo&#8230;<br />
Disse pra ela da loucura<br />
Que reina nesse lar&#8230;<br />
Ester- De que loucura o senhor está falando?<br />
Dulce- Loucura? Que loucura?<br />
Quincas- Não precisam disfarçar, não.<br />
A cidade toda sabe o que há nesse casarão.<br />
Faz meses que ninguém sai<br />
Os últimos saíram no caixão&#8230;<br />
Beto e Saulo, ambos mortos, direto<br />
Para o cemitério,<br />
Desde então um mistério<br />
Envolve todo esse casarão<br />
Ninguém entra e ninguém sai,<br />
Parece ate mesmo maldição&#8230;<br />
Jorge- É uma maldição,<br />
Todos vamos morrer aqui, trancados,<br />
Estamos vivos, mas sepultados&#8230;<br />
Dulce- É bucólico, mas é verdade&#8230;<br />
Ester- Isso é uma paranóia&#8230;é absurdo!<br />
Dulce- Coisa da nossa cabeça&#8230;insanidade!<br />
Jorge- Pois eu já sinto os vermes<br />
Querendo devorar nossas epidermes&#8230;.<br />
Carlos- Vermes?<br />
Quincas- Tem mesmo certeza de que são vermes?<br />
Jorge- Certeza sim&#8230;<br />
Dulce- Coisa da tua cabeça, não vê que é um absurdo?<br />
Débora- Deve se cupim,<br />
Não vermes&#8230;.<br />
Quincas- A Rita me contou&#8230;<br />
Ricardo- Aquele segredo?<br />
Jorge- Ora, não era secreto?<br />
Dulce- Segredos, detesto!<br />
Ester- Tenho arrepios só de pensar.<br />
Dulce- Com segredo de morto não é bom brincar!<br />
Quincas- Ela me disse outra coisa também.<br />
Carlos- Sobre quem?<br />
Ricardo- Sobre mim?<br />
Ester- Vamos, desembuche, seu Joaquim.<br />
Débora- Então, o que é que tem?<br />
Quincas- Ela disse que todo mundo aqui é refém.<br />
Jorge- De quem?<br />
Quincas- Dela, da dona Rita&#8230;<br />
Dulce- Coisa da tua cabeça&#8230;<br />
Ester- Bobagem&#8230;<br />
Quincas- Disse que ninguém<br />
Aqui tem<br />
Um pingo de coragem<br />
Pra sair lá fora!<br />
Ricardo- E você por acaso acredita?<br />
Afinal é aqui que a gente mora<br />
Pra que sair se temos aqui todo o conforto&#8230;<br />
Quincas- Disse que todo mundo está um pouco morto,<br />
Que vão morrer aqui, trancados,<br />
Ela me contou o motivo&#8230;<br />
Ricardo- Bobagem, todo mundo aqui está bem vivo&#8230;<br />
Quincas- Você já tentou se matar&#8230;<br />
Ricardo- E ainda quero<br />
Só me falta coragem<br />
Dulce- Coisa da tua cabeça&#8230;.Bobagem&#8230;<br />
Débora- Ai, assim eu me desespero&#8230;<br />
Quincas- Sei por que vocês não conseguem<br />
Sair da casa nem pra tomar um ar&#8230;<br />
Ester- Sabe o que?<br />
Quincas- Ela me contou o porque.<br />
Todos vocês têm um segredo escondido.<br />
Dulce- Coisa da tua cabeça&#8230;bobagem&#8230;<br />
Quincas- É vergonha do passado<br />
Ela me contou&#8230;contou tudo.<br />
Jorge- Tudo?<br />
Ester- Loucura da cabeça desse homem!<br />
Dulce- Vamos, diga qual é o segredo.<br />
Quincas- Não posso contar,<br />
Ela disse que eu tinha que me trancar<br />
Com vocês todos nesse casarão.<br />
Ricardo- Mas isso é um absurdo!<br />
Quincas- Se eu não obedecer irá me assombrar noite e dia!<br />
Dulce- Que medo, assombração&#8230;</p>
<p>Ricardo aponta a arma para Quincas.</p>
<p>Ricardo- Vamos, diga de uma vez seu Joaquim<br />
O que a Rita falou sobre mim&#8230;<br />
Olha que eu atiro&#8230;não estou de brincadeira&#8230;<br />
Quincas- Duvido&#8230;Você tem medo,<br />
Sei que te dá ate mesmo tremedeira<br />
Só de pegar nesse revolver,<br />
E se um dia você resolver<br />
Usar, vai ser contra você mesmo, eu sei,<br />
Foi a Rita quem me contou. Eu sei&#8230;<br />
Ricardo- Não acredito em fantasma&#8230;<br />
Dulce- Ricardo, mantenha a calma,<br />
Guarde essa arma&#8230;</p>
<p>Ricardo pára de repente e olha para o revolver.<br />
Percebe-se nitidamente que tem medo da arma.<br />
Coloca-a sobre a escrivaninha.</p>
<p>Quincas- Ela odeia todos nós&#8230;Todo mundo!<br />
Jorge- A mim ela não odeia. Qual seria o pretexto?<br />
Que motivo teria para me odiar?<br />
Quincas- O senhor sabe qual<br />
Jorge- Me diga, se for capaz, qual?<br />
Quincas- A possuiu a força&#8230;Um incesto!<br />
Dulce- Pecado cruel&#8230;pecado mortal.<br />
Ricardo- Desgraçado, como teve coragem!<br />
Jorge- É mentira. Isso não tem cabimento&#8230;<br />
Débora- Imoral, monstro, indecente&#8230;<br />
Quincas- Ela era somente<br />
Uma adolescente!<br />
Jorge- Não fiz isso, é mentira!</p>
<p>Jorge corre para a escrivaninha e pega o revolver.</p>
<p>Ester- Não Jorge, não!<br />
Quincas- Vai seu porco, atira!<br />
Jorge- Desgraçado!<br />
Essa história estava enterrada<br />
No nosso passado!<br />
Quincas- Ela nunca esqueceu!<br />
Jorge- Ela já morreu!<br />
Ester- Eu não acredito!<br />
Dulce- Não digo que todo homem é maldito!<br />
Jorge- Ela já me perdou!<br />
Quincas- Não, ela não o perdou!</p>
<p>Jorge cai sentado no sofá.</p>
<p>Jorge- Eu estou perdido<br />
Tenho nojo das minhas mãos, sim<br />
Nojo do meu corpo, minhas ações,<br />
Nojo das minhas próprias emoções,<br />
É o meu fim!</p>
<p>Ele encosta o revolver no ouvido e puxa o gatilho. Ouve-se o som de um tiro. Black-out. quando a luz retorna o corpo de Jorge está junto com os de Saulo e Beto, sobre a sepultura de Rita. Os demais personagens se encontram nas mesmas posições.</p>
<p>Dulce- Está sentindo o cheiro?<br />
Débora- Estou, é a decomposição&#8230;.<br />
Ester- Ficará assim o tempo inteiro,<br />
Mas antes de se decompor totalmente<br />
Já não teremos mais nossas mentes&#8230;<br />
Ricardo- Não agüento mais essa situação.</p>
<p>Ricardo se senta a escrivaninha, por detrás da maquina.</p>
<p>Dulce- Onde colocaram o corpo do morto?<br />
Quincas- No porão.<br />
Débora- Não tinha outro lugar?<br />
Quincas- Lá Jorge terá todo o conforto<br />
Pra se decompor em paz&#8230;<br />
Ester- E agora, o que a gente faz?<br />
Carlos- Espera a morte chegar.<br />
Dulce- Eu tenho medo da morte.<br />
Débora- Que isso Dulce&#8230;seja forte!<br />
É coisa da tua cabeça, essa história&#8230;<br />
Quincas- A Rita juntou aqui toda a escória,<br />
Pra morrermos juntos.<br />
Nada adianta, logos seremos todos defuntos&#8230;<br />
Carlos- Ninguém vai fazer nada?<br />
Quincas- Não há nada para ser feito<br />
Estamos todos com a mente perturbada,<br />
Cada segredo revelado<br />
Um morto será feito!</p>
<p>Ricardo se levanta com a arma em punho.</p>
<p>Ricardo- Nenhum segredo mais será revelado!<br />
Quincas- Foi ela quem mandou,<br />
Ela vai me perseguir noite e dia,<br />
Tenho o que fazer o que me mandou:<br />
Revelar todos os segredos!<br />
Ester- Isso é covardia!<br />
Dulce- É um absurdo!<br />
Carlos- Um abuso!<br />
Débora- Não quero mais ouvir nada&#8230;me recuso!<br />
Quincas- Ricardo, ainda não venceu seu medo!<br />
Ricardo- Não tenho mais medo!<br />
Quincas- Mentira!<br />
Ricardo- Estou dominado por um sofrimento<br />
Sem tamanho&#8230;Uma ira!<br />
Quincas- Tudo fingimento!<br />
Tudo mentira!<br />
Débora- Cuidado com isso Ricardo!<br />
Carlos- Atira logo nesse desgraçado!<br />
Ester- Está com medo Carlos, de algum segredo?<br />
Carlos- Não tenho medo de nada!<br />
Dulce- Não atira!<br />
Carlos- Atira, vai, atira!<br />
Quincas- Ele tem medo!<br />
Carlos- Atire antes que ele diga mais algum segredo!<br />
Ester- Sabia que era esse o seu medo!<br />
Ricardo- Não tenho medo!<br />
Carlos- Anda logo, Ricardo, Atira<br />
Quincas- Covarde!<br />
Carlos- Atira&#8230;seu covarde!</p>
<p>Lentamente ele encosta o revolver no próprio ouvido e puxa o gatilho. Cai.</p>
<p>Quincas- Ele não pode morrer!<br />
Dulce- Já morreu!<br />
Débora- Pobre do meu irmão!<br />
Quincas- Não me deixou contar o segredo,<br />
Todos nós vamos morrer&#8230;<br />
Carlos- Culpa sua isso que aconteceu&#8230;<br />
Quincas- Não tem mais salvação<br />
Vamos morrer todos sufocados<br />
Aqui. A podridão<br />
Da nossa alma vai sufocar nossa respiração,<br />
Morrermos asfixiados<br />
Aqui nesse casarão,<br />
Sem mãos conseguir ver o sol nascer,<br />
É só uma questão<br />
De tempo até todo mundo morrer.</p>
<p>Ester se abraça a Carlos. Dulce e Débora rezam em voz baixa e abraçadas. Quincas se ajoelha junto ao corpo e lhe tira a arma da mão.</p>
<p>Quincas- Vamos todos morrer,<br />
Essa é a maldição da Rita,<br />
Tão bonita,<br />
Mas tão maldita!</p>
<p>CAI O PANO. FIM DO SEGUNDO E ÚLTIMO ATO</p>
<p>Odair J. Alves<br />
Junho de 2002</p>
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		<title>Poema em preto e branco</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jan 2008 15:30:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Meus ouvidos estão ocupados Entorpecidos por um rock Em baixa voltagem, Rimbaud passeia pela sala E está no colo das pessoas. E mais tarde Sem rock Surfarei versos franceses, Ouvirei o tumultuo Mudo de um túmulo, Serei bucólico Como Augusto dos Anjos, Vomitarei uma poesia ácida Nos fracos Flancos do asfalto De piche e ouro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=66&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meus ouvidos estão ocupados<br />
Entorpecidos por um rock<br />
Em baixa voltagem,<br />
Rimbaud passeia pela sala<br />
E está no colo das pessoas.<br />
E mais tarde<br />
Sem rock<br />
Surfarei versos franceses,<br />
Ouvirei o tumultuo<br />
Mudo de um túmulo,<br />
Serei bucólico<br />
Como Augusto dos Anjos,<br />
Vomitarei uma poesia ácida<br />
Nos fracos<br />
Flancos do asfalto<br />
De piche e ouro barroco<br />
Como Gregório de Mattos,<br />
Poesia; minha foto<br />
Seus fatos são meus olhos<br />
Olhos que ficam na história,<br />
Esquecidos pelos caminhos,<br />
Não amarei<br />
E muito menos espancarei<br />
O também belo Verlaine&#8230;.<br />
Socorro, socorram-me!<br />
Os meus poros<br />
Hoje, são poucos para tamanha<br />
Acidez da vida,<br />
Enquanto derrubam as gêmeas<br />
Sem mãe<br />
Pobres torres,<br />
Oh, rica Manhatan em chamas<br />
Pelos meus olhos<br />
Filtro teus decassílabos<br />
E danos,<br />
Eu ouço o que clamas,<br />
Seu sorriso capitalista<br />
Agora cariado<br />
Pelo fogo da incompreensão<br />
São tantas quedas<br />
E o tempo passando<br />
Cai o muro de Berlim<br />
Cai Hitler no caldeirão<br />
De um passado<br />
Hoje<br />
Ontem<br />
Outrora<br />
Um passado<br />
Já passado a limpo&#8230;<br />
Oh, eram gêmeas também<br />
As duas Alemanhas<br />
Hoje se beijam com a mesma boca.<br />
Caem estrelas atômicas<br />
Sobre o pálido céu do Japão<br />
Estrelas brancas e vermelhas<br />
Azuis, sorriem<br />
Um sorriso de pavor e alegria.<br />
Céus, por que tantas queda?<br />
E no Vietnã<br />
Quantos caíram na cova dos leões<br />
Como se fosse tudo aquilo<br />
Mais uma vez a estupidez de um Coliseu&#8230;<br />
Entre mortos com o mesmo golpe<br />
De faca<br />
De foice<br />
De machado<br />
De bala de canhão<br />
Entre tantos golpes no coração<br />
Já não sobraram homens<br />
Pra todas as mulheres<br />
Nem mulheres para todos nós.<br />
Onde estão os restos<br />
Dos corações dos poetas?<br />
Onde está a perna amputada<br />
De Rimbaud?<br />
Cadê seus 37 anos de poesia?<br />
Onde estou eu,<br />
No fogo cruzado<br />
Entre  produtor e produto<br />
Entre o cego que esmola<br />
E a esmola que se dá em vão<br />
Entre socialista e sanguinário<br />
Entre o poeta que se entrega<br />
A chuva como que se entrega<br />
Ao chicote do feitor,<br />
Entre o ódio  e a libido<br />
A doença e o comprimido<br />
Tudo isso em um mesmo copo<br />
De sangue e antibiótico.<br />
O que faço com a cerveja<br />
E a sede?<br />
O que faço com o vinho<br />
E a profecia?<br />
O que faço com a vodca<br />
E a poesia?<br />
O que faço com a água<br />
Mineral e a benta?<br />
O que faço com a água<br />
Que já é ardente?<br />
Céus, como está gelada<br />
Ela tem a faca<br />
E eu tenho uma noite toda<br />
Para morrer de sede<br />
De sono<br />
De tédio<br />
De medo<br />
De frio<br />
De pena<br />
De vergonha<br />
De ódio<br />
E apenas 27 anos<br />
Para engolir todas estas madrugadas<br />
Beber todas essas constelações<br />
(Vomitar cada uma das estrelas)<br />
Que sorriem no pálido<br />
Céu dos vícios dos homens&#8230;<br />
A circunferência da pupila<br />
Sorri de medo<br />
Medo de mim<br />
Medo da noite<br />
Da foice da morte<br />
Medo dos meus versos<br />
Medo do meu medo<br />
E do meu amor<br />
Medo de ver o tempo passar<br />
Ter que viver toda vida<br />
Em apenas uma semana&#8230;<br />
Oh, menina<br />
De olhos tão doces<br />
De olhos tão distantes<br />
De olhos tão límpidos<br />
E de olhos tristes demais<br />
De sorriso tão leve<br />
Oh, menina<br />
De olhar tão amargo<br />
De olhos de fel<br />
De olhos de carnificina<br />
De olhos incertos demais<br />
E sorriso tão denso.<br />
Me diga o porque.<br />
Por que choras<br />
Ao me ver sorrir?<br />
Ao ver cantar?<br />
Ao ver flertar?<br />
Ao me ter em seus braços?<br />
Sorri para ver meu pranto?<br />
Por que tantas dúvidas<br />
Em um único olhar?<br />
São tantas questões,<br />
Mas um poeta não precisa<br />
De suas respostas<br />
Eu conheço todas<br />
Decodifico todos os teus<br />
Códigos de barra<br />
Seus olhos já não me enganam<br />
Teu sorriso<br />
Aprendeu com as noites gastas<br />
Em vão<br />
Que é fácil descansar no  meu ombro<br />
Todas as tardes.<br />
Talvez eu te ame<br />
Ou de odeie<br />
Te deseje<br />
Teu sorriso<br />
Teus seios<br />
Teu ventre<br />
Teu sexo<br />
Teus olhos<br />
Teus olhares<br />
Teu toque<br />
Em um toque apenas<br />
Deseje tua nudez<br />
A claro da lua<br />
A luz do sol<br />
A sombra da noite<br />
Te quero, mas já não sei em que sentido<br />
Talvez como naquele<br />
Texto da Clarice Lispector<br />
Te deseje ao contrario<br />
Te deseje ao avesso<br />
Mas os meus olhos já se perdem no vazio<br />
De um livro vazio<br />
Tento preencher o vazio<br />
Do meu peito tão vazio&#8230;<br />
Nesse momento se eu fosse<br />
Leonardo, Paul ou Van Gougue<br />
Pintaria a luz apagada<br />
Deixada por teus passos<br />
Na penumbra das minhas retinas<br />
As sombras deixadas por teu caminhar<br />
Já tão cheio de pressa,<br />
Se fosse Caetano<br />
Diria que o quadro é lindo,<br />
Mas sou Édipo<br />
Sou minha própria Jocasta<br />
E por isso matarei Laio<br />
Por que é minha obrigação<br />
E para que a vida não deixe<br />
De ser um mito,<br />
Cuspirei<br />
Todos os meus dentes de ouro<br />
E enterrarei a todos em um sarcófago<br />
Qualquer onde não haja luz<br />
Nem paz<br />
Pois prefiro as noites<br />
As sombras, os olhos<br />
De gatuno escondido nos becos&#8230;<br />
Sou herdeiro de um poema morto<br />
Aborto<br />
Barco sem porto<br />
Arroto<br />
Poema enterrado na lama<br />
Na palma da minha mão<br />
Nas brasas do meu coração<br />
Um coração em chamas&#8230;<br />
Acredito na minha herança<br />
Acredito no karma<br />
Nos olhos que nada vem<br />
Alem do medo que tem de ver<br />
A si e  seus medos obscuros,<br />
Acredito que provarei o gosto<br />
Do gosto<br />
E dos desgosto<br />
E nada será em vão<br />
E mesmo assim serei vazio<br />
Herdei a fumaça<br />
E a carne mal passada<br />
Da geração coca-cola,<br />
Suas gripes<br />
Suas overdoses<br />
E o sabor doce mel e cru<br />
Do seu câncer sem data.<br />
Herdeiro de uma pátria<br />
Sem patriotas<br />
Só burgueses e patrícios<br />
Cães se dono<br />
Cães de guerra<br />
Cães sarnentos<br />
Cães e gatos que disputam um osso,<br />
E esse osso está em mim<br />
Soterrado em minha alma&#8230;<br />
Não direi mais um único palavrão,<br />
Oh, que bom, já sou um homem letrado<br />
E sonho escalar<br />
Todos os picos do mundo<br />
O cume da vida<br />
Todas as pirâmides do Egito<br />
Sustentar toda a Índia<br />
Sobre só um dos ombros&#8230;<br />
Oh, como sou pobre e<br />
Miserável de espírito<br />
E como sinto saudades<br />
Daquilo tudo que não conheci,<br />
Minha existência já não é um fato<br />
É meramente um fardo,<br />
Sou um soldado de chumbo<br />
Sem uma perna<br />
Um Rimbaud de chumbo<br />
Mas sem poesia e sem baioneta,<br />
Perco-me na aventura<br />
Mal resolvida  da vida&#8230;<br />
Chovam pedras a esmo,<br />
Caiam rosas<br />
Todas sobre minha cabeça<br />
Fora de mim<br />
Ao meu redor e por todos os cantos<br />
E de minha lápide<br />
De poeta faminto<br />
Que chovam verdades tortas<br />
Cruas e sãs<br />
Sobre meus cabelos<br />
Testados e reprovados<br />
Pelos olhos da multidão&#8230;<br />
A televisão no pátio<br />
Mostra um duelo antigo<br />
Uma guerra sem fim<br />
Sem data<br />
E sem vencedores<br />
Mostra os céticos<br />
Em sua peleja com os descrentes<br />
Em pleno Maracanã<br />
Um coliseu sem poesia<br />
Sem sangue<br />
Sem devoção<br />
Sem Cézar<br />
Dois times em pleno combate<br />
Gladiadores órfãos<br />
Que joguem<br />
Que matem<br />
Que morram<br />
Que chovam gotas de amor sobre meus ombros<br />
Cansados da vida,<br />
Que chovam rumores<br />
E vozes roucas<br />
Sobre meu olhar sem Deus<br />
E sem religião<br />
Sem santos<br />
Sem preces<br />
E sem albergados em noites mais frias que essa&#8230;<br />
Chovam corpos<br />
Livres e tatuados<br />
Caiam restos de cadáveres<br />
Sobre minhas sobrancelhas<br />
Que sobem e descem<br />
A cada verdade<br />
A cada mentira<br />
A cada truque de um mágico mambembe<br />
Chovam rosas vermelhas<br />
Brancas<br />
Rosas de todas as cores<br />
Um arco íris de pétalas<br />
Sobre as sombras de um velório<br />
Sem corpo exposto<br />
Sobre o  corpo do esposo<br />
Que se foi na chuva e ainda não voltou para a ceia<br />
Chovam moscas e insetos<br />
E chova chuva de verdade<br />
Sobre as estradas que me levam<br />
A coração da floresta<br />
Ao coração da mulher<br />
Que mora em uma floresta de dúvidas<br />
Por detrás  das muralhas da incerteza&#8230;<br />
Céus, como sou torpe<br />
Ao me banhar nestas águas<br />
De um sorriso<br />
Que frio chove sobre mim.<br />
Lindo é o sorriso<br />
Dos poetas que mentem<br />
Por qualquer propina<br />
Por qualquer centavo mal pago<br />
Qualquer canção desafinada<br />
E contrabandeiam versos de amor<br />
Mas não conhecem os atalhos<br />
Nem as estradas<br />
Que levam ao coração<br />
Um beijo<br />
Uma rosa<br />
A invenção da roda e da escrita<br />
Destruiu os bárbaros<br />
E criou os poetas<br />
Mas estes não entenderam o porque<br />
Não compreenderam os sinais<br />
Não desvendaram os mistérios<br />
Não souberam interpretar as cartas<br />
Os búzios<br />
As relíquias<br />
Os telegramas<br />
As runas<br />
Os mistérios da natureza<br />
E então apenas dançaram valsas<br />
Sob a lua<br />
E beberam o vinho que não deviam<br />
Vinho que seria servido noutro banquete<br />
E vomitaram vômitos de homem&#8230;<br />
Céus, por que o tempo inventou os homens?<br />
E por que os homens inventaram<br />
O amor<br />
A guerra?<br />
O que é a guerra, meu Deus?<br />
O que é o amor, meu Deus?<br />
Meus Deus, pra onde devo ir?<br />
O rei está nu<br />
E é proibido o roque<br />
O bote<br />
O trote<br />
Pois é o rei um escroque<br />
Então, cheque mate!<br />
Mas por mais que se mate<br />
Sempre haverá um rei de pé,<br />
Pisando sobre as chagas de seu povo<br />
E esse povo será órfão<br />
E o rei<br />
Os bispos<br />
A rainha<br />
E seus peões<br />
Lacaios sem patrão<br />
Montados em seus cavalos<br />
Seu tabuleiro se chamará vida<br />
E o ultimo lance será do Tempo<br />
Ultimo gambito<br />
Ultima abertura<br />
Ultima estrofe<br />
Ultimo lance que será eterno<br />
Será tudo o que o rei espera<br />
Quando o rei cair<br />
Esmagará seu povo<br />
Mas o povo perdoará seu rei,<br />
Por que ele é único<br />
E assim será até o amanhecer&#8230;.<br />
A noite espera a queda da<br />
Torre de Piza<br />
Da torre Enfeou<br />
Da muralha da China<br />
Do cristo Redentor<br />
E de tantas outras coisas inúteis e abstratas<br />
Os olhos espreitam<br />
Os ouvidos ouvem murmúrios<br />
As bocas não mais se procuram<br />
Se sim murmuram<br />
E a torre não cai<br />
Nada cai<br />
Nenhum gota de chuva<br />
Nenhuma pétala de rosa<br />
Nenhum satélite russo<br />
Nenhum caça americano<br />
Nenhum avião da TAM<br />
Apenas a noite é quem cai<br />
A noite chove<br />
Sua penumbra sobre as almas tristes<br />
A noite sorri com olhos e com dentes<br />
Ouço rock como nunca<br />
Ouvirei em outra madrugada<br />
Passarei todas as noites<br />
Sonhando com uma poesia sem pudor<br />
Sonharei sonhos secretos,<br />
Muitos<br />
Vários<br />
Diferentes<br />
Singelos<br />
Torpes<br />
Obscenos<br />
Puros<br />
Contagiosos<br />
Diria infinitos sonhos em uma única noite<br />
Distorcidos<br />
Distraídos<br />
Desmedidos<br />
Destemidos<br />
Desordenados<br />
Disparatados<br />
Dementes<br />
Demorados<br />
Demasiado turvos para meus olhos<br />
Centenas deles bonitos<br />
Bobos<br />
Breves<br />
Sonharei com arrepios<br />
Acordarei muitas vezes<br />
Gritando um certo nome<br />
E tendo muita fome<br />
Muita sede<br />
E ainda mais sono<br />
Céus, como vou dormir<br />
Nos cabelos<br />
Nos lábios de<br />
Diva<br />
Helena<br />
Iracema<br />
Clarissa<br />
Ana Karenina<br />
Ema Bovary<br />
Tantas musas e deusas<br />
Camponesas e burguesas<br />
E por todos os sonhos<br />
Que a vida me furtou&#8230;<br />
As pedras estão vivas<br />
As perdas estão intactas<br />
A água corre entre as margens dos rios<br />
As águas se perdem no sonho de serem pedras<br />
E vomitar décadas<br />
E placas tectônicas<br />
E o tétano amarelado<br />
De muitas e muitas eras<br />
Os rios são veias<br />
Chorando o sangue dos homens<br />
Chorando as dores dos<br />
Muitos partos ao longo dos tempos&#8230;<br />
Meus cabelos estão fartos<br />
A histeria da via<br />
Por isso se entregam a correnteza<br />
E descem rio  a baixo<br />
Mar a dentro<br />
Vida a fora<br />
E jamais desaguaram no oceano&#8230;<br />
Vejam a pobre Joana D’Arc<br />
Lutando  contra os ingleses<br />
19 anos<br />
Em sua armadura<br />
Com sua espada<br />
Com sua lança<br />
Com seu himem intacto<br />
Céus, como somos hipócritas<br />
Ela acreditava em Deus e por isso foi queimada<br />
Cinco séculos depois a tiraram do forno<br />
A serviram na ceia<br />
Céus, como somos hilários<br />
Ela já não existia e por isso foi canonizada<br />
Pela janela a vejo<br />
À frente de seu exercito<br />
E tudo se vai<br />
E tudo se foi<br />
Com o advento do controle remoto<br />
No entanto ainda somos os mesmos<br />
Vermes de sempre<br />
Devoramos toda a carne exposta<br />
Seja ela de barro<br />
Ou de ouro com brilhantes<br />
O relógio marca<br />
A hora do almoço<br />
A santa hora dos vermes<br />
Que comem a vida<br />
E brindam o dia da morte&#8230;<br />
Noite a dentro<br />
O vomito e o asco de mim mesmo<br />
E de meus inventos<br />
Meus rebentos poéticos<br />
Devoro sílabas temperadas com<br />
Sal<br />
Cal<br />
Sereno  e<br />
Sacrilégio<br />
E as lágrimas já são doces<br />
De tanta insistência<br />
Quando brinco sou mistério<br />
Quando falo sério<br />
Simplesmente não sou<br />
Não estou<br />
Sonho com uma barraca<br />
Pode ser de lona<br />
E uma mochila<br />
Tudo em uma enorme estrada<br />
Que vai do nada ao nada<br />
Mas acordo<br />
E o nada está aqui<br />
Ao meu redor<br />
Dentro de mim<br />
Vazando dos meus olhos<br />
Correndo por minhas veias<br />
Dançando ao meu redor<br />
Saltando por sobre minha cabeça<br />
Um nada imutável<br />
Tudo imutável<br />
Ao meu redor<br />
Meus amigos são estéreis<br />
Minhas amigas são todas frigidas<br />
E todo o nosso tesão<br />
Morreu na primeira curva<br />
Somos todos doces<br />
Doces demais<br />
Céus, como somos doces,<br />
Principalmente eu<br />
Somos todos fracos<br />
Fracos demais<br />
Eu mais do que ninguém<br />
Somos loucos<br />
Loucos demais<br />
Mas estamos vivos<br />
Céus, e como estamos vivos.<br />
Como e nossa vida?<br />
Ora, que pergunta!<br />
Batalhamos por bebida<br />
Na porta das igrejas<br />
Comemos o que?<br />
Ora, que pergunta!<br />
Buscamos alimento nas portas das bibliotecas.<br />
Todas as noites sonhamos<br />
Com sorrisos de verdade<br />
Sonhamos sonhos de criança<br />
Céus, como somos inocentes<br />
Inocentes demais<br />
Principalmente eu&#8230;<br />
Passaram-se os dias<br />
De furiosas tormentas<br />
Mas ainda preciso<br />
Fazer um poema<br />
E lavar  o meu prato&#8230;<br />
Se Platão estava certo<br />
O tempo não passou<br />
E eu sou o mesmo<br />
De uma hora atrás<br />
Se ele estiver certo<br />
Eu estou redondo e enganado,<br />
Não estou mais aqui<br />
Nem acolá<br />
Nem agora<br />
Nem nunca mais<br />
Mas neste momento nada importa<br />
Se meu pulmão está certo<br />
Ainda respiro ar<br />
Ainda pressinto o ar<br />
Ainda necessito de ar<br />
E meu estomago logo mais<br />
Gritará por qualquer coisa<br />
E meu coração ainda bate<br />
Por que se eu estiver errado,<br />
Mesmo assim ainda estarei vivo&#8230;<br />
Do outro lado do Equador<br />
Os ralos<br />
As latrinas<br />
Os loucos<br />
Os solitários<br />
As ratazanas<br />
Os boçais<br />
Coitados, não são mais os mesmos<br />
Não sorriem<br />
Seu sorriso<br />
É deste lado<br />
A linha do Equador é logo ali<br />
Na palma da minha mão<br />
Se confunde com a linha da vida<br />
Com a linha do destino<br />
Pois a vida é uma rua de mão dupla<br />
E nada disso impede<br />
Que eu seja sugado por um enorme ralo<br />
Girando<br />
Um fuso horário confuso<br />
E me vendo<br />
Por quase nada<br />
O dólar<br />
O euro<br />
O real<br />
O ien<br />
Já não me compram<br />
Pois não me vendo a esta hora<br />
Somente ao anoitecer<br />
E tenho sido tupi guarani<br />
Até as raízes dos cabelos&#8230;.<br />
Sou, por hora, por ainda agora,<br />
Por mais algumas estrofes,<br />
Um monossílabo tônico<br />
E minha garganta<br />
Se surpreende<br />
Vendo os homens grunhirem<br />
Seus versos imorais<br />
Toda a lascívia verbal<br />
Danifica meu ego<br />
De (suposta por todos<br />
E até por mim mesmo)<br />
Pureza intocada<br />
É assim que defendo<br />
Minha poesia<br />
Como única<br />
Entre todas as que são únicas<br />
E como José Paulo Paes<br />
A minha rua também é curta&#8230;<br />
Sinto uma saudade<br />
Tão grande dos versos<br />
De tempos atrás<br />
Céus, eles eram sinceros<br />
Eram a verdade<br />
Meus versos de hoje  são míopes<br />
Não enxergam um palmo<br />
A frente do nariz<br />
E além do  mais<br />
São  politicamente incorretos<br />
A esta hora da madrugada<br />
Já sucumbem ao licor<br />
A aspirina<br />
A cafeína<br />
Uma grande nuance de tônicas<br />
E águas tônicas<br />
Pobres de meus versos<br />
Que já não podem voar<br />
Além de sua própria miopia<br />
Seus músculos são pobres<br />
Seus nervos cansados<br />
Todo seu corpo<br />
Seu verso<br />
Cada estrofe<br />
Tudo está flácido<br />
Está morto<br />
E já devo dar a mão<br />
Com alguém que ainda não chegou<br />
E juntos ir até o velório<br />
Que ainda não começou<br />
Assim como meus versos<br />
Estou desnutrido<br />
De fé e de inspiração<br />
Ambos morremos junto<br />
Carregamos um fardo<br />
Que não é nosso de fato.<br />
A lei áurea não nos libertou<br />
E ainda vivemos, eu e meu verso<br />
Mais antigo,<br />
Com grilhões<br />
atados a consciência&#8230;.<br />
ou serei eu cego?<br />
O último dos crédulos?</p>
<p>Meus ouvidos estão ocupados<br />
Entorpecidos por um rock<br />
Em baixa voltagem,<br />
Rimbaud passeia pela sala<br />
E está no colo das pessoas.<br />
E mais tarde<br />
Sem rock<br />
Surfarei versos franceses,<br />
Ouvirei o tumultuo<br />
Mudo de um túmulo,<br />
Serei bucólico<br />
Como Augusto dos Anjos,<br />
Vomitarei uma poesia ácida<br />
Nos fracos<br />
Flancos do asfalto<br />
De piche e ouro barroco<br />
Como Gregório de Mattos,<br />
Poesia; minha foto<br />
Seus fatos são meus olhos<br />
Olhos que ficam na história,<br />
Esquecidos pelos caminhos,<br />
Não amarei<br />
E muito menos espancarei<br />
O também belo Verlaine&#8230;.<br />
Socorro, socorram-me!<br />
Os meus poros<br />
Hoje, são poucos para tamanha<br />
Acidez da vida,<br />
Enquanto derrubam as gêmeas<br />
Sem mãe<br />
Pobres torres,<br />
Oh, rica Manhatan em chamas<br />
Pelos meus olhos<br />
Filtro teus decassílabos<br />
E danos,<br />
Eu ouço o que clamas,<br />
Seu sorriso capitalista<br />
Agora cariado<br />
Pelo fogo da incompreensão<br />
São tantas quedas<br />
E o tempo passando<br />
Cai o muro de Berlim<br />
Cai Hitler no caldeirão<br />
De um passado<br />
Hoje<br />
Ontem<br />
Outrora<br />
Um passado<br />
Já passado a limpo&#8230;<br />
Oh, eram gêmeas também<br />
As duas Alemanhas<br />
Hoje se beijam com a mesma boca.<br />
Caem estrelas atômicas<br />
Sobre o pálido céu do Japão<br />
Estrelas brancas e vermelhas<br />
Azuis, sorriem<br />
Um sorriso de pavor e alegria.<br />
Céus, por que tantas queda?<br />
E no Vietnã<br />
Quantos caíram na cova dos leões<br />
Como se fosse tudo aquilo<br />
Mais uma vez a estupidez de um Coliseu&#8230;<br />
Entre mortos com o mesmo golpe<br />
De faca<br />
De foice<br />
De machado<br />
De bala de canhão<br />
Entre tantos golpes no coração<br />
Já não sobraram homens<br />
Pra todas as mulheres<br />
Nem mulheres para todos nós.<br />
Onde estão os restos<br />
Dos corações dos poetas?<br />
Onde está a perna amputada<br />
De Rimbaud?<br />
Cadê seus 37 anos de poesia?<br />
Onde estou eu,<br />
No fogo cruzado<br />
Entre  produtor e produto<br />
Entre o cego que esmola<br />
E a esmola que se dá em vão<br />
Entre socialista e sanguinário<br />
Entre o poeta que se entrega<br />
A chuva como que se entrega<br />
Ao chicote do feitor,<br />
Entre o ódio  e a libido<br />
A doença e o comprimido<br />
Tudo isso em um mesmo copo<br />
De sangue e antibiótico.<br />
O que faço com a cerveja<br />
E a sede?<br />
O que faço com o vinho<br />
E a profecia?<br />
O que faço com a vodca<br />
E a poesia?<br />
O que faço com a água<br />
Mineral e a benta?<br />
O que faço com a água<br />
Que já é ardente?<br />
Céus, como está gelada<br />
Ela tem a faca<br />
E eu tenho uma noite toda<br />
Para morrer de sede<br />
De sono<br />
De tédio<br />
De medo<br />
De frio<br />
De pena<br />
De vergonha<br />
De ódio<br />
E apenas 27 anos<br />
Para engolir todas estas madrugadas<br />
Beber todas essas constelações<br />
(Vomitar cada uma das estrelas)<br />
Que sorriem no pálido<br />
Céu dos vícios dos homens&#8230;<br />
A circunferência da pupila<br />
Sorri de medo<br />
Medo de mim<br />
Medo da noite<br />
Da foice da morte<br />
Medo dos meus versos<br />
Medo do meu medo<br />
E do meu amor<br />
Medo de ver o tempo passar<br />
Ter que viver toda vida<br />
Em apenas uma semana&#8230;<br />
Oh, menina<br />
De olhos tão doces<br />
De olhos tão distantes<br />
De olhos tão límpidos<br />
E de olhos tristes demais<br />
De sorriso tão leve<br />
Oh, menina<br />
De olhar tão amargo<br />
De olhos de fel<br />
De olhos de carnificina<br />
De olhos incertos demais<br />
E sorriso tão denso.<br />
Me diga o porque.<br />
Por que choras<br />
Ao me ver sorrir?<br />
Ao ver cantar?<br />
Ao ver flertar?<br />
Ao me ter em seus braços?<br />
Sorri para ver meu pranto?<br />
Por que tantas dúvidas<br />
Em um único olhar?<br />
São tantas questões,<br />
Mas um poeta não precisa<br />
De suas respostas<br />
Eu conheço todas<br />
Decodifico todos os teus<br />
Códigos de barra<br />
Seus olhos já não me enganam<br />
Teu sorriso<br />
Aprendeu com as noites gastas<br />
Em vão<br />
Que é fácil descansar no  meu ombro<br />
Todas as tardes.<br />
Talvez eu te ame<br />
Ou de odeie<br />
Te deseje<br />
Teu sorriso<br />
Teus seios<br />
Teu ventre<br />
Teu sexo<br />
Teus olhos<br />
Teus olhares<br />
Teu toque<br />
Em um toque apenas<br />
Deseje tua nudez<br />
A claro da lua<br />
A luz do sol<br />
A sombra da noite<br />
Te quero, mas já não sei em que sentido<br />
Talvez como naquele<br />
Texto da Clarice Lispector<br />
Te deseje ao contrario<br />
Te deseje ao avesso<br />
Mas os meus olhos já se perdem no vazio<br />
De um livro vazio<br />
Tento preencher o vazio<br />
Do meu peito tão vazio&#8230;<br />
Nesse momento se eu fosse<br />
Leonardo, Paul ou Van Gougue<br />
Pintaria a luz apagada<br />
Deixada por teus passos<br />
Na penumbra das minhas retinas<br />
As sombras deixadas por teu caminhar<br />
Já tão cheio de pressa,<br />
Se fosse Caetano<br />
Diria que o quadro é lindo,<br />
Mas sou Édipo<br />
Sou minha própria Jocasta<br />
E por isso matarei Laio<br />
Por que é minha obrigação<br />
E para que a vida não deixe<br />
De ser um mito,<br />
Cuspirei<br />
Todos os meus dentes de ouro<br />
E enterrarei a todos em um sarcófago<br />
Qualquer onde não haja luz<br />
Nem paz<br />
Pois prefiro as noites<br />
As sombras, os olhos<br />
De gatuno escondido nos becos&#8230;<br />
Sou herdeiro de um poema morto<br />
Aborto<br />
Barco sem porto<br />
Arroto<br />
Poema enterrado na lama<br />
Na palma da minha mão<br />
Nas brasas do meu coração<br />
Um coração em chamas&#8230;<br />
Acredito na minha herança<br />
Acredito no karma<br />
Nos olhos que nada vem<br />
Alem do medo que tem de ver<br />
A si e  seus medos obscuros,<br />
Acredito que provarei o gosto<br />
Do gosto<br />
E dos desgosto<br />
E nada será em vão<br />
E mesmo assim serei vazio<br />
Herdei a fumaça<br />
E a carne mal passada<br />
Da geração coca-cola,<br />
Suas gripes<br />
Suas overdoses<br />
E o sabor doce mel e cru<br />
Do seu câncer sem data.<br />
Herdeiro de uma pátria<br />
Sem patriotas<br />
Só burgueses e patrícios<br />
Cães se dono<br />
Cães de guerra<br />
Cães sarnentos<br />
Cães e gatos que disputam um osso,<br />
E esse osso está em mim<br />
Soterrado em minha alma&#8230;<br />
Não direi mais um único palavrão,<br />
Oh, que bom, já sou um homem letrado<br />
E sonho escalar<br />
Todos os picos do mundo<br />
O cume da vida<br />
Todas as pirâmides do Egito<br />
Sustentar toda a Índia<br />
Sobre só um dos ombros&#8230;<br />
Oh, como sou pobre e<br />
Miserável de espírito<br />
E como sinto saudades<br />
Daquilo tudo que não conheci,<br />
Minha existência já não é um fato<br />
É meramente um fardo,<br />
Sou um soldado de chumbo<br />
Sem uma perna<br />
Um Rimbaud de chumbo<br />
Mas sem poesia e sem baioneta,<br />
Perco-me na aventura<br />
Mal resolvida  da vida&#8230;<br />
Chovam pedras a esmo,<br />
Caiam rosas<br />
Todas sobre minha cabeça<br />
Fora de mim<br />
Ao meu redor e por todos os cantos<br />
E de minha lápide<br />
De poeta faminto<br />
Que chovam verdades tortas<br />
Cruas e sãs<br />
Sobre meus cabelos<br />
Testados e reprovados<br />
Pelos olhos da multidão&#8230;<br />
A televisão no pátio<br />
Mostra um duelo antigo<br />
Uma guerra sem fim<br />
Sem data<br />
E sem vencedores<br />
Mostra os céticos<br />
Em sua peleja com os descrentes<br />
Em pleno Maracanã<br />
Um coliseu sem poesia<br />
Sem sangue<br />
Sem devoção<br />
Sem Cézar<br />
Dois times em pleno combate<br />
Gladiadores órfãos<br />
Que joguem<br />
Que matem<br />
Que morram<br />
Que chovam gotas de amor sobre meus ombros<br />
Cansados da vida,<br />
Que chovam rumores<br />
E vozes roucas<br />
Sobre meu olhar sem Deus<br />
E sem religião<br />
Sem santos<br />
Sem preces<br />
E sem albergados em noites mais frias que essa&#8230;<br />
Chovam corpos<br />
Livres e tatuados<br />
Caiam restos de cadáveres<br />
Sobre minhas sobrancelhas<br />
Que sobem e descem<br />
A cada verdade<br />
A cada mentira<br />
A cada truque de um mágico mambembe<br />
Chovam rosas vermelhas<br />
Brancas<br />
Rosas de todas as cores<br />
Um arco íris de pétalas<br />
Sobre as sombras de um velório<br />
Sem corpo exposto<br />
Sobre o  corpo do esposo<br />
Que se foi na chuva e ainda não voltou para a ceia<br />
Chovam moscas e insetos<br />
E chova chuva de verdade<br />
Sobre as estradas que me levam<br />
A coração da floresta<br />
Ao coração da mulher<br />
Que mora em uma floresta de dúvidas<br />
Por detrás  das muralhas da incerteza&#8230;<br />
Céus, como sou torpe<br />
Ao me banhar nestas águas<br />
De um sorriso<br />
Que frio chove sobre mim.<br />
Lindo é o sorriso<br />
Dos poetas que mentem<br />
Por qualquer propina<br />
Por qualquer centavo mal pago<br />
Qualquer canção desafinada<br />
E contrabandeiam versos de amor<br />
Mas não conhecem os atalhos<br />
Nem as estradas<br />
Que levam ao coração<br />
Um beijo<br />
Uma rosa<br />
A invenção da roda e da escrita<br />
Destruiu os bárbaros<br />
E criou os poetas<br />
Mas estes não entenderam o porque<br />
Não compreenderam os sinais<br />
Não desvendaram os mistérios<br />
Não souberam interpretar as cartas<br />
Os búzios<br />
As relíquias<br />
Os telegramas<br />
As runas<br />
Os mistérios da natureza<br />
E então apenas dançaram valsas<br />
Sob a lua<br />
E beberam o vinho que não deviam<br />
Vinho que seria servido noutro banquete<br />
E vomitaram vômitos de homem&#8230;<br />
Céus, por que o tempo inventou os homens?<br />
E por que os homens inventaram<br />
O amor<br />
A guerra?<br />
O que é a guerra, meu Deus?<br />
O que é o amor, meu Deus?<br />
Meus Deus, pra onde devo ir?<br />
O rei está nu<br />
E é proibido o roque<br />
O bote<br />
O trote<br />
Pois é o rei um escroque<br />
Então, cheque mate!<br />
Mas por mais que se mate<br />
Sempre haverá um rei de pé,<br />
Pisando sobre as chagas de seu povo<br />
E esse povo será órfão<br />
E o rei<br />
Os bispos<br />
A rainha<br />
E seus peões<br />
Lacaios sem patrão<br />
Montados em seus cavalos<br />
Seu tabuleiro se chamará vida<br />
E o ultimo lance será do Tempo<br />
Ultimo gambito<br />
Ultima abertura<br />
Ultima estrofe<br />
Ultimo lance que será eterno<br />
Será tudo o que o rei espera<br />
Quando o rei cair<br />
Esmagará seu povo<br />
Mas o povo perdoará seu rei,<br />
Por que ele é único<br />
E assim será até o amanhecer&#8230;.<br />
A noite espera a queda da<br />
Torre de Piza<br />
Da torre Enfeou<br />
Da muralha da China<br />
Do cristo Redentor<br />
E de tantas outras coisas inúteis e abstratas<br />
Os olhos espreitam<br />
Os ouvidos ouvem murmúrios<br />
As bocas não mais se procuram<br />
Se sim murmuram<br />
E a torre não cai<br />
Nada cai<br />
Nenhum gota de chuva<br />
Nenhuma pétala de rosa<br />
Nenhum satélite russo<br />
Nenhum caça americano<br />
Nenhum avião da TAM<br />
Apenas a noite é quem cai<br />
A noite chove<br />
Sua penumbra sobre as almas tristes<br />
A noite sorri com olhos e com dentes<br />
Ouço rock como nunca<br />
Ouvirei em outra madrugada<br />
Passarei todas as noites<br />
Sonhando com uma poesia sem pudor<br />
Sonharei sonhos secretos,<br />
Muitos<br />
Vários<br />
Diferentes<br />
Singelos<br />
Torpes<br />
Obscenos<br />
Puros<br />
Contagiosos<br />
Diria infinitos sonhos em uma única noite<br />
Distorcidos<br />
Distraídos<br />
Desmedidos<br />
Destemidos<br />
Desordenados<br />
Disparatados<br />
Dementes<br />
Demorados<br />
Demasiado turvos para meus olhos<br />
Centenas deles bonitos<br />
Bobos<br />
Breves<br />
Sonharei com arrepios<br />
Acordarei muitas vezes<br />
Gritando um certo nome<br />
E tendo muita fome<br />
Muita sede<br />
E ainda mais sono<br />
Céus, como vou dormir<br />
Nos cabelos<br />
Nos lábios de<br />
Diva<br />
Helena<br />
Iracema<br />
Clarissa<br />
Ana Karenina<br />
Ema Bovary<br />
Tantas musas e deusas<br />
Camponesas e burguesas<br />
E por todos os sonhos<br />
Que a vida me furtou&#8230;<br />
As pedras estão vivas<br />
As perdas estão intactas<br />
A água corre entre as margens dos rios<br />
As águas se perdem no sonho de serem pedras<br />
E vomitar décadas<br />
E placas tectônicas<br />
E o tétano amarelado<br />
De muitas e muitas eras<br />
Os rios são veias<br />
Chorando o sangue dos homens<br />
Chorando as dores dos<br />
Muitos partos ao longo dos tempos&#8230;<br />
Meus cabelos estão fartos<br />
A histeria da via<br />
Por isso se entregam a correnteza<br />
E descem rio  a baixo<br />
Mar a dentro<br />
Vida a fora<br />
E jamais desaguaram no oceano&#8230;<br />
Vejam a pobre Joana D’Arc<br />
Lutando  contra os ingleses<br />
19 anos<br />
Em sua armadura<br />
Com sua espada<br />
Com sua lança<br />
Com seu himem intacto<br />
Céus, como somos hipócritas<br />
Ela acreditava em Deus e por isso foi queimada<br />
Cinco séculos depois a tiraram do forno<br />
A serviram na ceia<br />
Céus, como somos hilários<br />
Ela já não existia e por isso foi canonizada<br />
Pela janela a vejo<br />
À frente de seu exercito<br />
E tudo se vai<br />
E tudo se foi<br />
Com o advento do controle remoto<br />
No entanto ainda somos os mesmos<br />
Vermes de sempre<br />
Devoramos toda a carne exposta<br />
Seja ela de barro<br />
Ou de ouro com brilhantes<br />
O relógio marca<br />
A hora do almoço<br />
A santa hora dos vermes<br />
Que comem a vida<br />
E brindam o dia da morte&#8230;<br />
Noite a dentro<br />
O vomito e o asco de mim mesmo<br />
E de meus inventos<br />
Meus rebentos poéticos<br />
Devoro sílabas temperadas com<br />
Sal<br />
Cal<br />
Sereno  e<br />
Sacrilégio<br />
E as lágrimas já são doces<br />
De tanta insistência<br />
Quando brinco sou mistério<br />
Quando falo sério<br />
Simplesmente não sou<br />
Não estou<br />
Sonho com uma barraca<br />
Pode ser de lona<br />
E uma mochila<br />
Tudo em uma enorme estrada<br />
Que vai do nada ao nada<br />
Mas acordo<br />
E o nada está aqui<br />
Ao meu redor<br />
Dentro de mim<br />
Vazando dos meus olhos<br />
Correndo por minhas veias<br />
Dançando ao meu redor<br />
Saltando por sobre minha cabeça<br />
Um nada imutável<br />
Tudo imutável<br />
Ao meu redor<br />
Meus amigos são estéreis<br />
Minhas amigas são todas frigidas<br />
E todo o nosso tesão<br />
Morreu na primeira curva<br />
Somos todos doces<br />
Doces demais<br />
Céus, como somos doces,<br />
Principalmente eu<br />
Somos todos fracos<br />
Fracos demais<br />
Eu mais do que ninguém<br />
Somos loucos<br />
Loucos demais<br />
Mas estamos vivos<br />
Céus, e como estamos vivos.<br />
Como e nossa vida?<br />
Ora, que pergunta!<br />
Batalhamos por bebida<br />
Na porta das igrejas<br />
Comemos o que?<br />
Ora, que pergunta!<br />
Buscamos alimento nas portas das bibliotecas.<br />
Todas as noites sonhamos<br />
Com sorrisos de verdade<br />
Sonhamos sonhos de criança<br />
Céus, como somos inocentes<br />
Inocentes demais<br />
Principalmente eu&#8230;<br />
Passaram-se os dias<br />
De furiosas tormentas<br />
Mas ainda preciso<br />
Fazer um poema<br />
E lavar  o meu prato&#8230;<br />
Se Platão estava certo<br />
O tempo não passou<br />
E eu sou o mesmo<br />
De uma hora atrás<br />
Se ele estiver certo<br />
Eu estou redondo e enganado,<br />
Não estou mais aqui<br />
Nem acolá<br />
Nem agora<br />
Nem nunca mais<br />
Mas neste momento nada importa<br />
Se meu pulmão está certo<br />
Ainda respiro ar<br />
Ainda pressinto o ar<br />
Ainda necessito de ar<br />
E meu estomago logo mais<br />
Gritará por qualquer coisa<br />
E meu coração ainda bate<br />
Por que se eu estiver errado,<br />
Mesmo assim ainda estarei vivo&#8230;<br />
Do outro lado do Equador<br />
Os ralos<br />
As latrinas<br />
Os loucos<br />
Os solitários<br />
As ratazanas<br />
Os boçais<br />
Coitados, não são mais os mesmos<br />
Não sorriem<br />
Seu sorriso<br />
É deste lado<br />
A linha do Equador é logo ali<br />
Na palma da minha mão<br />
Se confunde com a linha da vida<br />
Com a linha do destino<br />
Pois a vida é uma rua de mão dupla<br />
E nada disso impede<br />
Que eu seja sugado por um enorme ralo<br />
Girando<br />
Um fuso horário confuso<br />
E me vendo<br />
Por quase nada<br />
O dólar<br />
O euro<br />
O real<br />
O ien<br />
Já não me compram<br />
Pois não me vendo a esta hora<br />
Somente ao anoitecer<br />
E tenho sido tupi guarani<br />
Até as raízes dos cabelos&#8230;.<br />
Sou, por hora, por ainda agora,<br />
Por mais algumas estrofes,<br />
Um monossílabo tônico<br />
E minha garganta<br />
Se surpreende<br />
Vendo os homens grunhirem<br />
Seus versos imorais<br />
Toda a lascívia verbal<br />
Danifica meu ego<br />
De (suposta por todos<br />
E até por mim mesmo)<br />
Pureza intocada<br />
É assim que defendo<br />
Minha poesia<br />
Como única<br />
Entre todas as que são únicas<br />
E como José Paulo Paes<br />
A minha rua também é curta&#8230;<br />
Sinto uma saudade<br />
Tão grande dos versos<br />
De tempos atrás<br />
Céus, eles eram sinceros<br />
Eram a verdade<br />
Meus versos de hoje  são míopes<br />
Não enxergam um palmo<br />
A frente do nariz<br />
E além do  mais<br />
São  politicamente incorretos<br />
A esta hora da madrugada<br />
Já sucumbem ao licor<br />
A aspirina<br />
A cafeína<br />
Uma grande nuance de tônicas<br />
E águas tônicas<br />
Pobres de meus versos<br />
Que já não podem voar<br />
Além de sua própria miopia<br />
Seus músculos são pobres<br />
Seus nervos cansados<br />
Todo seu corpo<br />
Seu verso<br />
Cada estrofe<br />
Tudo está flácido<br />
Está morto<br />
E já devo dar a mão<br />
Com alguém que ainda não chegou<br />
E juntos ir até o velório<br />
Que ainda não começou<br />
Assim como meus versos<br />
Estou desnutrido<br />
De fé e de inspiração<br />
Ambos morremos junto<br />
Carregamos um fardo<br />
Que não é nosso de fato.<br />
A lei áurea não nos libertou<br />
E ainda vivemos, eu e meu verso<br />
Mais antigo,<br />
Com grilhões<br />
atados a consciência&#8230;.<br />
ou serei eu cego?<br />
O último dos crédulos?</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/66/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/66/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/66/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=66&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Crônica em alemão</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/11/cronica-em-alemao/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/11/cronica-em-alemao/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 11 Jan 2008 15:12:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Ob nicht natur zuletzt sich doch ergrund? Antes que os mais afoitos me mandem calar a boca, é preciso esclarecer que também não morro de amores por Goethe, sua obra me cansa, no entanto não deixa de me encantar. O alemão não é uma das línguas que falo, alias, não falo língua alguma além da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=65&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ob nicht natur zuletzt sich doch ergrund? Antes que os mais afoitos me mandem calar a boca, é preciso esclarecer que também não morro de amores por Goethe, sua obra me cansa, no entanto não deixa de me encantar. O alemão não é uma das línguas que falo, alias, não falo língua alguma além da nativa, que nem nativa é já que é herança do colonizador. Sei, entendo essa vontade de me mandar para o inferno com Goethe ou sem ele. Mas hão de convir comigo que o alemão é uma língua usada por aqueles que adoram complicar coisas simples, como é alias, na maioria das vezes, o meu caso. Sendo assim preciso aprender alemão. Comecei essa crônica, sim pasmem isso é uma crônica, com uma idéia vaga que já não me recordo, era um pensamento todo em alemão e como já sabem não fala palavra alguma em tal língua, sendo assim, a crônica está perdida. Será? Já disseram que só é possível filosofar em alemão, no entanto não estou filosofando estou escrevendo uma crônica, isso me dá outros recursos. Por que terei começado citando Goethe? Como assim, quem é Goethe? Não me diga que nunca ouviu falar. Ah, também não fala alemão. Coincidência. Ora como não é coincidência? Ah, sim, ignorância? Não é bem assim. Vejamos por um outro lado, acredito eu, e essa crença faz de mim um dos últimos otimistas do mundo, creio que tudo pode ser visto por outro lado. Se não acreditasse não poderia fazer uma crônica começada com Goethe? Ou poderia? A crônica é um exercício difícil, não tão difícil quanto fazer duas mil flexões ou duas mil abdominais, mas mesmo assim é difícil, fico suado, as costas doem, os olhos ardem. Culpa da cadeira desconfortável e do computador antigo, diriam os fatalistas, mas não digo isso, afinal sou um otimista, e nestas horas me alegro por isso. Onde eu estava mesmo? Sim, Goethe. Pois é menino. Ele foi um escritor alemão, por isso falava alemão. É preciso deixar claro isso, já que é informação de muita relevância para esta crônica. Tenho pensado em Goethe nos últimos dias, antes de dormir, antes de comer, tenho imaginado seus personagens ao meu redor. Ainda bem que é Goethe e não Balzac, senão eu não conseguiria me mover com tantos personagens. Mas tenho pensado em Fausto, às vezes em Werther, e eles tem me tirado o sono, não entendo o que querem me dizer, haja visto que não falo alemão. Mas eles insistem em sussurrar palavras guturais aos meus ouvidos através das capas dos livros que não acabei de ler. Não consegui ler Goethe, e isso não é o fim do mundo, não conheço ninguém que tenha conseguido, coincidência ou não, não conheço, também, ninguém que fale alemão. Chegamos a conclusão obvia, o grande vilão dessa crônica e o tal do alemão. Antes que os mais desavisados se assustem devo esclarecer, que o dito cujo em questão não é aquele fortão do Big Brother Brasil, isso mesmo não é aquele cara que ficou milionário fazendo caras e bocas. Sim o alemão, língua falada na Alemanha principalmente, terra de Goethe. Goethe é culpado, diriam, seja qual for a acusação. Culpado do mal do século? Não digo que sim, mas também não digo que não, prefiro deixar essa responsabilidade para alguém mais gabaritado, que pelo menos fale alemão, mesmo que apenas algumas frases. Mas o alemão tem outras formas mais inteligíveis, por exemplo a musica alemã, você não precisa falar alemão para poder gostar de Wagner, ou Beethoven, ou Chopin, e por ai afora, a musica alemã fala uma língua universal, que graças a Deus não é o alemão, senão a musica seria cacofonica nos meus ouvidos, a linguagem d beleza, da harmonia, da perfeita combinação de ressonâncias e nada em alemão, o que é o melhor. Mas o leitor deve estar perguntando onde que entra Goethe em toda essa história. Bem, ele não entra, ele já se foi, morreu, virou pó, o tempo devorou, o que restou foi sua obra, que felizmente já foi traduzida, por que Goethe já e difícil de se ler, imagina então em Alemão.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/65/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/65/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/65/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=65&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Indepedência ou morte?</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/11/indepedencia-ou-morte/</link>
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		<pubDate>Fri, 11 Jan 2008 11:40:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Toda essa maresia é apenas ferrugem do caos&#8230; Nossos temores são inevitáveis como a própria gravidade a nos atar no solo&#8230; E nada explica essa vontade de nao ser nem as 3 leis de Newton nem as 3 leis da robótica nem a teoria do caos&#8230; Nada fará que no fim de tudo os bons [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=64&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Toda essa maresia<br />
é apenas ferrugem<br />
do caos&#8230;</p>
<p>Nossos temores são inevitáveis<br />
como a própria gravidade<br />
a nos atar no solo&#8230;</p>
<p>E nada explica essa vontade<br />
de nao ser<br />
nem as 3 leis de Newton<br />
nem as 3 leis da robótica<br />
nem a teoria do caos&#8230;</p>
<p>Nada fará que no fim de tudo<br />
os bons vençam os maus&#8230;</p>
<p>Por isso que eu faço poesia<br />
enquanto a noite cai<br />
(me alivia,<br />
anestezia&#8230;)<br />
ao encontro vazio<br />
da vazia existência&#8230;</p>
<p>Independência ou morte?<br />
O estribilho do hino<br />
é um refrão de bolero&#8230;</p>
<p>Se você ainda acredita<br />
em contos de fadas,<br />
em revoluções armadas<br />
em Jung, Freud e Marx&#8230;<br />
Se você ainda acredita<br />
nas páginas de O Capital<br />
e que o bem<br />
pode ser bem<br />
melhor que o mal,<br />
você precisa saber<br />
que Hitler não matou só judeus,<br />
que os padres da inquisicão eram ateus<br />
e que não foi Nietszche quem matou Deus&#8230;</p>
<p>Independência ou morte?<br />
Eu sei que você ainda acredita<br />
na inspiração do artista,<br />
na fé do ativista<br />
vê tudo em sua ótica anarquista,<br />
mas nem tudo são flores,<br />
nem tudo é poesia&#8230;</p>
<p>Independência ou morte?<br />
O estribilho do hino<br />
é um comercial de TV&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/64/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/64/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/64/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=64&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Soneto a Ana</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/11/soneto-a-ana/</link>
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		<pubDate>Fri, 11 Jan 2008 11:30:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Ana, teu sorriso é luz, mansa calma que seduz, brilha, resplandece, reluz como um sol de meio-dia. Teu perfume é calma elegia; doce, suave, pura magia inunda tudo, tras poesia e à tua beleza faz juz. Ana, teus olhos brilhantes são duas estrelas cintilantes a espalharem luzes&#8230; Ana, vejo como tu reluzes uma beleza que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=63&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ana, teu sorriso é luz,<br />
mansa calma que seduz,<br />
brilha, resplandece, reluz<br />
como um sol de meio-dia.</p>
<p>Teu perfume é calma elegia;<br />
doce, suave, pura magia<br />
inunda tudo, tras poesia<br />
e à tua beleza faz juz.</p>
<p>Ana, teus olhos brilhantes<br />
são duas estrelas cintilantes<br />
a espalharem luzes&#8230;</p>
<p>Ana, vejo como tu reluzes<br />
uma beleza que nem imagina:<br />
olhos de mulher, sorriso de menina!</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/63/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/63/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/63/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=63&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Quando te vejo</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/10/quando-te-vejo/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Jan 2008 15:56:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Te vejo e meus olhos estacam param e se embasbabacam com a luz do teu sorriso te vejo e o dia se ilumina te olho e sonho sonhos perfeitos te olho e tudo fica clorido e toda a paisagem se emudece perante esse teu olhar te observo e tudo ganha sentido todo o movimento da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=62&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Te vejo e meus olhos estacam<br />
param e se embasbabacam<br />
com a luz do teu sorriso<br />
te vejo e o dia se ilumina</p>
<p>te olho e sonho sonhos perfeitos<br />
te olho e tudo fica clorido<br />
e toda a paisagem se emudece<br />
perante esse teu olhar</p>
<p>te observo e tudo ganha sentido<br />
todo o movimento da vida<br />
por instantes ganha magia</p>
<p>te olho e pego-me fixo a ver<br />
um unico ponto em meio a todo<br />
o universo, unicamente voce..</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/62/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/62/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/62/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=62&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Valcir O Grande.</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/10/valcir-o-grande/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/10/valcir-o-grande/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 10 Jan 2008 15:48:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Valcir O Grande o Grande homem por detras da figura quase ausente o poeta brilhante por tras de tantos versos desconhecidos te conheço amigo e sei de sua sede se sua furia de sua genialidade o sereno homem (talvez mais sereno que eu) o grande poeta que me fez acrediat em certas palavras sua mágica [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=61&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Valcir O Grande<br />
o Grande homem por detras<br />
da figura quase ausente<br />
o poeta brilhante<br />
por tras de tantos versos desconhecidos<br />
te conheço amigo e sei<br />
de sua sede<br />
se sua furia<br />
de sua genialidade<br />
o sereno homem<br />
(talvez mais sereno que eu)<br />
o grande poeta<br />
que me fez acrediat em certas palavras<br />
sua mágica e lucida<br />
prosódia me norteam<br />
Queria ser como você<br />
poeta e dono<br />
de um mundo em cinzas,<br />
poeta que reinventa o fogo<br />
onde a chama estava enxtinta<br />
Eu também vejo Pessoas Vivas<br />
e que reinventam a vida a cada dia<br />
em forma de abraço e poesia<br />
quem me derá ser como ti<br />
sensato<br />
e poeta ao mesmo tempo&#8230;.<br />
raio de lucidez&#8230;.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/61/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/61/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/61/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=61&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Eu acredito</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jan 2008 15:45:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu acredito em tanta coisa mas acredito mais em você do em todas as outras. Lembra daquela cançao sem música e também sem letra? Pois é acredito nela E acredito que um dia a ouviremos e acredito que cada nota vai se misturar com seu sorriso e se espalhar ao redor de todos que te [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=60&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu acredito em tanta coisa<br />
mas acredito mais em você do em todas as outras.<br />
Lembra daquela cançao sem música<br />
e também sem letra?<br />
Pois é acredito nela<br />
E acredito que um dia a ouviremos<br />
e acredito que cada nota<br />
vai se misturar com seu sorriso<br />
e se espalhar ao redor de todos que te cercam<br />
e o mundo vai amanhecer mais bonito.</p>
<p>Eu acredito em muita coisa<br />
mas acredito que você vencerá<br />
a insondavel barreira do impossivel<br />
e voará leve,<br />
livre e solta<br />
e terá nos olhos o brilho de uma estrela cadente<br />
e iluminará a noite<br />
com apenas um gesto<br />
e se fará forte<br />
e se fará viva<br />
e cantará para si mesma aquela canção<br />
que imaginei a tanto tempo<br />
e sua voz ressoará<br />
e deixará o mundo mais feliz.<br />
Eu acredito<br />
Acredito que no fim de tudo<br />
há um novo começo<br />
e acredito sobretudo<br />
que você herdará um trono<br />
e seu cetro será leve<br />
e sua voz de deusa chegará<br />
cristalina e limpida<br />
a todos os cantos da terra<br />
e será com um hino<br />
como um poema lido ao entardecer<br />
por um poeta apaixonado</p>
<p>e cada palavra será como uma nota<br />
daquela cançao que não se finda<br />
e que um dia você embriagada de praser<br />
irá dançar<br />
Eu quero estar por perto para poder ve-la<br />
envolvida pela música<br />
ve-la sorrindo o sorriso mais doce<br />
que uma mulher já sorriu sobre a face da terra<br />
pois tenho em mim duas grandes certezas<br />
a certeza do que sinto<br />
e a certeza do que acretido</p>
<p>Eu acredito em você!</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/60/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/60/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/60/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/60/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/60/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/60/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/60/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/60/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/60/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/60/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/60/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/60/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/60/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/60/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/60/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/60/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=60&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Quero dançar contigo</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/10/quero-dancar-contigo/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/10/quero-dancar-contigo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 10 Jan 2008 15:41:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Quero dançar contigo uma canção sem letra só ritmo e cor e cheiro e tons a se perder no horizonte&#8230;. Quero dançar contigo na chuva e ao sabor dos ventos em cada canto da cidade&#8230; Quero te sentir morna em meio a essa chuva fria quero ventar em ti como uma brisa de verão leve [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=59&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i><br />
<i>Quero dançar contigo</i><br />
<i>uma canção sem letra</i><br />
<i>só ritmo</i><br />
<i>e cor</i><br />
<i>e cheiro</i><br />
<i>e tons </i><br />
<i>a se perder no horizonte&#8230;.</i><br />
<i></i><br />
<i>Quero dançar contigo</i><br />
<i>na chuva</i><br />
<i>e ao sabor dos ventos</i><br />
<i>em cada canto da cidade&#8230;</i><br />
<i>Quero te sentir morna </i><br />
<i>em meio a essa chuva fria</i><br />
<i>quero ventar em ti</i><br />
<i>como uma brisa de verão</i><br />
<i>leve</i><br />
<i>leve</i><br />
<i>como se fosse poesia&#8230;.</i><br />
<i></i><br />
<i>Quero dançar contigo</i><br />
<i>uma dança mistica</i><br />
<i>mítica mistura de realidade e sonho,</i><br />
<i>uma dança que desconheça</i><br />
<i>os limites </i><br />
<i>de sua propria existencia</i><br />
<i>e da dança</i><br />
<i>quero fazer um soneto de amor</i><br />
<i>e te amar </i><br />
<i>com toda força</i><br />
<i>que esse poema possa ter&#8230;.</i><br />
<i></i><br />
<i>Quero dançar contigo</i><br />
<i>uma dança feita para nós dois</i><br />
<i>e para ninguém mais,</i><br />
<i>uma dança desenhada</i><br />
<i>esculpida para nós</i><br />
<i>em uma noite de chuva</i><br />
<i>numa manha de sol</i><br />
<i>feita para nós</i><br />
<i>para toda eternidade</i><br />
<i>Quero dançar contigo</i><br />
<i>uma canção sem letra</i><br />
<i>só ritmo</i><br />
<i>e cor</i><br />
<i>e cheiro</i><br />
<i>e tons </i><br />
<i>a se perder no horizonte&#8230;.</i><br />
<i></i><br />
<i>Quero dançar contigo</i><br />
<i>na chuva</i><br />
<i>e ao sabor dos ventos</i><br />
<i>em cada canto da cidade&#8230;</i><br />
<i>Quero te sentir morna </i><br />
<i>em meio a essa chuva fria</i><br />
<i>quero ventar em ti</i><br />
<i>como uma brisa de verão</i><br />
<i>leve</i><br />
<i>leve</i><br />
<i>como se fosse poesia&#8230;.</i><br />
<i></i><br />
<i>Quero dançar contigo</i><br />
<i>uma dança mistica</i><br />
<i>mítica mistura de realidade e sonho,</i><br />
<i>uma dança que desconheça</i><br />
<i>os limites </i><br />
<i>de sua propria existencia</i><br />
<i>e da dança</i><br />
<i>quero fazer um soneto de amor</i><br />
<i>e te amar </i><br />
<i>com toda força</i><br />
<i>que esse poema possa ter&#8230;.</i><br />
<i></i><br />
<i>Quero dançar contigo</i><br />
<i>uma dança feita para nós dois</i><br />
<i>e para ninguém mais,</i><br />
<i>uma dança desenhada</i><br />
<i>esculpida para nós</i><br />
<i>em uma noite de chuva</i><br />
<i>numa manha de sol</i><br />
<i>feita para nós</i><br />
<i>para toda eternidade</i><br />
<i></i><br />
<i>E quero dançar contigo</i><br />
<i>essa nossa dança&#8230;</i></i><i><i></i><br />
<i></i><br />
<i>E quero dançar contigo</i><br />
<i>essa nossa dança&#8230;</i></i></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/59/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/59/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/59/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=59&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Teu sorriso</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/10/teu-sorriso/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Jan 2008 15:40:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Tava pensando em voce com uma saudade do tamnho do mundo tava triste por que voce tava longe entao olhei essa foto e seu sorriso me deixou feliz&#8230;. A tarde tava triste sem sua voz o dia tava escuro sem suas palavras e o tempo nao passava de jeito nenhum entao olhei pra essa foto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=58&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tava pensando em voce<br />
com uma saudade<br />
do tamnho do mundo<br />
tava triste por que voce tava longe<br />
entao olhei essa foto<br />
e seu sorriso me deixou feliz&#8230;.</p>
<p>A tarde tava triste sem sua voz<br />
o dia tava escuro sem suas palavras<br />
e o tempo nao passava de jeito nenhum<br />
entao olhei pra essa foto<br />
e me senti mais vivo&#8230;.</p>
<p>O mundo tave enorme sem voce<br />
a vida tava meio sem graça<br />
e tudo parecia uma piada sem graça<br />
contada por um palhaço triste<br />
entao olhei para essa foto<br />
e tudo ganhou cor&#8230;.</p>
<p>Por que esse seu sorriso<br />
tem o poder de mudar o meu animo<br />
mudar o clima ao meu redor&#8230;.</p>
<p>Nao foi atoa que foi a primeira coisa<br />
que notei em voce<br />
a magica incrivel e doce<br />
que me despertou e me hipinotizou<br />
em um unico ato<br />
de adimiraçao<br />
e redençao</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/58/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/58/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/58/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=58&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Retrato cinza</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/10/retrato-cinza/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/10/retrato-cinza/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 10 Jan 2008 15:38:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://odairosol.wordpress.com/2008/01/10/retrato-cinza/</guid>
		<description><![CDATA[Panorama, 10 de setemboro de 2006. Casa da Dani. Espio as coisas através da vida, através das vitrinas e asw vitrinas guardam as vidas por detras dos muros. Hoje canto uma canção sem coro falo pouco e digo tudo, o tempo das tantas palavras ficou pra trás em frases que nao diziam nada. a vida [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=57&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>Panorama, 10 de setemboro de 2006.</i><br />
<i>Casa da Dani.</i></p>
<p>Espio as coisas<br />
através da vida,<br />
através das vitrinas<br />
e asw vitrinas guardam as vidas<br />
por detras dos muros.<br />
Hoje canto uma canção sem coro<br />
falo pouco e digo tudo,<br />
o tempo das tantas palavras<br />
ficou pra trás<br />
em frases que nao diziam nada.</p>
<p>a vida está a um passo<br />
e a vejo refletida na vitrina,<br />
os muros já nao guardam as palavras,<br />
os sons se espalham em pequenas<br />
gotas de silêncio<br />
e incendeiam o tempo<br />
em enormes labaredas de vida.</p>
<p>As coisas renascem das cinzas<br />
e a cinza das coisas varre o chão<br />
pintando de cinza o fogo das coisas&#8230;.<br />
É tempo do fogo queimar as vidas,<br />
incendiar os muros<br />
e manchar as vitrinas,<br />
tempo das palavras escaparem<br />
e dementirem o tempo.</p>
<p>Em meio a tudo isso<br />
sou aquele que corre<br />
em socorro de mim mesmo<br />
pinxando as vitrinas e muros,<br />
sufocando as coisas<br />
que insistem em renascer das cinzas&#8230;.<br />
Eu sei dos poemas,<br />
daqueles que esperam serem escritos<br />
aqueles que esperam o fogo<br />
que ainda nao queimou todos os versos<br />
eu sei das coisas<br />
de todas as coisas que aguardam<br />
o desfecho tagico dos dias,<br />
hje eu sei do sonho&#8230;<br />
Do grande sonho que nasce nessa manhã<br />
e a noite dormirá cansado<br />
de ser apenas sonho.</p>
<p>Sei das coisas que aguardam<br />
o fim da guerra,<br />
o fim da paz,<br />
das coisas que guardam o mundo<br />
refletido na vitrina&#8230;.<br />
Sei dos olhos,<br />
desses tantos olhos<br />
que espiam por detras dos muros,<br />
o desfecho lucido<br />
de toda essa insensatez,<br />
enquanto o tempo passa.</p>
<p>Eu nao sei, mas desconfio<br />
dessa força que rege a vida,<br />
o começo,<br />
o meio e o fim&#8230;.<br />
desconfio das coisas que senti,<br />
ouvi<br />
e das coisas que vi por detras dos muros<br />
e através das vitrinas, coisas que o tempo levou<br />
e nunca mais devolveu.</p>
<p>Hoje duvido<br />
de tudo em que acredito<br />
tenho deixado<br />
todo o dito pelo nao dito,<br />
mas sei dos versos<br />
escritos de madrugada,<br />
enquanto a cinza se apaga,<br />
enquanto o fogo se transforma em cinza,<br />
enquanto o cinza se transforma em negro<br />
enquanto o negro<br />
se reflete na vitrina<br />
e se choca contra o muro.<br />
Hoje sei que as velhas historias<br />
sao apenas novos boatos<br />
pinchados em paredes recem pintadas.</p>
<p>Eu jurei a mim mesmo<br />
nao morrer esta noite,<br />
não deixar que o frio da madrugada<br />
esfrie o meu corpo doce<br />
por que hoje sei que morrer é inutil&#8230;.<br />
A morte é um livro que já li<br />
e não sei se gostei,<br />
cheio de palavras embaralhadas<br />
como que escrito as pressas,<br />
uma mensagem em uma garrafa,<br />
um bilhete esquecido<br />
n&#8217;algum canto<br />
para nunca ser encontrado.</p>
<p>Nessa noite duvidei da vida<br />
e a vida<br />
fugiu para atrás dos muros<br />
enquanto minha palides<br />
se espalhava na vitrina<br />
em um retrato cinza<br />
que não reconheci&#8230;..</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/57/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/57/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/57/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=57&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Boicote</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/10/boicote/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Jan 2008 15:13:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[A vida deve parar nesse momento, os relógios devem ser brecados e imediatamente parem o vento que ainda sopra do horiente e de lá até os confins do ocidente parem já todas as ações e dos corações dos apaixonados devem ser arrancadas as emoções e transformadas, todas, em areia parem todo o sangue na veia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=56&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A vida deve parar nesse momento,<br />
os relógios devem ser brecados<br />
e imediatamente parem o vento<br />
que ainda sopra do horiente</p>
<p>e de lá até os confins do ocidente<br />
parem já todas as ações<br />
e dos corações dos apaixonados<br />
devem ser arrancadas as emoções</p>
<p>e transformadas, todas, em areia<br />
parem todo o sangue na veia<br />
e calem todo o cão que ainda late</p>
<p>brequem o coração que ainda bate<br />
bombeando o sangue para a artéria,<br />
mas só não parem a minha poesia.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/56/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/56/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/56/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=56&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Amor sem limites</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/10/amor-sem-limites/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/10/amor-sem-limites/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 10 Jan 2008 15:08:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[O amor com o qual te amo é suficiente para cobrir os oceanos em toda sua extensão e palmo a palmo por pelo menos um bilhão de anos. Com os fios do meu amor é possivel tecer o gigantesco e indescritivel véu como o qual se cobriria o visto e o invisivel abaixo e acima [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=54&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O amor com o qual te amo<br />
é suficiente para cobrir os oceanos<br />
em toda sua extensão e palmo a palmo<br />
por pelo menos um bilhão de anos.</p>
<p>Com os fios do meu amor é possivel<br />
tecer o gigantesco e indescritivel véu<br />
como o qual se cobriria o visto e o invisivel<br />
abaixo e acima do firmamento do céu.</p>
<p>Amo-te de uma forma doce e solitária<br />
como o bom operario à segurança do andaime<br />
e como o músico às suas breves e fusas.</p>
<p>Amo-te mais do que os poetas às musas<br />
e espero que todos os versos perdoem-me<br />
por te amar além da própria poesia.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/54/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/54/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/54/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/54/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/54/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=54&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Poema de natal</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/08/poema-de-natal/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/08/poema-de-natal/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Jan 2008 15:54:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Meu coração bate no ritmo frenético do latido de um cão, seu ganir melancólico dita os acordes da canção natalina&#8230; que aquele mendigo canta tocando um violino Ele pode ser Papai Noel disfarçado de mendigo tocador de violino, mas isso é só uma canção&#8230; que não ouso escutar que não posso cantar&#8230; Meus ouvidos são [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=52&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu coração bate<br />
no ritmo frenético do latido de um cão,<br />
seu ganir melancólico<br />
dita os acordes da canção<br />
natalina&#8230;</p>
<p>que aquele mendigo canta<br />
tocando um violino<br />
Ele pode ser Papai Noel disfarçado<br />
de mendigo tocador de violino,<br />
mas isso é só uma canção&#8230;</p>
<p>que não ouso escutar<br />
que não posso cantar&#8230;</p>
<p>Meus ouvidos são de ouro 18 quilates<br />
e se enferrujam com essa umidade<br />
do natal&#8230;</p>
<p>Ei, vejo corações<br />
árvores coloridas<br />
comercias patéticos na TV<br />
E um poema soprado pelo vento<br />
preenche o meu vazio&#8230;</p>
<p>de dias e noites de natal<br />
sem Papai Noel&#8230;</p>
<p>Que, alias, é de lantejola<br />
no coração das crianças que desfilam<br />
pelo parque&#8230;</p>
<p>Sem saber que essa grama<br />
alimenta as renas de um Papai Noel<br />
que mora no coração dos adultos&#8230;</p>
<p>Página em branco<br />
do aerograma de natal<br />
é um poema em livre<br />
verso livre<br />
e descompassado por esse ritimo<br />
que o mendigo tira<br />
de seu violino maltratado&#8230;</p>
<p>Pelo hoje e pelo ontem<br />
pela glória tão inglória<br />
de uma lenda tão antiga<br />
que nem mais lembramos a data&#8230;</p>
<p>mas é natal&#8230; no corpo<br />
nos olhos e nos corações&#8230;</p>
<p>Sem a confusão das chaminés<br />
e dos gorros machucados pela neve<br />
sem o verso tão gelado<br />
de um poema esquecido<br />
em um sapato na janela&#8230;</p>
<p>Mas é natal<br />
e tudo é tão descompassado<br />
e nostalgico<br />
que nem as palavras de amor<br />
esquecidas, ainda, nos ouvidos<br />
aquecem meu coração<br />
nessa noite de natal&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/52/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/52/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/52/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=52&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Contrasenso</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/08/contrasenso/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/08/contrasenso/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Jan 2008 15:28:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Deus me livre de qualquer declive já que estou em queda livre em recesso e franco processo de degeneração tanto da fé quanto da razão. Mas por hora o pulmão teimoso, ainda respira restos de fuligem e objetos que a vida atira em minha direção.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=51&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Deus me livre<br />
de qualquer declive<br />
já que estou em queda livre<br />
em recesso<br />
e franco processo<br />
de degeneração<br />
tanto da fé<br />
quanto da razão.</p>
<p>Mas por hora o pulmão<br />
teimoso, ainda respira<br />
restos<br />
de fuligem<br />
e objetos<br />
que a vida atira<br />
em minha direção.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/51/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/51/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/51/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=51&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Poema de amor</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/08/poema-de-amor/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/08/poema-de-amor/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Jan 2008 15:21:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma mulher apaixonada me pede um poema de amor -Meu bem não me aborreça! É tudo o que lhe posso dizer. Os poemas de amor sao frutos que devem ser colhidos maduros e devorados com paixão para que não se perdam nos espaços entre as estrofes. Essa mulher, embora apaixonada (Assim elas são mais doces) [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=50&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma mulher apaixonada<br />
me pede um poema de amor<br />
-Meu bem não me aborreça!<br />
É tudo o que lhe posso dizer.<br />
Os poemas de amor sao frutos<br />
que devem ser colhidos maduros<br />
e devorados com paixão<br />
para que não se perdam<br />
nos espaços entre as estrofes.</p>
<p>Essa mulher, embora apaixonada<br />
(Assim elas são mais doces)<br />
se faz triste<br />
talvez eu seja o único poeta que ela conheça<br />
e pode não vir a conhecer<br />
nenhum outro até o amanhecer.<br />
Ela precisa de um poema de amor<br />
para lhe aquecer por essa noite<br />
até o amanhecer.</p>
<p>Poderia lhe oferecer meu peito<br />
ou talvez minha boca,<br />
mas o que ela me pede é impossivel<br />
quem sabe se ela tivesse a paciência<br />
[de esperar um ou<br />
[dois dias,<br />
mas o que ela precisa é pra agora<br />
e seu coração não pode esperar<br />
por isso essa mulher se lança pela noite<br />
pelos bares<br />
e pelos lugares<br />
que sabe que eu passarei, embora acompanhado<br />
[ por outras mulheres.</p>
<p>As vezes tenho vontade de dar a ela<br />
o que ela tanto me pede,<br />
mas ela notaria no primeiro verso a mentira<br />
e isso seria cruel<br />
para mim, para ela e para nossos descendentes<br />
seriamos( eu principalmente) amaldiçoados<br />
[ por toda a eternidade<br />
E esse não é o preço<br />
que se deve pagar<br />
por um poema de amor.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/50/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/50/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/50/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/50/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/50/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=50&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Em segredo</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/em-segredo/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/em-segredo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 07 Jan 2008 15:32:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Me mostre quem tem algo a dizer me aponte, então, verdades nestas palavras que acredita, por que hoje estou cético demais amargo demais bebado demais Me aponte, nas ruas, pessoas pessoas que realmente estão indo a algum lugar que não estejam fugindo que não estejam se indo que, sobretudo, nao estejam ausentes. Me mostre a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=49&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Me mostre quem tem algo a dizer<br />
me aponte, então, verdades nestas palavras<br />
que acredita,<br />
por que hoje estou cético demais<br />
amargo demais<br />
bebado demais<br />
Me aponte, nas ruas, pessoas pessoas<br />
que realmente estão indo a algum lugar<br />
que não estejam fugindo<br />
que não estejam se indo<br />
que, sobretudo, nao estejam ausentes.</p>
<p>Me mostre a verdade por debaixo<br />
do alicerse dessa cidade que grita de dor<br />
me aponte<br />
e não me esconda o teu riso mais uma vez<br />
me drene<br />
me anestezie com sua poesia<br />
eternamente em furia<br />
me mostre<br />
e se tiver forças me sufoque<br />
me mova do lugar<br />
me enterre até o pescoço<br />
me devolva a paz&#8230;</p>
<p>Me aponte a saida e depois<br />
me entregue ao carrasco da vida<br />
me doure<br />
enquanto doura pilulas dentro dos meus sonhos<br />
me mastigue<br />
me cuspa<br />
me entupa de ideias<br />
e bandeiras inuteis..</p>
<p>Me aponte os herois<br />
os soldados<br />
quem venceu essa guerra<br />
quem realmente e o herdeiro<br />
o proprietario de todas essas chagas<br />
me mostre<br />
demonstre<br />
me denuncie<br />
me ame<br />
ou me esqueça..</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/49/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/49/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/49/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=49&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">odairosol</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Se arrependimento matasse&#8230;</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/se-arrependimento-matasse/</link>
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		<pubDate>Mon, 07 Jan 2008 12:10:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Ah, se arrependimento matasse essa noite seria pequena demais para tantos traumas tantos dramas tantas almas descontentes pra tantas notas que não cantei valsas que não dancei chuvas que não tomei bocas que não beijei&#8230; Se arrependimento matasse a vida seria pequena demais para uma única existência não haveria paciência Não haveria ciência em sificiência [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=48&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ah, se arrependimento matasse<br />
essa noite seria pequena demais<br />
para tantos traumas<br />
tantos dramas<br />
tantas almas descontentes<br />
pra tantas notas que não cantei<br />
valsas que não dancei<br />
chuvas que não tomei<br />
bocas que não beijei&#8230;</p>
<p>Se arrependimento matasse<br />
a vida seria pequena demais<br />
para uma única existência<br />
não haveria paciência<br />
Não haveria ciência<br />
em sificiência<br />
para sanr tanta dor<br />
e nem sapiência<br />
pra explicar toda essa urgência<br />
do amor&#8230;</p>
<p>Se arrependimento matasse<br />
essa festa seria triste demais<br />
tua foto na capa da revista<br />
teu sorriso longe da minha vista<br />
em olhos de que não acredita<br />
e ainda assim me fita<br />
com um desespero que é só seu<br />
pintado com tanta tinta&#8230;</p>
<p>Se arrependimento matasse<br />
não me olharias assim<br />
não me verias por esse ângulo<br />
mas nesta noite eu já não me zango<br />
seja por qual motivo for&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/48/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/48/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/48/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=48&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Velório do poeta</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/velorio-do-poeta/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/velorio-do-poeta/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 07 Jan 2008 11:48:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Estão me velando na sala ao lado Sinto daqui o cheiro da parafina A benzer o epilogo de minha sina Antes de poder ser sepultado. Pessoas ao redor vêm-me e se vão Questionam o frio corpo estático Que restou do pobre poeta asmático Embelezado de flores na moldura do caixão Logo seguirei-me em cortejo funeral [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=47&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estão me velando na sala ao lado<br />
Sinto daqui o cheiro da parafina<br />
A benzer o epilogo de minha sina<br />
Antes de poder ser sepultado.</p>
<p>Pessoas ao redor vêm-me e se vão<br />
Questionam o frio corpo estático<br />
Que restou do pobre poeta asmático<br />
Embelezado de flores na moldura do caixão</p>
<p>Logo seguirei-me em cortejo funeral<br />
Mas por enquanto quero apenas ser velado<br />
E ver a vida deitado na minha morte</p>
<p>Quem sabe fazer um ultimo verso e mal<br />
Dizer todos os papa defuntos ao meu lado<br />
A rirem-se me minha existencia sem sorte.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/47/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/47/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/47/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=47&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Um último canto</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jan 2008 11:44:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Há um poema em algum canto Há em algum beco, ainda, um último canto um canto triste, que no entanto tem tamanha força. Que de um tanto espantar-se-a de tal espanto ao descobrir-se não só canto, mas sim canto além do canto: encanto forte em si mesmo enquanto ter forças pra ser mais forte que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=46&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há um poema em algum canto<br />
Há em algum beco, ainda, um último canto<br />
um canto triste, que no entanto<br />
tem tamanha força. Que de um tanto<br />
espantar-se-a de tal espanto<br />
ao descobrir-se não só canto,<br />
mas sim canto além do canto: encanto<br />
forte em si mesmo enquanto<br />
ter forças pra ser mais forte que o pranto.</p>
<p>Ainda que por hora não se cante<br />
há ainda um canto guardado em cada instante<br />
canto que é gana de seguir adiante<br />
em direção a quem cante<br />
uma resposta tão distante<br />
e por mais que esse canto em si mesmo se encante<br />
canto delirante<br />
delirante canto delirante<br />
canto que por mais que seja arfante<br />
não será canto como se cantava antes&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/46/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/46/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/46/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=46&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Resto de Domingo.</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/resto-de-domingo/</link>
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		<pubDate>Mon, 07 Jan 2008 11:32:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Em meio a um nada tão grande quanto a enorme distancia que separa o meu do teu coração na ida sem volta chamada ausencia Eu me perco ao redor da fogueira triste, que é somente uma chama queimando a brasa derradeira, quando pálida já se derrama Sobre todos nós a claridade de um domingo sem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=45&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em meio a um nada tão<br />
grande quanto a enorme distancia<br />
que separa o meu do teu coração<br />
na ida sem volta chamada ausencia</p>
<p>Eu me perco ao redor da fogueira<br />
triste, que é somente uma chama<br />
queimando a brasa derradeira,<br />
quando pálida já se derrama</p>
<p>Sobre todos nós a claridade<br />
de um domingo sem dono.<br />
O que faremos com nossa vontade</p>
<p>De esquecer todo esse abandono<br />
que tortos chamamos de saudade<br />
e teremos de volta nosso sono?</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/45/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/45/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/45/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=45&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Prosódia triste</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/prosodia-triste/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/prosodia-triste/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 07 Jan 2008 11:30:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/prosodia-triste/</guid>
		<description><![CDATA[fragmento Gostaria de ter e de compreender ( e se me fosse possivel) gostaria tambem de escrever alguns dos capitulos dessa história que por hora jaz por tras da minha própria história. Gostaria de emudecer o mundo por um único instante e neste instante vibrar-me em um bilhão de tons dissonantes, mas por hora há [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=44&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>fragmento</i><br />
<i></i><br />
Gostaria de ter<br />
e de compreender<br />
( e se me fosse possivel)<br />
gostaria tambem de escrever<br />
alguns dos capitulos dessa história<br />
que por hora jaz por tras da minha<br />
própria história.</p>
<p>Gostaria de emudecer<br />
o mundo por um único instante<br />
e neste instante vibrar-me<br />
em um bilhão de tons dissonantes,<br />
mas por hora há algo de errado<br />
com nossa retórica<br />
que se afunda em meio<br />
a uma prosódia triste&#8230;..</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/44/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/44/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/44/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=44&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Algo&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jan 2008 11:29:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[fragmento Congelado na eternidade foto&#8230;face&#8230;.fome&#8230;fascinio me perco nos olhos&#8230;.na suavidade olhos que olham o olhar ensimesmados apaixonado&#8230;fascinado&#8230;.encurralado nas orbitas de si mesmo. instante parco da realidade momentos que escorrem&#8230;fogem nos desvãos da estrada vejo olhos por tras do muro retrato palido&#8230;esqualido&#8230;incendiado na luz das próprias chamas.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=43&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>     fragmento</i><br />
<i></i><br />
<i></i><br />
Congelado na eternidade<br />
foto&#8230;face&#8230;.fome&#8230;fascinio<br />
me perco nos olhos&#8230;.na suavidade<br />
olhos que olham o olhar ensimesmados<br />
apaixonado&#8230;fascinado&#8230;.encurralado<br />
nas orbitas de si mesmo.</p>
<p>instante parco da realidade<br />
momentos que escorrem&#8230;fogem<br />
nos desvãos da estrada<br />
vejo olhos por tras do muro<br />
retrato palido&#8230;esqualido&#8230;incendiado<br />
na luz das próprias chamas.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/43/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/43/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/43/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=43&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Poema de aniversário</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/poema-de-aniversario/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/poema-de-aniversario/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 07 Jan 2008 11:28:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[fragmento Queria fazer um poema de aniversario pra voce talvez um poema de amor, mas hoje o tempo passa e atropela tudo&#8230;. Ah, minha querida&#8230;logo hoje hoje que e vida dá um salto para fora de si mesma pra dentro do vazio das eras rodando louca ao redor do nada&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=42&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>fragmento</i><br />
<i></i><br />
<i></i><br />
Queria fazer um poema<br />
de aniversario pra voce<br />
talvez um poema de amor,<br />
mas hoje o tempo passa<br />
e atropela tudo&#8230;.<br />
Ah, minha querida&#8230;logo hoje<br />
hoje que e vida dá um salto<br />
para fora de si mesma<br />
pra dentro do vazio das eras<br />
rodando louca ao redor do nada&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/42/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/42/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/42/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=42&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Rebeldia?</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/rebeldia/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/rebeldia/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 07 Jan 2008 11:11:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[O rei está morto é tudo o que eu sei eu não quero uma nova república não quero teus gestos nem teus objetos quero somente os restos dos meus manifestos queimados em praça pública&#8230; Em uma fração de instantes já não há mais razão pra ser como era antes&#8230; Soldados suícidas poetas em devaneio cegos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=41&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O rei está morto<br />
é tudo o que eu sei<br />
eu não quero uma nova república<br />
não quero teus gestos<br />
nem teus objetos<br />
quero somente os restos<br />
dos meus manifestos<br />
queimados em praça pública&#8230;</p>
<p>Em uma fração<br />
de instantes<br />
já não há mais razão<br />
pra ser como era antes&#8230;</p>
<p>Soldados suícidas<br />
poetas em devaneio<br />
cegos em um tiroteio<br />
visões embaçadas<br />
em olhos e olhares aguçados<br />
enquanto todos perdem a razão&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/41/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/41/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/41/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=41&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Soneto de saudade</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/soneto-de-saudade/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/soneto-de-saudade/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 07 Jan 2008 10:53:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[O ar, desmotivado, brando se calou sem coragem de ruidoso soprar como fez por toda a vida&#8230; Eu tambèm me sentei a esperar que seu sorriso que soou em despedida retornasse a morada de teus lábios como flamejante chama que se apagou no mais singelo de todos os pávios a existência, em saudades tuas, se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=40&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ar, desmotivado, brando se calou<br />
sem coragem de ruidoso soprar<br />
como fez por toda a vida&#8230;<br />
Eu tambèm me sentei a esperar</p>
<p>que seu sorriso que soou em despedida<br />
retornasse a morada de teus lábios<br />
como flamejante chama que se apagou<br />
no mais singelo de todos os pávios</p>
<p>a existência, em saudades tuas, se desfez<br />
espalhando-se ésteril pela atmosfera<br />
pintando me a vida em tons pálidos</p>
<p>espero que os dias por agora vindos<br />
venham me tirar dessa eterna espera<br />
de novamente feliz rever tua tez&#8230;.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/40/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/40/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/40/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=40&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Nada</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/nada/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/07/nada/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 07 Jan 2008 10:43:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Contemplo tudo do topo da estrada sentado no último degrau da escada cansado do último passo da jornada e vejo a vida: imensa soma de nada a se diluir no sereno da madruda&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=39&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Contemplo tudo do topo da estrada<br />
sentado no último degrau da escada<br />
cansado do último passo da jornada<br />
e vejo a vida: imensa soma de nada<br />
a se diluir no sereno da madruda&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/39/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/39/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/39/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=39&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Poesia em movimento</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/04/poesia-em-movimento/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/04/poesia-em-movimento/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 04 Jan 2008 16:43:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Não quero saber quais as razões que movem os homens a cada dia quero apenas noticias da poesia que habita em tantos coracões dos homens que se movem tanto, nao me interessa qual o motivo que tem no coracão cada ser vivo quero apenas secar o pranto causado por tanto movimento vão que faz cada [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=38&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não quero saber quais as razões<br />
que movem os homens a cada dia<br />
quero apenas noticias da poesia<br />
que habita em tantos coracões</p>
<p>dos homens que se movem tanto,<br />
nao me interessa qual o motivo<br />
que tem no coracão cada ser vivo<br />
quero apenas secar  o pranto</p>
<p>causado por tanto movimento vão<br />
que faz cada homem se esquecer<br />
que a cada minuto é preciso tecer</p>
<p>uma nova aurora nessa imensidão<br />
do vai e vem frenetico da vida<br />
ou toda a poesia será perdida&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/38/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/38/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/38/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=38&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Soneto a uma desconhecida</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/04/soneto-a-uma-desconhecida/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Jan 2008 16:33:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Para mim és apenas a moça sem nome que apesar de tudo achei até bela apesar do nada que o agora me revela vira na esquina, se vai só, e some na tarde de sol&#8230;ou é agora manhã fria? está com pressa e, cho, ninguém a espera e em mim uma falsa calma impera em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=37&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para mim és apenas a moça sem nome<br />
que apesar de tudo achei até bela<br />
apesar do nada que o agora me revela<br />
vira na esquina, se vai só, e some</p>
<p>na tarde de sol&#8230;ou é agora manhã fria?<br />
está com pressa e, cho, ninguém a espera<br />
e em mim uma falsa calma impera<br />
em movimento minha janela te espia&#8230;</p>
<p>És rapida, num passo só e lento<br />
agonizas em uma caminhada a mim sem rumo<br />
ignorando a direção desse perdido momento&#8230;</p>
<p>e eu lento de sono, mas sóbrio me vou<br />
logo, daqui a pouco, na neblina eu sumo<br />
e eternamente não saberás quem sou&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/37/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/37/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/37/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=37&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Vida&#8230;</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/04/vida/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/04/vida/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 04 Jan 2008 15:51:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho constatado estupefado adimirado que a vida é mesmo uma caixinha de desencontros e encontros inesperados viagens ao interior do nada miragens delirios da grande jornada paisagens a beira da infinita estrada que se auto batiza vida&#8230;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=36&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho constatado</p>
<p>estupefado</p>
<p>adimirado</p>
<p>que a vida é mesmo</p>
<p>uma caixinha de desencontros</p>
<p>e encontros inesperados</p>
<p>viagens</p>
<p>ao interior do nada</p>
<p>miragens</p>
<p>delirios da grande jornada</p>
<p>paisagens</p>
<p>a beira da infinita estrada</p>
<p>que se auto batiza vida&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/36/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/36/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/36/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=36&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Um brinde ao silêncio</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/04/um-brinde-ao-silencio/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Jan 2008 12:21:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje o silêncio é como um balsamo que cura que acalenta anestezia a vida e o tempo ao meu redor um brinde ao silêncio tim tim &#160; Queria que você estivesse aqui taças na mão vinho a escorrer dos labios descer pelo queixo e poder te roubar um beijo com gosto de uva mas por [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=35&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><title></title> 	 	 	 	 	 	<!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 	--></p>
<p style="margin-bottom:0;">Hoje o silêncio é como um balsamo</p>
<p style="margin-bottom:0;">que cura</p>
<p style="margin-bottom:0;">que acalenta</p>
<p style="margin-bottom:0;">anestezia</p>
<p style="margin-bottom:0;">a vida e o tempo ao meu redor</p>
<p style="margin-bottom:0;">um brinde ao silêncio</p>
<p style="margin-bottom:0;">tim</p>
<p style="margin-bottom:0;">tim</p>
<p style="margin-bottom:0;">&nbsp;</p>
<p style="margin-bottom:0;">Queria que você estivesse aqui</p>
<p style="margin-bottom:0;">taças na mão</p>
<p style="margin-bottom:0;">vinho a escorrer dos labios</p>
<p style="margin-bottom:0;">descer pelo queixo</p>
<p style="margin-bottom:0;">e poder te roubar um beijo</p>
<p style="margin-bottom:0;">com gosto de uva</p>
<p style="margin-bottom:0;">mas por enquando façamos um brinde</p>
<p style="margin-bottom:0;">um brinde ao silêcio</p>
<p style="margin-bottom:0;">tim</p>
<p style="margin-bottom:0;">tim</p>
<p style="margin-bottom:0;">&nbsp;</p>
<p style="margin-bottom:0;">Lá fora os ecos da cidade</p>
<p style="margin-bottom:0;">de toda a furia</p>
<p style="margin-bottom:0;">da pouca felicidade</p>
<p style="margin-bottom:0;">os ruidos da vida</p>
<p style="margin-bottom:0;">a arritimia da metropole</p>
<p style="margin-bottom:0;">condenada ao caos</p>
<p style="margin-bottom:0;">ao trafego por suas vias</p>
<p style="margin-bottom:0;">abarrotadas</p>
<p style="margin-bottom:0;">de gracejos</p>
<p style="margin-bottom:0;">de arrotos</p>
<p style="margin-bottom:0;">de besouros gigantes</p>
<p style="margin-bottom:0;">no entanto eu</p>
<p style="margin-bottom:0;">proponho um brinde ao silêncio</p>
<p style="margin-bottom:0;">tim</p>
<p style="margin-bottom:0;">tim</p>
<p style="margin-bottom:0;">&nbsp;</p>
<p style="margin-bottom:0;">As margens do tempo</p>
<p style="margin-bottom:0;">tudo é passado</p>
<p style="margin-bottom:0;">tudo é esquecido em poucos instantes</p>
<p style="margin-bottom:0;">o que resta é apenas o silêncio</p>
<p style="margin-bottom:0;">corrosivo</p>
<p style="margin-bottom:0;">viceral</p>
<p style="margin-bottom:0;">inesgotavel</p>
<p style="margin-bottom:0;">em sua atmosfera de paz</p>
<p style="margin-bottom:0;">serenidade e</p>
<p style="margin-bottom:0;">ao mesmo tempo caos</p>
<p style="margin-bottom:0;">é preciso um último brinde</p>
<p style="margin-bottom:0;">ao silencio</p>
<p style="margin-bottom:0;">esse silencio que nos acalenta</p>
<p style="margin-bottom:0;">nos anestezia</p>
<p style="margin-bottom:0;">nos alimenta</p>
<p style="margin-bottom:0;">e nos faz mais fortes</p>
<p style="margin-bottom:0;">pra suportar todo e qualquer ruido</p>
<p style="margin-bottom:0;">&nbsp;</p>
<p style="margin-bottom:0;">&nbsp;</p>
<p style="margin-bottom:0;">tim</p>
<p style="margin-bottom:0;">tim</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/35/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/35/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/35/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=35&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Pensando em Dayana</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/04/pensando-em-dayana/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Jan 2008 11:54:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[adivinha, minha flor, que pensamento está na minha cabeça neste momento adivinha, pois não vou te contar agora, mas te conto qualquer dia, numa hora dessas qualquer, em uma conversa casual, quem sabe eu deixe escapar sem querer esse pensamento secreto..é pode ser um pesamento sem nenhum ainda igual&#8230; mas fica tranquila que é uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=33&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>adivinha, minha flor, que pensamento<br />
está na minha cabeça neste momento<br />
adivinha, pois não vou te contar agora,<br />
mas te conto qualquer dia, numa hora</p>
<p>dessas qualquer, em uma conversa casual,<br />
quem sabe eu deixe escapar sem querer<br />
esse pensamento secreto..é pode ser<br />
um pesamento sem nenhum ainda igual&#8230;</p>
<p>mas fica tranquila que é uma coisa boa<br />
o que se passa na minha cabeça, é sim<br />
um pensamento que vai e volta&#8230;ecoa</p>
<p>se perde no vazio e então volta pra mim<br />
em uma onda de calor que não se vê<br />
no que será que penso além de você?</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/33/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/33/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/33/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=33&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">odairosol</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Irremediavelmente bebado&#8230;</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/04/irremediavelmente-bebado/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/04/irremediavelmente-bebado/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 04 Jan 2008 11:40:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou bebado dos dissabores da vida essa breve sucessão de eventos aleatórios doce fel efemera Estou obsecado por cada um desses dedos pecaminosos do mundo em uma mão que me estendida talvez por piedade já nao quero saber não desejo saber medo incerteza terror Estou entristecido e prostrado por que ja nao entendo o tempo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=32&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou bebado</p>
<p>dos dissabores da vida</p>
<p>essa breve sucessão de eventos aleatórios</p>
<p>doce</p>
<p>fel</p>
<p>efemera</p>
<p>Estou obsecado</p>
<p>por cada um desses dedos</p>
<p>pecaminosos do mundo</p>
<p>em uma mão que me estendida</p>
<p>talvez por piedade</p>
<p>já nao quero saber</p>
<p>não desejo saber</p>
<p>medo</p>
<p>incerteza</p>
<p>terror</p>
<p>Estou</p>
<p>entristecido e prostrado</p>
<p>por que ja nao entendo o tempo</p>
<p>e no enetando ele ainda me escraviza</p>
<p>ele me dobra</p>
<p>os joelhos</p>
<p>me turva a vista</p>
<p>e roi entre os nois dos dedos</p>
<p>e me deixa por hora</p>
<p>irremediavelmente bebado</p>
<p>de mim emsmo</p>
<p>e da vida</p>
<p>a mesma vida breve de sempre&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/32/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/32/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/32/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=32&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Segundo soneto a Dayana</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/03/segundo-soneto-a-dayana/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2008/01/03/segundo-soneto-a-dayana/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 03 Jan 2008 16:07:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Minha pequena flor de ébano e cristal tenho me encantado mais a cada dia com esse seu jeitinho doce e angelical, esses olhinhos que espalaham alegria ao redor de de tudo, essa singela vida que brota desse seu sirriso tão doce como se, simplesmente, voce fosse feita pra alegrar o mundo ao meu redor Minha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=31&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha pequena flor de ébano e cristal<br />
tenho me encantado mais a cada dia<br />
com esse seu jeitinho doce e angelical,<br />
esses olhinhos que espalaham alegria</p>
<p>ao redor de de tudo, essa singela vida<br />
que brota desse seu sirriso tão doce<br />
como se, simplesmente, voce fosse<br />
feita pra alegrar o mundo ao meu redor</p>
<p>Minha pequena flor, mais bela que a rosa<br />
que banha-se ao sol ao entardecer<br />
sem titubear e sem o menor</p>
<p>pudor de ser uma pequena e maravilhosa<br />
flor, minha pequena flor, seja como for<br />
flor linda, limpida, dificil de esquecer&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/31/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/31/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/31/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=31&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Soneto a Dayana</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/12/31/soneto-a-dayana/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2007/12/31/soneto-a-dayana/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 31 Dec 2007 14:01:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Esses teus olhinhos brilham tanto menina, um brilho que é luz, vida, calma, tanta paz, esse teu sorriso que, então, que me fascina de um tanto, minha pequena flor&#8230; Dayana: flor que perfuma todo o mundo, que encanta a cada verso de sua poesia, seu verso é como um cometa que ilumina todo o firmamento..brilha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=30&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esses teus olhinhos brilham tanto menina,<br />
um brilho que é luz, vida, calma, tanta paz,<br />
esse teu sorriso que, então, que me fascina<br />
de um tanto, minha pequena flor&#8230;</p>
<p>Dayana: flor que perfuma todo o mundo,<br />
que encanta a cada verso de sua poesia,<br />
seu verso é como um cometa que ilumina<br />
todo o firmamento..brilha no mais profundo</p>
<p>dos coracões&#8230;ah, esses olhar tão doce<br />
que tras algo que me encanta ainda mais,<br />
esse sorriso que transpira tanto calor</p>
<p>tanta serenidade, minha flor, nesse dia<br />
te vejo como és; poeta dona de seu verso<br />
a mais bela flor do meu universo</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/30/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/30/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/30/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=30&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Soneto a Sandra</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/12/27/soneto-a-sandra/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2007/12/27/soneto-a-sandra/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 27 Dec 2007 16:03:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Sorriso balzaquiano, simplesmente feito de pura beleza&#8230;a pele: puro ébano contrastando com sorriso de perfeito branco e esplendor sem nada igual&#8230; A visão de tal sorriso é tão maravilhosa, tal qual um inesperado fenômeno, que enche de uma serenidade curiosa de conhecer além desse brilho angelical&#8230; A luz se espalha a redor de tudo, ilumina [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=29&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sorriso balzaquiano, simplesmente feito<br />
de pura beleza&#8230;a pele: puro ébano<br />
contrastando com sorriso de perfeito<br />
branco e esplendor sem nada igual&#8230;</p>
<p>A visão de tal sorriso é tão maravilhosa,<br />
tal qual um inesperado fenômeno,<br />
que enche de uma serenidade curiosa<br />
de conhecer além desse brilho angelical&#8230;</p>
<p>A luz se espalha a redor de tudo, ilumina<br />
todo o caminho por onde ela passa,<br />
reflete paz, coragem, fé, e não disfarsa</p>
<p>uma vontade de ser mais que um sorriso:<br />
visão celestial de eterno paraiso<br />
nessa mulher com sorriso de menina!</p>
<p>Sol</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/29/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/29/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/29/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/29/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/29/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=29&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Soneto para Ariana</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/12/07/soneto-para-ariana/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2007/12/07/soneto-para-ariana/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 07 Dec 2007 16:25:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[soneto]]></category>

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		<description><![CDATA[Lá de longe vejo a alma de Ariana, com uma pálida sombra no olhar, ela está triste, está sem a gana que devia estar eterna a brilhar nesse rosto docemente angelical&#8230; Ah, como queria ver um sorriso rosto de beleza seum igual, mas ela está triste e por isso me entristeço um pouco também mas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=28&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lá de longe vejo a alma de Ariana,<br />
com uma pálida sombra no olhar,<br />
ela está triste, está sem a gana<br />
que devia estar eterna a brilhar</p>
<p>nesse rosto docemente angelical&#8230;<br />
Ah, como queria ver um sorriso<br />
rosto de beleza seum igual,<br />
mas ela está triste e por isso</p>
<p>me entristeço um pouco também<br />
mas sei que ainda vou ver  seu riso<br />
brilhar em meio a  toda a vida</p>
<p>Ah, minha flor, Ariana querida<br />
eu te desejo todo o que for bem,<br />
na verdade te desejo o paraiso.</p>
<p>sol</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/28/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/28/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/28/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=28&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Dani</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/12/07/dani/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2007/12/07/dani/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 07 Dec 2007 12:29:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://odairosol.wordpress.com/2007/12/07/dani/</guid>
		<description><![CDATA[Dani, adoravel Minolta mais adoravel que qualquer outra mas suave que o vento somprando a ostra mas linda que um poster de uma banda de rock..cores limpidas demais&#8230;. Dani, insustentavel leveza mas leve que as outras em sua beleza, mais misteriosa que o mar escondendo mil tristezas na face das águas de um verde, azul, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=27&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dani, adoravel Minolta<br />
mais adoravel que qualquer outra<br />
mas suave que o vento<br />
somprando a ostra<br />
mas linda que um poster<br />
de uma banda de rock..cores limpidas demais&#8230;.</p>
<p>Dani, insustentavel leveza<br />
mas leve que as outras em sua beleza,<br />
mais misteriosa que o mar<br />
escondendo mil tristezas<br />
na face das águas<br />
de um verde, azul, ouro mistico demais&#8230;.</p>
<p>Dani, de mil tons e mil operas<br />
mas dona de si do que dona do mundo,<br />
apazigada em si dos misterios da vida,<br />
e a vida em si um brinquedo de montar<br />
um brinquedo no seu sorriso<br />
mas alvo, mas complexo, e doce, doce demais&#8230;.</p>
<p>Dani, feiticeira dos sonhos,<br />
misterios a parte, pensamentos que voam<br />
atravessam continentes<br />
povoam os coracões errantes,<br />
Dani, adoravel Minolta,<br />
mas adoravel que as outras&#8230;&#8230;&#8230;..</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/27/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/27/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/27/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=27&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>A um antigo amor&#8230;.</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/12/a-um-antigo-amor/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Nov 2007 17:20:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[minha deusa minha ninfa minha mulher minha menina (eterna) meu sonho mais dourado os teus olhos dos olhos meus são uma fotografia São tantos musculos no nosso adeus e tanto sentimento num aceno de mão e olhos espremidos e vermelhos de tanta coisa que não soubemos explicar. Nosso passado sem resultado é resultado de um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=26&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>minha deusa<br />
minha ninfa<br />
minha mulher<br />
minha menina<br />
(eterna)<br />
meu sonho mais dourado<br />
os teus olhos<br />
dos olhos meus<br />
são uma fotografia<br />
São tantos musculos<br />
no nosso adeus<br />
e tanto sentimento<br />
num aceno de mão<br />
e olhos espremidos<br />
e vermelhos<br />
de tanta coisa<br />
que não soubemos explicar.</p>
<p>Nosso passado<br />
sem resultado<br />
é resultado<br />
de um fracasso<br />
auto-biografico<br />
(na verdade somente meu)<br />
Sei que nao cantará<br />
não lera<br />
e nem voltará com os mesmos olhos<br />
pois tudo é velho<br />
e desbotado<br />
como as calças jeans daquele tempo<br />
e os sorrisos de agora&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/26/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/26/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/26/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=26&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">odairosol</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Ainda&#8230;</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/12/ainda/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/12/ainda/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 12 Nov 2007 17:19:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://odairosol.wordpress.com/2007/11/12/ainda/</guid>
		<description><![CDATA[fragmento Não é que me cansei e me larguei ao caminho&#8230;. Não é que me perdi e saltei no olho do redemoinho É que na verdade, algo se partiu dentro de mim Não que isso seja de alguma maneira o fim&#8230;. Não que mergulhei e me embrei por caminhos escuros&#8230; Não que desisti e abandonei [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=25&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>fragmento</i></p>
<p>Não é que me cansei e me larguei<br />
ao caminho&#8230;.<br />
Não é que  me perdi e saltei<br />
no olho do redemoinho<br />
É que na verdade, algo se partiu dentro de mim<br />
Não que isso seja<br />
de alguma maneira<br />
o fim&#8230;.</p>
<p>Não que mergulhei e me embrei<br />
por caminhos escuros&#8230;<br />
Não que desisti e abandonei<br />
todos aqueles planos futuros<br />
É que de alguma forma, já nao compreendo<br />
o movimento<br />
de tantos traços<br />
que outrora desenhei&#8230;.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/25/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/25/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/25/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=25&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Enquanto Janaina dorme&#8230;</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/12/enquanto-janaina-dorme/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/12/enquanto-janaina-dorme/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 12 Nov 2007 17:17:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[para Janaina escrito as duas horas de uma madrugada fria cai a noite sobre a cidade ninguem sabe pra onde vai sabem apenas que ela cai com tamanha intensidade que retorce e escurece o proprio firmamento enquanto a noite cai neste momento Janaina adormece e talves sonhe sem querer com coisas que ainda desconhece enquanto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=24&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>para Janaina</p>
<p><em>escrito as duas horas de uma madrugada fria</em></p>
<p>cai a noite sobre a cidade<br />
ninguem sabe pra onde vai<br />
sabem apenas que ela cai<br />
com tamanha intensidade<br />
que retorce e escurece<br />
o proprio firmamento<br />
enquanto a noite cai neste momento<br />
Janaina adormece<br />
e talves sonhe sem querer<br />
com coisas que ainda desconhece<br />
enquanto a noite desce<br />
desde desce vindo tecer<br />
um manto que é uma mistura<br />
de varais cores escondidas no escuro<br />
mil tons de um negror puro<br />
enquanto Janaina, linda criatura<br />
dorme sem saber de nada<br />
se vem vento ou vendaval<br />
sem saber da madrugada<br />
que dança em seu eterno ritual<br />
de dar os braços a noite que reina<br />
impecavelmente sobre a cidade<br />
enquanto Janaina, doce menina<br />
tem sonhos com a felicidade&#8230;.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/24/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/24/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/24/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=24&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">odairosol</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Carta</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/12/carta/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/12/carta/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 12 Nov 2007 17:10:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[para Elke, sabe, lá fora eu já posso ver, se estivesse aqui, tenho certeza verias também, um sol que por medo da noite. grande algoz dos sonhadores&#8230;. poderia ser o entardecer de um dia qualquer, talvez seja mesmo, mas nao para mim, talvez nao pra você&#8230; talvez alguma força invisivel estranha e inexplicavel nos una [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=23&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>para Elke,</p>
<p>sabe,<br />
lá fora eu já posso ver,<br />
se estivesse aqui,<br />
tenho certeza<br />
verias também,<br />
um sol que<br />
por medo da noite.<br />
grande algoz dos sonhadores&#8230;.</p>
<p>poderia ser<br />
o entardecer de um<br />
dia qualquer,<br />
talvez seja mesmo,<br />
mas nao para mim,<br />
talvez nao pra você&#8230;<br />
talvez alguma força invisivel<br />
estranha e inexplicavel<br />
nos una num só neste momento&#8230;<br />
talvez&#8230;.<br />
talvez&#8230;.<br />
mas a imprecisão da vida,<br />
dos dias e, sobretudo<br />
(neste momento)<br />
de uma imensidao<br />
de escureceres casuais<br />
e, aparentemente desimportantes,<br />
haja mesmo algo<br />
de diferente.</p>
<p>a luz se põe<br />
e certas canções do passado<br />
certas vozes,<br />
inumeros tons confusos<br />
de tardes de outrora,<br />
de noites velhas,<br />
fazem a tarde,<br />
para mim<br />
um imenso manto de melancolia<br />
doce,<br />
magica<br />
saudosista e poética&#8230;.</p>
<p>a noite vem<br />
como quem chega ressabiada<br />
depois de alguma travessura<br />
qualquer&#8230;</p>
<p>(mas deixemos de devaneios<br />
e prosa piegas&#8230;.)</p>
<p>escreve-te por que a tarde cai,<br />
imensa vontade de fazer um poema<br />
gigantesca fome<br />
de coisas que me soam<br />
amargas ao paladar&#8230;.</p>
<p>espero que estejas bem<br />
serena como este entardecer,<br />
desejo que tenhas na alma<br />
o alivio da chuva fina<br />
que, com calma, lava o chão<br />
e ainda deixa tudo<br />
com aquele cheiro bom de vida renovada&#8230;.</p>
<p>o ar que entra pela janela,<br />
entreaberta(num devaneio so dela)<br />
ou melhor ainda,<br />
repousa no mito de uma espera serena<br />
pelos ultimos raios do dia&#8230;.</p>
<p>a vida se aventura lá fora<br />
como um passaro recem<br />
liberto de sua gaiola&#8230;.<br />
se anula e se renova<br />
nesse ar mariado<br />
que entra pela janela<br />
e invade meus pulmões,<br />
me drenando por completo<br />
o vazio fugaz da existencia</p>
<p>cai a tarde lá fora,<br />
é bem verdade,<br />
no entanto,<br />
tantos outros vestigios da queda,<br />
da derrota da luz<br />
se fazem claros;<br />
evidencias de verdades<br />
manchando a pintura<br />
escualida dos dias&#8230;.</p>
<p>sinto um arrepio<br />
no mais profundo da alma,<br />
medo de ver o desconhecido<br />
além da janela<br />
e dessa tarde que cai.<br />
Por isso escrevo-te estas palavras<br />
oriundas das mais profundas<br />
vacidade de meu ser<br />
que por hora repousa<br />
na sonolencia das coisas<br />
que nao entende<br />
que por hora<br />
ri das coisas obvias<br />
que no fundo nao entende,<br />
que talvez jamais entenda<br />
e que por hora, finalmente,<br />
inconsolavel deixa o pulmão<br />
sugar o nectar<br />
dessa tarde que cai<br />
para além da paisagem<br />
que vê da janela.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/23/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/23/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/23/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/23/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/23/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=23&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Que assim seja&#8230;</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/09/que-assim-seja/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/09/que-assim-seja/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 09 Nov 2007 15:46:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[desejo de ficar, necessidade de partir e um terrivel medo de dar um tiro no ouvido&#8230;.. Que a vida proteja os homens e que eles se protejam de si mesmos, para mim este instante esta perdido para sempre pra toda e qualquer causa seja qual for o caso ou o acaso qualquer que vier em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=21&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-style:italic;">desejo de ficar, necessidade de partir e um terrivel medo de dar um tiro no ouvido&#8230;..</span></p>
<p>Que a vida proteja os homens<br />
e que eles se protejam de si mesmos,<br />
para mim este instante esta perdido<br />
para sempre<br />
pra toda e qualquer causa<br />
seja qual for o caso<br />
ou o acaso qualquer que vier em meu socorro&#8230;</p>
<p>Que a noite proteja os anjos<br />
e que os anjos protejam os homens<br />
por que é chegada minha hora<br />
o minuto de dizer sim ou não<br />
de puxar o gatiho<br />
ou levar a flor ao nariz<br />
seja por que motivo for<br />
seja pra onde for<br />
que o tempo guarde o caminho<br />
e ensine o tempo a não se squecer de si mesmo&#8230;.</p>
<p>Que os ventos protejam as flores<br />
e o perfume delas proteja você<br />
por que algo terrivel virá<br />
já sinto o cheiro<br />
já sinto o gosto<br />
já sinto muito medo por ti<br />
já sinto ancia de sair correndo,<br />
mas que as pernas me levem<br />
me mostrem o caminho certo<br />
e que o deserto não seja tão arido<br />
e se por ventura for<br />
que o sol mostre o caminho que a luz faz todos os dias&#8230;.</p>
<p>Que o mundo proteja você de sua propria furia<br />
mas se ele nao for capaz<br />
pode contar comigo<br />
seja como for<br />
seja por onde for<br />
desde que seja por amor&#8230;.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/21/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/21/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/21/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=21&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Tempo&#8230;</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/09/tempo/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/09/tempo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 09 Nov 2007 15:45:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Não me diga que o tempo cura ( além de piegas é loucura&#8230;.) O tempo está parado estacionado (completamente morto) feito um navio para sempre ancorado no escuro do porto&#8230;. Eu estou por um fio&#8230;. Uma mulher em um lugar que não me lembro em uma tarde qualquer de um mes de setembro me proibiu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=20&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não me diga<br />
que o tempo cura<br />
( além de piegas<br />
é loucura&#8230;.)<br />
O tempo está parado<br />
estacionado<br />
(completamente morto)<br />
feito um navio<br />
para sempre ancorado<br />
no escuro do porto&#8230;.</p>
<p>Eu estou por um fio&#8230;.</p>
<p>Uma mulher<br />
em um lugar que não me lembro<br />
em uma tarde qualquer<br />
de um mes de setembro<br />
me proibiu de amar<br />
me ensinou que isso e errado<br />
e calou para sempre a minha boca<br />
freou em mim<br />
a grande furia da vida<br />
me ensinou que é pouca<br />
toda a fé que eu possa ter&#8230;.</p>
<p>É proibido dizer<br />
&#8220;Eu te amo!&#8221;</p>
<p>Assassinou o cupoido<br />
me mostrou um novo mundo<br />
e tudo que nele existe<br />
gigantesco,<br />
animalesco,<br />
profundo<br />
e no entanto totalmente triste&#8230;</p>
<p>E o tempo secou em mim<br />
toda a sua furia<br />
fez de mim um paria<br />
me mostrou o fim<br />
do tunel<br />
mas nao me mostrou a luz&#8230;.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/20/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/20/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/20/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=20&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Odair, a vida é em vão</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/09/odair-a-vida-e-em-vao/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/09/odair-a-vida-e-em-vao/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 09 Nov 2007 15:41:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Deixe, Odair, de correr em vão olhe a estrada e perceba que tua poesia não deixou rastros a serem seguidos E que o deserto o abraça, Odair e te sufoca e causteriza seu coração. Ei Odair, não se levante nesta madrugada não há razão para estares acordado tão cedo Não é a tua poesia que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=19&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> Deixe, Odair, de correr em vão<br />
olhe a estrada e perceba que tua poesia<br />
não deixou rastros a serem seguidos<br />
E que o deserto o abraça, Odair e te sufoca<br />
e causteriza seu coração.<br />
Ei Odair, não se levante<br />
nesta madrugada<br />
não há razão para estares acordado tão cedo<br />
Não é a tua poesia que bate à porta<br />
não são teus versos<br />
que passeiam soturnos pela casa<br />
e tudo o que vês Odair, é miragem<br />
é ressentimento<br />
é saudade.<br />
Não Odair não acordes,<br />
a noite não merece tanto sacrificio teu<br />
não há cometas<br />
não há estrelas<br />
a espera de nenhum poeta<br />
e por isso, Odair, vá dormir<br />
e sonhar que tudo é calmo e manso&#8230;<br />
Deixa Odair de pensar bobagens<br />
e de fazer poemas,<br />
que isso não adianta nada<br />
não muda a dalidiana tela de sua sorte<br />
e nem o rimbaudiano verso de tua morte<br />
Dorme Odair que é a melhor saida.<br />
Não se preocupe, Odair com as possiveis guerras<br />
e com o brilho insano nos olhos dos homens<br />
tudo isso é apenas resto da poesia<br />
da existência e do caos<br />
Sossega Odair, o teu coraçao<br />
e seu batimento triste<br />
e contempla o horizonte<br />
mesmo sabendo que não passa de uma tela de Luca.<br />
Oh Odair, acalma-te e desarma o teu verso<br />
engole o teu próprio veneno<br />
esqueça Odair tudo o que lhe foi demais<br />
Deixa Odair de ser egoista<br />
e perceba coexistencias multuas<br />
ao seu redor e abandone a defesa cega de seu verso<br />
ninguém merece..nem mesmo eles<br />
Largue Odair de ler seus poetas<br />
e amaldiçoe todos eles<br />
mas um de cada vez<br />
ponha fogo, Odair, em teus originais<br />
e nas provas do teu amor<br />
queime esse passado que ainda é tao presente<br />
Rasgue Odair todas as cartas<br />
esqueça, Odair todas as datas<br />
e resnaça Odair, das cinzas como uma fenix<br />
destrua Odair as razões<br />
despreze as evidencias Odair<br />
e caminhe livre.<br />
Deixe Odair de cantar tantas canções<br />
tantos refrões iguais<br />
vai Odair apaga a fogueira dos desejos<br />
e busque<br />
e queime<br />
as bruxas que o atormentam<br />
vai Odair veja a verdade nua<br />
e crua<br />
e primitiva<br />
e rasgue Odair o véu da inoscência cega<br />
e surda que grita dentro de você<br />
Esqueça pois Odair as sentenças de Montaigne<br />
os desejos de Verlaine<br />
loucuras e incetezas de Rimbaud<br />
Esqueça Odair todos os versos de Drummond<br />
Toda a sinceridade de Vinicius<br />
toda a dureza de Cabral<br />
todo o calor de Cecilia<br />
Odair e caminhe cego pelos continentes<br />
e se destrua, Odair, pouco a pouco<br />
esqueça, Odair, que é Odair<br />
e que já foi poeta<br />
e que já fez versos<br />
e que as pessoas o abraçaram<br />
e o beijaram e o desejaram sorte<br />
para uma caminhada que sabiam que não tardarias a fazer&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/19/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/19/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/19/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=19&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Carta de amor</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/08/carta-de-amor/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 Nov 2007 15:15:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Em um pedaço de papel amarelado pela chuva e pelo sol um poeta escreve triste, uma carta de amor Uma carta sem destinatario só coisas que escorrem de seu coração só lagrimas e sorrisos que desgastam o papel Enquanto escreve espia pela janela o sol a lua o sol a chuva muito tempo se passou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=18&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 class="post-title"></h3>
<p>Em um pedaço de papel<br />
amarelado pela chuva<br />
e pelo sol<br />
um poeta escreve triste,<br />
uma carta de amor</p>
<p>Uma carta sem destinatario<br />
só coisas que escorrem<br />
de seu coração<br />
só lagrimas<br />
e sorrisos<br />
que desgastam o papel</p>
<p>Enquanto escreve espia pela janela<br />
o sol<br />
a lua<br />
o sol<br />
a chuva<br />
muito tempo se passou<br />
e a carta ainda<br />
não tem final<br />
talvez por ser carta de amor.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/18/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/18/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/18/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=18&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Ela</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/07/ela/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/07/ela/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 07 Nov 2007 21:11:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://odairosol.wordpress.com/2007/11/07/ela/</guid>
		<description><![CDATA[Para Gláucia com amor Lá vem ela caminhando entre lampadas acesas e um ceu todo estrelado, lá vem ela num passo leve como quem dança, enfeitando a noite desenhando paz em todo o cenario; Lá vem ela ao meu encontro e me sinto imensamente feliz&#8230; Nessa noite ela está estonteante incrivelmente inesxcrupulosamente absurdamente linda dentro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=16&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-style:italic;">Para Gláucia<br />
com amor<br />
</span><br />
Lá vem ela caminhando<br />
entre lampadas acesas<br />
e um ceu todo estrelado,<br />
lá vem ela num passo leve<br />
como quem dança,<br />
enfeitando a noite<br />
desenhando paz em todo o cenario;<br />
Lá vem ela ao meu encontro<br />
e me sinto imensamente feliz&#8230;</p>
<p>Nessa noite ela está<br />
estonteante<br />
incrivelmente<br />
inesxcrupulosamente<br />
absurdamente linda<br />
dentro de seu vestidinho preto<br />
sobre seus saltos altos<br />
e a luz batendo em seus cabelos ruivos;<br />
Lá vem ela ao meu encontro<br />
e me sinto inacreditavelmente feliz&#8230;.</p>
<p>Ela está uma princesa<br />
uma diva<br />
um deuza<br />
e nada mais nessa noite<br />
pode ser tão lindo quanto seu sorriso<br />
me emociono ao ver<br />
esta mulher<br />
essa menina de 43<br />
esses olhinhos me olhando<br />
e os cenarios desaparecem<br />
é só ela<br />
apenas ela<br />
tudo é ela<br />
sempre ela<br />
com ela<br />
por ela&#8230;.<br />
Ela é linda<br />
a mais bela<br />
tudo é azul<br />
e maravilhoso<br />
tudo é verde<br />
e maravilhoso<br />
tudo é ruivo<br />
e maravilhoso<br />
ela faz a mareavilha dos mil tons<br />
ela espalha luz<br />
ela irradia vida&#8230;<br />
Quem é ela meu Deus?<br />
La vem ela ao meu encontro<br />
e me sinto inescrupulosamente feliz&#8230;</p>
<p>Rezo para que essa noite não acabe<br />
para que a vida já não passe<br />
tenho um póema<br />
olho para ela e componho versos aqui dentro<br />
mas são tantos<br />
e tão grandes<br />
que querem vazar<br />
querem abraça-la&#8230;<br />
Ela está linda nessa noite<br />
Está tão linda<br />
linda!<br />
linda!<br />
linda!<br />
Que este poema se torna inutil<br />
e os versos ficam vazios<br />
Por que o belo<br />
já não pode ser descrito&#8230;.<br />
Nessa noite o mais belo<br />
é o sorriso dela<br />
dessa menina<br />
dessa menina ruiva<br />
dessa menina de quarenta e três;<br />
Lá vem ela ao meu encontro<br />
e me sinto apaixonadamente feliz&#8230;</p>
<p class="post-footer">       <em><br />
</em></p>
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		<title>O caso da barata</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Nov 2007 17:54:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Dizia que era escritor, mas era antes de tudo um ecologista, um inato paladino defensor dos insetos, algo muito raro nesse nosso mundo tão cheio de fumaça e inseticidas. Acordou naquela manhã já atrasado, mas nunca deixaria de tomar seu banho, apesar de escritor era muito atento a higiene e nao concordava com aqueles filmes [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=15&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dizia que era escritor, mas era antes de tudo um ecologista, um inato paladino defensor dos insetos, algo muito raro nesse nosso mundo tão cheio de fumaça e inseticidas.<br />
Acordou naquela manhã já atrasado, mas nunca deixaria de tomar seu banho, apesar de escritor era muito atento a higiene e nao concordava com aqueles filmes que mostram os escritores como sujeitos psicodelicos, desatentos e que não se importam com a aprencia e bebem e fumam e tem manias estranhas, correu rumo ao banheiro deslocando sua mãe que já ia entrando para fazer alguma necessidade que ele até hoje prefere ignorar.<br />
Pronto, agora o banheiro era todo seu, seu oasis e seu abrigo, pos se a tomar seu banho enquanto desafinadamente assoviava a S<em>audade de Matão.</em><br />
Quando pegou a toaha notou nela a presença de uma vistosa e gorada, e por que tambem não dizer, simpatica, ortoptera da familia dos blatidios, tambem conhecida como barata, lhe encarando com as antenas de pé.<br />
Ele balançou a toalha e a tal parente dos blatidios caiu no Atlantico poluido que lhe sobrara do banho, mas obedecendo rigorosamente a prmeira lei de Morphe, caiu com a manteiga para baixo, ou melhor com as perninhas para cima.<br />
A naufraga ortoptera se debatia tentando se virar para uma posição mais comoda e menos ridicula, sem obter sucesso. Entao ele resolveu interfirir em favor do inseto e procurando algo para desvira-la encontrou um sabonete já gasto pela rotina de tantos banhos.<br />
E fazendo uso de tão escorregadio objeto de salvamento tentou fazer dele uma alavanca, mas era liso demais, tentou por outro lado, por outro e outro e tentou de varias outras formas e só depois de quase dois minutos e quando já suava conseguiu salva-la.<br />
A barata, sem a menor cerimonia ou gesto algum de agradecimento, foi se mandando meio tonta ainda e escalou a parede. Ele sentiu-se na obrigação de revelar ao inseto o perigo iminente que corria.<br />
-Agora que está a salvo dê o fora, pois minha mãe detesta baratas.<br />
Enrolou-se entao na toalha e saindo do banheiro deu de cara com sua mãe que ainda estava ali com uma cara de quem havia sido descaradamente boicotada.<br />
Quando entrou no quarto ouviu:<br />
-Uma barata!<br />
E em seguida o chinelo estalando na parede.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/15/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/15/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/15/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=15&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O casamento</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Nov 2007 17:53:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[O poeta está se casando com uma noiva melancolica e triste ela tem nas mãos meia duzia de tabuas com seus tantos mandamentos e desejos proibidos e sonhos de sua juventude e infancia. Tras enfeitando seu vestido condecorações e medalhas de tantas conquistas e vitórias sem importancia alguma para ela. tem um bouque de recordações [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=14&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O poeta está se casando<br />
com uma noiva melancolica<br />
e triste<br />
ela tem nas mãos<br />
meia duzia de tabuas<br />
com seus tantos mandamentos<br />
e desejos proibidos<br />
e sonhos de sua juventude<br />
e infancia.<br />
Tras enfeitando seu vestido<br />
condecorações<br />
e medalhas de tantas conquistas<br />
e vitórias<br />
sem importancia alguma<br />
para ela.<br />
tem um bouque de recordações<br />
e manchas escuras<br />
de um passado amassado<br />
como papel inutil,<br />
jogado ao vento.<br />
Quais das mulheres presentes<br />
irá querer esse bouque?<br />
Com um presente triste<br />
um passado maltratado<br />
e um futuro sem futuro<br />
e sem medos.<br />
O poeta veste-se de branco<br />
para esconder as impurezas<br />
de seu verso<br />
de seu corpo<br />
e de seu coração<br />
e com isso espera aplacar<br />
a furia que o consome<br />
e na sua lapela<br />
há um cravo de defuntos<br />
velando seu silencio triste<br />
e incerto.<br />
Há convidados<br />
espalhados por todos os lados<br />
e se misturando as sombras<br />
das tantas duvidas<br />
e decepcões que povoam esse lugar.<br />
E os noivos<br />
esperão uma benção<br />
que quase soara como maldição<br />
olhos curiosos<br />
e mãos inquietas<br />
de um sacerdote sem religião<br />
saudam os noivos<br />
com gestos lentos<br />
e tambem tristes<br />
e não há saidas<br />
e nem entradas<br />
nem atalhos<br />
tudo está no meio do nada<br />
e a noite cai lá fora<br />
os ventos uivam<br />
e as nuvens despencam<br />
sobre todos os presentes<br />
de olhos<br />
e corações<br />
que não entemdem<br />
tanta tristeza<br />
e que por isso<br />
tambem entristecem-se<br />
de uma tristeza sincera<br />
e choram lágrimas<br />
claras e brilhantes<br />
e em pouco tempo<br />
as lagrimas já são mais<br />
que a chuva<br />
os suspiros são mais que os ventos<br />
e a tristeza<br />
mais melancolicas e negras que a noite<br />
e tudo isso sufoca<br />
o poeta<br />
e sua noiva<br />
e eles agonizam lentamente<br />
antes do sim<br />
que roubaria suas vidas.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Esqueço às vezes&#8230;.</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Nov 2007 17:52:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[pensamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Tinha alguns apontamentos pra fazer, sobre a vida, a perspectiva da morte eminente frente a toda latenticidade da solidão. É engraçado estar vivo em um tempo de guerra, as cinzas das coisas caem sobre minha fronte e macula meus olhos com imagens de terror, mas é preciso continuar fugindo e reinventando caminhos pra lugar algum, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=13&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tinha alguns apontamentos pra fazer, sobre a vida, a perspectiva da morte eminente frente a toda latenticidade da solidão. É engraçado estar vivo em um tempo de guerra, as cinzas das coisas caem sobre minha fronte e macula meus olhos com imagens de terror, mas é preciso continuar fugindo e reinventando caminhos pra lugar algum, acho ás vezes que viver e vivenciar o eterno ritual da fuga.<br />
A quem diga que a vida está lá fora a espera de todos, a minha espera escondida em uma infinidade obscura de possibilidades de existir e coesistir, mas tenho rido disso e de todo o resto.<br />
Tenho praticado a sincera arte do devaneio e tenho mergulhado no brumario universo da gogitação não filosofica, a cabeça anda longe do coraçao que está reaprendendo a bater.<br />
Esqueço as vezes que é preciso buscar um pouco de serenidade, parece que tenho procurado em vão, por caminhos errados, queria alguma s respostas, mas preciso achar algumas perguntas primeiro, onde elas estão?<br />
Pra quem eu perguntaria nessa tarde e nessa noite que se aproxima, tenho em mim a sindrome da tristeza e nao sei como curar as estacas que estão fincadas no peito. Sei apenas que é preciso correr e desbravar caminhos desconhecidos, talvez parar nas margens do caminho e reavaliar as idas sem volta da vida. Aqui caberia espaço para uma sonora gargalhada, mas já nao tenho forças, já nao tenho gestos ou musculos, falata a gula de querer devorar a vida, falta a ancia de tentar conquistar as coisas, as pessoas e omundo.<br />
Falta tempo, falta coregem, falata paz e sobretudo faltam palavras pra descrever as coisas que eu queria deixar de saber, deixar de qyuerer e sobre tudo deixar de sentir.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/13/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/13/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/13/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=13&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Essa pessoa</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/07/essa-pessoa/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Nov 2007 17:50:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Essa pessoa, essa pessoa tao boa, que quando me abraça diz que a vida vale a pena que é preciso tentar ser feliz essa pessoaessa ruiva menina que quando me olha me ensina que tudo pode ser bom quando a alma não é pequena&#8230;. Essa pessoa essa pessoa fantastica que enfeita minha vida que faz [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=12&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essa pessoa,<br />
essa pessoa tao boa,<br />
que quando me abraça diz<br />
que a vida vale a pena<br />
que é preciso tentar ser feliz<br />
essa pessoaessa ruiva menina<br />
que quando me olha me ensina<br />
que tudo pode ser bom<br />
quando a alma não é pequena&#8230;.</p>
<p>Essa pessoa<br />
essa pessoa fantastica<br />
que enfeita minha vida<br />
que faz magica<br />
no meu dia a dia<br />
que inspira minha poesia<br />
essa menina<br />
tao pequena<br />
que nos meus braços se agiganta<br />
e deixa de ser uma menina<br />
uma flor que desabroxa<br />
uma noite de luar<br />
um saralum verso de amor<br />
um sonho bom<br />
um poema<br />
um momento unico&#8230;.</p>
<p>Quando a noite cai<br />
com seu manto sobre a cidade<br />
eu penso nela<br />
e entao se agiganta a saudade<br />
um gosto bom<br />
na boca como se fosse o batom<br />
que me sobrou dela<br />
como se fosse uma flor<br />
que perfuma tudo<br />
suave e morna<br />
como so ela poderia ser&#8230;.</p>
<p>Uma pessoa<br />
uma pessoa unica<br />
um anjo<br />
um mulher<br />
um ser unicamente especial<br />
que humaniza a vida<br />
que justifica a existencia<br />
Ah, meu amor<br />
sei dos seus tormentos<br />
e de seus momentos de tristeza<br />
Ah, meu amor sei da frieza<br />
com que a vida trata as pessoas<br />
as pessoas boas,<br />
Ah meu amor<br />
segure minha mão<br />
segure firme<br />
segure com o coração<br />
e vou te proteger<br />
dos medos<br />
dos ventos da furia<br />
e da chuva<br />
não me diga nada<br />
não lhe peço nada<br />
apenas segure firme<br />
segure bem apertado<br />
e vamos juntos<br />
contra a corrente<br />
contra a maré<br />
que insiste em subir&#8230;.</p>
<p>Essa pessoa<br />
essa pessoa que voce é<br />
esse sorriso<br />
essa fé<br />
eu confesso<br />
estou contigo<br />
estou aqui<br />
estou a vontade<br />
e com vontade<br />
de te dizer<br />
coisas que não cabem<br />
nos versos de um poemas<br />
coisas que não<br />
nas palmas da mãos<br />
apenas dentro de um coração sereno<br />
Ah meu amor<br />
o mundo é tão pequeno<br />
tudo é tão miudo<br />
e tudo passa tão depressa;<br />
mas essa noite segure minha mão<br />
aperte bem meus dedos<br />
conte me<br />
tudo sobre seus medos<br />
seus temores<br />
tambem serão meus<br />
e meus dedos<br />
te darão abrigo<br />
meus braços te contarão historias<br />
mais antigas que as nossas<br />
me conte sua historia<br />
me abrace devagar<br />
e eu te conto tudo<br />
tudo sobre esse mundo<br />
que a gente nao entende<br />
e entao de beijarei<br />
e te darei mais<br />
amor do que um homem pode dar<br />
Ah meu amor<br />
vem antas que a noite caia<br />
segure minha mão&#8230;.</p>
<p>Essa pessoa<br />
essa pesssoa grande<br />
que não foge<br />
que não se esconde&#8230;.<br />
que procura e que se acha a<br />
cada instante<br />
ah&#8230;.<br />
e sobre tudo<br />
segure aminha mao&#8230;&#8230;.</p>
<p>e tudo sera o suficiente..</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/12/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/12/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/12/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=12&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Caso e acaso&#8230;</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/07/caso-e-acaso/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Nov 2007 17:48:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Eles nasceram sob o mesmo signo Em cantos distantes da mesma cidade seus cordoes umbilicais foram cortados ao mesmo tempo e abençoados pelo mesmo silencio de velório Cresceram ambos um centimetro a cada suspiro pensaram juntos tantos pensamentos torpes e morreram juntos em cada desejo que nao puderam tocar com as póprias mãos Em cada [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=11&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eles nasceram sob o mesmo signo<br />
Em cantos distantes da mesma cidade<br />
seus cordoes umbilicais foram cortados<br />
ao mesmo tempo<br />
e abençoados pelo<br />
mesmo silencio de<br />
velório<br />
Cresceram ambos um centimetro<br />
a cada suspiro<br />
pensaram juntos tantos pensamentos<br />
torpes<br />
e morreram juntos em cada desejo<br />
que nao puderam tocar<br />
com as póprias mãos<br />
Em cada canto da cidade<br />
germinaram sonhos em seus coraçoes<br />
e seus sonhos se fizeram flores<br />
e a distancia as despetalou&#8230;.</p>
<p>Eles nasceram sobre o mesmo sol<br />
em bares diferentes<br />
mas tomando do mesmo vinho<br />
e por nao se conhecerem<br />
embriagaram-se pelos mesmos<br />
motivos<br />
E sobre os dois choveram chuvas<br />
de mesmo gosto<br />
nem doce<br />
nem amarga<br />
nem leve<br />
nem pesada<br />
Ele se chamava José ou João<br />
ou Joaquim ou Francisco<br />
Na verdade ninguem se lembra<br />
O nome dela era Maria era Ana  ou<br />
Ducinéia e era tambem Tereza<br />
Na verdade nunca chegou a ser registrada<br />
E por isso fragmentos dessa historia<br />
se perderam entre tantos<br />
desencontros.</p>
<p>Eles nasceram quando o sol preparava-se<br />
para se por<br />
E suas primeiras lagrimas<br />
foram escuras<br />
e sem estrelas<br />
Ela aos 17 foi ao cinema e conheceu<br />
Bogart que lhe<br />
sorriu<br />
Ele a meia noite descobriu tudo o que<br />
ainda nao podia<br />
Suas vidas são proibidas para<br />
menores de 18<br />
Ela cresceu catolica, foi protestante<br />
e uma simpatizante<br />
de Buda e de Kardec<br />
Ele leu muita filosofia e aprendeu<br />
a mentir  o que sentia<br />
Ele tambem leu os russos<br />
os franceses<br />
e detestou os surrealistas<br />
mas bocejou antes de sorrir para<br />
a vida<br />
Ela foi neo expressionista em cada gesto<br />
seu sorriso foi barroco  até o ultimo<br />
dente de ouro no<br />
fundo da boca<br />
Sonhou ser pintada nua por Picasso<br />
para descobrir quais<br />
eram suas verdadeiras<br />
formas.</p>
<p>Quando eles nasceram<br />
um F5destelhou toda a Australia<br />
matou varias familias<br />
de cangurus<br />
e centenas de navios desapareceram<br />
nas Bermudas<br />
Golfinhos morreram no Atlantico<br />
e esquimos desertaram do Alasca<br />
Mas eles não ficaram nem sabendo<br />
como eram importantes<br />
um para o outro.</p>
<p>Aos 18 ele tomou seu primeiro porre<br />
fez o primeiro soneto<br />
e esqueceu o gosto do primeiro beijo<br />
e saiu de casa<br />
Meia hora antes ela havia esquecido<br />
a cor dos proprios<br />
olhos<br />
Descoberto o gosto de wisk com coca cola<br />
e limão<br />
Renegado a santissima trindade<br />
em nome de seus proprios sonhos.</p>
<p>Antes que ele acordasse da ressaca<br />
ela leu para si mesma<br />
um poema de Neruda<br />
e se apaixounou por alguem<br />
que ainda nao conhecia<br />
Ele acordou com a boca amarga<br />
e quando se olhou no<br />
espelho nao reconheceu<br />
o proprio rosto<br />
Então ambos descobriram que mentiam<br />
uma para o outro<br />
e para si mesmos.</p>
<p>Resolveram entao que precisavam um<br />
do outro<br />
E se encntraram na quedade uma estrela<br />
cadente onde<br />
fizeram o mesmo<br />
pedido.<br />
Ele disse: Quero conhecer<br />
Ela disse: algeum que seja<br />
Ele disse:como o nada<br />
Ela disse: como o tudo<br />
E seus narizes se colaram<br />
e ambos se griparam<br />
e umse tornou o remedio do outro</p>
<p>quando seus caminhos se cruzaram<br />
foram atropelados por suas proprias<br />
emoções<br />
ela tomou vinho<br />
e ele guaraná<br />
eles fizeram centenas de projetos<br />
ouviram um milhão de mentiras<br />
e comemoraram juntos a queda<br />
do muro de Berlim<br />
levaram lembranças<br />
da reunificaçao<br />
ouviram muito rock<br />
muito samba<br />
e dançaram uma valsa ao piano de Jobim<br />
Encontram na praia<br />
e num bar de esquina<br />
os padrinhos para o casamento<br />
convidaram a TV e os jornais<br />
as revisatas e as radias mais ouvidas<br />
Mas não apareceu ninguem<br />
Ela se vestiu de noiva<br />
e ele de smokin<br />
mas esqueceram as alianças<br />
e esqueceram os proprios nomes<br />
Na hora de dizer o sim<br />
nao saiu nem sim e nem não<br />
Ela disse: sei lá eu<br />
Ele disse: Talvez</p>
<p>Cada um seguiu para um lado<br />
mas vivem em um planeta redondo<br />
e um dia vão se encontrar para<br />
uma festa de aniversario<br />
Só nao se sabe de quem<br />
se dos dois ou de ninguem<br />
Já que ambos nasceram no mesmo<br />
instante<br />
E um dia se unirão para morrer<br />
sobre  o mesmo céu&#8230;.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/11/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/11/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/11/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=11&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Restou&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Nov 2007 17:47:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[tudo se resume em pouca coisa em poucos gestos poucas palavras contam a pequena historia pobre de fatos e de atos heroicos&#8230; a historia de quem corre atras de pouca coisa e em pouco tempo tudo que tem lhe será tirado apesar de pouco, roucos são os brados e nem bravos são sao paenas poucas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=10&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>tudo se resume em pouca coisa<br />
em poucos gestos<br />
poucas palavras contam<br />
a pequena historia<br />
pobre de fatos<br />
e de atos heroicos&#8230;</p>
<p>a historia de quem corre<br />
atras de pouca coisa<br />
e em pouco tempo<br />
tudo que tem lhe será tirado<br />
apesar de pouco,<br />
roucos são os brados<br />
e nem bravos são<br />
sao paenas poucas vozes<br />
em um couro quase mudo&#8230;.</p>
<p>pouca coisa restara dessa noite<br />
e poucas sobreviverão para contas<br />
fatos perdidos<br />
rostos escondidos<br />
enquanto as sombras se alongam<br />
para alem das poucas estrelas,<br />
mas nada disso muda a sina<br />
nem os sinais que a tempos aguardamos<br />
para podemos duvidar das poucas verdades<br />
que nos ensinaram<br />
a tanto tempo&#8230;.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/10/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/10/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/10/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=10&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Medo&#8230;</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/07/medo/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/07/medo/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 07 Nov 2007 17:46:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Fronteira-MG 21-12-2006 Eu já não me julgo e já nao mais me julgam poeta de coisa alguma, apenas um homem cansado e de ombros endurecidos que de fio em fio vê tudo escorrer de uma unica vez&#8230;. Tenho tido pensamentos turvos sobre aquele restinho de vida (coisas em que ainda acredito) tenho a dias me [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=9&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fronteira-MG<br />
21-12-2006</p>
<p>Eu já não me julgo<br />
e já nao mais me julgam<br />
poeta de coisa alguma,<br />
apenas um homem cansado<br />
e de ombros endurecidos<br />
que de fio em fio<br />
vê tudo escorrer de uma unica vez&#8230;.</p>
<p>Tenho tido pensamentos turvos<br />
sobre aquele restinho de vida<br />
(coisas em que ainda acredito)<br />
tenho a dias me jogado numa<br />
estranha e já esquecida aventura:<br />
compor um poema de amor.<br />
Mas é como se tudo estivesse<br />
adormecido dentro de mim<br />
dentro de cada centimetro do meu ser<br />
como se não pudesse correr<br />
por não ter pernas<br />
ou por desconhecer o caminho</p>
<p>Sou uma pessoa triste<br />
e fiz da vida um poema solitário&#8230;.</p>
<p>Esta manhã estou triste demais<br />
por razões que não sei<br />
por motivos que desconheço.<br />
Sei apenas que os dias<br />
tem deixado em mim suas unhas<br />
e minha carne tem sido fraca<br />
e meus braços tem sido poucos<br />
e minha voz tem sido rouca<br />
de urros e gemidos<br />
e tenho me calado evelado<br />
o tempo&#8230;.<br />
TEnho temido hoejes<br />
e desconfiado de amanhãs.<br />
Existe uma insegurança gigante<br />
em cada um dos meus gestos&#8230;.</p>
<p>Queria ter agora a força<br />
de um grito de protesto<br />
ter a furia que ardia<br />
noutros tempos idos,<br />
ter quem sabe, uma pequena gota<br />
de serenidade<br />
suficiente para aplacar o medo.</p>
<p>EScrevo por medo,<br />
por temer estranhos acontecimentos<br />
e acontecimento qualquer.<br />
Medo que essa porta nao se abra<br />
medo que ela não volte<br />
medo de não mais ver seu sorriso.<br />
Meu Deus há algo de errado no ar,<br />
aquele cheiro que corroia-me<br />
por dentro<br />
na época dos velhos poemas&#8230;<br />
Um estranho,<br />
indecifravel<br />
e triste cheiro de amor.</p>
<p>O que é feito desse poeta<br />
que mais uma vez jogado<br />
contra uma correnteza que<br />
desconhece a força<br />
e a furia.<br />
O que será feito do homem<br />
que já não compreende quase nada<br />
e que toda ciência<br />
aprendida nos livros<br />
agora torna-se inutil;<br />
se desmancha num sorriso de menina.</p>
<p>Escrevo enquanto espero por ela,<br />
pra que ela me pegue pela mão<br />
e me mostre qual o caminho<br />
escrevo como quem reza<br />
uma estranha prece a um deus pagão<br />
como quem emudece<br />
sufocado por uma multidão de gritos.<br />
Escrevo um poema mórbido<br />
donde deveria compor um poema de<br />
amor&#8230;&#8230;</p>
<p>Mas onde estarão todos os versos<br />
onde se escondem todas as palavras<br />
toda aquela vontade de mover<br />
o mundo<br />
e tirar as pedras do caminho?<br />
Parece até que tudo se esconde<br />
em paredes que roem-se<br />
em restos de coisas<br />
e vestigios de gestos&#8230;.</p>
<p>Lembro-me dos poemas longos<br />
tempo de ância de poeta<br />
ância de fazer algo<br />
ância de amar uma única mulher<br />
por um único instante<br />
que durasse uma eternidade&#8230;..</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/odairosol.wordpress.com/9/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/odairosol.wordpress.com/9/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/odairosol.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/odairosol.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/odairosol.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/odairosol.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/odairosol.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/odairosol.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/odairosol.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/odairosol.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/odairosol.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/odairosol.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/odairosol.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/odairosol.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/odairosol.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/odairosol.wordpress.com/9/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=9&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Danizissima</title>
		<link>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/07/danizissima/</link>
		<comments>http://odairosol.wordpress.com/2007/11/07/danizissima/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 07 Nov 2007 17:44:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odairosol</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[já não sei bem sabe como é coisas da gente mania de ver o que tem no mundo que é meio diferente mania nossa não é menina pequena Dani que corre pra onde me pergunto de novo aquela menininha linda de 15 anos de 15 mil planos para o futuro lembro dela&#8230; &#8221; meu Deus&#8230;quem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=odairosol.wordpress.com&amp;blog=2075078&amp;post=8&amp;subd=odairosol&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>já não sei bem<br />
sabe como é coisas da gente<br />
mania de ver o que tem<br />
no mundo que é meio diferente<br />
mania nossa não é menina<br />
pequena Dani que corre<br />
pra onde me pergunto de novo<br />
aquela menininha linda de 15 anos<br />
de 15 mil planos para o futuro<br />
lembro dela&#8230;<br />
&#8221; meu Deus&#8230;quem é ela&#8230;quem é ela &#8220;<br />
não me pergunte<br />
nem mesmo argumente<br />
ela é um pouco<br />
do uivo rouco dos ventos<br />
dos sentimentos<br />
em ebolição<br />
é a ação da propria reação<br />
ela tem&#8230;<br />
umas coisas assim&#8230;assim&#8230;<br />
iguais a mim<br />
e contraria a mim mesmo<br />
tem em mim&#8230;<br />
e em si mesma<br />
um pedacinho do meu coração.</p>
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